Capítulo Vinte e Cinco: Ora, um rosto conhecido
Capítulo Vinte e Cinco – Ora, um Rosto Conhecido
Observando o careca à minha frente—não, melhor dizendo, o calvo. O irmão Leí também não tem vida fácil. Tão jovem e já perdendo cabelo assim. Chen Nuo suspirou, e por fim largou a chave inglesa que segurava. Abriu o portão de ferro, montou na motocicleta e colocou o capacete. Ao ligar, o motor rugiu alto. Que som agradável! Como dizem: bicicleta vira moto, chave inglesa acerta o calvo. Dois cestos de pãezinhos recheados, e Lorde Nuo é o primeiro cachorro. Perfeito!
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Sun Keke saiu pelo portão da escola com o recipiente térmico vazio, quando ouviu o motor de uma moto rugindo atrás de si. Ela virou a cabeça e viu, ao lado da rua, uma moto parada, exibindo-se com aquele barulho. Sun, a bela da escola, lançou um olhar irritado, abaixou a cabeça e seguiu seu caminho. Mas a motocicleta começou a segui-la lentamente, avançando por uns dez metros. Sun, então, virou e parou.
— O que você quer? Olha, aqui é a área dos dormitórios! Se eu gritar, logo vem gente! — alertou.
Chen Nuo tirou o capacete e sorriu mostrando os dentes:
— Então grita.
Sun arregalou os olhos:
— Chen Nuo?
Ela se aproximou alguns passos, analisando-o de cima a baixo:
— Você? De onde tirou essa moto?
— Ah… foi um patrocínio de um bondoso paciente de calvície — disse, enfiando o capacete nas mãos da bela, rindo —. Coloca aí, vou te dar uma volta.
Sun balançou a cabeça, olhando para Chen Nuo como se fosse um doido:
— Com esse frio, sair pra pegar vento?
Chen Nuo pensou um pouco, pegou a mochila, abriu e tirou um embrulho bem protegido com o uniforme escolar, entregando para ela:
— Toma.
— O que é?
— Uma coisa gostosa — ele sorriu abertamente, e antes que ela respondesse, acelerou a moto e sumiu.
Ao abrir o uniforme, encontrou um saco plástico com uma marmita descartável. Dentro, pãezinhos ainda quentes.
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Nos dias seguintes, Chen Nuo manteve-se discreto, desempenhando o papel de bom aluno obediente na escola. Dormir nas aulas, nem pensar. Agora, sob o olhar atento do velho Sun, todos os professores já estavam de olho nele.
Por sorte, havia outro herói na turma: Luo Qing. Assim que terminou de ler “As Crônicas de Qin”, passou o livro para Chen Nuo. Luo Qing estava cada vez mais satisfeito com o colega Chen Nuo. Quase uma alma gêmea! Especialmente depois de conversarem sobre “trinta anos no leste, trinta anos no oeste”, o jovem de dezessete anos ficou todo entusiasmado.
Depois, Chen Nuo encontrou em algumas locadoras de livros perto da escola uma cópia pirata de “As Aventuras do Estilo”, comprou e jogou nas mãos de Luo Qing. Luo Qing folheou algumas páginas e sentiu-se como se tivesse encontrado um tesouro, resolvendo de vez o problema de falta de leitura.
Assim, durante as aulas, um ficava lendo “As Aventuras do Estilo”, o outro “As Crônicas de Qin”, combinando perfeitamente.
Chen Nuo também sondou sobre Luo Qing. Era outro aluno pouco aplicado, sem interesse em estudar, e nem pensava em tentar uma vaga na universidade. A família tinha um pequeno negócio, não muito grande, mas também não tão pequeno. Não especificou o ramo, mas dava para considerar um pequeno rico-herdeiro. O plano era que, depois do ensino médio, ele fosse trabalhar na fábrica da família.
Luo Qing, porém, tinha algum talento, talvez por ter lido muitos livros desde pequeno. Seu desempenho em Língua Chinesa era surpreendentemente bom. Nas outras matérias, era um desastre.
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Assim, exceto por Sun, a bela da escola, Luo Qing acabou sendo o único colega com quem Chen Nuo realmente conversava.
