Capítulo Cinco — De Repente, Tornou-se Desagradável aos Olhos
Capítulo Cinco: De Repente, Já Não Suporto Mais
Antes do início da aula, todos ainda discutiam sobre o Natal que acabara de passar. Só quando o sinal soou é que os alunos, preguiçosamente, voltaram aos seus lugares.
Quando o professor começou a escrever fórmulas químicas no quadro, um rapaz sentado ao lado de Chen Nuo já havia tirado, às escondidas, um exemplar pirata de “A Lenda dos Dois Dragões da Dinastia Tang” debaixo da carteira.
Chen Nuo, por sua vez, abriu seu caderno de exercícios, dentro do qual estava escondido um mapa.
Jinling fica a cerca de 1800 quilômetros de Seul.
Como chegar até lá?
Obviamente não seria possível simplesmente pular no Rio Yangtzé e nadar até o mar para atravessar tudo a nado.
Pegar um barco e tentar desembarcar secretamente na costa da Coreia do Sul? Como se os guardas navais deles fossem meros enfeites! Se encontrasse algum, um tiro de canhão de uma lancha patrulha poderia encerrar para sempre o caminho de renascimento de Chen Nuo.
No vasto oceano, nem teria para onde correr.
Seus olhos percorreram o mapa e, por fim, se fixaram em dois pontos...
Rio Amnok... Linha de demarcação dos trinta e oito graus...
Então, as dificuldades a enfrentar seriam: os guardas de fronteira do Gordo Kim, além do... Batalhão do Tigre Branco da Coreia do Sul?
Ah, sim, o Batalhão do Tigre Branco é aquele mesmo que serviu de inspiração para o personagem principal de “Descendentes do Sol”, interpretado por Song Joong-ki.
Certo.
Chen Nuo olhou para o “A Lenda dos Dois Dragões da Dinastia Tang” do colega ao lado, depois para o próprio mapa aberto à sua frente.
De repente, sentiu uma pequena pontada de inveja.
Ser despreocupado, que maravilha.
— Luo Qing! Venha responder!
A voz do professor de química fez o colega ao lado estremecer, mas, habilidosamente, ele enfiou o livro pirata dentro da carteira e levantou-se, olhando sem pressa para as fórmulas no quadro.
— Hm, hm...
O professor lançou-lhe um olhar severo, depois olhou para Chen Nuo.
— E você...
Chen Nuo se levantou, meditou um pouco e disse:
— ...Boca fazendo biquinho?
Muito bem, mais uma vez, Chen Nuo terminou aquela aula de química ouvindo tudo do lado de fora da sala.
·
Perto do final da aula, do lado de fora, Chen Nuo avistou de longe o Diretor Sun caminhando em sua direção.
— Chen Nuo, — o diretor ponderou — naquele dia foi tudo muito apressado, eu deveria ter lhe agradecido direito. Se não fosse por você amparar ela...
— Não foi nada, Diretor Sun, foi só uma coincidência, — respondeu Chen Nuo de pronto.
— Está tudo bem com sua saúde?
— Tudo ótimo.
Na verdade, estava até um pouco satisfeito por dentro. Se a musa da escola quisesse, poderia saltar quantas vezes quisesse.
O diretor, claro, não tinha poderes telepáticos. Deu-lhe um tapinha amigável no ombro e foi embora.
Nesses dois ou três dias, Chen Nuo percebeu que o velho Sun não era má pessoa, até tinha certa consciência.
Só era um pouco antiquado.
Bem, tomara que o vizinho dele não se chame Wang. Gente boa merece uma vida longa e pacífica.
·
A vida na escola era tranquila e monótona.
Ah, fora daqui, Zhu Yidan!
A vida na escola tinha aquele jeitão de dias serenos.
Naquela tarde, depois de um sono profundo durante a aula, Chen Nuo saiu da escola com as mãos nos bolsos.
Entrou em um supermercado ali perto e, em seguida, retornou ao campus.
·
O professor Liu, da secretaria acadêmica, na verdade não era professor.
Era apenas um trabalhador diligente de uma empresa de educação privada.
