Capítulo Trinta e Quatro 【Desta vez, entendi de verdade】
Capítulo Trinta e Quatro – Desta vez, entendi de verdade
O velho Sun ficou tentado, mas ainda tinha suas preocupações. O escândalo recente na escola o fez desconfiar dessas pessoas envolvidas com empréstimos. Porém, por mais que hesitasse, a falta de dinheiro era evidente. Se não conseguisse cobrir o rombo causado por Yang Xiaoyi, assim que a contabilidade do órgão fechasse as contas, aquele déficit de centenas de milhares seria considerado desvio de fundos públicos.
Nesse momento, não havia mais espaço para hesitações.
O velho Sun ainda relutou, mas no fim não tomou uma decisão definitiva. Apenas trocou números de telefone com o irmão Lei, carregando consigo um turbilhão de preocupações, saiu empurrando a bicicleta que comprara por cinquenta yuans.
Chen Nuo observou o velho Sun se afastar. O irmão Lei, ao lado, falou com cautela:
— Chefe, acha que me saí bem agora? Não errei nada, né?
Chen Nuo sorriu para ele:
— Irmão Lei, acho que, do jeito que você é, está destinado a ficar rico no futuro.
Apontou para a porta dos fundos da loja:
— Vamos conversar lá dentro.
Sem pressa, Chen Nuo pegou a mochila que trouxera de manhã, colocou-a no ombro e entrou primeiro pela porta dos fundos.
O cômodo dos fundos era um corredor que dava acesso a dois ou três quartos. Um deles era um pequeno escritório, usado para fechar negócios e controlar as contas do dia a dia. Outro servia de descanso para o irmão Lei, com uma cama e uma televisão.
Chen Nuo deu uma olhada e entrou direto no escritório, sentando-se na única cadeira atrás da mesa. Apontou para Wu Dalei, que hesitava na porta:
— Entre, precisamos conversar.
O irmão Lei pensou: Mas esse lugar é meu ou dele?
Claro que não ousou demonstrar nada, apenas manteve o sorriso no rosto. Ainda esperto, foi buscar uma cadeira em outro cômodo antes de entrar, colocou-a diante da mesa e sentou-se direitinho.
— Chefe, pode mandar.
Chen Nuo pôs a mochila sobre a mesa e abriu o zíper.
Maços de dinheiro apareceram de imediato.
O irmão Lei ficou meio atordoado e, gaguejando, disse:
— Chefe, eu só mexo com carros, não faço negócios de matar gente... não me faça entrar nessa!
— Não é nada disso — respondeu Chen Nuo calmamente. — Sabe aquele professor Sun que acabou de sair? Dê um jeito de emprestar dinheiro para ele. Duzentos mil.
Os olhos de Wu Dalei brilharam. Achando que entendeu, bateu na coxa:
— Entendi! O senhor quer tomar a casa dele como garantia, não é?
Não resistiu em examinar o jovem à sua frente: parecia ter uns dezessete ou dezoito anos, mas já era tão impiedoso! Com essa idade, já aprendendo os caminhos do submundo, armando empréstimos para tomar imóveis de família?
Que crueldade!
Chen Nuo percebeu que Wu Dalei entendeu errado e deu-lhe um tapa na cabeça careca:
— Está pensando besteira! Não quero a casa dele, só quero que empreste o dinheiro!
— Hã? — O irmão Lei ficou sem saber o que pensar.
— O contrato, claro, tem que ser assinado, senão ele não vai confiar. Mas faça cláusulas flexíveis, juros baixos, os mais baixos do mercado. Prazos longos, pode parcelar em dez anos ou mais, como quiser. O importante é que o contrato seja atraente o bastante para ele querer pegar o dinheiro com você.
Wu Dalei continuava sem entender:
— Chefe... nunca vi empréstimo assim! Isso é emprestar dinheiro ou abrir uma instituição de caridade?
Chen Nuo olhou para ele e explicou lentamente:
— Vou resumir: esse professor está passando por uma dificuldade, precisa desse dinheiro para resolver. Só que eu não posso aparecer e entregar o dinheiro diretamente...
— Ah, agora entendi! — Wu Dalei finalmente compreendeu. — Agora ficou claro! O senhor só precisava explicar! Agora entendi!
— Entendeu?
— Entendi!
— Entendeu mesmo?
— Entendi de verdade!
Chen Nuo assentiu satisfeito:
— Em resumo, esse dinheiro é para ser emprestado a ele, duzentos mil. Se não conseguir, quem vai se ver comigo é você.
— Pode deixar, chefe! Se ele está em apuros e eu ainda deixar o contrato tão vantajoso, não tem como ele recusar! Pode deixar comigo.
Wu Dalei abriu a mochila novamente, conferiu o dinheiro e comentou:
— Chefe, tem dinheiro demais aqui. Parece mais de duzentos mil.
— Tem trezentos mil aí — respondeu Chen Nuo, sem emoção. — Cem mil a mais. Sessenta mil é pra quitar o que peguei com você nos últimos dias, incluindo aquela moto. O que sobrar é para cobrir as despesas médicas dos seus rapazes.
Wu Dalei, cauteloso, perguntou:
— Mas... ainda sobra muito, as despesas não foram tão altas.
Chen Nuo olhou para ele, encarou sua cabeça reluzente e sorriu:
— O que sobrar, use para tratar seu cabelo. Tão jovem e já está careca. Não perca tempo, trate logo, pode ser que ainda cresça de novo.
“...”
Wu Dalei quase chorou de emoção!
Só por ajudar esse jovem a encenar aquela situação, não só recuperou todo o prejuízo anterior com lucro, ainda ia lucrar uma boa quantia... Apesar de emocionado, não pôde evitar achar aquelas palavras estranhas.
