Capítulo Quarenta e Cinco — Que Dificuldade!

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 4797 palavras 2026-01-30 14:14:29

Capítulo Quarenta e Cinco – Que Dificuldade!

Noite profunda.

Jiang Yingzi estava sentada no sofá, olhar vazio, expressão perdida, seu estado mental abatido ao extremo.

No cômodo, ainda havia a mulher de jaqueta de couro, que agora franzia a testa enquanto observava Anderson.

Anderson mantinha uma expressão fria.

— Isso está ficando cada vez mais complicado — Anderson riu secamente —. Dois casos originalmente independentes acabam se conectando dessa forma…

— Segundo o que Jiang Yingzi relatou, aquele rapaz… — a mulher de couro falou em tom grave.

O olhar de Anderson tornou-se sombrio.

Um rapaz, sozinho, conseguiu resgatar toda a família dela das mãos de He Zhengzai e uma gangue de capangas…

Sem falar de He Zhengzai.

O dossiê dos irmãos Jin, Anderson estudou minuciosamente, principalmente o irmão mais novo, um exímio ex-militar. E aqueles capangas, mesmo entre pessoas comuns, eram lutadores de respeito.

Um rapaz, só…

— Lembro que você acabou de deixar a China, não é? — a mulher de couro arqueou as sobrancelhas, sacando uma adaga da cintura e lançando um olhar para Jiang Yingzi —. E essa mulher, vamos dar um fim nela?

Anderson permaneceu em silêncio.

Sentia o coração acelerado, como se tivesse acabado de encontrar uma pista crucial!

O Garimpeiro nº4 (Li Donghe) foi assassinado! O culpado já foi eliminado! Elemento-chave: um rapaz misterioso e habilidoso!

O Garimpeiro nº11 (Yao Weishan) morreu em um suposto acidente. Parecia apenas um infortúnio, mas entre suas conexões sociais havia um elo que já chamara a atenção de Anderson: o casal Sun. Foram as últimas pessoas que Yao Weishan encontrou antes de morrer.

Aquele Sun Shengli trabalhava no mesmo colégio.

E após a morte de Li Donghe, sua filha também foi parar na cidade de Jinling, na China, matriculada nesse mesmo colégio!

De repente, ao juntar essas pistas, surgia uma estranha ligação entre os dois casos.

— Não pode ser coincidência — Anderson balançou a cabeça —. Sinto claramente uma hostilidade! É uma afronta direta à “Abismo”!

Ele pegou o telefone via satélite e rapidamente discou.

— …Conseguimos uma pista importante, preciso voltar à China imediatamente! Acredito que estamos sendo alvo de uma ação hostil!.. Sim, preciso de reforços!

Do outro lado, não se sabe o que foi dito, mas Anderson se exaltou:

— …Parem de ser tão cautelosos! Já perdemos dois garimpeiros no Leste Asiático! Acham mesmo que é coincidência? Isso é um sinal de guerra! Um desafio declarado à Abismo! Preciso de agentes externos prontos para agir...

Ótimo! Vou transferir pessoal do Japão.

Se encontrarmos o responsável na China, quero autorização para agir!

Ao desligar, Anderson olhou para a mulher de couro e depois para Jiang Yingzi, já desmaiada:

— Cuide disso.

— Tem certeza que não quer matá-la? — perguntou friamente a mulher.

— Até encontrarmos outro garimpeiro, mantê-la viva pode ser útil. Faça isso com discrição, sem deixar rastros.

A mulher suspirou, guardou a adaga, agachou-se diante de Jiang Yingzi e, com as mãos, pressionou suavemente as têmporas dela.

Enquanto isso, Anderson já pegava o telefone:

— Preparem o avião, partimos ainda esta noite!

·

Ao amanhecer, Jiang Yingzi acordou com uma dor de cabeça lancinante, sentindo-se como se estivesse de ressaca, incapaz de se levantar após várias tentativas.

Percebeu que estava na sala de estar, a casa silenciosa e vazia.

Olhou ao redor, confusa.

Aos poucos, as memórias voltaram.

Na noite anterior... saiu tarde do trabalho, o motorista a deixou em casa...

Depois...

Sim, entrou, serviu-se de um copo de água... e...

Adormeceu no sofá?

Ao chegar até aqui, a cabeça voltou a latejar.

Ficou ali, atordoada.

— Será que estou resfriada?

Com esforço, cambaleou até o armário de remédios.

·

Chen Nuo passeava com Xiaoye nos braços.

Já era março, e cada vez mais moças se vestiam de forma leve, ignorando o frio teimoso da primavera, ansiosas para exibir os traços vibrantes da juventude.