Com a iminente mudança de administração, aquela escola secundária que estava no fim da lista de aprovação do distrito logo se tornaria particular.
É claro que os investidores não eram tolos; o que realmente queriam era a fachada da escola, o certificado de funcionamento. Transformar aquilo numa escola internacional e comprar o nome de algum colégio famoso inglês seria só questão de tempo.
O tal do “trabalhador Liu” era apenas um funcionário enviado pela empresa para cuidar da secretaria.
Quando Chen Nuo bateu à porta da secretaria, viu que Liu estava sentado diante do computador.
No instante em que entrou, Liu pareceu apressado ao desligar a tela, mas, pelo reflexo no vidro da janela, Chen Nuo percebeu a imagem de um jogo online chamado “Lenda”.
Ah, tinha vontade de avisar o Liu: esse jogo é caríssimo, pioneiro em arrancar dinheiro dos jogadores.
Melhor deixar pra lá — com aquele salário, não daria nem para começar.
Talvez fosse melhor esperar uns anos pelo “Lenda do Dragão Azul”...
Não, esse é ainda pior. Aí é que não teria como mesmo.
— O que deseja, colega? — Liu perguntou, com impaciência. Obviamente, ainda estava no início do jogo, naquela fase em que um sacerdote e seu cão conquistam o mundo, e ter sido interrompido não o agradou nem um pouco.
Chen Nuo sorriu, com a inocência de um adolescente, e respondeu suavemente:
— Professor Liu, sobre a viagem de intercâmbio para Yanbian...
— As inscrições podem ser entregues na própria sala, — retrucou Liu.
— Eu não me inscrevi, — disse Chen Nuo, balançando a cabeça. Antes que Liu pudesse falar, ele continuou: — Ouvi dizer que há uma vaga para representante estudantil na visita de intercâmbio...
Liu avaliou Chen Nuo de cima a baixo e ficou mais frio:
— O representante estudantil do intercâmbio precisa ser indicado pelo ano, com assinatura do professor e do coordenador.
Chen Nuo fingiu não perceber o tom, manteve o sorriso e tirou um pequeno envelope do bolso, colocando-o diante de Liu.
Liu franziu a testa e abriu o envelope.
Dentro, um cartão de compras de supermercado no valor de quinhentos.
— ...Mas ainda há três vagas para voluntários. Sabe o que é, colega? Eles viajam com o grupo, comem e dormem juntos, mas ajudam os demais nas tarefas de apoio.
A atitude de Liu tornou-se cordial.
— Sem problemas, — sorriu Chen Nuo.
Liu suspirou de alívio, guardou discretamente o envelope na gaveta:
— Prepare seus documentos: cópia da carteirinha de estudante e do RG...
Chen Nuo tirou outro envelope:
— Está tudo aqui.
Liu ficou surpreso, avaliou novamente o rapaz à sua frente.
Traços finos, um pouco magro, transmitia uma impressão tranquila e serena.
Abriu o envelope, conferiu os documentos e assentiu:
— Certo, pode ir. A lista dos alunos será divulgada à tarde.
— Obrigado, professor.
Chen Nuo sorriu, mostrando oito dentes, e saiu.
·
Esse pequeno suborno não era tão incoerente. Afinal, esse intercâmbio não passava de uma viagem grátis para estudantes. Duas escolas em último lugar no ranking, que tipo de intercâmbio sério poderiam fazer? Era só um pretexto das autoridades para promover a reestruturação.
Quinhentos reais por uma viagem com tudo pago, está de bom tamanho.
Além disso, Liu não ganhava muito.
E aquele jogo também era caro...
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No final da tarde, a musa Sun não estava nada feliz.
Na prova surpresa de matemática, ela, infelizmente, não conseguiu a nota mínima.
Na verdade, ela não era uma daquelas alunas preguiçosas e desinteressadas.
Justiça seja feita, ela era do tipo dedicada: prestava atenção nas aulas, estudava depois, se esforçava ao máximo e, com muito custo, conseguia tirar um sessenta.