•
Depois, os dois ainda discutiram detalhes do negócio. Sem perceber, já era hora do almoço.
Wu Dalei estava prestes a comentar sobre a comida quando viu uma garota de uniforme escolar parar a bicicleta diante da loja. Ela olhou para a placa: Bicicletaria do Dalei. Era ali mesmo.
A garota desceu da bicicleta e entrou na loja saltitando.
Wu Dalei não resistiu e a observou atentamente.
A menina era de uma beleza delicada, com traços marcantes, especialmente os olhos amendoados, claramente uma futura bela mulher. E o corpo... que curvas...
Ele ainda olhava quando percebeu que a garota já fitava o jovem Chen Nuo, um sorriso doce brilhando em seu olhar. Ela correu até ele.
— Chen Nuo!
— O que faz aqui? — perguntou ele.
— Meu pai disse que você estava trabalhando aqui, eu não acreditei. Faltou aula de novo! — Sun Keke agarrou o braço de Chen Nuo e não largou mais.
Chen Nuo, sem jeito, olhou para Wu Dalei:
— Ah... esta é a filha do professor Sun.
Wu Dalei imediatamente desviou o olhar curioso que tinha lançado à garota.
Mas no fundo, ficou pensativo...
Ah! Agora sim, entendi de verdade!!
Não estava atrás da casa do professor.
Estava, na verdade, atrás da filha dele!
•
O almoço foi por conta do irmão Lei.
Pastéis de carne bovina da “Sete Ruas”, da loja tradicional indicada por Chen Nuo, que fazia questão do sabor autêntico. Wu Dalei mandou o ajudante buscar os pastéis e, da lanchonete de frente, comprou também algumas tigelas de wonton.
Os pastéis estavam dourados, recheio de carne suculento e ainda soltavam caldo ao morder. Junto com uma tigela de wonton, a bela Sun Keke comeu sorridente.
Depois do almoço, Chen Nuo puxou o irmão Lei para um canto, deu mais algumas instruções, e saiu levando Sun Keke consigo.
Vendo Chen Nuo sair pedalando, com Sun Keke sentada no bagageiro, Wu Dalei ficou na porta segurando a tigela de wonton, emocionado.
Uma garota assim... não é à toa que o jovem estava disposto a dar duzentos mil.
Com essa beleza, esse corpo, se eu tivesse duzentos mil, também daria.
O ajudante comentou, curioso:
— Chefe, quem era aquele cara? Você tratou ele como se fosse um ancestral!
— Você não entende nada — respondeu o irmão Lei, lançando-lhe um olhar. Depois fechou os olhos e refletiu: — Esse sim é um peixe grande, temos que segurar! Você não entende, mas quando eu estava preso, sobrevivi graças a esse instinto aguçado. Apostei nas pessoas certas e, quando saí, consegui abrir essa loja! Meus olhos são bons para reconhecer gente! Pode apostar, se cuidarmos bem desse jovem, vou voar alto ainda!
Pensou um pouco, pegou o telefone, procurou um número e ligou.
— Liuzi? Aqui é o Lei, o Careca!
— Opa! Preciso de uma informação. Você não trabalha numa financeira? Queria saber como funciona o processo de empréstimo.
— Não, não estou precisando de dinheiro, não vou pedir empréstimo.
— Só quero saber como é o procedimento...
— Isso, isso...
— Certo, pode falar, estou ouvindo.
Cobriu o telefone e disse ao ajudante:
— Está esperando o quê? Pega papel e caneta! Tem que ser esperto!
•
Em um escritório de captação de investimentos do distrito.
Um homem de meia-idade, com jeito de chefe, lia documentos. A secretária entrou.
— Diretor, chegou a proposta de investimento da empresa da Coreia do Sul. O senhor pode conferir.
Ela colocou uma pilha de papéis na mesa, serviu chá enquanto o chefe folheava os documentos.
— As condições estão ótimas — o diretor assentiu. — É um dos principais projetos do ano, tanto pelo valor quanto pelas condições. Se fecharmos esse, cumprimos metade da meta trimestral. Há alguns pontos importantes.
A secretária já anotava tudo:
— Diga, diretor.
— Primeiro, a qualificação dos investidores estrangeiros deve ser verificada pelo banco. O dinheiro precisa estar de fato disponível, nada de promessas vazias.
— Segundo, o atendimento aos estrangeiros deve ser profissional, cordial mas firme, com razão e decoro.
— Terceiro, devemos respeitar algumas condições deles; além do projeto em si, se houver outras necessidades pessoais, o setor deve prestar o melhor serviço possível.
Quando terminou de anotar, a secretária hesitou:
— Diretor, há uma condição extra, de ordem pessoal, pedida pelos estrangeiros.
Ela explicou:
— Pediram que o filho de um dos diretores da empresa estrangeira venha estudar aqui. Querem que resolvamos a matrícula dele. Deve ser para o ensino médio.
O diretor não se importou:
— Não é nada demais, já aconteceu antes. Eles trazem tanto investimento, geram empregos, nada mais justo que ajudarmos com a escola. Entre em contato com a Secretaria de Educação, ofereça as melhores escolas do distrito e deixe que escolham. Faça o contato.
A secretária, com expressão estranha, completou:
— Eles já escolheram. Fizeram questão de uma escola específica.
— Ah, é? Qual? O Colégio Anexo de Jinling ou o Colégio Wanjiahu?
— ...Disseram que querem o Oitavo Colégio.
— ...Oitavo Colégio? — O diretor ficou surpreso, claramente não estava familiarizado com o nome. — Oitavo Colégio... Qual foi a classificação dele no vestibular do ano passado?
— ...Terceiro pior da cidade.
— ...
Batem à porta.