Capítulo 54 – Luz da Lua Branca

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 3809 palavras 2026-01-30 14:16:50

Capítulo Quinquagésimo Quarto — Luz da Lua Branca

“Jardim de Meteoros” surgiu como um vendaval, exatamente como Chen Nuo lembrava de sua vida passada, varrendo toda a Ásia. Graças à pirataria, mesmo sem ser oficialmente importada, a febre já havia tomado conta de toda a China.

Claro, segundo as memórias de sua vida anterior, mesmo quando foi finalmente importada de forma oficial, a transmissão durou pouco antes de ser proibida.

Se era ou não um fenômeno em toda a Ásia, o pequeno Colégio Oitavo de JN não sentiu tanto. Mas, ao menos dentro da escola, as mudanças trazidas pela série eram visíveis a olho nu.

Primeiro, a moda de imitar a turma de Cobre de Wan desapareceu instantaneamente. Antes, cada grupinho competia para ver quem seria Hao Nan ou Shan Ji, mas logo todos sumiram da cena.

Agora, a disputa mais popular era: quem seria Dao Ming Si, quem seria Hua Ze Lei... Bem, ninguém realmente queria ser Mei Zuo ou Xi Men.

Zhang Linsheng, que já foi o “chefe” autoproclamado do terceiro ano, assistia pela manhã enquanto o antigo Shan Ji de seu grupo brigava atrás do banheiro masculino e, com sucesso, conquistava o título de Dao Ming Si do Oitavo Colégio.

Zhang Linsheng sentiu um certo pesar.

As coisas mudaram muito...

Se não fossem aqueles dois incidentes, ele poderia ter feito a transição natural de Hao Nan para Dao Ming Si do Oitavo Colégio...

Zhang Linsheng jogou fora o cigarro, olhou para o céu com melancolia, balançou a mochila no ombro e saiu do campus, desiludido.

Ao chegar ao portão, avistou Sun Keke.

A “Flor da Escola”, Sun Keke, era uma das poucas garotas que, mesmo vestindo aquele uniforme escolar azul e branco horrível, ainda conseguia brilhar com sua beleza.

Ela caminhava e ria com outras meninas pela rua em frente ao portão da escola.

Zhang Linsheng ficou surpreso. Sabia muito bem que Sun Keke morava no prédio dos professores ao lado da escola. Mas, pelo visto, não estava indo para casa.

Quase sem perceber, Zhang Linsheng passou a segui-la. Na verdade, nem sabia por que estava seguindo, nem tinha real curiosidade sobre para onde Sun Keke ia ou o que faria, ou quem encontraria...

Era apenas um impulso — queria simplesmente ver aquela garota.

Ele realmente gostava de Sun Keke, gostava sinceramente — ao menos era assim que ele sentia.

No ano anterior, ele já tinha notado aquela menina. Foi numa manhã de verão, durante uma aula de educação física. Depois dos alunos terminarem de correr, ela tirou o uniforme escolar e revelou uma camiseta bege, com um sorriso doce e um corpo jovem e exuberante como uma flor de macieira em plena primavera. Aquela imagem entrou nos olhos de Zhang Linsheng e nunca mais saiu.

Naquele momento, ele estava ajudando o professor de educação física a guardar as bolas de basquete. Ao ver a figura encantadora de Sun Keke, sentiu como se o espírito fosse atingido por um raio.

Naquela época, ainda não se usava o termo “luz da lua branca”. Mas talvez, no coração de Zhang Linsheng, Sun Keke fosse exatamente isso.

Como inúmeros rapazes pelo mundo, o sentimento de Zhang Linsheng por aquela garota era tímido, misturado com insegurança; e para disfarçar isso, ele tentava parecer arrogante e altivo.

Mas, na verdade, frequentemente a observava em segredo.

De vez em quando, sua mente se enchia de fantasias estranhas — quase sempre misturadas com seus sonhos de domínio dos “bairros perigosos”.

Em suas fantasias adolescentes, ele enfrentava todas as dificuldades e se tornava respeitado por todos, como Hao Nan, o centro do palco... e aquela garota estaria ao seu lado, recebendo olhares de inveja junto com ele.

O coração do adolescente é simples e complexo ao mesmo tempo.

Por um lado, gostava dela em segredo; por outro, sentia-se inferior diante de sua própria mediocridade.

Sun Keke era tão destacada, bonita, simpática, popular — os meninos que gostavam dela talvez formassem uma fila ao redor da quadra da escola. E o pai dela ainda era o supervisor da escola.

E ele... era apenas um garoto de família humilde. O pai, desempregado, fazia bicos numa oficina; a mãe era faxineira no mercado municipal.

No fundo, o adolescente era inseguro, mas, para esconder isso, vestia uma arrogância tola e sem fundamento.

Ser o “Hao Nan do Oitavo Colégio” era o escudo que ele criara para sua própria insegurança.

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Sun Keke seguiu com as amigas por um tempo e depois pegou um ônibus no ponto. Era hora do rush, o veículo estava tão cheio quanto uma lata de sardinha. Ela se apertou até o último canto do ônibus, sem notar que um conhecido da escola também havia embarcado.

Depois de algumas paradas, desceu e trocou de ônibus. Quarenta minutos depois, desceu novamente, caminhou alguns quarteirões e entrou na Rua Tangzi.

Zhang Linsheng continuava seguindo.

Até agora, ele também não sabia por quê... só queria vê-la um pouco mais.

