Capítulo Cinquenta e Um: Quem é?!

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 4695 palavras 2026-01-30 14:16:44

Capítulo 51 – Quem é?!

No acampamento-base do EBC, Chen Nuo permaneceu ao lado de Nieve diante das lápides. Entre as pedras, havia uma pequena placa de madeira, onde se lia, entalhado com uma faca: “O senhor e a senhora Devonshire descansam sob o Everest, que suas almas encontrem paz”.

Perto dali, fincado no solo, estava um piolet com uma placa metálica pendurada por uma corrente, balançando ao vento e tilintando. Na placa, lia-se: “Lux Devonshire”.

Nieve permaneceu imóvel por muito tempo, com Chen Nuo silencioso ao seu lado. Após um tempo, Nieve abriu o zíper da jaqueta, retirou uma placa de identificação do pescoço, agachou-se e a pendurou no piolet deixado pela irmã.

“Nieve Devonshire.”

Ao vento, as duas placas das irmãs se entrelaçaram e tilintaram juntas.

Chen Nuo observou em silêncio enquanto Nieve terminava tudo. Quando a jovem finalmente se levantou, ele perguntou suavemente:

— Conseguiu deixar para trás?

Nieve ergueu o olhar para o Everest ao longe.

— Meu pai, minha mãe e minha irmã ficaram nesta montanha. E esta montanha permanecerá em meu coração.

Um leve suspiro escapou-lhe, prolongado e repleto de significados, dissipando-se ao vento.

·

De volta à tenda, sentaram-se sobre os sacos de dormir. Nieve tomou um pouco de mingau com lascas de peixe, saboreando em silêncio.

— Resolvi tudo — disse Chen Nuo calmamente. — A equipe de trekking que você integrou, conversei com todos. Afinal, cortar de repente a corda de escalada com uma faca os assustou. Mas, felizmente, não houve acidentes ou feridos. Eu disse...

— Disse que eu estava louca? — indagou a garota, olhando-o serenamente.

— Não. Falei que você talvez tivesse sofrido de mal de altitude, com alucinações — Chen Nuo balançou a cabeça. — Eles prometeram não levar adiante, claro, em troca, dei a eles alguns equipamentos — retirados dos suprimentos que você trouxe.

— Obrigada.

A jovem hesitou, fitou Chen Nuo, mas logo balançou a cabeça.

— Deixa pra lá.

— O quê?

— Você... você é mesmo estranho — disse Nieve, com seriedade e voz baixa. — Não entendo como me conhece, como sabe tanto sobre mim… E logo aqui, me encontra e me salva. Não sou mais uma criança, sei que isso não é coincidência. Mas também sei que, sendo tão misterioso, mesmo que eu pergunte, não vai me contar.

Ao dizer isso, balançou a cabeça novamente.

— Então, deixa pra lá. Não vou perguntar.

Chen Nuo sorriu discretamente. Estava satisfeito: o mais importante era que Nieve havia “acordado”.

Na vida anterior, após salvar Nieve, ele ouviu dela uma versão inventada de sua história, tendo-se deixado enganar por um tempo. Logo, porém, descobriu a verdade e desfez o sonho construído por ela. Naquela ocasião, Nieve ficou completamente descontrolada… Diferente desta vida, pois antes ela já estava imersa em seu devaneio havia sete anos. O mergulho fora tão profundo que, ao romper o sonho, a reação foi violenta.

Chen Nuo passou dois meses cuidando dela, impedindo por várias vezes suas tentativas autodestrutivas.

Por sorte, desta vez, o devaneio de Nieve durara apenas alguns meses, não era tão profundo. Na noite anterior, ela chorou copiosamente até o amanhecer — chegou até a faltar-lhe o ar, e Chen Nuo precisou lhe dar um cilindro de oxigênio para que pudesse continuar a chorar.

Não a impediu… pois é melhor extravasar do que reprimir; talvez chorar tudo fosse mesmo o melhor. Quando amanheceu, a jovem caiu num sono profundo e, ao acordar, estava mais calma, pedindo apenas para que Chen Nuo a acompanhasse até as lápides ao lado do acampamento.

