Capítulo Vinte e Dois: Grande Xia Torna-se o Centro das Atenções!

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3395 palavras 2026-02-09 17:15:46

Qi Mu ressuscitou, e todos da equipe estavam muito felizes. O fortificante corporal para humanos também passou pelo teste final; porém, por ordem do Senhor do Domínio de Grande Xia, o fortificante não foi divulgado amplamente. Assim, dentro da organização dos Observadores, iniciou-se o primeiro lote de injeções do fortificante.

Neste momento, Qi Mu estava deitado de costas em uma cama de hospital. Seu semblante era calmo, mas por dentro sentia-se inquieto; afinal, ser um dos primeiros a receber a injeção não era algo trivial e dizer que não estava nervoso era mentira. Engoliu em seco, esforçando-se para se acalmar. Ao seu lado, um médico de jaleco branco, percebendo sua ansiedade, sorriu amigavelmente:

— Rapaz, não precisa ficar nervoso. Já testamos isso várias vezes, está tudo certo.

— Sim — respondeu Qi Mu com voz contida.

O médico aspirou a substância para a seringa, desinfetou o braço de Qi Mu com álcool e aplicou a injeção. Qi Mu sentiu uma leve picada, como se fosse uma mordida de mosquito; seu corpo enrijeceu por reflexo, depois relaxou. Assim que a aplicação terminou, o médico retirou a seringa e avisou que estava pronto. Qi Mu não sentiu nenhuma alteração em seu corpo e se preparava para se levantar, quando, de repente, uma onda de calor percorreu seu corpo inteiro.

— Ugh... — No braço de Qi Mu, veias azuladas saltaram sob a pele antes pálida e macia, acompanhadas de uma dor intensa.

— Doutor, o que está acontecendo? — Qi Mu pressionou o braço com força e perguntou ao homem ao lado.

— Hum? Nos testes anteriores isso não aconteceu; talvez seja o efeito do fortificante, seu corpo ainda não se adaptou. É só dor, aguente um pouco — respondeu o homem com indiferença. Situações assim eram esperadas, já que Qi Mu era o primeiro a receber a substância.

Na época, Yan Yan havia tentado impedir de todas as formas, mas como a ordem viera de Ye Zichen, ninguém ousou contestar. Os resultados dos testes haviam sido excelentes, sem riscos à segurança.

Contudo, o estado de Qi Mu agora preocupava Yan Yan, que observava da sala ao lado:

— Qi Mu não vai sofrer de novo, vai, Ye Zichen? Eu disse para não deixá-lo ser o primeiro. E se houver reações adversas? — Exclamou, agarrando a manga de Ye Zichen, sem largar, exigindo explicações.

— Yan Yan, acalme-se. Vamos esperar para ver — Ye Zichen afastou suavemente sua mão, falando com tranquilidade.

Yan Yan, ansiosa, se aproximou do vidro, observando Qi Mu com apreensão.

Qi Mu resistia à dor no braço. Um minuto, dois minutos... a dor não cessava.

— Doutor... — Quando estava prestes a chamar, seu corpo arqueou bruscamente, um gemido escapou-lhe da boca, grossas gotas de suor brotaram da testa e ele se contorceu de dor.

— Ah! — gritou, o semblante desfeito em agonia.

O homem ao lado também se alarmou:

— O que está acontecendo?

Enquanto falava, procurava desesperadamente por um sedativo no armário. Vasculhou por um tempo, mas Qi Mu já gritava de dor, quase rasgando a garganta:

— Ah! Dói!

A pele antes amarelada e pálida de Qi Mu agora estava completamente avermelhada, como se fosse uma formiga sobre uma chapa quente; o ar parecia mais sufocante, carregado de calor.

De repente, os gritos cessaram abruptamente. O médico finalmente encontrou o sedativo, mas, ao erguer a cabeça, viu Qi Mu deitado serenamente, a pele de volta ao normal, como se nada tivesse acontecido.

— Qi Mu! Qi Mu! — O médico correu até ele, sacudindo-o e chamando-o, tentando despertá-lo.

Mas Qi Mu permanecia imóvel, sem qualquer reação. O médico, aflito, olhou para o monitor: os batimentos cardíacos haviam subido bruscamente, parado de repente e, em seguida, voltado lentamente ao normal.

Em todos os anos de profissão, nunca vira algo tão estranho; estava atônito, sem saber como agir.

Do lado de fora, Yan Yan já não se continha. Arrombou a porta e correu para dentro.

Jiang Tiancheng tentou detê-la:

— Yan Yan, não seja precipitada!

Yan Yan gritou, aflita:

— Vocês não estão vendo o estado de Qi Mu? Ele acabou de voltar à vida, e querem mandá-lo de volta ao túmulo!

Seu corpo cedeu, desabando ao chão, desolada.

Jiang Tiancheng a amparou rapidamente e disse, firme:

— Tenha calma. Pode ser uma reação do fortificante reorganizando o corpo de Qi Mu. Vamos observar antes de agir.

Essas palavras deram esperança a Yan Yan. Ela se levantou, murmurando para si:

— Vai ficar tudo bem... Qi Mu vai ficar bem...

Ye Zichen aproximou-se do médico e perguntou:

— O que aconteceu com ele?

O médico, com expressão duvidosa, respondeu:

— Pelo estado atual, parece que a energia do fortificante foi forte demais, e o corpo dele não suportou a pressão, levando àquela reação.

