Capítulo Sete – Os Descendentes do Sol
Capítulo Sete
Mina antipessoal M2.
Pesa cerca de 2,9 kg, detona por pressão, possui compartimento de espoleta metálico e a mina salta dois metros ao ser ativada.
Alcance letal efetivo: raio de dez metros.
Resumindo em uma frase: se Chen Nuo se levantasse agora, estaria condenado!
O pino do detonador já estava acionado, a mola de pressão já transmitira a força.
Bastava que ele tirasse o joelho de cima, e o corpo explosivo dentro da mina, comprimido pela mola, saltaria de imediato, então...
Uma explosão!
Chen Nuo ponderou por longos segundos, depois moveu-se com extrema cautela, colocando-se de joelhos, mantendo o joelho esquerdo firme sobre a mina, imóvel como uma rocha!
Começou a tirar o uniforme escolar azul e branco, de aparência feia, manuseando cuidadosamente uma tesoura para recortar um pedaço de tecido, que depois, centímetro por centímetro, foi colocando sob seu joelho.
O processo foi lento, levou pelo menos cinco minutos.
Suas mãos permaneceram firmes o tempo todo; mesmo sob o vento gelado, com o nariz escorrendo pelo frio, as mãos de Chen Nuo mantinham-se incrivelmente estáveis, como se fossem de pedra!
Terminando, pegou da mochila alguns clipes de papel dos maiores.
Endireitou um a um e, então, fixou as bordas do tecido sob o joelho, fincando os clipes profundamente no solo lamacento.
Usou dezesseis clipes ao todo, certificando-se de que o tecido estava firmemente preso ao chão.
Assim, formou um “bolso de pressão”.
Chen Nuo refletiu, respirando fundo algumas vezes. Não se moveu apressadamente; pegou então um lápis automático.
Com cautela, retirou um grafite.
Na primeira tentativa, sua mão finalmente vacilou, e o grafite quebrou.
Com expressão serena, pegou outro.
Depois de completar o processo, segurou o fino grafite entre dois dedos, e cuidadosamente, por baixo do tecido, tocou o invólucro da mina.
Precisava do grafite para reinserir o pino de segurança na mina, substituindo o pino de disparo.
Assim, faria com que a mina, já acionada, voltasse a dormir.
Esse processo levou-lhe quinze minutos.
Gotas de suor caíam de sua testa, sumindo na terra escura...
·
“Próxima apresentação: coral ‘Uma Só Canção’, interpretado pelo Coral da Oitava Escola Secundária de JN!”
No pequeno auditório de arquitetura soviética, Sun, a garota mais bonita da escola, e seus colegas subiram ao palco um após o outro.
A plateia, composta por alunos da Yucai, estava cheia.
Sun parecia distante.
Já fazia dois dias que não via aquele sujeito irritante.
Na chamada da manhã do primeiro dia, o professor Liu disse que todos estavam presentes, mas ela sentiu que não viu aquele rosto sempre sorridente e despreocupado de Chen Nuo.
Talvez tivesse se enganado.
Mas na chamada do auditório hoje, ela teve certeza de que ele não estava lá.
Depois, o professor Liu explicou que mandara Chen Nuo comprar água mineral para todos.
Humpf, Sun não acreditou nem por um segundo!
Comprar água mineral? Aquele odioso professor Liu certamente mandou Chen Nuo comprar cigarros para ele!
Esse sujeito detestável! Quando voltasse, ela contaria tudo ao pai! Como podia tratar colegas assim?
·
Plim!
Esse som metálico quase imperceptível, para Chen Nuo, soou como música celestial!
Finalmente pôde respirar aliviado.
O grafite, como substituto do pino, estava no lugar.
Isso, a mina deveria voltar a dormir... em teoria.
Mas Chen Nuo ainda tinha um segundo recurso: o bolso de pressão feito com o tecido do uniforme, pressionando ao máximo a mola do invólucro, impedindo que o corpo explosivo saltasse e detonasse.
“Dupla segurança. Céus, não vai me trair, certo?”, murmurou, olhando para o céu noturno. “Você me trouxe de volta a esta época; não vai me despachar tão cedo assim.”