Com a experiência da vida passada… o beija-flor, ao despertar do sonho, ficou instável, mas logo retomou a normalidade. Nos anos ao lado de Chen Yanluo, jamais teve outra crise.

Na verdade, o principal era ter alguém que rompesse seu devaneio, ajudando-a a despertar.

Difícil? Muito. Mas, de certa forma, simples.

À noite, dividiam a tenda.

Ao se enfiar no saco de dormir, Nieve comentou em voz baixa:

— Apesar de estar sonhando, lembro-me das coisas. No nosso primeiro dia aqui, quando voltávamos, você ficou olhando para a minha bunda.

— …Eh…

Um momento constrangedor.

— Hoje à noite, comporte-se. Além de equitação, natação, escalada e paraquedismo… também sou expert em jiu-jítsu brasileiro.

Dito isso, virou-se e dormiu.

·

24 de março.

De manhã.

Chen Nuo acordou cedo e arrumou a bagagem. Nieve também se levantou em silêncio, vestiu a jaqueta e organizou seu saco de dormir.

— Estou pensando… em doar a herança de meus pais para criar uma fundação de apoio ao montanhismo — disse a jovem de repente.

— Boa ideia — respondeu Chen Nuo, sem parar de arrumar as coisas. — Assim é melhor. Não deixe todo o dinheiro nas suas mãos, evita más intenções de terceiros.

— Então, ao sairmos daqui hoje, será nossa despedida definitiva? — perguntou ela, fitando-o calmamente.

Chen Nuo pensou um instante.

— Provavelmente, sim.

— …Você é mesmo cheio de segredos.

— Se sabe que são segredos, não pergunte — ele sorriu, mostrando os dentes brancos.

— …

A jovem fechou o semblante e saiu da tenda com ele.

— Sabe… se ontem à noite você tivesse tentado alguma coisa, eu não teria recusado — disse ela, sem voltar-se.

— …Então… que tal ficarmos mais um dia? — respondeu Chen Nuo, com um sorriso malandro.

— Se passou, passou — retrucou ela, virando-se e indo embora.

Vendo a silhueta que se afastava, Chen Nuo suspirou suavemente.

Eu… claro que sei, meu pequeno beija-flor.

— Pare de olhar para a minha bunda — disse Nieve, à frente, sem se virar.

Chen Yanluo revirou os olhos e desviou o olhar.

Nem olhar o cardápio pode?

·

De manhã, o helicóptero chegou para buscar os dois, levando-os do EBC de volta ao aeroporto de Lukla e, dali, de avião para Catmandu.

Durante todo o trajeto, Nieve não disse uma só palavra a Chen Nuo. Manteve-se calada, olhando pela janela.

Chen Nuo supôs que ela ainda processava as emoções e memórias do devaneio recente, e não a perturbou.

Apenas quando o avião pousou em Catmandu.

Descendo a escada, de repente a jovem virou-se e, como um pássaro cansado buscando abrigo, lançou-se nos braços de Chen Nuo.

Abraçou-o com força, envolvendo-o pelo pescoço, colando-se a ele.

Chen Nuo suspirou, envolvendo a cintura dela com os braços.

Ficaram assim por um minuto inteiro.

Então, ela sussurrou:

— Se você disser uma só palavra agora, eu vou com você! Não pergunto quem é, não pergunto o que faz, não quero saber quantos segredos tem. Só diga uma palavra, eu vou com você, para onde for!

Chen Nuo suspirou, sentindo os cabelos dela fazerem cócegas no nariz.

— Quero que tenha sua própria vida. Uma vida bela, ensolarada, normal. Seja a especialista em esportes radicais que nasceu para ser.

A jovem olhou para ele, decepcionada, assentiu e encostou novamente a cabeça em seu ombro.

Abraçaram-se por mais meio minuto.

— Sua mão… está no meu bumbum…

— Ah! — Chen Nuo sorriu, sem graça, recolhendo a mão. — Desculpe, foi instinto.

Ela o afastou suavemente, deu um passo para trás, respirou fundo fitando o rapaz.

Virou-se e foi embora.

