Capítulo Vinte e Quatro – Está Satisfeito com o Que Vê?
Capítulo Vinte e Quatro — “Está Satisfeito?”
Wu Dalei tinha apenas trinta anos, mas sua aparência envelhecida fazia-o parecer quarenta. Na juventude, envolveu-se em brigas e acabou condenado a dois anos de prisão; cumpriu um ano e meio e foi solto por bom comportamento. Depois disso, Wu Dalei despertou para a realidade: percebeu que viver apenas de bravatas e violência não era um caminho seguro. Na prisão, conheceu um figurão, e, com seu jeito astuto, serviu-o diligentemente durante mais de um ano. O tal figurão saiu antes dele e, ao partir, deixou-lhe um endereço.
Quando Wu Dalei foi libertado, foi direto procurar o homem, e acabou por conseguir o apoio que buscava. Com essa ajuda, começou a operar no mercado de carros usados, negociando veículos de procedência duvidosa e vendas ilícitas. Em dois ou três anos, o negócio prosperou. Agora, ao andar pelas ruas, sua postura somada à sua aparência envelhecida conferia-lhe o ar de um veterano da malandragem.
Apesar de tudo, era um homem de reputação duvidosa, envolvido em negócios marginais — mas rendendo-lhe mais de dez mil por ano, uma quantia nada desprezível para a época. Wu Dalei mantinha muito dinheiro em casa: parte para comprar carros “negros” no dia a dia, parte para qualquer emergência que exigisse fuga rápida. Afinal, sabia que sua vida não era limpa e poderia ser pego a qualquer momento.
Tudo isso acabou nas mãos de Chen Nuo.
Naquele momento, havia dois caídos no pátio. Os dois ladrões, altos e magros, gemiam no chão, segurando seus pulsos — ambos quebrados pelo jovem. Wu Dalei já tinha recuado para dentro de casa. Era hora de jantar, e seus três a cinco subordinados tinham saído para comer. No início, Wu Dalei não se acovardou: pegou uma chave inglesa tentando resistir, mas levou uma pancada com um cadeado de corrente no tornozelo. A dor o fez tremer, e Chen Nuo puxou a corrente, fazendo Wu Dalei abrir um espacate involuntário.
“Maldição!”
Wu Dalei gritou, caindo no chão e sem conseguir levantar-se por dois minutos. Embora não tenha ouvido o estalo, estava convencido de que algo havia quebrado. A dor era tão intensa que metade de seu corpo ficou mole, e qualquer tentativa de ameaçar verbalmente se transformou em gemidos de sofrimento.
Em seguida, uma peça de ferro retirada da roda do carro foi pressionada contra seu pescoço.
“O dinheiro está no balcão.”
Wu Dalei rapidamente se rendeu. Sua experiência no submundo não era das mais profundas, mas sabia que não devia desafiar gente jovem e impulsiva — eles, quando tomados pela adrenalina, agem sem hesitar.
Esse rapaz era mesmo perigoso!
Após ver o jovem sair com o dinheiro, Wu Dalei, suportando a dor, arrastou-se até o balcão, pegou o telefone e discou:
“Cadê vocês, seus desgraçados?! Voltem já! A casa foi saqueada!”
•
Chen Nuo, com a mochila nos ombros, saiu andando pelo bairro. Chegou à esquina da Rua Tangzi, deu alguns passos e, guiado pela memória de outra vida, encontrou uma loja chamada “Pastéis Assados da Família Luo”, situada não muito longe do condomínio, do outro lado da rua.
Era uma pequena loja à beira da rua, com apenas duas mesas dentro, mas quatro ou cinco dispostas na calçada. Na frigideira redonda, o óleo fervia e os pastéis eram retirados quentes, acompanhados de uma tigela de raviólis.
Ao morder delicadamente um pastel assado, rompia a massa e sorvia o caldo espesso e saboroso, fresco e brilhante. Depois de beber o caldo, mordia o pastel, sentindo a crocância da massa frita misturada ao recheio de carne macia.
