Capítulo 101 — Fingindo representar: Haonan se faz passar habilmente por um chefão e, com ouro verdadeiro, faz o mestre do salão recuperar as duas pernas
Capítulo 101: Fingindo ser o chefão, Haonan assume o papel; O líder do salão recupera as pernas com ouro verdadeiro
Logo pela manhã, o Irmão Lei foi despertado por um telefonema. Esfregando o rosto com uma mão e pegando o celular com a outra, ao ver o identificador de chamadas, ele despertou instantaneamente.
— Mestre Nuo, tão cedo? Algum problema?
Do outro lado da linha, a voz de Chen Nuo parecia um tanto hesitante: — É, desculpe te acordar tão cedo, Irmão Lei.
— Sem problemas! — respondeu o Irmão Lei com prontidão. — Se me procurou tão cedo, deve ser importante. Diga!
Após alguns segundos de silêncio...
— Preciso que consiga algumas roupas femininas para mim.
— ...Hã?
— Não quero nada novo. Quero peças usadas, estilos não muito antiquados, que sejam bonitas. Ah, apenas agasalhos, nada de roupas íntimas. O tamanho... cerca de 1,65m. E sapatos, números 36 ou 37, femininos — sapatos de couro, saltos altos, tênis, traga alguns pares. Tudo usado, nada novo!
O Irmão Lei ficou estupefato. "Caramba! Seguir o Mestre Nuo torna a vida cada vez mais inusitada. Da última vez, foi definir um KPI para cobrar despesas médicas através de surras. Hoje, quer que eu consiga roupas de mulher..."
Não ousando questionar, o Irmão Lei guardou suas dúvidas: — Roupas femininas, sapatos, sem roupa íntima. Estilos mais jovens e bonitos, altura em torno de 1,65m, sapatos 36 ou 37... usados, não novos. Entendido! Vou providenciar o mais rápido possível e te entregar.
— Certo...
A ligação foi encerrada. O Irmão Lei segurava o telefone, cheio de interrogações. "1,65m? Aquela garota, Sun Keke... parece não ter 1,65m, não é?"
***
A ligação fora feita do andar de baixo. Chen Nuo desligou, soltou um suspiro de alívio e subiu as escadas apressadamente. Ao chegar à porta de casa, olhou com cautela e um pouco de culpa para a porta do vizinho... então, apressou-se a abrir a sua própria.
Dentro do apartamento, Lu Xixi já estava escovando os dentes no banheiro. Chen Nuo anunciou: — Comprei café da manhã, palitos de massa frita, leite de soja e mingau.
Lu Xixi espiou, sorrindo docemente para ele, ainda com espuma de pasta de dente na boca. Naquela noite, os dois dormiram abraçados no sofá... Ao amanhecer, quando ela olhou para seu "marido", o sentimento de intimidade em seu coração aumentou consideravelmente.
Após Lu Xixi se arrumar, sentaram-se à mesa para comer juntos pela primeira vez na vida.
— Marido... sobre ontem...
— Sim — Chen Nuo pensou por um momento. — O que quer dizer?
— Desculpe, eu te causei problemas?
Chen Nuo pensou: "Não é questão de problema, é que meu coração não aguenta tanta emoção."
— Ontem foi estranho. Aquela senhora veio procurar o marido, mas acabou batendo na porta errada. Achei que ela estava agindo de forma estranha, talvez com problemas mentais — Lu Xixi franziu a testa. — Fiquei preocupada... então a segui.
— Eu entendo. Você viu nela um reflexo de si mesma e agiu por compaixão — Chen Nuo disse, compreensivo.
— Pois é — Lu Xixi suspirou, com uma sombra no olhar. — Não sei quando minha memória vai voltar, então, ao vê-la, senti muita pena.
Chen Nuo ficou em silêncio.
— Depois encontrei aqueles homens maus, e então...
Lu Xixi contou rapidamente o ocorrido. Chen Nuo fingia ouvir enquanto comia, ocasionalmente fazendo perguntas.
— Marido, por que no final você não entrou para ver a senhora e a criança?
— Marido, o marido daquela senhora apareceu depois? Por que você me abraçou e se escondeu?
Ótimas perguntas! Verdadeiras armadilhas! Felizmente, o "Rei Yama" Chen, após uma noite inteira, já havia preparado as respostas.
Refletindo, Chen Nuo suspirou e olhou para Lu Xixi: — Na verdade, eu ia falar justamente sobre isso.
