Capítulo Seis – O Imprevisto

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 5026 palavras 2026-01-30 14:09:50

Capítulo Seis [Imprevisto]

O velho Sun estava imaginando demais.

Depois de entrar no trem, a bela Sun não teve sequer a chance de ficar junto de Chen Nuo.

Algumas garotas puxaram Sun Beleza para um vagão de beliches duros, enquanto Chen, o voluntário, foi acomodado com Liu Trabalhador em outro compartimento.

Naqueles dias ainda não havia trem-bala, só restava viajar no expresso de vagões verdes. Chamavam de “expresso”, mas na verdade era tudo, menos rápido. Da partida de Jinling até Yanbian, era preciso um dia e uma noite inteira.

Felizmente, a empresa de educação, para dar prestígio ao evento, liberou verba suficiente; ninguém precisou viajar sentado, todos tinham bilhete de beliche duro. Afinal, era uma atividade sob o pretexto de intercâmbio educacional, e obrigar um grupo de adolescentes a passar um dia e uma noite sentados seria um tormento. Além disso, estavam acompanhados por autoridades do departamento de educação. Era preciso manter as aparências.

Claro, os líderes estavam confortavelmente instalados em cabines de beliche macio.

— Chen, vai buscar um pouco de água e arruma as malas no corredor. Tem uma câmera na minha bolsa, cuidado ao mover, não pode cair! — Liu Trabalhador se jogou no beliche, já dando ordens a Chen Nuo.

Virando-se, viu que Chen já estava deitado em outro beliche, tirando um romance da mochila e começando a ler.

— Ei! Estou falando com você!

Chen Nuo pousou o livro, sorrindo para Liu Trabalhador:

— Professor Liu, estou aqui para passear, não para servir de carregador. Não estará confundindo as coisas?

— ... — Liu Trabalhador ficou sem palavras. — Você?! Você é voluntário, voluntário significa...

— Professor Liu, já paguei a taxa do grupo ao senhor. Se não está satisfeito, pode me dar um recibo, ou então falar com o líder do grupo para me tirar do intercâmbio na próxima parada, eu desço e volto para escola sozinho.

— ... Você é mesmo duro na queda!

Mandar embora era impossível. Num grupo educacional financiado, por mais travesso que o aluno fosse, a escola e os professores só podiam suportar ou tentar controlar... jamais poderiam abandonar uma criança numa cidade distante para que voltasse sozinha.

Nem Liu Trabalhador, nem seu chefe, nem o diretor se atreveriam a tal coisa. Ainda mais com autoridades do departamento de educação no grupo; se fizessem algo tão cruel, a licença da escola seria revogada de imediato!

Vendo Liu Trabalhador sem palavras, Chen Nuo sorriu gentilmente:

— Não se irrite, professor Liu, estamos todos fora de casa. Eu paguei para viajar. O senhor mesmo pensaria assim. Melhor convivermos em harmonia, não acha?

Dizendo isso, Chen Nuo tirou uma caixa de Yuxi do bolso e jogou para Liu Trabalhador.

A raiva de Liu só diminuiu um pouco; resmungando, tirou um cigarro e acendeu (não se espante, nos tempos dos vagões verdes era possível fumar escondido abrindo a janela).

Mas ao dar a primeira tragada, a garganta ardente quase desestabilizou Liu Trabalhador!

Maldição!

Na hora de pedir favor, é tudo sorriso e oferta. Mas dentro do barco, muda o tom!

E pior, os cigarros oferecidos eram falsos!

É humano isso?!

...

Chen Nuo, claro, não era tão desajeitado socialmente; apenas testava os limites de Liu Trabalhador, preparando terreno para os próximos dias.

Um dia e uma noite de trem não renderam muita história. Tampouco houve chances de algo romântico com Sun Beleza... Com dezenas de alunos e uns oito professores apertados num vagão, era só barulho por todo lado, nada de cenas cor-de-rosa.

Chegaram a Yanbian já à noite. Sun Beleza, possivelmente nunca viajara tão longe de trem, estava com as pernas bambas ao descer. Um sentimento de arrependimento surgia: “Que ideia foi essa de entrar nesse grupo... Só por causa daquele garoto? Mas ele talvez nem...”

Antes que terminasse o pensamento, Chen Nuo já havia pegado a mala dela. Sem perceber, a garota recebeu uma lata de cola na mão.

Quando olhou, Chen Nuo já caminhava à frente.

Não era mais sofrido, não era! Num instante, tudo ficou leve!

Olhando para as costas de Chen Nuo, Sun Beleza sorriu. Abriu a lata, tomou um gole.

Doce!

...

