Capítulo Trinta e Oito – Que tal… enterrá-lo?

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 5485 palavras 2026-01-30 14:14:20

Capítulo Trinta e Oito – Que tal… enterrar ele?

Chen Nuo estava de pé na varanda.

Através da porta de vidro do chão ao teto, era possível ver a suíte de luxo do hotel, onde Anderson estava sentado diante de um computador.

No quarto havia um espelho, coberto por mais de dez bilhetes adesivos formando um diagrama em árvore. No topo, o nome de Yao Weishan. Logo abaixo, várias linhas conectavam nomes de pessoas do círculo social de Yao Weishan em vida. Entre eles, estavam os nomes do Velho Sun e de Yang Xiaoyi e sua esposa.

Anderson digitou no computador por um momento, depois se levantou, foi até o diagrama, pegou uma caneta marca-texto e, após hesitar, fez um X nos bilhetes com os nomes do Velho Sun e de Yang Xiaoyi.

Já eram quatro ou cinco bilhetes marcados com X.

— Então, será que foi mesmo um acidente... — murmurou Anderson para si mesmo.

Suspirou e, ao se virar, seu olhar cruzou a varanda e a janela.

A varanda estava vazia, sem ninguém.

·

Dez minutos depois, na esquina de um beco ao sul do hotel, dentro de uma pequena casa de macarrão, Chen Nuo sentou-se com um sorriso estranho no rosto.

— Uma tigela de lámen com carne de boi. Capriche na carne, e ponha um ovo frito.

Depois de fazer o pedido, Chen Nuo pegou alguns dentes de alho de um pequeno pote na mesa, descascando-os com delicadeza e precisão.

O canto dos lábios do jovem se curvou num sorriso um tanto estranho.

Sim, realmente havia algo de peculiar.

Chen Nuo suspirou internamente.

·

Abismo.

Esse era um termo, mas também o nome de uma organização do submundo.

Não era das maiores, mas tinha sua história e certa fama — claro, essa tal fama não existia para gente comum.

De acordo com sua vida anterior, a organização Abismo era, para ele, algo como um colega de ofício.

Reunia monstros e criaturas estranhas, para missões nada ortodoxas. Havia, sim, algumas figuras de talento considerável.

No geral... não eram adversários realmente duros.

Mas, pelo visto, ele havia se envolvido em algo maior sem perceber.

Agora, aquele Yao Weishan... não era uma figura qualquer.

Não era só um sujeito que fez nome no exterior e voltou para ostentar.

Na verdade...

Sim, lembrou-se: na organização Abismo havia um cargo chamado “Garimpeiro”.

Responsável por circular na sociedade, angariar fundos para o grupo, cultivar relações e administrar recursos.

Algo como um “laranja”.

Afinal, até pessoas com poderes especiais precisam ganhar a vida, não é?

Quanto a como Chen Nuo reconheceu a ligação com essa organização, foi simples: ele viu Anderson e o identificou.

E como sabia quem era Anderson? Mais simples ainda.

Pela linha do tempo, em três anos — por volta de 2004 —, Anderson e outros membros centrais da Abismo seriam completamente destruídos num confronto. Todos, sem exceção, morreriam em combate. O quartel-general da Abismo seria queimado até virar cinzas.

Aquela organização do submundo, famosa por mais de cinquenta anos, desapareceria da história.

E quem fez isso ficaria famoso nos círculos subterrâneos.

O Juiz do Inferno.

·

O lámen chegou.

A massa era fina e boa. Os pedaços de carne estavam um pouco secos, mas o sabor era ótimo.

Jogou dois dentes de alho descascados na tigela, pegou os hashis e comeu algumas garfadas.

Hum... e se... enterrasse ele?

...

...

Não, não é uma boa!

Chen Nuo balançou a cabeça.

Acabar com o sujeito que veio investigar a morte de Yao Weishan não seria difícil.

Lembrava-se desse homem: era razoavelmente habilidoso, mas nada especial, e dentro da Abismo só havia uns poucos realmente fortes; o maioral era o chefe, apelidado de "Capitão".

Era um tipo notável; quando Chen Nuo o matou, ele estava com fios elétricos enrolados no pescoço, pendurado no alto do prédio, e não emitiu um som sequer na hora da morte.

Um verdadeiro homem.

Mas Chen Nuo não sentia admiração por isso.

Na vida passada, ainda novato no submundo, aceitou uma missão que envolvia alguma colaboração com a Abismo.

Ao final, o grupo quis ficar com os resultados do trabalho, recusando-se a pagar o prometido.

Por ser uma organização renomada, provavelmente achou que um novato sem nome podia ser passado para trás.

Resultado: Chen “Juiz do Inferno” Nuo, recém-chegado, foi até lá e destruiu tudo.

Tentar dar um golpe em quem vive disso... Golpe por golpe? Isso é coisa de gente baixa!

Que nojo!