— Sim, pode falar! — Lu Xixi sentou-se ereta, pronta para ser educada.
— Você e eu não somos pessoas comuns — Chen Nuo disse com tom grave. — Mas, neste mundo, quanto mais habilidades escondemos, mais cautelosos devemos ser. Sobreviver com discrição é o caminho. Entende?
— Não entendo.
— Ai... — Chen Nuo soltou um suspiro teatral. — Embora tenhamos artes marciais, no passado, não faltavam inimigos. Agora que vivemos no anonimato, levando uma vida pacata, precisamos ser prudentes. Se formos muito chamativos, atrairemos o caos do submundo novamente. Se alguém notar e espalhar a notícia, nossos antigos inimigos virão nos procurar, e isso será um problema.
Lu Xixi girou os olhos: — Então, ontem, quando você usou o capacete e nem mostrou o rosto, foi por medo de ser reconhecido?
— Exato — Chen Nuo assentiu, olhando-a com ternura. — Foi você quem disse, lá atrás, que estava cansada das disputas, dos perigos e das tempestades do mundo das artes marciais... e foi por isso que decidimos voltar a ser pessoas comuns, vivendo anonimamente.
— Ah? Fui eu quem disse? — Lu Xixi arregalou os olhos.
— Sim, foi você.
Lu Xixi ficou confusa. "Fui eu? Embora eu tenha perdido a memória, por que sinto que isso é estranho?" Ela pensou: "Eu estava cansada daquelas coisas? Estava mesmo? Mas, só de pensar nisso agora, sinto-me tão animada e interessada... Por que sinto vontade de causar confusão?"
"Bem! Eu perdi a memória, então você quem manda."
***
Após o café, Chen Nuo levou Lu Xixi para sair. Ele não confiava em deixá-la sozinha em casa; havia muitos detalhes que não batiam, e se ela começasse a vasculhar os armários, encontraria muitas suspeitas.
Sob o pretexto de fazer compras, passeou com ela pelo supermercado, comprou algumas roupas e, ao passar por uma clínica de estética, Chen Nuo parou.
— Olha só, querida, estão fazendo uma promoção! Comprando um cartão, ganha um bônus!
— Hã?
Antes que ela pudesse reagir, Chen Nuo a puxou para dentro. Em um piscar de olhos, ele já estava conversando animadamente com a atendente e pagando pelo cartão.
— ?? Marido??
Chen Nuo olhou para ela com ternura: — Você parece abatida ultimamente, a pele não está boa. Vamos lá, toda mulher precisa de cuidados.
A atendente começou a listar tratamentos: hidratação, redução de poros, massagens aromáticas... Lu Xixi, confusa, foi conduzida para uma sala e deitada em uma maca.
Na porta, Chen Nuo acenou: — Querida, faça seu tratamento, vou ao mercado comprar comida.
— Ah? — Lu Xixi sentiu uma inquietação instintiva e tentou se levantar.
Chen Nuo a pressionou de volta na maca. — Não tenha medo, vou só comprar os ingredientes. Este tratamento demora. Compro tudo e volto para te buscar, depois faremos o almoço juntos.
— Mas...
— Fique aqui. Não saia andando... já paguei tudo. Se precisar de algo, me ligue. Lembra do número?
— Lembro...
— Ótimo. Vou comprar comida. O que quer comer no almoço? Carne de porco refogada ou costelinha agridoce?
— ...Costelinha — Lu Xixi engoliu em seco, instintivamente.
— Feito. Costelinha agridoce, vou comprar um peixe para a sopa e brócolis.
— Oh...
Vendo Chen Nuo se afastar enquanto duas esteticistas com máscaras se aproximavam com seus frascos... Lu Xixi, ainda confusa, deitou-se novamente. "Ué? Por que sinto que fui enrolada?"
***
Ao sair da clínica, Chen Nuo pegou um táxi e foi direto para a escola! Por quê? Para buscar Chen Xiaoye! Na noite anterior, ele enviou uma mensagem ao Mestre Jiang, dizendo que estava ocupado no trabalho e não poderia buscar a menina.
Chegando à escola, foi direto para o dormitório dos professores. Bateu na porta e encontrou o Mestre Jiang com uma expressão séria.
— Mestre — Chen Nuo curvou-se.
— Entre — Jiang suspirou, abrindo caminho.
Chen Xiaoye já estava arrumada, com Song Qiaoyun terminando de trançar seu cabelo.