Liu Trabalhador viu tudo, e de repente entendeu!

Esse grupo financiado é só desculpa, esse garoto veio é conquistar garotas!

Mas, duas horas depois, percebeu que estava enganado de novo!

...

— O quê?! Você quer sair do grupo? — Liu Trabalhador exclamou.

Era um quarto duplo padrão, Liu Trabalhador e Chen Nuo dividiam.

O alojamento perto da escola era simples, mas limpo e seguro.

— Isso mesmo. Dê um jeito de encobrir, são só quatro dias.

— Quatro dias! — Liu Trabalhador elevou o tom. Olhou para Chen Nuo com raiva: — Impossível! Nem pense nisso! Sair do grupo? Quatro dias? Se algo acontecer, como vou assumir essa responsabilidade? Quer acabar comigo?

Chen Nuo olhou firme para Liu Trabalhador e, silenciosamente, tirou um celular.

Um Alcatel.

Comprado por duzentos reais no mercado de usados. Não é surpresa, naquele tempo Alcatel era conhecido e barato, em promoção custava pouco mais de seiscentos, com cem reais de crédito de brinde.

Chen Nuo abriu um áudio:

— Professor Liu, a taxa do grupo já paguei ao senhor. Se não estiver satisfeito, pode me dar um recibo, ou falar com o líder para me tirar do grupo na próxima parada, eu desço e volto sozinho.

— ... Você é mesmo duro!

Fim da reprodução.

O rosto de Liu Trabalhador mudou!

— Seu garoto, você me armou!

Chen Nuo sorriu.

— Acha que só porque gravou esse troço, eu vou...

Chen Nuo sorriu.

— Não sou medroso! Quer ver se denuncio agora que quer sair do grupo?

Chen Nuo sorriu.

— Não faça besteira! Isso só acabaria mal para ambos...

Chen Nuo sorriu.

...

— Chen, arrumar emprego não é fácil, não me prejudique, por favor! — suplicou Liu. — Se quiser mesmo sair, vá dar uma volta, caminhe pelas ruas à noite, coma alguma coisa, que tal? — Liu Trabalhador, mordendo os lábios, tirou duas notas de cem da carteira: — O que quiser comer, eu pago. Mas não faça besteira, Chen.

Chen Nuo aceitou o dinheiro e guardou no bolso.

E... continuou sorrindo.

— Você não aceita nem mole nem duro, hein! Se não funciona no jeito, quer que eu force!

Chen Nuo suspirou.

Um minuto depois, Liu Trabalhador, com a cabeça pressionada no chão, implorava:

— Eu errei, Chen, me deixa em paz, por favor!

Chen Nuo tirou o pé, ajudou Liu a levantar, acomodando-o no sofá e até limpando a poeira de suas roupas.

— Liu, pra quê tudo isso? Não estou negociando, só te informando que vou sair do grupo. Quanto à cobertura, confio que dará um jeito; sempre há mais soluções que problemas! — Chen Nuo sorriu. — Não sou muito notado no grupo, desde o início só fiquei no seu vagão, sem conversar com os colegas. Não exagero: muitos alunos e professores nem perceberam que existo.

— Mas não dá! Tem chamada todo dia!

— Arrume uma desculpa, afinal é você quem conta o número. Se alguém perguntar, diga que me mandou comprar alguma coisa. — Chen Nuo deu um tapinha amigável no ombro de Liu, sorrindo: — Pronto, estou indo, conto contigo.

— O quê? Vai agora?! — Liu saltou.

E viu Chen Nuo sair pela porta.

— Força, trabalhador.

— ...

Liu Trabalhador desabou no sofá.

Chen Nuo, quando se trata de pessoas, não faz nada!

...

Descendo as escadas, Chen Nuo cruzou com Sun Beleza e algumas garotas.

— Para onde vai? O professor disse que, durante o descanso, todos devem ficar no alojamento, sem sair. — Sun Beleza falou com o queixo levemente erguido.

— Vou ao banheiro.

— Mas não tem banheiro no quarto?

— Professor Liu teve diarréia e ocupou o banheiro, vou procurar um público.

Dizendo isso, Chen Nuo acenou e desceu correndo.

Sun Beleza ficou com a fala presa, já sem ver as costas dele.

Deixa pra lá, ia perguntar se queria assistir nosso ensaio amanhã, mas fica pra depois. Amanhã eu pergunto.

Pensou inocentemente Sun Beleza.

...

Trinta e seis horas depois.

Num ponto da fronteira entre Coreia do Norte e Coreia do Sul.

Após o feixe dos holofotes passar, uma silhueta se arrastou velozmente pelo chão, parou em determinado ponto e ficou à espera.