·

Lá na loja da Rua Tangzi, o irmão Lei espirrou.

Na praia de Pattaya, o senhor Xiao, tomando água de coco, também espirrou.

No fundo do rio... bem, esse já não consegue mais espirrar.

·

Enterrar, até podia, mas não havia necessidade.

Uma Abismo não preocupava Chen Nuo. O problema era que a família do Velho Sun não aguentaria as consequências.

Se eliminasse o investigador, seria o mesmo que avisar claramente à Abismo: “Venham! A morte de Yao Weishan tem coisa!”

Aí a família do Velho Sun enfrentaria ainda mais problemas.

A não ser que ele mesmo exterminasse a organização inteira.

Mas Chen Nuo não queria isso.

Não valia a pena.

Na verdade, havia um motivo mais profundo, guardado no coração do Juiz do Inferno.

Ele queria viver diferente desta vez.

Voltar ao submundo, reinar como Juiz do Inferno, atravessar a vida entre balas e sangue...

Chen Nuo estava cansado.

Ser um peixe morto, estava ótimo.

Desde que ninguém viesse perturbá-lo.

Sobre o futuro, Chen Nuo ainda não sabia exatamente como queria viver. Mas, por agora, só queria uma vida pacata.

Compensar os arrependimentos da vida passada e, ao mesmo tempo, viver como uma pessoa comum.

Ele realmente se apegou a essa rotina tranquila.

Pelo menos por enquanto, era esse o plano.

Pensando nisso tudo, enquanto terminava o último fio de macarrão, deixou os hashis e a tigela, limpou a boca com um guardanapo e saiu da casa de macarrão.

Lançou um olhar ao prédio do Hotel Holiday, ali perto.

Pelo visto, o investigador não descobriu nada.

O nome da família Sun já tinha sido riscado.

Então...

Você teve sorte.

·

A musa Sun olhava para Chen Nuo, os olhos úmidos como se brilhassem.

Chen Nuo estava com suor na testa, respirando um pouco ofegante.

Plof, plof, plof.

Quicou a bola de basquete algumas vezes, jogou para Luo Qing, que estava de apoio, e correu para a linha de fundo.

Luo Qing devolveu a bola, Chen Nuo recebeu e fez um arremesso de três pontos sem hesitar.

Swish!

A bola entrou limpa.

Uma onda de aplausos e até alguns gritos de meninas vieram das laterais.

Chen Nuo apoiou as mãos nos joelhos, recuperou o fôlego, bateu na mão de Luo Qing, e olhou os adversários saírem do jogo com desgosto.

O jogo três contra três terminou.

Depois da aula, na quadra, durante mais de uma hora, com Chen Nuo — esse monstro dos arremessos —, todos os desafiantes foram derrotados.

Luo Qing e o outro colega, figurante sem nome: “Caramba, cheguei ao auge da vida sem querer?”

Pena que, numa escola ruim como a Oitava, nem existe time de basquete — na verdade, na maioria das escolas secundárias do país, exceto as poucas de tradição esportiva, não há times de basquete ou futebol de verdade.

Com o temido vestibular pairando, qualquer sonho de basquete vai para escanteio.

Que se dane o sonho de basquete.

Se não fosse isso, o desempenho de Chen Nuo hoje teria provavelmente chamado a atenção de algum treinador, que seria surpreendido pelo talento e o convidaria para competir nacionalmente... e a história mudaria de gênero para esportes...

Treinador, eu quero jogar basquete?

Tsc! Vai estudar para o vestibular!

Sun Keke olhava Chen Nuo descendo da quadra, os olhos cheios de admiração.

Mas logo viu que algumas colegas já corriam até ele, e uma delas, mais ousada, estendeu uma garrafa de água mineral para Chen Nuo...

Tsc! Pequenas feiticeiras!

A primavera já havia chegado... e Chen Nuo estava começando a ficar popular entre as garotas.

Não havia como evitar: nessa vida, tinha um rosto bonito; em uma palavra: bonito.

O original antes de reencarnar era tímido, talvez por razões familiares, reservado e pouco carismático, com presença quase nula.

Mas desde o final do semestre passado, Chen Nuo parecia ter renascido aos olhos dos outros.

Ainda não gostava muito de se misturar... Contudo, alguns fatos fizeram com que ele se tornasse assunto na escola.

Ousou paquerar a filha do diretor.

Cabular aula descaradamente.

Chamava o professor Sun de “velho Sun” com o braço no ombro.

Andava pelas ruas com as mãos nos bolsos e um jeito desdenhoso.

E, hoje à tarde, detonou na quadra de basquete!

Mais importante: havia nele uma aura única, difícil de descrever.

Aquela preguiça misturada com uma atitude de quem não está nem aí.

E, ainda assim, não era exibicionista.

— Claro, o principal era o rosto bonito.

Fama, carisma, seja lá o que for. Se tivesse a cara do Wu Mengda, nem que arremessasse perfeitamente, nenhuma garota lhe traria água.