Se o paladar ficava muito seco, bastava tomar um gole da sopa de raviólis.
Chen Nuo devorou quatro pastéis de uma vez e metade da tigela de raviólis, sentindo-se aquecido da cabeça aos pés. Cada poro do corpo relaxou.
Só então abriu a mochila e examinou rapidamente o que tinha conseguido. Não contou com precisão, mas havia certamente uns quarenta ou cinquenta mil.
Adicionou um pouco de óleo de pimenta à sopa e continuou a comer, sem tirar os olhos da entrada do condomínio do outro lado da rua.
•
Pouco tempo depois, um Jetta cinza apareceu veloz e parou na frente do condomínio. De dentro saíram cinco ou seis homens robustos, que correram apressados para dentro.
Chen Nuo sorriu, pegou a tigela e engoliu o resto dos raviólis.
“Senhor, mais oito pastéis assados, para viagem. Vou buscar daqui a pouco.”
Deixou o dinheiro e saiu calmamente.
•
Os homens de Wu Dalei chegaram em disparada e encontraram o chefe caído no chão. Ao ajudá-lo a levantar, Wu Dalei gritava de dor, segurando o entrepernas.
“Procurem! Ache esse desgraçado! Eu vou acabar com ele, destruir esse bastardo!” Wu Dalei chorava por dentro.
Sessenta mil! O garoto levou sessenta mil! Era o dinheiro que ele tinha separado para comprar algumas motos nos próximos dias!
Os dois ladrões altos e magros foram arrastados até Wu Dalei, que lhes deu um tapa cada um:
“Falem! Como esse sujeito veio com vocês? E de onde vocês arrumaram o carro hoje?!”
Os dois, tontos de dor e de pancada, mal conseguiam responder. O mais esperto, suportando o pulso quebrado, berrou:
“Do Colégio Número Oito! Jiangning, Colégio Número Oito!”
“Procurem! Ache esse rapaz!” Wu Dalei bateu na mesa, furioso.
Um dos subordinados perguntou:
“Chefe, como ele é?”
“É só um garoto, comum, usando uniforme escolar! Não parece ter idade!”
“Chefe, ele estava com uma mochila?”
“Sim, sim!”
“E andava com passos lentos, quase flutuando?”
“Exatamente!” Wu Dalei ficou surpreso: “Como você sabe?”
O subordinado apontou para fora do pátio:
“Chefe, aquele ali não parece ele?”
Chen Nuo entrou sorridente no pátio, observando a confusão dentro da casa.
Wu Dalei arregalou os olhos:
“Como você voltou?!”
Chen Nuo deu de ombros:
“Eu nunca disse que ia embora. Meu bicicleta ainda está aqui, só saí para comer.”
Wu Dalei ficou sem palavras e então rugiu:
“Pegue-o! Acabem com ele! Destruam esse miserável!”
Os cinco subordinados avançaram, alguns pegando chaves inglesas, outros pegando chaves de fenda, e um deles puxando um bastão de ferro.
Wu Dalei, com os olhos vermelhos, gritou:
“Tranque o portão! Não deixem ele fugir! O dinheiro está com ele!”
Chen Nuo ficou no meio do pátio, ignorando os dois subordinados que passaram por ele para fechar o grande portão de ferro.
“Droga!”
O primeiro homem levantou a chave inglesa para atacar. Antes que pudesse desferir o golpe, Chen Nuo agarrou seu pulso, apertando como um alicate, deixando-o paralisado.
Chen Nuo se moveu rapidamente para o lado do homem, e com a outra mão, pressionou o cotovelo do braço que segurava a chave inglesa. Com força, torceu o braço.
Crac!
Um grito de dor, o cotovelo do homem dobrou para fora em noventa graus.
Wu Dalei, dentro da casa, assistia de olhos arregalados, engolindo saliva.
