Capítulo Quarenta e Três: Simples e Descomplicado

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 5468 palavras 2026-01-30 14:14:26

Capítulo Quarenta e Três — Simples e Direto

Após o término da última aula da tarde, os estudantes arrumavam suas mochilas de forma preguiçosa e descompromissada. Li Yingwan, com o rosto fechado, anotava meticulosamente as palavras do professor no quadro negro.

— Li Yingwan, você mora longe da escola? — perguntou o monitor, aproximando-se com um sorriso amistoso.

Ela apenas lançou um olhar frio, sem responder. O silêncio persistiu, e o monitor, constrangido, desviou o olhar.

Ao sair da sala, dois rapazes da turma ao lado esperavam por ela. Um deles era até atraente, não fosse pelas espinhas no rosto. Sem hesitar, ele entregou uma carta a Li Yingwan.

Ela olhou friamente para o envelope em sua mão.

— Não entendi.

O rapaz sorriu, tentando parecer despreocupado:

— Escrevi em inglês.

Mas seu sorriso congelou quando, de repente, Li Yingwan rasgou o envelope ao meio.

Ela se aproximou um passo, mantendo o olhar frio. O tom ainda tinha um leve sotaque, mas era firme:

— Quando digo que não entendo, é só por educação.

O envelope rasgado caiu ao chão e Li Yingwan saiu rapidamente, deixando o rapaz boquiaberto e provavelmente de coração partido.

Quando chegou ao portão da escola, dois colegas de classe estavam por ali, um deles com uma mountain bike novíssima. Parecia que aguardavam por algo, mas hesitavam em ir embora.

Ao vê-la sair, um deles se aproximou:

— Li Yingwan, hoje fizemos o experimento juntos na aula de biologia, lembra? Onde você mora? Se for no caminho, podemos ir juntos.

Li Yingwan respirou fundo, encarou o rapaz e perguntou diretamente:

— Você gosta de mim?

— Hum... — o coração do rapaz acelerou, surpreso e animado com a franqueza dela.

Enquanto tentava pensar numa resposta descolada, Li Yingwan cortou:

— Mas eu não gosto de você.

Um carro moderno parou diante do portão. O motorista saiu apressado, abriu a porta para Li Yingwan, que entrou. O motorista olhou para o rapaz, indiferente, voltou ao carro e partiu.

Sun, a Rainha da Escola, e Luo Qing acompanharam tudo de perto.

Luo Qing suspirou:

— Mais um coração ferido.

Olhou para Sun, que parecia abalada:

— Sun Keke, você precisa se esforçar.

Sun respirou fundo. Seu rosto, antes sombrio, se iluminou num sorriso. Olhou para Luo Qing, foi buscar sua bicicleta no bicicletário, saltitando.

— Como consegue sorrir assim? — perguntou Luo Qing, intrigada.

— Ela é popular, mas isso não me afeta. — Sun saiu com a bicicleta, suas pernas brancas subindo no assento. — Além disso, ela quer ficar próxima de Chen Nuo, mas nem sabe onde ele está agora.

Luo Qing coçou a cabeça, pensativa.

— Ela não sabe, mas eu sei — Sun piscou e saiu pedalando.

Luo Qing percebeu que Sun não estava indo para casa... Aliás, a casa dela era perto da escola, e normalmente ela nem usava bicicleta.

·

Chen Nuo estava comendo macarrão.

Uma tigela grande de macarrão com seis sabores e pele de porco crocante.

Cogumelos secos bem hidratados, picles cortados em tiras, um punhado de cogumelos-orelha-de-pau fresco e folhas verdes novinhas.

Macarrão largo, sopa vermelha, costelinha de porco.

No lugar do ovo com gema mole, havia um ovo cozido no molho antigo, descascado, cortado em fendas e frito até ficar com a pele crocante — chamado ovo com pele de tigre.

O ovo, por dentro e por fora, absorveu o sabor do molho, com a superfície crocante: uma mordida, uma explosão de sabor!

A pele de porco, cortada em pedaços, bem cozida, absorveu o caldo; cada pedaço, macio, com a firmeza característica da pele de porco e o sabor intenso do caldo.

Um sabor fresco e intenso!

Ao aproveitar esse impulso, uma grande garfada de macarrão desliza para dentro do estômago, aquecendo de dentro para fora!

Chen Nuo e o irmão Lei, cada um com uma tigela enorme, comiam com entusiasmo.

Especialmente Lei, que teve um dia difícil, passando horas na água fria, cansado e faminto. Agora, quase enterrava o rosto na tigela.

Sem conversar, terminaram a refeição rapidamente. Lei bebeu o caldo, e espiou Chen Nuo.

— Satisfeito?

— Satisfeito!

— Então vamos conversar — Chen Nuo afastou a tigela com um sorriso.

