Capítulo Trinta e Três - A Virtude e Justiça do Meu Irmão Lei

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 4476 palavras 2026-01-30 14:14:17

Capítulo Trinta e Três – Meu Irmão Leal e Justo

Usando a chave, Chen Nuo abriu a porta e voltou para casa. Acendeu a luz da sala, trocou os sapatos. Achando que o ambiente ainda estava pouco iluminado, acendeu também as luzes da cozinha e da varanda, só então sentiu o espaço mais claro.

Sentou-se no sofá, fumou um cigarro, e só então levantou para ir à cozinha. Pôs água para ferver no fogão, lavou o arroz e colocou para cozinhar na panela elétrica. No vapor, colocou os restos de comida do dia anterior.

Encostado na cozinha, ficou ali um tempo olhando pela janela para as luzes dos apartamentos do outro lado da rua, pontinhos brilhantes como estrelas.

De repente, sentiu uma pontada de solidão.

Passou pela sala, ligou a televisão, escolheu qualquer canal com uma novela doméstica e aumentou o volume. O vapor começou a chiar na cozinha, os personagens da novela discutiam trivialidades familiares, e as luzes da casa estavam todas acesas.

Aquele sentimento de solidão, aos poucos, se dissipou.

No momento em que acendia o segundo cigarro, o telefone tocou.

Ao atender, ouviu a voz chorosa de Sun Keke. Chen Nuo entendeu de imediato, ficou em silêncio, apenas ouvindo a jovem chorar. Só quando ela se acalmou, murmurou em voz baixa: “Chen Nuo, meus pais brigaram de novo.”

“Onde você está?”

“Em casa.”

“Espere aí, estou indo agora.”

Desligou o telefone, apagou o fogo, pegou os restos de comida e o arroz recém-cozido, colocou tudo numa marmita térmica.

Trocou a jaqueta de couro por um agasalho do uniforme escolar, pegou a marmita e saiu.

Quando abriu a porta, Sun Keke estava com os olhos inchados. Assim que viu Chen Nuo, agarrou-se à roupa dele como se fosse sua única salvação.

O pai e a mãe de Keke, Sun e Yang Xiaoyi, não estavam em casa. Segundo ela, os dois haviam começado a discutir assim que chegaram. Depois, Yang Xiaoyi saiu chorando, e Sun, mesmo irritado, acabou trocando de roupa e foi atrás dela, dizendo à filha para não sair de casa.

“Você não jantou, não é?”

Chen Nuo foi até a cozinha, pegou pratos e tigelas, abriu a marmita e serviu a comida. Em seguida, ferveu um pouco de água, quebrou um ovo nela, pingou um pouco de óleo e polvilhou sal – um simples caldo de ovo.

Pôs tudo na mesa, trouxe Sun Keke até a cadeira, colocou os hashis na mão dela.

“Coma!”

Ela olhou para Chen Nuo, hesitou: “Meu pai está devendo muito dinheiro, não está?”

Chen Nuo balançou a cabeça: “Assuntos de adultos, não precisa se preocupar. Seu pai vai resolver.”

A jovem baixou a cabeça, comeu algumas colheradas e começou a chorar em silêncio. Por fim, não aguentou e levantou os olhos, perguntando com voz trêmula: “Eles vão se divorciar?”

“Não vão”, respondeu Chen Nuo, confiante. Se Sun fosse se divorciar, não teria se casado com Yang Xiaoyi dezoito anos atrás. Era algo que ele sempre soube.

No fundo, toda essa situação era só uma ferida no coração. Se, depois do retorno de Yao Weishan, Yang Xiaoyi tivesse tido algo com ele, o casamento realmente não teria salvação. Mas, ao que parecia, ela apenas caíra numa armadilha e perdeu dinheiro, não houve nada além disso.

Embora, aos olhos dos outros, uma mulher assim merecesse qualquer fim, Chen Nuo se lembrava do que acontecera à noite: quando Yao Weishan expôs tudo, Sun ainda se colocou na frente da esposa para protegê-la e deu um tapa no outro homem.