Chen Nuo rodou com Xiaoye pela rua de pedestres, comprou para a irmã um moletom fofo de algodão, que a fazia parecer um ursinho, com o capuz adornado por duas orelhinhas peludas.

Assim, a pequena Xiaoye, que já era um encanto, ficou ainda mais adorável.

Com os olhos brilhantes, dentes brancos e aparência de boneca, a menina parecia ter ganho um “bônus de fofura”.

Durante o passeio, várias jovens não resistiam e, diante da doçura de Chen Xiaoye, exclamavam encantadas, algumas tentando se aproximar, outras até querendo abraçar e apertar a menina.

Logo, os bolsos de Xiaoye estavam cheios de doces e chocolates.

Algumas se abaixavam para conversar com ela, tentando puxar papo.

— Menina, esse é seu irmão?

— ...Sim.

— Quantos anos você tem?

Xiaoye, com os dedos, contou e respondeu com voz infantil:

— ...Cinco aninhos.

As moças quase derreteram de tanta ternura!

— E onde está sua mãe?

Xiaoye levantou o rosto, olhou para o irmão no meio do grupo de garotas, lembrou-se do que ele havia ensinado e respondeu, inocentemente:

— Meu irmão disse... mamãe foi para um lugar muito, muito distante...

— Ahhhh... — suspiraram as moças, com os instintos maternos aflorados, olhando para a pequena com ainda mais compaixão.

Logo, os bolsos de Xiaoye estavam transbordando de guloseimas!

Chen Nuo, cercado de jovens, sentia o perfume no ar, e ao olhar ao redor... só via curvas e beleza por todos os lados...

Planejava apenas um passeio rápido, mas acabaram passando a manhã toda na rua de pedestres.

Nem almoçaram! Alguma moça colocou um saco de asas de frango e hambúrguer do KFC no colo de Xiaoye.

Por fim, já era hora de partir. Após atravessar uma rua, Xiaoye perguntou:

— Irmão, vamos para casa?

— Não — Chen Nuo sorriu, pegando-a no colo —. Vamos para outra rua de comércio à tarde, que tal?

— Que bom!

·

Antes do jantar, Chen Nuo e Xiaoye voltaram para casa. Ao chegar no prédio, avistaram de longe uma garota de pernas longas.

Chen Nuo suspirou e conduziu Xiaoye até lá.

Li Yingwan caminhava impaciente, murmurando sozinha. Quando viu Chen Nuo, abriu um sorriso radiante e correu até eles.

— Oppa!

Abaixou-se para pegar a mão de Xiaoye:

— Oppa, essa é sua irmãzinha? Ouvi dizer que você tinha uma irmã! Ela é uma graça!!!

Xiaoye ficou encolhida, assustada — não entendia o que essa moça estava dizendo.

Li Yingwan logo percebeu, sorriu docemente e passou a falar em chinês, com um sotaque carregado, mas com uma doçura extrema:

— Olá, eu me chamo Li Yingwan.

Chen Nuo pensou um pouco, afagou a cabeça de Xiaoye e falou gentilmente:

— Não tenha medo, ela é amiga do seu irmão.

Xiaoye espiou de trás do irmão, mais corajosa.

— Eu me chamo... chamo Chen Xiaoye.

— Tenho dezesseis anos.

— Eu... tenho... cinco aninhos.

— Meu signo é boi.

— E o meu é rato.

— Eu acredito em Guan Erge.

— Eu acredito na Deusa Guanyin.

Li Yingwan apontou para Chen Nuo, feliz:

— Eu chamo ele de Oppa.

Xiaoye olhou, cautelosa, para o irmão:

— Ela... é a dona da casa.

Chen Nuo levou a mão ao rosto...

Não devia ter deixado a menina assistir aos esquetes do Festival da Primavera esses dias.

·

Subiram, os três, para casa. Chen Nuo foi preparar o jantar na cozinha, deixando Li Yingwan com Xiaoye na sala, treinando chinês.

Cozinhou macarrão, cortou alguns legumes, jogou tudo na água fervente e depois colocou numa tigela com um fio de óleo de gergelim e uma pitada de sal.

No vapor, duas linguiças foram cozidas.

Eis o jantar.

Na mesa, Xiaoye sentou-se certinha, tigela numa mão e pauzinhos na outra, comportada.

Já Li Yingwan tagarelava sem parar: sobre os rapazes que a cortejavam na escola, as ligações insistentes da mãe, Jiang Yingzi, e sobre o irmão se preparando para prestar vestibular em Seul...

Por fim...

