Capítulo Trinta e Nove – Ruptura
Capítulo Trinta e Nove: [Ruptura]
No instante em que Chen Nuo foi abraçado pela garota das pernas longas, ficou completamente atônito.
Mas que raio, de onde surgiu esse par de pernas compridas?!
Minha aura de mestre desapegado, que sai sem deixar vestígios, vai desmoronar assim, na frente de todo mundo?
Tudo isso aconteceu em menos de um segundo. Antes que alguém pudesse reagir, o rosto da bela Sun já estava lívido. A menina dos vagalumes já quase enfiava a cabeça no próprio peito de tão envergonhada.
Seria isso... o lendário... triângulo amoroso?
Bem, na verdade, a confusão nem era tanto por causa das garotas e seus sentimentos embaraçados. Chen Nuo era inocente, nunca teve segundas intenções, sempre foi correto... Então, do que ele tinha medo?
O problema era que sua relação com a menina dos vagalumes era, digamos, um tanto especial, algo que não podia ser exposto à luz do dia.
Em apenas um segundo, dezessete ideias já cruzavam a mente de Chen Nuo: como sair dessa situação?
Seus olhos pousaram na garota das pernas longas.
Talvez... eu diga: "Moça, talvez você não acredite, mas eu tenho um irmão gêmeo idêntico a mim..."
Será que ela acreditaria?
Ou então... eu grito por socorro para a bela Sun, acuso a menina de assédio?
Não, seria subestimar a inteligência dos outros...
Seus olhos então pousaram naquele grupo de valentões de meia tigela, especialmente em Zhang Linsheng...
Pronto, vai ser você mesmo.
Desculpe, amigo, mas hoje você vai ser o bode expiatório.
Durante essa eternidade de um segundo, Chen Nuo já havia se preparado psicologicamente.
Num piscar de olhos, com um movimento rápido e discreto, ele se desvencilhou do abraço da menina dos vagalumes, lançou-a de lado e, num gesto teatral, apontou para Zhang Linsheng, gritando indignado:
— Ah, então porque você é do último ano pode sair intimidando os outros? Porque é mais velho pode montar gangue? Quer que eu tenha medo de você só porque anda com esses marginais?
Antes que a frase acabasse, Chen Nuo já avançava a passos largos em direção a Zhang Linsheng.
Zhang Linsheng ficou paralisado!
Mas... amigo, você está nessa enrascada... E agora quer me envolver?
Chen Nuo chegou diante de Zhang Linsheng, curvou-se, segurou-o pelas pernas e, num só movimento, jogou-o sobre os ombros, como se fosse um saco de arroz!
E então...
Saiu em disparada em direção ao portão da escola, correndo feito um louco!
Todos ao redor ficaram boquiabertos.
Ninguém conseguiu reagir. Quando perceberam, Chen Nuo já tinha percorrido vinte metros carregando Zhang Linsheng!
Que diabos é isso?!
Todos ficaram petrificados.
Que tipo de manobra é essa?
A menina dos vagalumes foi a primeira a acordar do susto. Deu um grito e saiu correndo atrás.
A bela Sun, ainda atordoada, viu a outra garota correndo e, sem pensar, também saiu em disparada.
Os outros, especialmente os "gângsteres" de meia tigela...
— Ei... ele acabou de carregar nosso chefe embora?
— Eu também vi...
— O que está acontecendo aqui...?
O último a perceber xingou:
— Vocês estão parados por quê? Corram atrás! Ele sequestrou nosso chefe!
Num piscar de olhos, todos saíram em perseguição.
Luo Qing ficou parado, demorando a entender.
Uau... não sabia que dava pra agir assim.
·
O diretor Fang e os demais líderes só então desceram do segundo andar, e o que viram foi:
Um jovem cheio de energia correndo com outro rapaz nos ombros em direção à saída da escola.
Antes que pudessem reagir, uma garota de pernas longas passou correndo como um cervo, cruzando diante dos líderes.
Mais um instante de perplexidade.
Logo em seguida, outra garota atravessou correndo.
Mais um momento de espanto... Não, dessa vez não dá pra ficar só olhando!
Atrás delas, um grupo de rapazes com uniforme da escola, empunhando bastões e correntes, vinham gritando ameaças e maldições, em perseguição.
O diretor Fang quase perdeu a alma de susto, os olhos girando de pavor!