Lei imediatamente largou a tigela, procurou um cigarro nos bolsos, mas lembrou que, após trocar de roupa em casa, não tinha trazido nenhum. Levantou-se, foi até o balcão, pegou um maço com o dono da loja de macarrão, acendeu um para Chen Nuo e outro para si.

Sentou-se, olhando para Chen Nuo.

— O que aconteceu hoje? Conte tudo.

Lei assentiu e contou tudo.

Não era complicado: Li Qingshan queria o estabelecimento dele, tentou negociar, não conseguiu, então usou métodos mais agressivos.

Lei teve azar: seu protetor caiu.

Em condições normais, Li Qingshan não teria conseguido derrubar Lei tão facilmente.

Lei, embora não tivesse grande influência, lidava com venda de peças roubadas e tinha alguns subordinados.

Em outros tempos, Li Qingshan não teria facilidade. Mas... recentemente, Chen Nuo havia passado pelo estabelecimento de Lei, e todos os "fortes" estavam fora de combate, muitos ainda se recuperando.

Hoje, Li Qingshan pegou Lei desprevenido: os poucos subordinados aptos estavam fora, só Lei e um funcionário estavam presentes, e foram surpreendidos.

Chen Nuo ouviu, pensou:

— E o que você pretende fazer?

Lei piscou, hesitando.

Chen Nuo sorriu, batendo os dedos na mesa:

— Seu chefe está preso, os subordinados se dispersaram. Você não tem planos?

Lei teve um estalo, respondeu:

— Meu antigo chefe era bom para brigas, tinha um grupo, mas não era bom de negócios, então não tinha base. Ficou só com um restaurante.

— Continue.

— Antigamente havia muita gente, mas todos eram brutos, bons para brigas, péssimos para ganhar dinheiro. Agora, com o chefe preso, ninguém tem seu prestígio. O restaurante foi fechado... o grupo se dispersou, todos precisam de um lugar para comer...

Chen Nuo sorriu:

— Você consegue reunir esse pessoal?

Lei sentiu-se inquieto:

— Não tenho prestígio nem dinheiro.

Sua mente girava rápido, calculando:

— Tenho umas dezenas de milhares guardados, juntando com o fluxo do restaurante... este mês consigo tirar uns trinta a cinquenta mil.

Mas ainda não é suficiente.

Dos antigos subordinados, os mais competentes e confiáveis, consigo reunir uns dez, no máximo. Não mais que isso.

Para sustentar esse grupo, preciso de dezenas de milhares por ano. E... não adianta só sustentar, é preciso encontrar um negócio, dar perspectivas, não dá para ficar só brigando.

Meu negócio atual não sustenta tanta gente.

Chen Nuo assentiu:

— Continue, tem mais?

Lei hesitou, baixando a voz:

— Eu queria fazer um negócio grande este ano...

— Qual?

— Só recolher carros clandestinos não dá, o dinheiro é rápido, mas o risco é grande. Qualquer fiscalização pode me colocar na cadeia. Então pensei em conseguir uma representação de bicicletas elétricas...

— É um bom caminho.

Chen Nuo assentiu.

No início do século, o mercado de bicicletas elétricas crescia. Lei não era desmiolado, pensava no futuro.

— Se conseguir a representação, expandir o negócio, pegar as lojas ao lado... mas não tenho dinheiro. Se for reunir gente agora, não consigo sustentar.

Chen Nuo assentiu:

— Eu lhe dou cinquenta mil, consegue tocar o negócio?

Lei ficou surpreso, eufórico:

— Consigo! Com cinquenta mil, junto minhas economias, dá uns setenta mil, suficiente para pegar as lojas ao lado e a representação. Consigo trazer alguns antigos subordinados... Não preciso de muitos, uns dez é suficiente para formar o grupo!

Mesmo não podendo enfrentar Li Qingshan, ele vai pensar duas vezes antes de mexer comigo!

Chen Nuo suspirou.

Era o início de 2001. Um apartamento decente no centro de Jinling custava vinte mil. Um bom funcionário ganhava pouco mais de mil por mês, renda anual abaixo de vinte mil.

Com vinte mil, dava para sustentar sete ou oito jovens "do ramo" por um ano.

Claro, havia outros gastos, como despesas médicas e indenizações em caso de brigas.

Chen Nuo assentiu:

— Certo, amanhã lhe entrego o dinheiro. Está decidido.

— Ótimo! Daqui em diante, trabalho para você! Você é o patrão, eu sou o empregado.

— Não — Chen Nuo sorriu, balançando a cabeça. — O dinheiro não é investimento, é empréstimo. Quando tiver, me devolve.

Lei ficou ainda mais tranquilo, mas não pôde evitar a dúvida.

Esse rapaz não quer ser sócio... não quer ganhar dinheiro?

O que ele busca?

Lembrou do professor Sun.