Isso já dizia tudo.

Dezoito anos atrás, Sun se casou mesmo tendo uma criança para criar. Dezoito anos depois, não se separaria por causa disso.

Sim, era uma postura humilde. Mas Chen Nuo não queria julgar demais.

Acalmou Sun Keke, convenceu-a, de um jeito ou de outro, a comer alguma coisa, depois sentou-se com ela no sofá para ver um pouco de TV.

Em algum momento, ela adormeceu recostada no sofá.

Chen Nuo pensou um pouco e foi até o quarto da garota. Naquela época, o quarto de uma jovem era bem diferente do futuro: nada de coisas cor-de-rosa, nem cosméticos espalhados pela mesa.

Lençóis simples de xadrez, um guarda-roupa de madeira marrom.

Abriu o guarda-roupa, pegou um cobertor, desviou o olhar para não encarar as roupas íntimas da menina.

Voltou para a sala, cobriu Sun Keke com cuidado, verificou se ela não estava com frio, abaixou o volume da TV.

Pôde sentir um leve perfume vindo da garota – talvez creme de arroz. E ouvia a respiração suave dela.

De repente, lembrou-se de uma cena de “A Lenda do Matador de Dragões”, em que Zhang Wuji dormia ouvindo Xiao Zhao costurar ao lado.

Paz e alegria.

Era isso.

Refletindo, também sentiu um pouco de sono.

Vendo que Sun Keke dormia profundamente, Chen Nuo saiu, fechando a porta com cuidado.

Descendo as escadas, avistou os pais de Keke na rua.

Yang Xiaoyi chorava copiosamente, falando algo em voz baixa para Sun. Por várias vezes tentou ajoelhar-se, mas Sun a segurava firme.

Depois de um tempo, Sun suspirou profundamente e abraçou a esposa. Ela chorou ainda mais alto.

Chen Nuo observou de longe, só se afastou quando viu Sun levando Yang Xiaoyi de volta para casa.

Parado ali, pensou um pouco e começou a procurar em volta.

Encontrou uma bicicleta da marca Permanente, modelo clássico. Reconheceu: era a de Sun.

Sem se preocupar em destravar, simplesmente a pegou e levou embora.

No dia seguinte, como de costume, Chen Nuo faltou à aula.

Levantou cedo, pegou um ônibus para o centro e chegou à Rua Tangzi. No restaurante Luo’s, comeu uma porção de pãezinhos fritos e tomou um caldo de wonton com óleo de pimenta.

Quando viu que a loja “Loja de Bicicletas do Grande Lei” do outro lado da rua levantava a porta de ferro, levantou-se, pagou e saiu.

Lei, o dono, continuava careca, mas agora estava acompanhado só de um rapaz, não mais de vinte anos, rosto novo por ali.

O jovem retirou as bicicletas usadas da loja e as alinhou na calçada, trouxe também algumas elétricas e colocou do outro lado. Depois, posicionou um letreiro: “Compramos bicicletas usadas por bom preço”.

Lei passou o tempo todo sentado, fumando em uma cadeira de bambu, segurando uma garrafa térmica.

Quando Chen Nuo entrou, Lei levou um susto. O rapaz novo, sem reconhecê-lo, foi logo abordando:

“Quer ver as bicicletas? Está procurando algum modelo?”

Chen Nuo não respondeu, agiu como se fosse de casa: foi ao balcão, pegou um maço de cigarros Yuxi, acendeu um, pegou o controle remoto, ligou a televisão na parede e sintonizou no noticiário da manhã.

Viu uma cadeira de bambu encostada, puxou-a para a frente da TV, sentou-se e ficou ali fumando.

O rapaz ficou atônito.

Mas quem é esse moleque? Entra na loja assim e já vai se sentindo dono?

O jovem avançou, gritando:

“Ei, pirralho! De onde saiu esse fedelho? Que história é essa de mexer em tudo?!”

E já estendeu a mão para agarrar Chen Nuo.