Do seu lado estava o chefe da Secretaria de Educação! E também representantes estrangeiros! Esses malditos querem acabar com minha carreira!
Só conseguia pensar em quatro palavras: carreira arruinada.
Tomado de fúria, o diretor Fang bloqueou o caminho e berrou:
— Estão malucos?! O que pensam que estão fazendo?!
Um grupo de professores e líderes correu para bloquear os valentões.
O homem de meia-idade que acompanhava a menina dos vagalumes foi o mais rápido. Segurou um dos garotos e, com uma chave de braço, imobilizou-o no chão.
— Larguem as armas! Agora mesmo!
O diretor Fang tremia de raiva.
·
Li Yingwan saiu correndo pelo portão, tomou a rua à direita, dobrou duas esquinas e já não viu mais sinal de Chen Nuo.
A garota das pernas longas ficou parada, sem saber o que fazer. Justo nesse instante, uma mão tapou-lhe a boca por trás e puxou-a para uma ruela...
Meio minuto depois, a bela Sun chegou ofegante, mas não viu mais ninguém à frente. Com os olhos marejados, gritou algumas vezes:
— Chen Nuo! Chen Nuo!
E então seguiu correndo até o próximo cruzamento.
·
Li Yingwan se debateu um pouco, mas ao ver o rosto conhecido, abriu um largo sorriso e já ia se atirar nos braços dele.
Chen Nuo, porém, a conteve, empurrando-a delicadamente pela testa para manter distância segura, ignorando as tentativas da garota de agarrá-lo.
— Fique quieta! — disse Chen Nuo, sério.
— Oppa...
— Nada de oppa! Você me meteu numa encrenca! — suspirou ele. — Primeiro, me diga: como me encontrou?
·
A bela Sun correu por duas quadras, olhando em volta na multidão, mas sem encontrar quem procurava. Exausta, parou, apoiou as mãos nos joelhos, sem fôlego.
Por um instante, sentiu-se perdida.
Logo, a tristeza tomou conta e ela começou a chorar alto.
Vagando pela rua, olhando ao redor sem encontrar aquele rapaz de traços delicados, acabou se sentando na calçada, chorando enquanto enxugava as lágrimas.
Nem sabia direito por que estava tão triste, só sentia uma dor no peito, um aperto.
Ele foi abraçado por outra garota.
Aquela menina era tão bonita, com pernas tão longas.
E ainda o chamava de oppa, dizendo coisas que ela não entendia, mas a palavra “oppa” era clara como água.
Eles se conheciam? Que tipo de relação tinham? Já teriam dado as mãos?
A bela Sun chorava ainda mais.
Em algum momento, alguém tocou seu ombro e lhe estendeu um lenço de papel.
Ao levantar os olhos, viu aquele rapaz delicado ao seu lado.
— Por que está chorando?
Ela, ainda chorando, respondeu:
— Por que ela te abraçou daquele jeito?
Chen Nuo não respondeu.
Primeira regra da sobrevivência: quando uma garota te encurralar com perguntas, nunca tente responder.
Qualquer resposta será errada.
Pense fora da caixa, questione de volta.
Chen Nuo sorriu e devolveu a pergunta:
— Só por isso está chorando?
Ela, ainda sentada, olhou para ele com um ar desolado:
— Você conhece ela?
Essa dava para responder, não valia a pena negar. Chen Nuo assentiu:
— Digamos que sim.
— Como se conheceram?
Essa já era mais difícil de responder.
Resolveu mudar de assunto:
— Quando você veio correndo, não viu mais ninguém?
A bela Sun, ingênua, respondeu:
— Não, só corri atrás de vocês... Por que você saiu correndo?
Chen Nuo deu um tapinha na cabeça dela, como quem fala com uma criança:
— Ora, Zhang Linsheng trouxe um grupo para me encurralar. Eles eram seis ou sete, eu estava sozinho. Se não corresse, ia esperar para ser espancado?
Ela hesitou:
— Mas... por que você saiu carregando o tal Zhang Linsheng junto?
— Pra pegar o bandido, primeiro se captura o chefe. Se eu levasse ele comigo, os outros ficariam inseguros, com medo de acertar o próprio chefe. Entende?
Ela assentiu, sem entender muito bem.
Por que sentia que estava sendo enrolada?
Não, mas a outra garota!
A bela Sun agarrou a barra da camisa de Chen Nuo:
— E aquela menina? Não saiu correndo atrás de você? Ela estava na minha frente.