— Irmão! — Xiaoye gritou, virando a cabeça. Song Qiaoyun a repreendeu gentilmente: — Fique quieta, a trança ainda não está pronta!
— Oh~ — Xiaoye sentou-se comportadamente.
Jiang pediu que Chen Nuo se sentasse: — Chega de timidez, não estou bravo. Entendo que, criando a criança sozinho e trabalhando para se sustentar, a vida é difícil. Ontem você estava ocupado, entendo.
Chen Nuo sorriu, fingindo alívio. Jiang disse: — Você também não tem vida fácil...
"De fato, não tenho!", pensou Chen Nuo.
Jiang fez um sinal e os dois foram para a cozinha. — O que houve com o pai da Xiaoye?
Chen Nuo mudou a expressão, fingindo indignação: — Mestre, só de lembrar disso, sinto minha raiva subir... — Ele explicou brevemente sobre Gu Kang.
Jiang ficou horrorizado: — Que tipo de criatura faz isso?
— Pois é! — Chen Nuo disparou. — Ele tentou levar a menina ontem com más intenções! Felizmente o senhor a buscou... Aliás, como o senhor chegou ao jardim de infância ontem?
— ...Não fui eu, foi sua Mestra — Jiang suspirou. — Ela teve um de seus episódios e, como eu não estava, ela foi sozinha e acabou encontrando esse tal de Gu Kang.
— E depois? — Chen Nuo fingiu ignorância.
"Depois?", Jiang franziu a testa. Na verdade, ele também não tinha certeza. Após trazer a esposa e a menina de volta, Song Qiaoyun recobrou a consciência, mas não se lembrava dos detalhes. Xiaoye, com cinco anos, entendia apenas que o pai e a madrinha a buscaram para jantar, mas o irmão nunca apareceu.
Jiang, um veterano no submundo, notou algo importante: a mulher misteriosa. Segundo Xiaoye, uma "irmã mais velha muito bonita" estava com a madrinha. Song Qiaoyun lembrava-se vagamente de ter procurado uma casa, encontrado uma mulher bonita, mas percebido que estava no lugar errado.
Havia algo estranho ali. Uma mulher que apareceu do nada, mas que parecia ter agido por bondade. E no local, Jiang vira três homens feridos e ensanguentados. Xiaoye ainda mencionou que a tal mulher fora levada por um homem de jaqueta de couro e capacete.
"Capacete...", pensou Jiang. "Para esconder o rosto! E ela o chamava de marido?"
***
— Mestre? Mestre? — Chen Nuo chamou.
— Ah! — Jiang se recompôs. — Não sei o resto. O pai da Xiaoye, eu não vi.
Chen Nuo fez cara de surpresa. Jiang decidiu não contar sobre os homens feridos para não assustar o "jovem estudante".
— O importante é que Gu Kang não tem boas intenções. A partir de agora, a Xiaoye ficará aqui comigo! Você é apenas um estudante, não conseguiria enfrentar um sujeito desses. Deixe-a comigo, sua Mestra gosta dela como se fosse filha.
Chen Nuo sentiu um aperto no coração. O Mestre Jiang era, de fato, uma boa pessoa. "Mestre, eu nunca mais vou te enganar!"
Após a conversa, Chen Nuo saiu em direção à escola, onde encontrou Zhang Linsheng.
— O que quer comigo? — perguntou Zhang.
Chen Nuo sorriu: — Vou te levar para mostrar serviço! Vou te levar para ostentar!
***
Chen Nuo levou Zhang Linsheng a uma casa de chá. Ele serviu o chá e olhou nos olhos de Zhang.
— Irmão Haonan, na verdade... sua memória voltou, não foi?
Zhang Linsheng arregalou os olhos. Silêncio.
— ...Você percebeu? — perguntou Zhang, tenso.
— Percebi.
— Há quanto tempo?
— Faz dias — sorriu Chen Nuo.
Zhang Linsheng suspirou, desanimado: — Então... você vai apagar minha memória de novo?
— O que? Eu não quero te matar, irmão! Eu fiz tudo o que você pediu!
Chen Nuo riu e deu um tapinha no ombro dele: — Eu pretendia conviver com você como uma pessoa comum, mas você só desconfiava de mim. Chega de fingir. Sou um mestre recluso, pronto, revelei meu segredo.
***
Vinte minutos depois, Zhang Linsheng estava atônito.
— Entendeu o que eu disse? — perguntou Chen Nuo.
— Acho que sim... Eu faço o que você planejou, e eu fico com a glória?