Naquela tarde, na aula de História, ele acabou de ler o volume de “As Crônicas de Qin”, justo na parte em que Xiang Shaolong e Ji Yanran dormem juntos pela primeira vez… e o capítulo acabou ali. O próximo volume só no dia seguinte, quando Luo Qing trouxesse de casa.
Era sexta-feira. Depois de duas aulas, Chen Nuo saiu da escola mais cedo para buscar Xiao Yezi na creche. Dessa vez, não foi matando aula; o velho Sun lhe deu permissão formal.
Viu Xiao Yezi, alinhada com os outros pequenos, saindo pelo portão do jardim de infância. De longe, a menininha já viu Chen Nuo encostado no muro, sorrindo de lado. Ela correu e se jogou nos braços do irmão, e desabou em lágrimas.
Chen Nuo logo a pegou no colo, franzindo a testa:
— Alguém te fez mal lá dentro?
— Não — ela enxugou as lágrimas, ainda sentida —. Só fiquei com medo que você não viesse me buscar.
Chen Nuo riu, apertou-lhe o rosto.
Para buscar criança pequena, nada de moto. Então pegou a bicicleta, pôs a irmã sentada no cano da frente e pedalou de volta à escola.
Tinham combinado jantar na casa do velho Sun. Além disso, precisava devolver a bicicleta emprestada de Luo Qing.
Na porta da escola, avistou Sun, a bela, e Luo Qing. Sun olhava em volta, e ao ver Chen Nuo de longe, acenou muitas vezes.
Chen Nuo parou a bicicleta, mas notou a expressão amuada da irmã.
— O que foi? Não gosta dessa moça?
Xiao Ye levantou o rosto:
— Não é isso… irmão, posso perguntar uma coisa?
— Claro.
— Por que todo adulto gosta de apertar meu rosto? — perguntou, um tanto preocupada.
Chen Nuo sorriu:
— Você não gosta? Mas eu também gosto de apertar, sabia?
Ela olhou para o irmão, muito séria:
— Você é diferente.
Como iriam jantar na casa do velho Sun, Chen Nuo comprou um pouco de chá no caminho. Mas ao encontrar Sun, a bela, descobriu que o velho Sun teria que trabalhar até tarde, então o jantar foi cancelado.
— Ouvi dizer que semana que vem a Secretaria de Educação vem inspecionar por causa da reforma — comentou ela. — Meu pai vai ficar ocupado com a papelada… Ah, Xiao Yezi!
Ela abraçou a menina, sem se importar com sua expressão contrariada, satisfez-se apertando o rosto dela e ainda enfiou um doce de cevada na boca da pequena. Só então Xiao Yezi sorriu.
Luo Qing, nesses dias, ficou mais próximo de Chen Nuo e, por tabela, de Sun, já sabia da existência da irmã. Vendo a pequena, ficou feliz, procurou no bolso e achou metade de um chocolate Dove já mordido, pensou um pouco, tirou a parte mordida e comeu, e deu o resto para a menina:
— Toma, come chocolate e chama de irmão.
Xiao Ye, esperta, olhou para Luo Qing e depois para Chen Nuo, que assentiu, então chamou docemente:
— Irmão!
Luo Qing suspirou:
— Que irmã mais fofa você tem. Se soubesse, teria pedido um irmãozinho para meus pais também.
Chen Nuo riu:
— Ainda dá tempo, seus pais nem são tão velhos.
Luo Qing ficou meio estranho:
— Acho difícil. Meu pai passou metade da vida só trabalhando, casou tarde, me teve tarde. Tinha quarenta quando nasci, agora já tem cinquenta e sete.
Uau?
Chen Nuo olhou Luo Qing de cima a baixo:
— Seu pai é mesmo um daqueles que teve filho tarde!
Sem o velho Sun, não iriam à casa de Sun, a bela. Então, os jovens decidiram:
— Vamos ao fliperama! — sugeriu Luo Qing. — Abriu um novo em Dongshan, é grande. Tem KFC do lado, depois a gente janta um balde família, por minha conta.