— Oppa, já treinei o que você pediu! — Li Yingwan sentou-se ereta, fez uma mesura solene —. Pode me avaliar agora? Por favor!

Chen Nuo, com os pauzinhos, prestes a pegar uma linguiça, espantou-se:

— Ué, tão rápido?

— Treinei com afinco! — Li Yingwan fez expressão séria —. Se Oppa acha importante, não comerei nem dormirei até aprender!

Chen Nuo suspirou:

— Então, vamos ouvir.

A garota de pernas longas ficou radiante, limpou a garganta, respirou fundo.

— Baba babá bing ben bei po... pao bing bing pai bei bian pao...

Mesmo com pequenas falhas de pronúncia, saiu tudo de uma vez, sem hesitações.

Xiaoye ouviu, largou os pauzinhos, puxou a manga do irmão:

— Irmão... ela falou meio errado.

Li Yingwan arregalou os olhos:

— Como assim? Eu treinei muito!

Chen Nuo riu, afagou sua cabeça:

— Xiaoye, mostra para ela como é certo.

Xiaoye, obediente, largou os pauzinhos, limpou a boquinha e respirou fundo:

— Ba la ba la biao la bing la ben la bei la po, pao la bing la bing la pai la bei la bian la pao...

— Espera! Espera um pouco!! — Li Yingwan ficou pasma —. Vocês... todos falam assim?

Xiaoye olhou curiosa para Li Yingwan:

— Meu irmão me ensinou assim.

Li Yingwan olhou para Chen Nuo.

Ele abriu as mãos:

— Não te enganei, aqui toda criança aprende assim. Vai, Xiaoye, recita mais um.

— Xiao la bai la tu, bai la you la bai, liang la zhi la er la duo la shu la qi la lai...

...A cabeça de Li Yingwan entrou em curto.

Isso! É tão difícil assim?!

(Cinco anos, uma criança de cinco anos fala assim? O chinês é assustador! Se esse é o critério do Oppa para dominar o idioma, quando vou conseguir?)

Naquela noite, ao sair da casa de Chen Nuo, Li Yingwan parecia uma alma perdida.

Chen Nuo a acompanhou sorrindo, viu o motorista chegar e só relaxou ao vê-la partir.

Agora... talvez... pudesse ter um pouco de paz.

Virou-se para subir.

De repente, seu olhar ficou atento.

·

A cerca de vinte metros, no terraço de um prédio vizinho, uma figura de sobretudo preto, com fone de ouvido e binóculos.

Na lente: Chen Nuo entrando no prédio...

O observador moveu-se, mirando para o apartamento de Chen Nuo: na sala, Xiaoye assistia TV.

— Alfa reportando, Li Yingwan saiu, alvo subiu, sem anormalidades.

— Alfa, mantenha a vigilância, esqueça Li Yingwan por enquanto, nosso alvo é o rapaz.

Anderson, sentado numa van, observava a mulher de couro largar o fone.

— Tem certeza que esse tal Chen Nuo é o mesmo rapaz que apareceu na Coreia do Sul? — a mulher de couro franziu a testa —. Não estamos seguindo a pessoa errada?

— Não, Jiang Yingzi foi clara, e o comportamento de Li Yingwan confirma! Minha aposta é que Chen Nuo é o rapaz que vingou nosso Garimpeiro nº4 na Coreia — Anderson respondeu, pensativo —. Suspeito ainda que ele esteja envolvido na morte de Yao Weishan! O casal Sun foi a última ligação de Yao, e Chen Nuo tem laços com eles... Não acredito em coincidências assim.

Inspirou fundo:

— Prepare-se, nossa investigação passa hoje para captura! Não importa o motivo da vingança, nem a relação com a morte do Garimpeiro nº11... Primeiro, vamos pegá-lo! Depois, descobrimos tudo!

— Certo. “Doutor” está na porta dos fundos, “Leopardo” na rua das seis horas. Agimos agora? — a mulher conferiu um aparelho semelhante a um tablet.

— Alfa cuida da cobertura, nós atacamos de frente... “Doutor” e “Leopardo” em prontidão, caso o alvo fuja. Em cinco minutos, ação!

A mulher assentiu, colocou o fone:

— Alfa, ação em cinco minutos, prepare sua arma.

— Zzzzzz...

Primeiro só estática, depois, uma voz desconhecida.

Jovem, tom sereno e tranquilo.

— Desculpe, o Alfa de quem falam, agora não pode atender.

A mulher e Anderson ouviram a voz no fone, mudando de expressão na hora!

·

Bang, bang, bang!

Ainda tem mais à noite.

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