Mas não tinha uma filha linda como ele...

·

Infelizmente, Li Qingshan era um velho solitário, diferente do chefe Xiao, que tinha família. Se Chen Nuo tentasse a mesma estratégia, não funcionaria.

E não podia simplesmente matá-lo.

Li Qingshan era influente, com negócios grandes... se sumisse, todos, legais ou ilegais, iriam investigar!

Não era medo, era desnecessário.

A polícia não é inútil. Se matasse Li Qingshan, rastreariam Lei e chegariam a Chen Nuo.

Não valia a pena sacrificar sua vida atual por isso.

Aliás, falando em chefe Xiao, será que ele já voltou? Já deve ter tomado coco suficiente no Sudeste Asiático.

·

Depois de comer o macarrão, os dois voltaram para a loja de carros de Lei.

Lei limpou o lixo, chamou alguns subordinados que estavam se recuperando em casa para discutir negócios.

Chen Nuo estava prestes a sair quando viu Sun, a Rainha da Escola, chegando de bicicleta.

— Sabia que você mataria aula para vir aqui — Sun ergueu o nariz com delicadeza.

Chen Nuo analisou a garota.

O rosto estava ruborizado, um pouco ofegante.

Vinha de Jiangning, pedalando por cerca de uma hora. No início da primavera, o tempo era frio, o vento à noite era forte.

Foi um esforço para ela.

Pensando nisso, Chen Nuo sentiu-se tocado, suspirou, virou-se para Lei:

— Me arrume uma jaqueta, bem quente.

Lei correu para dentro, voltou em menos de um minuto com uma jaqueta de zíper.

— É da marca True West, comprei dias atrás, nunca usei. Tem forro, é quente e corta vento.

Chen Nuo pegou a jaqueta, olhou para ela, pensativo.

Será que essa marca ainda existirá daqui a vinte anos?

Com a jaqueta na mão, foi até Sun e a vestiu.

Sun, constrangida pela presença de outros, ficou vermelha e tentou resistir, mas Chen Nuo a segurou, com um olhar sério:

— Não se mexa!

— ...Tá bom.

Obedeceu, deixou Chen Nuo vesti-la, levantando os braços para as mangas.

O zíper foi Chen Nuo quem fechou.

Aproximou-se para observar Sun: o rosto delicado, pele de porcelana, olhos úmidos e tímidos...

Chen Nuo sentiu um impulso e, sem pensar, beliscou suavemente a bochecha dela.

— Desça, eu vou pedalar.

— Ei! — Sun sorriu, saltou da bicicleta, entregando o guidão.

Chen Nuo subiu, Sun pulou na garupa, sorridente, abraçou sua cintura e encostou a cabeça nas costas dele.

Pedalando, via as pernas da garota balançando...

·

Ao deixar Sun embaixo de seu prédio, ela o segurou antes de se despedir.

— O que foi? — Chen Nuo sorriu para ela.

Sun hesitou, pensou e falou baixo:

— Vou dizer, mas não fique bravo.

Chen Nuo assentiu:

— Pode falar.

— ...Eu não quero controlar você — disse Sun, baixinho. — Mas meu pai falou que o Lei é do submundo. Eu... sei que você gosta de diversão, mas não fique sempre com eles, tá?

Esses caras são assustadores.

Eu... não quero controlar, só me preocupo.

O tom era suave, o olhar cheio de cuidado, verdadeiro.

A lua já brilhava, a noite tranquila.

Chen Nuo, que havia passado por guerras, açoitado pela vida, sentiu o coração, pela primeira vez, vacilar.

A garota, o olhar... era puro.

Não havia sido corrompida pela vida, não conhecia o peso do mundo...

Era simplesmente limpa.

Naquele momento, Chen Nuo percebeu que o professor Sun havia criado sua filha com o mesmo caráter simples.

Ela era uma pessoa simples.

Vida simples.

Pensamentos simples.

Gostar de alguém... também era simples!

Chen Nuo pensou, conteve a emoção, falou com voz firme:

— Sei o que faço, vou ficar bem.

A garota sorriu aliviada, olhou para ele mais uma vez e se virou para entrar...

— Espere!

Chen Nuo segurou Sun, pegando sua mão pequena.

Olhou para ela, que ficou tímida, cabeça baixa.

Chen Nuo sabia, se quisesse beijá-la ou abraçá-la, ela não resistiria.

Mas, após hesitar, apenas acariciou a cabeça dela e sorriu:

— Durma cedo.

Viu Sun subir, respirou fundo e foi embora.

Não vai casar, mas vai provocar? Pois provoquei! Vai reclamar?

Chen Nuo mostrou o dedo do meio para a lua.

·

[Não reclamem do capítulo curto; três ou quatro mil palavras é bastante. Outros escrevem só duas mil.]
[Teremos mais à noite.]
·