Vendo as três garotas se aproximando, uma delas corada lhe entregando uma garrafa de água mineral, Chen Nuo hesitou, mas aceitou.

As garotas riram e saíram, mas antes de ir embora, Du Xiaoyan olhou descaradamente para Sun Keke...

Ah, a guerra entre garotas.

Sun, a musa, estava claramente descontente; ia até Chen Nuo, mas parou ao ver ele ir ao seu encontro.

Só que o olhar dela caiu na garrafa de Le Bai Shi na mão de Chen Nuo.

Chen Nuo sorriu e jogou a garrafa para Luo Qing, que estava por perto.

Embora o rosto de Sun não demonstrasse mudança, seus olhos brilharam, e ela tirou uma garrafa térmica da mochila.

— Meu pai sempre diz: mesmo que o tempo esteja quente, depois de se exercitar não se deve beber água fria. Jovem não entende, mas quando ficar velho e tiver dor de estômago, vai se arrepender.

Dizendo isso, destampou e ofereceu a garrafa a Chen Nuo.

Ele olhou e viu algumas bagas de goji boiando na água...

...No íntimo, o Juiz do Inferno ficou abalado: com dezessete anos, já estou vivendo a vida de um tio do chá de goji na térmica?

— A garrafa é do seu pai?

— ...É.

— E o goji também?

— É.

— ...Você pegou isso de casa sem ele saber, né?

O rosto dela ficou vermelho.

— Se não quiser, não beba!

Quando ia tirar a garrafa de volta, Chen Nuo virou de uma vez e bebeu tudo, até mastigando as bagas de goji.

A musa Sun sorriu radiante, pronta para dizer algo...

— Chen Nuo!!!

Uma voz desafiadora e provocativa ressoou.

Chen Nuo e Sun se viraram.

Vários jovens se aproximavam devagar.

No meio, estava Zhang Linsheng, o mesmo que perdera duas bicicletas recentemente.

O grupo tinha uns cinco ou seis.

Alguns sem o uniforme, balançando-o na mão. Outros com o zíper do uniforme meio aberto e a gola levantada. Alguns carregavam o uniforme nos ombros. Um segurava uma corrente de bicicleta. Outro tinha um bastão apoiado atrás do pescoço, as mãos sobre ele.

Em comum: todos andavam com passos arrogantes.

Se tivesse uma trilha sonora, seria: “Dominando os ventos, eu avanço, todos me admiram...”

Tsc! Que fase adolescente!

·

Na sala dos professores, no segundo andar, estavam presentes: o senhor Fang, assistente do diretor; o representante da empresa de educação, Liu; o chefe do segundo ano e professor Wu; um funcionário da secretaria de educação; e um homem de meia-idade de terno preto, com ar severo.

Além disso... uma silhueta feminina: cabelos negros médios com uma tiara azul, alta e com feições delicadas, mas olhar inquieto e impaciente.

Apesar de já ser primavera, o tempo ainda estava fresco, mas a garota vestia uma saia plissada azul clara, mostrando pernas longas e alvas, com meias acima do joelho e sapatos pretos.

O único detalhe destoante era o casaco esportivo azul e branco — o uniforme da Oitava —, novo, mas largo e desajeitado.

O diretor Fang conversava educadamente com o funcionário da secretaria.

O olhar da garota já vagueava pela janela.

De repente, viu algo no pátio e soltou um grito.

— Ah!!!

O assistente Fang e todos os outros homens na sala se assustaram.

A garota, então, excitada, saiu correndo.

O homem de terno preto fez uma reverência apressada e saiu atrás dela.

Todos ficaram parados por um segundo, até que o diretor Fang reagiu primeiro:

— Vamos ver o que houve!

·

— Chen Nuo! Hoje você não escapa! Nem que Jesus desça, não vai te salvar! Eu disse!

Zhang Linsheng levantou o queixo e encarou Chen “Juiz do Inferno” Nuo.

Seus companheiros faziam caras ameaçadoras e estalavam os punhos.

Nesse momento, uma voz ecoou atrás.

— Ah~~~~~~~~~~~~~~~~

Uma sequência de gritos com a voz trêmula.

Uma silhueta alta veio pulando e correndo!

Atirou-se na multidão e caiu nos braços de Chen Nuo, agarrando-o pela cintura!

— Oppa~~~~~ — a garota levantou o rosto radiante, os olhos cheios de estrelas, e exclamou em coreano, empolgada: — Finalmente te encontrei! Obrigada, Guan Erge!

Plof! O copo térmico de Chen Nuo caiu no chão.

Plof! A corrente de Zhang Linsheng caiu no chão.

Plof! A bola de basquete de Luo Qing caiu no chão.

Plof! A tampa do copo térmico de Sun caiu no chão.

Pensamento de Sun: (Eu... fui trocada???)

·

Pronto! Cena de novela! Paguem para assistir!

·