— Não vi. Ela saiu mesmo? — Chen Nuo abriu os braços, fingindo surpresa.
A bela Sun ficou ainda mais confusa, batendo o pé no chão:
— Não pode! Que relação você tem com ela?
Nesse momento, ouviram uma voz chamando atrás deles.
— Chen Nuo! Ah, finalmente achei vocês!
Liu, o trabalhador, veio correndo, suando em bicas:
— Vocês estão aqui! Está tudo bem? Voltem comigo para a escola, o diretor Fang está quase tendo um ataque!
Ele olhou para Chen Nuo:
— E aquele que você carregou? Onde está?
Chen Nuo deu de ombros:
— Não sei, larguei ele e ele sumiu.
Liu lançou um olhar severo para Chen Nuo:
— Vamos, voltem logo!
A bela Sun abriu a boca, mas não disse nada. Seguiu calada, sentindo-se injustiçada.
No fim, ela era jovem e fácil de enganar... Na verdade, pela atitude de Liu, dava para perceber que ninguém sequer perguntou pela outra garota. Ela certamente já tinha voltado.
Voltaram para a escola.
Logo na entrada, viram, encostados no muro, os “gângsteres” de meia tigela, todos agachados com as mãos na cabeça.
O diretor Fang, com um ar severo, discursava:
— Isso é muito perigoso! Vocês estão trilhando o caminho do crime! Estudantes já saem por aí gritando porrada e morte, e quando forem adultos vão andar armados?
Quando viu Chen Nuo e a bela Sun de volta, o diretor Fang foi mais gentil com ela, mas ao olhar para Chen Nuo, a raiva tomou conta.
De novo ele!
Da última vez, lá na fronteira...
Melhor não mencionar o passado.
— O que aconteceu agora?
— Eles eram muitos, então eu corri... — Chen Nuo usou a mesma desculpa de antes.
— E aquele que você carregou?
— Fugiu.
— Para onde?
— Pergunte a ele mesmo. Deve ter ido para casa.
O diretor Fang tremia de raiva:
— Foi para casa? Depois de uma confusão dessas, simplesmente foge para casa?!
Chen Nuo, calmo:
— Melhor que voltar para a escola e ser repreendido, não acha?
O diretor ficou sem palavras:
— Ligue para os pais! Eles acham que podem se esconder e está tudo resolvido?
O resto não dizia respeito a Chen Nuo. Afinal, oficialmente, ele era a vítima.
— Diretor Fang, posso ir para casa?
O diretor, ainda irritado:
— Depois de tudo isso, só pensa em ir para casa?!
Chen Nuo provocou de propósito:
— Eles se juntaram para me bater, eu é que sou o culpado? Fugi e ainda estou errado? Segundo o senhor, eu deveria ficar e apanhar para ser um bom aluno?
— E por que eles se juntaram para te bater?
— Gente ruim precisa de motivo para fazer maldades?
Aquele tom era claramente de provocação. Chen Nuo podia ter sido educado, mas fazia questão de responder secamente.
O diretor Fang ficou furioso. Com antigos e novos ressentimentos, ainda por cima tendo passado vergonha na frente do chefe da Educação e dos estrangeiros, gritou ainda mais.
Chen Nuo também fingiu perder a paciência:
— Eu sou o aluno que está sendo intimidado e o senhor, como diretor, ainda culpa a vítima? Estou exausto de tanto correr, não posso ir para casa descansar?
O diretor Fang ficou ainda mais furioso, até que um professor, vendo a situação, foi até ele e cochichou algo em seu ouvido.
O velho Fang recuperou parte da razão, respirou fundo e acenou:
— Vá, vá, pode ir para casa!
Chen Nuo fez questão de sair demonstrando toda a irritação de um adolescente rebelde.
A bela Sun ficou pasma ao vê-lo sair assim.
Ele simplesmente foi embora?
Nem tive tempo de perguntar o que queria...
A menina sentiu vontade de chorar de novo.
·
Mais tarde, Chen Nuo apareceu na porta de um quarto de hotel, bateu e foi recebido pelo rosto radiante de Li Yingwan, que o puxou para dentro.
— Sente-se, preciso falar com você. Preste muita atenção! — Chen Nuo passou a mão na testa e obrigou a garota a se sentar. — Só posso ficar um pouco. Ouça bem o que vou dizer!
·
[Às sete da noite tem mais um capítulo. Peço recomendações!]