— E agora?

— Agora tudo está normal no monitor. Provavelmente foi um desmaio temporário. Vamos observar por mais um tempo — respondeu o médico, lançando um olhar a Qi Mu e depois a Ye Zichen.

— Está bem.

Ye Zichen foi ao escritório, fitou os dados sobre o fortificante e murmurou:

— Ainda não está estável. A força precisa ser mais bem distribuída e isolada.

Pegou então um caderno trancado no armário, e fez anotações: "14 de julho, início da primeira aplicação do fortificante humano..."

Naquele dia, para salvar Qi Mu, os Observadores não reagiram ao estranho fenômeno celeste que ocorreu, o que permitiu que todos presenciassem o evento, inclusive o Inspetor e os domínios vizinhos de Grande Xia: Longhu e Daqing.

Ambos enviaram emissários a Beihai; o Inspetor também notificou o Emissário Divino, que ordenou investigação imediata. Porém, ao se aproximarem da base dos Observadores, um homem os interceptou.

Ele usava uma máscara com cabeça de dragão e, com as mãos cruzadas nas costas, declarou friamente:

— Por ordem do Senhor do Domínio de Grande Xia, à frente está nossa base experimental. O fenômeno de ontem foi apenas um acidente. Por favor, regressem.

O Inspetor não se intimidou: era servidor do Conselho dos Deuses e só obedecia a seus superiores. Ao tentar avançar, o mascarado deixou escapar um leve grunhido, liberando uma aura opressora. O Inspetor sentiu-se incapaz de dar um passo sequer, sendo forçado a recuar.

Os representantes de Longhu e Daqing, vendo o Inspetor recuar, nada puderam fazer além de se retirar para dentro de Beihai, aparentando que ali permaneceriam. Isso já era uma concessão, pois recorrer imediatamente à força seria imprudente — Grande Xia se tornaria alvo de todos. O Senhor do Domínio sabia disso e apenas reforçou a vigilância. O tempo da exposição dos Observadores ao mundo ainda não havia chegado...

— Humpf, isso é demais! Grande Xia está muito arrogante, querendo que recuemos assim. Na próxima Assembleia dos Deuses, nosso domínio vai esmagá-los sob nossos pés! — exclamou um homem robusto, batendo com força na mesa, o rosto tomado pela fúria.

— Não precisa se irritar tanto. Se Grande Xia continuar com esse desempenho na próxima Assembleia dos Deuses, temo que as atuais vinte e quatro regiões se tornem vinte e três — comentou outro homem, rindo com sarcasmo.

Eram os enviados de Longhu e Daqing. Após serem repelidos pelos asseclas do Senhor de Grande Xia, foram até uma hospedaria na cidade, onde conversavam sem se preocupar com quem pudesse ouvir, como se estivessem em seu próprio território.

— Humpf, quero ver quanto tempo ainda conseguem esconder algo.

— Ouvi dizer que aqui desenvolveram mesmo o fortificante para humanos — perguntou Tie Chi, o enviado de Longhu, ao colega ao lado.

— Sim, mas Grande Xia alegou ter provas de que tudo não passou de boatos espalhados pelo Pavilhão Linglong e pela Seita Disha — respondeu Zhi Qing, o enviado de Daqing, sorrindo friamente.

— Essa desculpa só engana crianças. Grande Xia acha que somos tolos?

— Onde há fumaça, há fogo. Se o rumor se espalhou, acredito que Grande Xia realmente desenvolveu o fortificante. Caso contrário, não teriam se apressado tanto para apresentar provas e enganar a nós e ao Conselho dos Deuses — afirmou Tie Chi, convicto.

Zhi Qing sorveu um gole de chá, o olhar astuto:

— Faz sentido, mas onde está a prova? Grande Xia ainda integra as vinte e quatro regiões, e o Conselho dos Deuses não pode simplesmente invadir sem motivo.

— E por quê? Se o Conselho dos Deuses é a autoridade suprema, se quisermos forçar uma busca, eles ousariam recusar? — Tie Chi demonstrava desprezo; para ele, Grande Xia não passava de uma sombra do que fora.

— O coração humano... — Zhi Qing alisou os longos cabelos, sorrindo sombriamente.

Trocaram olhares e, com risadas cúmplices, ergueram as xícaras e brindaram:

— Falaste bem, falaste bem... Hahaha!

Na Mansão Han, o jovem senhor Han andava de um lado para o outro, visivelmente nervoso, as roupas encharcadas de suor, as mãos cruzadas nas costas.

Um criado entrou apressado, ofegante, e disse:

— Jovem mestre, já está tudo pronto na mina. Nossos homens trancaram todos os trabalhadores lá dentro.

Ao ouvir a notícia, Han Mo se animou e foi até o criado:

— Com que desculpa? Alguém desconfiou?

O criado, recuperando o fôlego, bateu no peito:

— Fique tranquilo, senhor. Resolvi tudo rapidamente. Disse que o prazo encurtou e que receberiam o triplo do salário. Todos aceitaram e voltaram ao trabalho sem questionar.

— Muito bem, ótimo trabalho. Desta vez teremos uma grande recompensa. No futuro, prometo que viverás no luxo, com tudo do bom e do melhor — Han Mo olhou para o homem com apreço.

— Vamos ficar por aqui, então, nesta grande mansão, assistindo de camarote o espetáculo que está por vir. — O sorriso de Han Mo era tão radiante quanto sufocante...