Capítulo Trinta e Sete – Sentindo-se Descontente

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 3867 palavras 2026-01-30 14:14:19

Capítulo Trinta e Sete – [Agora Estou Triste]

A casa da família Sun não era grande, daqueles antigos conjuntos habitacionais construídos no final dos anos oitenta ou início dos anos noventa. Um traço marcante dessas moradias era a sala de estar diminuta. O layout era bem regular—nenhum centímetro de espaço desperdiçado.

Eram dois quartos, um maior e outro menor. O casal Sun dormia no quarto principal, enquanto o menor era o refúgio da jovem Sun, a bela da escola.

Chen Nuo acomodou a garota no sofá para descansar e foi até o corredor que levava aos quartos. Após pensar um instante, perguntou em alto e bom som: “Onde fica o estojo de remédios da sua casa?”

Naquela época, todo lar mantinha um estojo de remédios, termômetro, além de medicamentos comuns para gripe, febre e inflamações. Afinal, era normal sentir-se mal vez ou outra, e as pessoas costumavam tratar sintomas leves em casa mesmo, só recorrendo ao hospital quando não havia jeito. Os hospitais eram distantes e, naquela época, farmácias também não eram tão abundantes nas ruas.

Duas décadas depois, quase ninguém mais guarda esses itens em casa. Hoje em dia, basta pedir pelo aplicativo e o remédio chega em minutos—até preservativos entregam.

A bela Sun, meio tonta, realmente estava com febre. Enquanto andava pela rua, ainda se sentia bem, mas ao chegar em casa e se deitar no sofá, a consciência começou a se turvar. Murmurou baixinho: “No quarto dos meus pais, embaixo da penteadeira, tem uma cesta de bambu.”

Chen Nuo respondeu com um “hum” e não se preocupou em disfarçar os passos, caminhando deliberadamente até a porta do quarto principal, que abriu de maneira ostensiva e entrou sem hesitar.

Sem perder tempo olhando ao redor, foi direto até a penteadeira.

Anderson apareceu silenciosamente atrás da porta, deslizando como um fantasma, sem fazer barulho algum, posicionando-se atrás de Chen Nuo. Ele parecia não ter peso, seus movimentos davam a impressão de flutuar, apesar de caminhar sobre o chão.

Chen Nuo andava pelo quarto, do corredor até a penteadeira ao lado da cama de casal, e Anderson sempre se mantinha em seu ponto cego—um ângulo perfeito, impossível de ser visto. E tudo isso em absoluto silêncio.

Anderson observava atentamente o rapaz à sua frente. Parecia ainda jovem, vestindo uma jaqueta azul e branca, caminhando relaxado, arrastando chinelos.

O garoto estava agora de costas, agachado diante da penteadeira, mexendo nas coisas. Dos ombros era possível notar que os músculos estavam relaxados—nenhum sinal de alerta.

Anderson precisou de apenas um instante para concluir: era uma pessoa comum.

Chen Nuo, de propósito, dava as costas ao desconhecido, sem qualquer gesto suspeito, postura ou tensão muscular, como se realmente estivesse preocupado apenas em procurar algo.

Na verdade, bem à sua frente, estava o puxador de bronze da gaveta da penteadeira. O verniz já havia se desgastado e, no reflexo do metal, Chen Nuo via claramente um homem branco observando-o intensamente. A postura era idêntica à de um felino pronto para atacar.

E, principalmente, havia uma agulha de aço presa entre os dedos do outro.

O olhar de Chen Nuo se aguçou.

Era um especialista.

E… estrangeiro? Não parecia um simples ladrão…

Chen Nuo encontrou o estojo de remédios e se levantou. No mesmo instante, Anderson recuou rapidamente, colando-se à parede e, numa movimentação que desafiava as leis da física, subiu pela parede como uma aranha, até ficar encostado no encontro entre o teto e a parede!

Chen Nuo passou propositalmente por baixo dele, sem olhar para cima, expondo a nuca por um breve momento ao alcance da agulha de Anderson.

Deixou o quarto principal, fechou a porta atrás de si e voltou à sala. Fingiu servir água quente no copo, abriu o estojo, pegou remédio para gripe e deu duas pílulas à bela Sun, ajudando-a a se deitar no sofá.

Durante todo o tempo, seus olhos não desgrudaram da porta do quarto principal.

Após alguns minutos, sua expressão relaxou um pouco.

O homem se foi.

Chen Nuo pensou, então, pressionou suavemente um ponto na nuca da sonolenta bela Sun.

Ela fechou os olhos e adormeceu profundamente, enquanto Chen Nuo retornava ao quarto principal.

Verificou e confirmou que o homem já não estava lá. Franziu a testa e foi até a varanda, onde percebeu que a janela de alumínio à esquerda estava entreaberta.

Abriu a janela sem ruído, segurando-a com cuidado, subiu ágil ao parapeito, apalpou a borda superior e, com a leveza de um gato, se içou para cima.

O apartamento do Sr. Sun era no quinto andar—acima disso, só o terraço.

O terraço estava vazio quando Chen Nuo chegou. Era um lugar pouco frequentado, com placas de cimento térmico já rachadas, várias unidades externas de ar-condicionado e equipamentos de aquecimento solar espalhados.

Chen Nuo correu velozmente pela borda do terraço e, ao olhar para baixo, viu a uns dez metros um vulto afastando-se calmamente.

Usava chapéu, mãos nos bolsos.

A roupa era igual àquela que vira refletida no puxador de bronze.