Lei, vendo aquilo, explodiu: levantou-se num pulo e, chegando perto, deu um chute na coxa do próprio funcionário.

Nem pergunte, foi no impulso de pura indignação!

“Você está ficando louco? Como fala assim com meu irmão mais velho?!”

Virou-se para Chen Nuo, sorrindo largo:

“Irmão, você veio! Quer ver alguma coisa hoje? Se precisar de algo, fique à vontade!”

Chen Nuo sorriu: “Hoje não preciso de nada, só vou esperar alguém aqui.”

Lei preparou chá Longjing pessoalmente e mandou o rapaz comprar um maço de Zhonghua no mercado.

Chen Nuo ficou fumando, tomando chá e assistindo TV, sem dizer palavra.

Por volta das dez, viu Sun se aproximando ao longe, andando pela Rua Tangzi.

Claro, ele viria – afinal, a bicicleta sumiu.

Sun foi de loja em loja, perguntando preços, até parar diante da “Loja de Bicicletas do Grande Lei”.

Observava as bicicletas expostas.

Chen Nuo saltou da cadeira, pegou um pano branco do balcão e jogou sobre o ombro, arregaçou as mangas e saiu a passos largos.

“Sun!”

Sun virou-se: “...Chen Nuo? O que faz aqui? Faltou à aula de novo?”

Chen Nuo puxou Lei, o careca, para perto, sorrindo:

“Estou trabalhando para juntar dinheiro da escola. Este é o dono, o Grande Lei, generoso, justo e sincero. Trabalhando com ele, ainda aprendo a consertar bicicletas.”

Sun olhou para Lei, que tinha cara de poucos amigos.

Lei olhou para Chen Nuo: ????

Chen Nuo devolveu o olhar: !!!!

Lei imediatamente se virou para Sun, sorrindo:

“Sim! Ele está mesmo trabalhando aqui!”

Sun ficou mais cordial, tirando um cigarro do bolso.

Mas Lei era esperto: rapidamente ofereceu um Zhonghua.

“Ele dá trabalho, mas é boa pessoa, tem um bom coração. Cuide dele, se não se comportar, pode puxar a orelha!”

Por dentro, Lei pensava: eu? Nem morto!

Mas não deixou transparecer, só sorria.

“Veio ver bicicletas?”

Sun explicou, um pouco sem graça:

“Roubaram minha ontem. Ficar sem é complicado. Vim procurar uma barata.”

“Tem! Tem sim!”

“Não precisa ser boa, só para andar já serve.”

Chen Nuo já havia escolhido a melhor da loja, empurrou para fora – e chutou discretamente uma plaquinha de preço para o canto.

“Olha essa, Sun. Promoção do chefe, só oitenta.”

Sun se espantou, foi dar uma olhada.

A bicicleta estava ótima, nas lojas anteriores custaria pelo menos duzentos.

Oitenta?

Olhou para Lei.

Lei abriu um sorriso sincero:

“Oitenta nada! Professor do meu funcionário, cinquenta! Fechou!”

Depois de trocarem gentilezas, Sun pagou os cinquenta, e Lei ainda encheu os pneus para ele.

Sun saiu tocado.

Esse homem parece bravo, mas é gente boa...

Quando ia se despedir, Chen Nuo falou de novo:

“Lei, você não ia na empresa de contabilidade hoje?”

Que empresa de contabilidade? Lei se espantou.

Irmão, você está mudando o roteiro!

Não sei improvisar tanto assim!

Chen Nuo explicou para Sun, meio gabando-se:

“Lei também tem uma empresa de contabilidade, faz pequenos empréstimos. Mas é leal, justo, por isso o negócio vai bem!”

Ao ouvir “empréstimos”, Sun olhou diferente para Lei.

Lei olhou para Chen Nuo: eu também empresto dinheiro?

Chen Nuo devolveu o olhar: empresta sim!

Lei se virou para Sun, rindo:

“Faço sim! É só por consideração dos amigos! No comércio, se não for justo e leal, não é gente!”

Sun se interessou...

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