Capítulo Onze 【Não Pode, Hein】
Capítulo Onze – [Não pode, viu]
Li Yingwan desmaiou nos braços de Chen Nuo.
Quando acordou, percebeu que estava deitada no sofá da sala de sua casa. A primeira reação da jovem ao despertar foi sentar-se rapidamente e olhar ao redor.
O cômodo familiar, o sofá conhecido, a luz suave...
Uma peça de roupa que a cobria deslizou para o chão. Era um casaco esportivo azul e branco, largo e de corte estranho – o mais curioso era um grande buraco, como se tivesse sido recortado com tesoura.
— Acordou? — A voz de Chen Nuo veio de trás.
Li Yingwan virou-se abruptamente e viu o rapaz encostado preguiçosamente na parede, segurando uma tigela com uma mão e um par de hashis na outra.
Chen Nuo terminou rapidamente o caldo de galinha, pousou a tigela e os hashis, apontando para o casaco escolar sobre Li Yingwan:
— Pode me devolver esse casaco, né? Quando você desmaiou, cobri você para não sentir frio. Você segurou tão firme que fiquei com medo de te acordar, então deixei assim.
Dizendo isso, Chen Nuo puxou o casaco. O rosto da jovem se encolheu, olhando para ele com um ar de súplica.
Seus mãos apertavam com força as bordas da roupa.
Chen Nuo sorriu resignado:
— Ei, menina, esse casaco é meu.
Li Yingwan abaixou a cabeça e examinou cuidadosamente o casaco, corou e enfim soltou-o.
Chen Nuo pegou a peça, amassou-a e guardou no seu mochilão.
— Esquentei o caldo de galinha da panela, está bem gostoso. Seu irmão se machucou, sua mãe já cuidou dos ferimentos dele — Chen Nuo sentou-se à frente de Li Yingwan, vendo seus olhos confusos e nervosos. Respirou fundo, procurando soar mais amigável: — Antes de você acordar, falei algumas coisas com sua mãe. Ela vai te contar com detalhes. Minha sugestão é que não chamem a polícia. O problema já foi resolvido por mim.
O rapaz olhou para o rosto familiar porém juvenil da menina. Instintivamente estendeu a mão, como se quisesse tocar seu rosto, mas hesitou e recuou.
Nos olhos de Li Yingwan surgiu uma expressão estranha. Com um gesto desajeitado, ela se inclinou e encostou o rosto na palma da mão de Chen Nuo.
Chen Nuo ficou surpreso.
— Você... Por que fala como um velho? Você parece ter quase a minha idade — Li Yingwan disse, cautelosa.
Chen Nuo não respondeu, apenas perguntou:
— Você ficou com medo esta noite? Aquela situação... Bem, não tinha tempo para lidar melhor, se pudesse, não queria que você visse aquilo.
— ...Não tive medo — Li Yingwan ficou em silêncio, depois respondeu: — Você me disse para não ter medo, então eu... eu não tive!
A jovem encarou Chen Nuo e não se conteve:
— Pode me dizer quem você é, afinal? O que aconteceu esta noite? Você... você disse que veio do céu?
— Hahaha — Chen Nuo balançou a cabeça, afagando gentilmente o cabelo da menina: — Criança, não pergunte tanto. Sua mãe vai te contar o necessário. Ah, sua mãe ficou um pouco abalada, usei um método e ela está dormindo, vai acordar em uma hora. Quanto ao seu irmão... Ele é temperamental demais, então o amarrei.
Nesse momento, Chen Nuo ficou sério, seus dedos deslizaram do cabelo até a orelha dela, apertando-a de leve enquanto repreendia:
— Lembre-se de estudar direitinho, entendeu? E não fale palavrão! Entendeu? Ah, e nunca faça tatuagens! Criança tatuada, que feio! Não fume, não beba... Ei! Prestou atenção no que eu disse?
Li Yingwan assentiu suavemente, dizendo em voz baixa:
— Certo, não vou falar palavrão, não vou tatuar, não vou beber nem fumar... Vou cumprir tudo! O que você disser, vou fazer!