Ótima ideia: comida, bebida e diversão. Deixaram as bicicletas na escola e pegaram um táxi.
Nenhum dos três era mão de vaca. Chen Nuo nem se fala. Luo Qing, filho de comerciante. E Sun, a bela, recém-saída do Ano Novo, cheia de dinheiro de presente—além de linda, era o xodó de todos os parentes.
Naquela época, os fliperamas viviam seus últimos anos de glória: espaços maiores, máquinas novas, simuladores… Mas era o fim dessa era. Em poucos anos, com a popularização dos computadores domésticos e videogames, os fliperamas de rua entrariam em declínio.
Era fim de semana. Quando entraram, havia bastante gente—muitos estudantes. Ainda sobrava dinheiro do Ano Novo, fim de semana, tempo livre. O dono do fliperama contava com esse período para faturar.
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Luo Qing correu até o balcão e voltou com uma cesta plástica cheia de fichas. Encheu o bolso e deixou o resto para Chen Nuo e Sun, correndo para jogar “Need for Speed”. Antes de ir, piscou para Chen Nuo.
Chen Nuo levou Xiao Yezi para passear ao redor e, por fim, foram à máquina de basquete. Xiao Yezi era pequena, sem força nem mira; acertar dois em dez era sorte. Mas nunca tinha jogado, estava animadíssima, suando de tanto brincar, mas feliz.
Chen Nuo, vendo sua alegria, deixou que brincasse à vontade. Sun jogou algumas vezes com ela, mas, sem pontaria, acabou ficando só para catar bolas.
Chen Nuo, depois de observar um pouco, pediu para Sun ficar de olho em Xiao Yezi e foi ao banheiro. Na volta, comprou alguns sucos, achou Luo Qing no volante do simulador, jogou uma garrafa para ele e foi em direção às máquinas de basquete.
De longe, viu alguns jovens cercando Sun e Xiao Yezi! Sun segurava Xiao Yezi, encarando os rapazes, enquanto a pequena se escondia atrás dela. Ao ver Chen Nuo chegando, gritou:
— Irmão! Irmão!
Chen Nuo se aproximou, afastou um dos rapazes e entrou no círculo, protegendo a irmã e Sun. Ao olhar, reconheceu imediatamente.
Ora, não era o Faca Chen… quer dizer, Pequena Faca, o famoso Dao!
O jovem à frente, querendo bancar o valentão, fez Chen Nuo rir.
— Ora, Dao, saiu do hospital, é?
Dao, ao ver Chen Nuo, estremeceu na hora! Dois meses antes, naquele beco, o rapaz o derrubara no chão, olhando-o com frieza, e, pegando um tijolo, quebrou sua perna sem mudar a expressão. Aquela cena passava como um filme em sua cabeça!
Não era só o medo da perna quebrada. O que assustava era a frieza do garoto! Dao gritava de dor, e ele impassível, largou o tijolo, deu um tapa em seu rosto e disse: “Quando a perna sarar, pode me procurar de novo”.
Ficou internado uns quinze dias, depois mais um mês com gesso. Passou o Ano Novo trancado em casa. Só agora, recém-tirou o gesso, teve coragem de sair.
Pensou em vingança, mas sempre que lembrava daquilo, da frieza do rapaz, sentia um calafrio na espinha. Hesitou várias vezes, nunca teve coragem.
Afinal, não passava de um delinquente de rua, não era alguém realmente cruel.
Hoje, por acaso, saiu com alguns amigos, e no fliperama encontrou Sun, a bela. Já estava de olho naquela garota havia tempos. Não se atrevia a ir na escola, já fora enxotado pelo velho Sun, e sabendo que havia um garoto perigoso por perto, evitava a escola.
Mas ali, encontrou Sun sozinha, com os amigos ao lado, resolveu assediar. Tinha bebido um pouco, o álcool deu coragem, começou a provocar, viu a moça nervosa e se animou, até pensou em agarrá-la…
E então viu o pequeno demônio, entrando no círculo e sorrindo para ele.
— Dao, saiu do hospital?
— …!
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“Todos somos irmãos de calvície, ah…”
“Bam bam bam, votem aí.”