Chen Nuo riu. "Esse rapaz aprende rápido!"
***
Às dez da manhã, uma BMW Série 7 parou à porta da casa de chá. Li Qingshan, o líder do salão, desceu de sua cadeira de rodas, ajeitou a roupa e entrou com seu subordinado, Lao Qi.
Ao entrar na sala, Li Qingshan viu Zhang Linsheng sentado e um rapaz estranho ao lado. "Esse deve ser o irmão da menina!", pensou.
— Irmão Haonan... quanto tempo — disse Li Qingshan, com um tom de respeito e leve medo.
Zhang Linsheng, seguindo as instruções de Chen Nuo, manteve a calma. — Sente-se.
Li Qingshan sentou-se, suando frio. — Passei a noite em claro resolvendo o que pediu.
Zhang Linsheng manteve o rosto frio. — Fale.
Li Qingshan olhou para Chen Nuo, que parecia estar irritado. "Esse é o irmão mais novo, temperamental e fácil de lidar", pensou o velho, sentindo-se mais seguro.
— Primeiro, peço desculpas. Meu subordinado, Wang Laohu, ofendeu a pequena cunhada. Embora eu não soubesse, a culpa é minha.
— "Ofendeu"? É só isso? — Chen Nuo bateu na mesa, gritando.
Li Qingshan deu um pulo, assustado. "Que rapaz explosivo!", pensou ele.
— Não, claro que não! — Li Qingshan apressou-se a dizer. — Wang Laohu e Gu Kang estão feridos. Quando se recuperarem, vou garantir que sejam enviados para a cadeia.
— Cadeia? Por quanto tempo? — Chen Nuo perguntou, fingindo inocência.
— O quanto vocês quiserem. Se não quiserem que saiam, eles ficam lá dentro!
Zhang Linsheng olhou para Chen Nuo, que bufou, fingindo desdém.
Li Qingshan continuou: — Eu dou um jeito. Se preciso, planto algo proibido no carro deles ou crio uma briga lá dentro para aumentar a pena. Pode deixar, sei como fazer.
Zhang Linsheng acenou. Chen Nuo disse: — Velho, meu irmão acha que isso é aceitável, por enquanto.
Li Qingshan suspirou de alívio. Ao sair, lembrou-se de algo e pediu a Lao Qi que trouxesse uma pequena bolsa.
— Um pequeno presente para a pequena cunhada comprar roupas e cosméticos.
Zhang Linsheng não disse nada, e Chen Nuo apenas observou. Ao sair, Zhang Linsheng levantou-se e apertou a mão de Li Qingshan, que ficou lisonjeado.
***
Após a saída deles, Zhang Linsheng relaxou, sentindo as pernas bambas. — Aquilo foi tenso!
Chen Nuo riu e apontou para a bolsa. Zhang Linsheng a abriu e ficou chocado: maços de dinheiro vermelho.
— Oitenta e oito mil e oitocentos! — disse Zhang.
— Um bom número — comentou Chen Nuo.
Zhang Linsheng ainda estava confuso. — Por que ele nos deu tanto dinheiro?
— Você não entende. Isso é apenas para estreitar laços. Dinheiro pequeno. Se ele me desse milhões agora, o que ele me daria quando precisasse de um favor real? Tudo tem seu degrau.
***
Chen Nuo voltou para casa, encontrou o Irmão Lei, que havia conseguido as roupas e cosméticos de sua própria namorada (a custo de uma boa quantia em dinheiro). Chen Nuo agradeceu e deu uma nova instrução: — Daqui a alguns dias, procure Li Qingshan e diga que foi o "Irmão Haonan" quem pediu para você cobrar as despesas médicas.
***
Enquanto isso, no carro, Li Qingshan suspirava. De repente, o motorista freou bruscamente por causa de um carro que avançou o sinal.
Li Qingshan sentiu um choque. Ao se inclinar para frente, seus dedos dos pés se contraíram e suas pernas se moveram.
— Minhas pernas... sinto minhas pernas!
O velho, ignorando a proibição de parada, saiu do carro e, para espanto de Lao Qi, caminhou, saltou e começou a rir como um louco.
— Eu estou curado! Eu posso andar!
Li Qingshan estava em êxtase, mas, ao se lembrar do aperto de mão de Zhang Linsheng, uma onda de medo profundo percorreu seu corpo.
"Que tipo de pessoa é aquele Haonan? Que tipo de método sobrenatural é esse?"