Enquanto caminhava, tirou a jaqueta e a largou na pista.

— Ei, sua jaqueta! E… bagagem, equipamentos…

— Não quero mais nada disso. Nunca mais vou escalar montanhas — disse ela, sem olhar para trás, acenando.

No ar quente de Catmandu, Nieve caminhou a passos largos pela pista, entrando no terminal do aeroporto.

Chen Nuo desviou o olhar.

Viu que seu ombro estava úmido.

Sim, assim… está bom nesta vida.

·

24 de março, pouco depois das onze da noite.

Sun Keke revirava-se na cama, trocando de posição várias vezes sem conseguir dormir. Suspirou, irritada, sentando-se e recostando-se na cabeceira, olhando para o teto.

Contou carneirinhos de novo.

Um carneirinho, dois, três… Depois de um tempo, passaram a ser porquinhos de olhar meigo.

E esses dias, nem conseguia ligar para ele.

Sem sinal?

Não estava a trabalho? Por que não tem sinal?

Será que ele volta amanhã?

Amanhã é o aniversário de dezoito anos de Sun, com várias amigas da classe, o monitor, Luo Qing e alguns rapazes próximos, além de parentes…

Afinal, dezoito anos é especial.

Mas aquele sujeito… até agora, nada. Talvez nem saiba do aniversário.

Ploc!

Hm?

Sun se virou.

Ploc!

De novo.

O barulho vinha da janela.

Levantou-se descalça e foi até a janela.

Ploc.

Desta vez viu: uma pedrinha batendo no vidro.

Olhando para baixo, à beira da rua, lá estava o rapaz: uma mão no bolso e a outra pronta para lançar outra pedrinha.

De longe, não dava para ver sua expressão, mas Sun imaginava o sorriso safado e travesso de sempre.

De repente, sentiu-se revigorada!

Pensando rápido, não abriu a janela, mas pulou na cama, pegou o celular e digitou.

Sun Keke: O que está fazendo, a essa hora?!

Bzzz, resposta.

Chen Nuo: Abre a janela.

Sun Keke: Não quero falar com você!

Ploc.

Mais uma pedrinha.

Sun Keke: O que é?!

Silêncio por um momento.

Preocupou-se… Será que ficou mesmo zangado?

Antes que pudesse pensar mais, chegou a mensagem.

Chen Nuo: Pequena Keke, feliz dezoito anos.

Olhou para o relógio.

Meia-noite, em ponto.

Um doce calor inundou seu coração.

Pensou: então, ele sabe, ele lembra!

Levantou-se, foi até a janela, mas manteve-se atrás da cortina, olhando discretamente.

O rapaz estava lá, sob a luz do poste, sua sombra longa esticada na rua…

Meia-noite, e ele veio até o prédio dela só para desejar feliz aniversário…

Tocada, não conteve a ternura, abriu a cortina e a janela.

·

Chen Nuo, lá embaixo, segurava outra pedrinha, pronto para lançar.

De repente, uma silhueta apareceu!

Vixi…

A jovem, de corpo sinuoso envolto por uma fina camisola, apareceu na janela. Sob a luz do luar, a camisola era quase transparente…

Com a visão sempre afiada — aquela que mesmo sem estudar tirava nota boa na prova — viu tudo claramente…

Neste horário, dificilmente uma garota usa sutiã para dormir…

E esta noite… a lua estava… tão grande… tão branca… hmm…

Droga.

Ela, sem perceber, ofereceu um espetáculo visual.

Chen Nuo, atordoado, deixou escapar a pedrinha.

No momento em que lançou, soube: deu ruim.

Força e mira totalmente fora de controle.

·

O velho Sun dormia profundamente.

Pof! Crash!

Levantou-se num sobressalto.

Segundos depois…

O sempre gentil professor Sun não se conteve:

— Quem é?! Só pode ser sacanagem!!! Que tipo de gente quebra janela dos outros no meio da noite?!

·

[Três pedidos: deem suas recompensas, votos mensais e de recomendação! E… não me peçam para escrever harém, se vierem os justiceiros, vocês vão me defender?]