Depois de uma pausa, pediu:
— Pode ao menos me dizer seu nome?
Chen Nuo simulou um tapa na testa dela:
— Para que criança quer saber tanto?
Dizendo isso, levantou-se.
Li Yingwan se levantou rapidamente, ansiosa:
— Você... vai embora?
— Sim! Ou quer que eu fique para o Ano Novo? — Chen Nuo sorriu, foi até a cozinha e voltou puxando uma mala enorme.
Ele parou diante de Li Yingwan, que o encarava com olhos vermelhos:
— Me diga... você é humano? Não é um anjo, né?
— Tsc! — Chen Nuo fez cara de desprezo — Anjo? Eu nem acredito em Deus, acredito no Segundo Irmão Guan!
Justo nesse momento, a mala pareceu se mover. Chen Nuo não hesitou e deu alguns chutes:
— Que se mexa de novo, levo uma tijolada!
Li Yingwan se assustou:
— Isso... o que é?
— Heo Jeongjae — Chen Nuo respondeu, meio resignado — Ainda me serve para alguma coisa.
Ele se preparava para partir, mas ao olhar para baixo, viu a mãozinha de Li Yingwan agarrada ao seu casaco.
Chen Nuo pensou um pouco, olhou com seriedade para ela:
— Eu realmente vou embora, entendeu?
— Vou te ver de novo?
Chen Nuo viu o apego nos olhos da jovem e falou suavemente:
— Você gosta de vaga-lumes?
— ...Gosto, meu irmão já me levou para capturá-los no verão.
— Pare com isso.
Li Yingwan quis protestar, mas sentiu a mão dele sobre seu pescoço... e tudo ficou turvo diante de seus olhos...
*
Ao acordar novamente, Li Yingwan olhou para a sala vazia, com um olhar triste.
No instante seguinte, saltou e correu pela casa, procurando papel e caneta!
Com expressão séria, começou a escrever linha após linha:
Não pode falar palavrão.
Não pode fazer tatuagem.
Não pode fumar.
Não pode beber.
Não pode capturar vaga-lumes.
Ao chegar aqui, franziu a testa, pensou e deu um tapinha na própria cabeça, acrescentando:
...Acreditar no Segundo Irmão Guan.
Mas... quem é esse Segundo Irmão Guan?
Nesse momento, os olhos de Li Yingwan brilharam!
Ela se debruçou sobre a mesa e começou a desenhar, traçou alguns riscos, pensou, e desenhou mais.
Logo, a metade inferior da folha estava preenchida com um símbolo torto feito à mão!
Era algo que Li Yingwan desenhou de memória!
Esse símbolo, ela viu ao acordar da última vez, observando com atenção o casaco azul e branco, notando uma sequência de caracteres!
Não sabia ler, mas guardou o formato na memória!
Agora, na folha, a parte superior exibia uma sequência de “Não pode...”, e na parte inferior, os caracteres que ela memorizou e copiou, revelando:
“Oitava Escola Secundária de Jiangning!”
Hmm? Não entendeu, mas parecia ser chinês!
Ah!! Lembrou que no quarto do irmão tinha um dicionário de chinês!!
Ah! O irmão!
Aquele homem disse que amarrou o irmão!!
*
Quando Heo Jeongjae foi retirado da mala, estava todo contorcido.
Era normal, mesmo não sendo de grande estatura, e apesar da mala ser enorme, para caber ali dentro Chen Nuo não hesitou em quebrar um dos braços dele!
Heo Jeongjae desmaiou de dor pelo menos duas vezes.
Ao sair, rolou no chão, levantou a cabeça e caiu em desespero.
Reconheceu o local: era um dos seus esconderijos!
Em Seul, num endereço desconhecido.
— Quem é você afinal?! — Heo Jeongjae gritou, rangendo os dentes.
Chen Nuo não respondeu, simplesmente agarrou o pé dele e o arrastou pelo chão, da sala até o quarto.
Moveu a mesa de cabeceira, revelando um cofre.
— Vamos negociar, abra.
— Vai me deixar viver?