Chen Nuo abaixou-se, pegou a chave inglesa do chão, soprou a poeira e avançou sorrindo para Wu Dalei.
“Vamos, mais, mais! Ataquem!” Wu Dalei gritava.
Segundos depois, Wu Dalei estava desmoronado na cadeira.
No pátio, seus cinco subordinados jaziam no chão, todos com o cotovelo direito dobrado para fora, exatamente igual.
•
Wu Dalei tremia. Embora fosse valente na juventude, nunca viu alguém lutar assim!
O que mais assustava Wu Dalei era que, após tanta violência, o rosto do jovem ainda exibia um sorriso tranquilo, olhando-o calmamente.
Chen Nuo trouxe uma cadeira, colocou-a em frente a Wu Dalei e sentou-se de frente para ele. A chave inglesa em sua mão tocou suavemente o rosto de Wu Dalei.
“Por que não liga para mais gente?” Chen Nuo pegou o telefone da mesa e o entregou a Wu Dalei.
Wu Dalei, com os dentes batendo, engoliu saliva com dificuldade:
“Irmão, veja, vamos considerar isso um mal-entendido, certo?”
“Não, sei que você não está satisfeito. Procurar por mim não é difícil, afinal você já sabe de onde veio o carro. Em vez de juntar gente depois para me buscar, melhor resolver tudo hoje. Ligue, eu te dou tempo. Não te atacarei até seus homens chegarem, que tal?”
Wu Dalei deslizou da cadeira para o chão.
Não era bobo; percebeu que tinha encontrado um obstáculo sério, muito além do comum.
Juntar mais gente? Com sua influência, poderia reunir uma dúzia ou mais de homens. Mas...
Conseguiriam vencê-lo?
Esse rapaz, em uma noite, derrubou oito pessoas, incluindo os dois ladrões altos e magros e os próprios homens de Wu Dalei!
E o jovem sequer perdeu o fôlego, nem um arranhão.
Que tipo de habilidade era essa?
Mesmo com mais gente, será que conseguiriam? E se não conseguissem, então...
Mesmo que conseguissem, com tamanha habilidade, se ele fugisse, Wu Dalei teria problemas sem fim!
Não poderia andar sempre com vinte homens ao lado. Seu negócio estava ali, e o rapaz já tinha vindo uma vez...
Wu Dalei compreendeu instantaneamente.
O jovem à sua frente... ou você o elimina de vez, ou admite a derrota.
“Irmão, eu errei! Errei, errei!” Wu Dalei amoleceu completamente, ignorou o telefone e implorou:
“Eu me rendo, você pode me deixar em paz? O dinheiro você já levou, meus homens estão no chão. No fim das contas, era só uma bicicleta! Irmão, não é nada demais!”
Chen Nuo assentiu:
“Estou cansado de bicicleta, quero uma mais interessante.”
Wu Dalei imediatamente se animou, entendeu o recado, esqueceu a dor e arrastou-se até o pátio, apontando para uma moto no canto.
“Irmão, esta aqui! Peguei semana passada, toda modificada, pintura nova! Produto genuíno importado, Yamaha original! Nenhuma peça nacional! O escape foi instalado por mim!” Olhou para Chen Nuo com olhos suplicantes:
“Está satisfeito?”
Chen Nuo sorriu, examinando a moto:
“Falta um capacete.”
“Tem, tem! Tudo aqui!” Wu Dalei entrou e logo trouxe um capacete preto novinho:
“Material de fibra de carbono, visor antifogo! Nunca usei, estava guardando para mim mesmo.”
Entregou o capacete:
“Pode levar, é seu.”
Chen Nuo olhou para ele, falando devagar:
“Você sabe lidar. Por mim, poderia te deixar em paz, mas tenho um defeito: odeio gente de cabeça raspada. Vocês ficam assim para parecerem malvados, mas assustam as crianças na rua.”
Wu Dalei caiu de joelhos, chorando:
“Irmão, não é raspado! É calvície oleosa!”
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