Dessa vez, porém, errou a última questão e nem chegou aos sessenta pontos.
Ao passar pelo portão da escola, olhou para o mural de avisos onde estava a lista do grupo de intercâmbio para Yanbian.
A garota lembrou-se do que Chen Nuo havia dito. Instintivamente, procurou o nome dele.
E lá estava o nome do rapaz entre os voluntários.
— Então ele vai mesmo ver a neve...
De repente, sem saber por quê, o humor dela melhorou. Sorrindo, foi saltitante até a sala do diretor.
Abriu a porta.
— Pai, quero participar do grupo de intercâmbio para Yanbian!
O diretor, de cabeça baixa lendo, levantou-se e olhou sério para a filha:
— Não disse antes que não tinha interesse? Por que quer ir agora?
— Para... ver a neve!
— As vagas já estão preenchidas.
— Isso não me importa! — ela pensou um pouco — Posso ir com o coral da escola!
— Mas não tinha dito que não gostava de cantar e saiu do coral?
— ...Agora eu gosto de novo! Hmpf!
— Hmpf o quê?
— Hmpf!
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Assim, como era de se esperar, no dia três de janeiro, quando o grupo partiu, Chen Nuo viu, na plataforma da estação de trem, a própria musa Sun no meio da fila.
A garota estava radiante, com um casaco bege acolchoado e um cachecol de lã branco enrolado no pescoço, realçando ainda mais o rosto delicado.
— Voluntários, venham ajudar a carregar as bagagens, — pediu a professora responsável.
A musa Sun já havia visto Chen Nuo e acenou para ele, o sorriso impossível de esconder.
Chen Nuo hesitou por um instante, mas acabou indo até ela, pronto para ajudá-la com a mala...
Mas uma mão grande surgiu do lado, pegou a mala dela num só movimento.
Ora, também tem disputa aqui...
Chen Nuo levantou os olhos e viu o diretor Sun, com seu rosto quadrado de sempre.
Rapidamente, o rapaz abriu um sorriso.
— Diretor Sun, veio se despedir também?
— ...Sim.
A verdade é que, até um instante atrás, o diretor achava aquele garoto simpático. Afinal, ele salvou sua filha, fosse por acaso ou não, e era um favor que precisava reconhecer. Depois, ao examinar o histórico familiar de Chen Nuo, sentiu até certa compaixão pelo rapaz de sorriso inocente.
O problema é que, naquele exato momento, o garoto, que lhe era tão simpático, de repente passou a incomodar!
Sua filha, insistente, quis participar do intercâmbio e, justo hoje, na plataforma, encontrou aquele rapaz?
E ainda acenou e sorriu para ele?
No fundo, o diretor Sun não se sentia confortável.
Esses dois não estão se encontrando com frequência demais? Um acidente no prédio, agora juntos na viagem escolar?
Tomara que seja só impressão sua...
— E você, por que está nesse grupo? Não vi seu nome na lista.
— Porque eu quis. Não é da sua conta.
— Por que está indo?
— Para ver a neve. Hmpf.
Chen Nuo: ...
O diretor, levando a mala, viu, refletida no vidro do trem à sua frente, a filha olhando de cara feia para o rapaz.
Apesar da expressão, não parecia birra de verdade, mas sim um leve ar de manha.
De repente, o velho Sun ficou apreensivo.
A filha, tão cuidada e protegida ao longo dos anos...
Agora, de repente, do lado de fora do quintal, aparece... um porquinho de traços delicados circulando por ali!
Como não se sentir desconfortável?
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O turbilhão de sentimentos do diretor Sun passou despercebido. Um apito soou, o trem começou a partir, e ele viu a filha acenar sorridente pela janela.
De repente, sentiu um arrependimento profundo... Por que, afinal, recusara o convite para ser o responsável pelo grupo?
Errou feio!
Enquanto o trem se afastava lentamente, só conseguia pensar na cena da filha olhando para o rapaz, fazendo manha.
Não pode pensar mais nisso. Se continuar, virão outras imagens... Melhor nem imaginar...
[Aliás, gostaria de pedir um voto de recomendação.]
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