— Posso te dar uma morte digna.
— Digna... dignidade?
— Sim, você pode escolher a roupa mais elegante do seu armário para morrer vestido. Não é digno?
— ... — Heo Jeongjae se ajoelhou, tentando agarrar a perna de Chen Nuo: — Por favor, me deixe viver! Eu imploro!! Dou dinheiro, muito dinheiro, tudo o que tenho! Não me mate, não quero morrer!!
Chen Nuo não respondeu, apontou o cofre. No rosto, um sorriso; nos olhos, frieza.
Ao lembrar da crueldade daquele jovem, do braço quebrado, Heo Jeongjae não achou forças para resistir.
Abriu o cofre.
— Tem um livro de contas, ali estão...
Heo Jeongjae começou a explicar, mas percebeu que o rapaz não tinha interesse algum no livro.
Chen Nuo pegou um saco plástico, colocou os dólares e algumas barras de ouro, e guardou na mochila.
Livro de contas? Não tinha o menor interesse.
Estava só pegando dinheiro sujo.
Cerca de cinquenta mil dólares e algumas barras.
Afinal, até quem renasce precisa comer.
Após guardar o dinheiro, Chen Nuo examinou o local... todo o tempo usou luvas, sem deixar impressões digitais.
Agora podia matar aquele sujeito.
*
Enquanto pensava, Chen Nuo viu de relance um porta-retrato na parede.
Na foto, Heo Jeongjae ao lado de um iate branco luxuoso, com expressão arrogante.
Chen Nuo sorriu, agarrou Heo Jeongjae e apontou para a foto:
— Esse barco é seu?
— ...É.
— Ele é rápido?
— ...Velocidade máxima de trinta nós.
Chen Nuo fez cálculos rápidos e sorriu satisfeito:
— Então, adicionemos uma cláusula ao negócio: eu quero esse barco.
— ... — Heo Jeongjae criou coragem: — Mas aí você tem que me deixar viver! Troque o barco pela minha vida! Não pode me matar.
— Certo. Fechado, eu deixo você viver. Onde está o barco?
*
Heo Jeongjae morreu.
Chen Nuo fez com que ele bebesse duas garrafas de uísque, depois o chutou para o mar.
Se um bêbado conseguiria voltar a nado para a costa... Bem, considerando que o iate estava a pelo menos dez quilômetros do litoral, Chen Nuo achou pouco provável.
Além disso... no tornozelo de Heo Jeongjae, Chen Nuo prendeu uma corrente de aço, amarrada a uma mesa de vidro temperado retirada do iate.
Chen Nuo calculou: a mesa pesava cerca de vinte quilos.
Um chute, um fim.
Quanto a ter prometido não matá-lo...
Ora, mudou de ideia.
E daí?
Aliás, na mesa havia outra corrente de ferro, presa ao pé de outro homem.
Esse outro se chamava Han Jungwon.
Era um grande amigo do falecido pai de Li Yingwan. Na vida passada, Li Yingwan, sem saída, buscou ajuda dele, que a traiu e entregou.
Foi fácil, antes de sair, Chen Nuo passou na casa dele e o pegou; era perto, só acelerou o carro.
*
Sentado no cockpit, Chen Nuo ligou os instrumentos de navegação, confirmou mapas e rumos... e o iate acelerou suavemente.
Sob o sol do amanhecer, a embarcação ressoava com o canto animado do jovem.
Who let the dogs out~~
Wow
Wow
Wow
Wow
Cantando, ajustou o cruzeiro.
Chen Nuo finalmente afundou-se na cadeira.
Poucos minutos depois, começou a sangrar pelo nariz!
— Eu sabia, não dá para usar técnicas avançadas sem preparo — disse, limpando o sangue sem se importar, olhando para o céu azul, sorrindo e mostrando um dedo em riste para o alto!
Who let the dogs out~~
Wow
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Wow
Wow
*
[Vote, não me faça chamar de novo. E, quando forem votar, não me digam que alguém está marcando voto só para ver a mensagem de agradecimento, um por um, né? Não é possível, não é possível ^]