Quando o holofote passou de novo, a figura saltou, serpenteou com movimentos táticos, correu dezenas de metros e, finalmente, se lançou diante de uma cerca de arame farpado.

Chen Nuo expirou, deitou imóvel no chão, contando silenciosamente.

Chegando até trinta, confirmou que nada havia sido alarmado ao redor.

Foi arriscado agora pouco.

Mesmo tomando o máximo de cuidado, quase esbarrou num vigia oculto.

Chen Nuo neutralizou o vigia e ainda pegou a pistola dele. Também desmontou o fuzil em peças.

Cada vez mais insatisfeito com o próprio físico. Afinal, era um jovem de dezessete anos, sem treino ou desenvolvimento completo. Força, resistência, flexibilidade e agilidade eram insuficientes.

Era como usar um computador velho para rodar um jogo 3C no máximo de efeitos.

Não dá conta.

Quando abordou aquele vigia, eram dois soldados; por um instante, seu corpo não acompanhou a mente, a técnica de golpe falhou um pouco, quase cometendo um erro.

Do mochilão, tirou um alicate e começou a cortar um a um os fios do arame farpado.

Nesse processo, suas mãos eram incrivelmente estáveis, os movimentos precisos e rápidos.

Se alguém visse a cena, acharia absurdo! Na fronteira de dois países em conflito há décadas, sob camadas de arame farpado, um adolescente de uniforme azul e branco, usando uma técnica fria e veloz, vigiava o feixe dos holofotes enquanto cortava rapidamente a cerca!

Quando abriu um buraco no arame, Chen Nuo respirou fundo, ainda deitado, esperou mais um minuto antes de rastejar para fora.

— Direção seis horas, último campo de minas. — Chen Nuo respirava um pouco acelerado.

Estava cansado.

Do mochilão, tirou um pedaço de chocolate, mastigou e engoliu.

Precisava de energia.

O mapa do campo minado entre as Coreias estava gravado em sua mente.

Sem dúvida.

Na vida passada, chamado de “inimigo da civilização” por todo o Ocidente, o senhor Yanluo já cumprira missões ali, nesse estratégico ponto de disputa mundial.

O mapa do campo minado estava profundamente marcado em sua memória.

Aliás, em 2000 era ainda mais fácil: a tecnologia não era tão avançada quanto vinte anos depois, drones e sensores não estavam instalados.

Mas os campos minados permaneciam.

Esses campos só foram parcialmente limpos até 2018.

Mas sempre há corredores estreitos, alguns públicos, outros secretos.

Os secretos são usados por agentes de ambos os países para infiltração.

Chen Nuo escolheu um desses corredores ultrassecretos, de que tinha conhecimento no futuro.

Usou esse caminho duas vezes no futuro.

Era janeiro, noite gelada, temperatura abaixo de dez graus.

E ficaria ainda mais frio.

Cada inspiração era um ar gelado penetrando os pulmões, causando uma dor sutil.

Os dedos, após tanto tempo rastejando, estavam machucados. As luvas de algodão já estavam rasgadas.

Seu corpo se mantinha colado ao chão, como um lagarto, avançando lentamente.

O “corredor de minas” não era livre de explosivos.

Era apenas um espaço irregular, onde ainda restavam algumas minas.

Chen Nuo rastejou por cerca de quarenta minutos, parando duas vezes para descansar. Sua mente permanecia calma, calculando distâncias e posições.

Se nada desse errado, faltavam uns trinta metros para sair do campo minado.

Mas... “se nada desse errado”, bem...

Ping!

Chen Nuo ouviu um leve ruído metálico.

Seu corpo enrijeceu! Manteve-se imóvel, sem mover um músculo!

Controlou a respiração, até sentir tudo ao redor silencioso.

O silêncio era tal que podia ouvir o próprio coração.

Começou a sentir cada parte do corpo encostada no chão.

Por fim, percebeu: sob seu joelho, o solo tinha uma pequena saliência.

Chen Nuo ficou sério.

Sabia que havia pressionado uma mina.

Naquele instante, seus nervos estavam mais frios do que nunca!

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[PS: Não perguntem como ele cruzou o Rio Yalu, se eu descrevesse isso, o livro seria banido. Isso é força maior, imaginem como quiser, o importante é que ele passou! Pronto!]

[Agradecimentos ao senhor Li, da Trinta e Sete Entretenimento, pelo patrocínio de prata; agradecimentos a Han Leyi, Fei Wen, Yilu Zouzou Tingting, Grande B, Cavalo-Tigre, e ao leitor 130323100202462 pelo apoio! Obrigado a todos os patrocinadores!]

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