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Sun Keke parou em frente à oficina de Da Lei. Já demonstrava um pouco de cansaço, estava ofegante, mas assim que entrou e viu Lei Ge orientando os funcionários, correu feliz até ele.

“Lei Ge!”

“Oh, Keke!” Lei Ge riu e a recebeu: “Venha, sente-se, sente-se.”

Ele pegou uma garrafa de refrigerante atrás do balcão e lhe entregou.

Sun Keke sorriu, recebendo: “E o Chen Nuo?”

“Hmm...” Lei Ge pensou. “Saiu para comer, está naquele restaurante de macarrão na esquina. Deve voltar logo. Quer ligar para ele?”

“Não precisa, vou procurá-lo.” Ela largou a garrafa e saltitou para fora.

Lei Ge coçou a cabeça careca e, ao notar um jovem funcionário olhando fixamente para a garota, deu-lhe um tapa na cabeça.

“O que está olhando? Isso não é para o seu bico! Quer morrer? Comporte-se! Ela é protegida aqui!”

Sun Keke saiu, caminhou pela Rua Tangzi em direção ao leste, deu alguns passos, mas de repente se virou, lembrando de algo.

Ao se virar, deu de cara com Zhang Linsheng.

Pego de surpresa, Zhang Linsheng quase tentou se esconder, mas não havia onde na rua deserta.

“Ei? Você é... Zhang Linsheng?”

Sun Keke o reconheceu. O olhar dela era cauteloso.

Zhang Linsheng sorriu, constrangido: “Você lembra meu nome?”

“Sim, você está bem famoso na escola ultimamente.”

...Mas provavelmente não por bons motivos! O rosto de Zhang Linsheng murchou.

“O que faz aqui? Não estava me seguindo, né?” Ela olhou ao redor, desconfiada.

Zhang Linsheng balançou a cabeça rapidamente: “Não, não, eu moro aqui perto.”

Apontou para um condomínio ali próximo: “Olha, minha casa é ali.”

“Você mora tão longe?” Ela franziu a testa, evidentemente não acreditando muito.

Zhang Linsheng ficou sem graça... já não conseguia mais bancar o arrogante na frente dela.

Primeiro, o Senhor Sun voltara à escola como supervisor.

Segundo, sem o escudo de “Hao Nan”, sua insegurança já estava exposta.

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Um furgão branco parou do outro lado da rua. No banco do motorista, um homem observava Zhang Linsheng e Sun Keke conversando do outro lado da rua.

“São eles?” perguntou o motorista, franzindo a testa.

No banco do carona, um sujeito de aparência feroz também olhou: “Devem ser. O informante da loja do Lei Careca disse que era um garoto de uniforme escolar e uma garota que sempre vinha procurá-lo! Os dois de uniforme, só pode ser eles. Ainda agora vi a menina sair da loja do Lei Careca!”

“Então é isso!” Os olhos do motorista brilharam frios. “Preparem-se.”

No banco de trás, havia dois homens de jaqueta, com caras nada confiáveis. Debaixo das jaquetas, volumes suspeitos; por uma das aberturas, aparecia o cabo de uma faca.

“Quando agirmos, seja rápido! Pegue-os e vá!”

O furgão avançou uns metros, deu meia-volta e parou ao lado de Sun Keke e Zhang Linsheng.

Os dois jovens não deram atenção; de repente, a porta se abriu e dois homens saltaram. Um agarrou Sun Keke pela cintura e outro a ergueu à força.

A garota só teve tempo de soltar um grito curto antes de ser arrastada para dentro do veículo!

Zhang Linsheng ficou paralisado!

Nem conseguiu reagir e, dentro do carro, dois homens já pressionavam uma faca no pescoço de Sun Keke.

“Moleque! Ouvi falar de você, é bem famoso, sabe brigar, não é?” O sujeito no carona riu de forma cruel.

Zhang Linsheng engoliu seco.

Famoso, sabe brigar?

O nome de “Hao Nan do Oitavo Colégio” já chegou ao centro da cidade?

Eu já larguei a vida das ruas, mas ainda tenho fama assim?

“Se não quiser confusão, entre logo! O chefe quer conversar com você!” O homem ameaçou. “E essa garota, você não quer que ela se machuque, quer?”

Mil pensamentos passaram pela cabeça de Zhang Linsheng... mas nenhum útil.

Na confusão, ele estava em choque... afinal, era “Hao Nan do Oitavo Colégio”, mas não de verdade.

De repente, movido por um impulso, cerrou os dentes e disse baixinho: “Não façam nada com ela!”

“Então entre logo!”

Em seus dezoito anos, Zhang Linsheng nunca tinha passado por isso, mas naquele instante, não sabia de onde veio a coragem. Ao ver Sun Keke, com o pescoço apertado e a boca tapada, lutando de pavor, ele respirou fundo e entrou no carro!

A van arrancou em alta velocidade, deixando apenas uma mochila caída no chão da rua.

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“Lei Ge.”

Chen Nuo entrou na loja, balançando os ombros satisfeito após comer.

“Oh, Nuo voltou!” Lei Ge olhou para trás. “Ué? Keke não está com você?”

“Hã?”

“Ela veio te procurar, eu disse que você estava comendo na esquina, ela foi lá, não te encontrou?”

Chen Nuo pensou. “Talvez não nos cruzamos, passei no mercado. Vou procurá-la.”

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Alguns minutos depois, o rapaz estava parado na rua, fitando a mochila caída no chão, o rosto sério, os olhos semicerrados.

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TOC TOC TOC

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