O entorno era deserto, só aquele bloco de apartamentos e, ao longe, uma fábrica.

Chen Nuo pulou para fora, segurou-se no cano de escoamento externo e deslizou para baixo em segundos.

Ao tocar o chão, tirou rapidamente a jaqueta do uniforme escolar, enrolou-a e jogou nos arbustos, seguindo sem demora o estranho.

Anderson andava depressa. Embora mantivesse a cabeça baixa, não estava desprevenido. Em alguns cruzamentos, ao parar no semáforo, lançou olhares ao redor.

Tendo se certificado de que não era seguido, mudou de direção e seguiu para o hotel. Antes de entrar, ainda parou num pequeno mercado e comprou duas garrafas de água mineral.

Meia hora depois, Anderson entrou no saguão do hotel.

De longe, sob a luz do poste, Chen Nuo viu o vulto desaparecer no prédio. Quando Anderson passou pela porta, o reflexo no vidro revelou claramente seu rosto.

Os olhos de Chen Nuo se estreitaram.

Após pensar por alguns segundos, virou-se e foi embora.

·

A bela Sun despertou de um sono profundo com a sensação de vazio: onde estava ele?

Chamou timidamente: “Chen Nuo?”

Da porta da cozinha surgiu o rosto sorridente do rapaz, com uma expressão adorável e inofensiva: “Acordou?”

Ele sumiu de novo na cozinha e, logo em seguida, apareceu com uma tigela de mingau branco, colocando-a sobre a mesinha de centro do sofá.

Voltou à cozinha e trouxe um potinho, colocando-o ao lado do mingau.

No potinho havia tiras de conserva de mostarda, cortadas apenas do miolo, bem lavadas. Ao lado, um pequeno monte de carne desfiada.

Sem se importar com o olhar surpreso da moça, Chen Nuo estendeu a mão e tocou a testa de Sun Keke.

“Hum, não está mais com febre. Como se sente?”

O rosto da garota corou, ela desviou a cabeça, afastando a mão dele, e respondeu baixinho: “Estou bem, só estou fraca.”

“É de fome.” Chen Nuo empurrou a tigela: “Coma. Já são mais de três da tarde, você nem almoçou, claro que está sem forças.”

A jovem olhou para Chen Nuo, um pouco atordoada, e de repente, por algum motivo, ficou ainda mais vermelha, baixou a cabeça e começou a comer obedientemente.

Depois da refeição, Chen Nuo a ajudou a deitar na cama e balançou um termômetro higienizado.

“Abra a boca, ah…”

A menina sorriu envergonhada e Chen Nuo colocou o termômetro: “Tire em três minutos.”

Saiu do quarto.

Deitada na própria cama, com a porta aberta, Sun Keke ouvia o barulho dos talheres sendo lavados na cozinha.

Seu rosto avermelhou de novo.

Sim… No dia a dia, com os pais em casa, era mais ou menos assim…

Ela se encolheu toda, tímida.

Quando Chen Nuo terminou de lavar a louça e voltou ao quarto, tirou o termômetro da boca dela e deu uma olhada.

“Menos de trinta e sete graus, não está mais com febre. Só uma gripe leve.”

Dizendo isso, foi fechar as cortinas.

Não eram do tipo blackout, só deixavam o ambiente um pouco mais escuro.

“Se conseguir dormir, durma mais um pouco. Doente tem que descansar, dormir faz bem.”

Assim que as cortinas fecharam, a garota sentiu o rosto queimar de vergonha, puxou o cobertor e cobriu metade do rosto, deixando só os olhos à mostra.

No instante seguinte, o cobertor foi puxado por Chen Nuo.

“Não durma cobrindo o rosto, não quer acabar piorando?”

Dizendo isso, virou-se para sair.

“Você… vai embora?” Sun Keke chamou baixinho.

Chen Nuo olhou para ela, hesitou: “Ainda não vou, espero você dormir. Fico na sala vendo TV, se precisar de mim, pode me chamar.”

Sun Keke suspirou aliviada ao ver Chen Nuo sair do quarto. Logo o som da televisão preencheu a sala.

A garota ficou olhando para o teto, distraída com pensamentos indefinidos. Mas o corpo ainda frágil pela doença logo a venceu e ela adormeceu.

Ao acordar, percebeu que o quarto estava mergulhado na escuridão—já era noite.

A porta do quarto estava fechada e, do lado de fora, podia ouvir as vozes do pai e da mãe conversando.

Sun Keke levantou-se apressada, deixando até os chinelos para trás, e saiu do quarto.

Na sala, os pais conversavam e, ao ver a filha, o Sr. Sun a chamou:

“Keke. Acordou?”

Ela não respondeu, apenas olhou em volta procurando o rapaz, mas não o encontrou—o que a deixou decepcionada.

“Onde está o Chen Nuo?”

O Sr. Sun suspirou antes de responder: “Ele foi embora à tarde, quando sua mãe chegou do trabalho.”

Yang Xiaoyi notou que a filha estava descalça e logo a repreendeu: “Por que saiu da cama sem calçar chinelos? Ainda está doente, volte já para a cama!”

Sun Keke fez um beiço, voltou ao quarto e se jogou na cama.

…Ah, fiquei triste!

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[Como sempre, peço votos e recompensas.

Agora, um aviso importante: a pandemia voltou a crescer, cuidem-se bem, evitem lugares públicos, fiquem em casa e leiam livros quando puderem.

Especialmente quem está em Hebei e no Nordeste, cuidem-se!]

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