Prendeu a respiração, moveu suavemente o joelho e, como um relâmpago, saltou para o lado!
Seus movimentos táticos foram extremamente ágeis.
E então...
Seu coração quase saltou pela boca.
Nada de explosão.
Sabia que tinha sobrevivido.
“Droga, mina M2, modelo americano, certeza que foram os coreanos do sul que plantaram. Vou cobrar essa dívida.”
Levantou-se lentamente, massageando o corpo meio dormente.
Um minuto depois, saiu do campo minado, correu abaixado pelo descampado.
Duzentos metros à frente, pulou para dentro de uma trincheira.
Esse tipo de trincheira era comum na fronteira, sempre deixada após infiltrações em arco de ambos os lados.
Mas, desta vez, outro imprevisto!
Assim que caiu na trincheira e antes mesmo de se levantar, de repente, dois vultos saltaram ali vindos do sul!
Uniformes pretos de operações especiais, capacetes ao estilo americano, fuzis automáticos M...
Hã...
Companhia do Tigre Branco... ou melhor, Descendentes do Sol?
Por um instante, ambos os lados ficaram paralisados.
Aqueles dois certamente não esperavam encontrar alguém na trincheira!
Naquela fronteira havia pelo menos centenas dessas trincheiras, e justo todos caíram na mesma!
Destino, não é? Que coincidência!
“Ah, droga!” Um dos Descendentes do Sol rosnou e apontou a arma para Chen Nuo...
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“A luz das estrelas ilumina toda a infância, a chuva e o vento percorrem todos os cantos do mundo...”
No coral, Sun, entediada, apenas fazia o movimento dos lábios — não cantava de verdade.
“Os mesmos sentimentos nos deram o mesmo desejo...”
Maldito Chen Nuo!
Que sujeito insuportável!
Os olhos de Sun continuavam a vasculhar a plateia, tentando encontrar, em algum canto, aquele rosto irritantemente familiar...
·
Antes que a arma fosse levantada, Chen Nuo já se esquivara, aproximando-se do inimigo como um raio, batendo em seu peito e fazendo a arma cair! Ao mesmo tempo, girou e lançou uma baioneta.
Dois passos adiante, o outro Descendente do Sol nem teve tempo de sacar a arma; a faca já cravava sua testa, e ele tombava!
O primeiro, derrubado, girou e se levantou, sem tempo de recuperar a arma, sacando uma faca de combate.
Chen Nuo percebeu que o adversário não gritou por alerta, entendendo de imediato: o outro também estava em missão de infiltração, não podia dar o alarme, pois, se fosse descoberto, a missão fracassaria.
No mundo das operações secretas, quando inimigos se encontram em situações assim, só resta combate silencioso e sangrento!
O outro empunhava a faca, rosto distorcido, fazendo sinal para Chen Nuo.
Chen Nuo entendeu: “Venha!”.
— Isso não dá para engolir!
...
Que se dane! Que venha! Você pensa que é o Shen Teng?
Chen Nuo tateou o bolso, tirando uma caneta esferográfica.
Não havia outra solução: no país, não se conseguia armas brancas controladas, especialmente para um estudante do ensino médio.
Quanto ao sentinela norte-coreano que ele nocauteou antes... além de uma pistola, só havia uma baioneta, já usada.
Não havia opção: o regime do “Gordinho Kim” era pobre demais; o equipamento individual estava vinte anos atrás do sul.
A faca do Descendente do Sol cortava o ar com precisão, movimentos ágeis, passos rápidos, forçando Chen Nuo a recuar...
Dez segundos depois, ele estava caído, mãos no pescoço, corpo convulsionando.
Entre os dedos, uma esferográfica cravada na garganta.
Chen Nuo recolheu a faca de combate.
“Boa faca”, murmurou, colocando-a no cinto.
Comparou o porte físico dos dois inimigos, escolheu o mais parecido consigo, tirou-lhe o uniforme e vestiu.
Logo desapareceu na escuridão da noite...
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[Hora de recolher votos de recomendação, colegas! Quem ainda não entregou... estou chamando, hein!]