Capítulo Trinta e Dois – O Que Não Deveria Ter Acontecido

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 5958 palavras 2026-01-30 14:14:12

Capítulo Trinta e Dois [O que não deveria]

Yao Weishan mudou de expressão e, sem hesitar, correu em direção à porta. Chen Nuo não o perseguiu, apenas observou silenciosamente. Yao Weishan quase alcançou o batente; quando estendeu a mão para a maçaneta, de repente, todo seu corpo ficou rígido. Sentiu o ar de seus pulmões sendo violentamente puxado para fora, como se uma força invisível o obrigasse a expirar. A ponta dos dedos faltava apenas meio centímetro para tocar a maçaneta, mas esse meio centímetro parecia um abismo intransponível: não conseguia alcançá-la de jeito nenhum. Seus músculos estavam duros como pedra, sua consciência incapaz de comandar qualquer parte do corpo.

Chen Nuo aproximou-se calmamente, apoiou Yao Weishan e o levou de volta para a sala, acomodando-o numa cadeira. Depois, deu-lhe um tapinha no ombro. Yao Weishan sentiu, de repente, que podia se mover novamente. Seus pulmões, quase exauridos de ar, voltaram a respirar. Ele ofegava desesperadamente, agarrando o próprio pescoço e saboreando o doce retorno do oxigênio. Então, ergueu o olhar, apavorado, para o jovem diante de si.

— O que... o que é isso...? Que feitiço é esse? Magia? Encantamento?

Chen Nuo não respondeu. Sentou-se novamente.

— Não sei se foi seu azar ou a sorte de Lao Sun. Se eu não tivesse vindo a este mundo, tudo o que você planejou teria se realizado.

Pegou uma garrafa de uísque na mesa, abriu-a, serviu um copo generoso e o empurrou para Yao Weishan.

— Beba, acalme-se.

Yao Weishan olhou para Chen Nuo, que encarava o copo com frieza. Com os dentes cerrados, ele pegou o copo e tomou um gole. O uísque ardente desceu como fogo pela garganta.

— Beba tudo — ordenou Chen Nuo, frio.

Yao Weishan lançou-lhe um olhar confuso, mas diante do olhar gelado de Chen Nuo, sentiu-se pressionado, afinal engolindo o copo inteiro de uísque, quase cem mililitros.

Chen Nuo assentiu:

— Agora, vamos conversar sobre Lao Sun.

— Você... você veio por causa de Lao Sun? — Yao Weishan ficou atônito. O homem à sua frente era um mistério, e aquele poder que demonstrara, inexplicável. Lao Sun? Lao Sun! Aquele fracassado, aquele homem que ele pisoteava como capim à beira da estrada? Como poderia estar ligado a alguém assim? Como?

— Na verdade, ao longo da minha vida, já vi muitos canalhas — disse Chen Nuo, olhando para Yao Weishan, com voz tranquila. — Mas você... esta noite, ouvi e vi muitas coisas. Canalhas como você nem estão entre os piores que já conheci. Mas... é realmente repugnante, sinceramente. Repugnante.

— Sinceramente, parece-me que você é inteligente, capaz. Vários anos no exterior, construiu uma carreira. Inteligência, astúcia, habilidades — você tem todas. Não importa onde esteja, sempre consegue se destacar. Realmente, tem competência.

— Mas... você realmente não deveria humilhar gente honesta como Lao Sun. Não deveria.

Chen Nuo falava devagar, sem raiva ou rancor, como se estivesse comentando sobre terceiros.

— Não deveria. Este mundo não deveria ser assim. Quem é Lao Sun? Um homem comum, absolutamente comum. Se você andar pela rua, encontrará vários como ele. Sem talentos notáveis, sem habilidades extraordinárias, sem ambições desmedidas. Ele, e tantos outros, vivem como capim à beira da estrada, sem querer ocupar espaço, desejando apenas uma vida tranquila, uma família modesta, um pequeno mundo, sobrevivendo em paz e segurança. Sobreviver já basta.

— Pessoas como Lao Sun passam a vida sem prejudicar ninguém, sem disputar nada, sem roubar vantagens de ninguém — talvez até sejam um pouco covardes, covardes de verdade. Se alguém o humilha, desde que não seja demais, ele, como tantos outros, apenas suporta. Silenciosamente suporta. Não sente raiva? Claro que sente! Quem não fica furioso ao ser humilhado? Quem não se ressente das injustiças? Mas pessoas assim geralmente suportam. Por quê? Porque precisam viver! Precisam sobreviver!

— Perdem a bicicleta e nem têm coragem de procurar no mercado negro; e se encontrarem, de que adianta? Um cidadão comum, que ganha algumas centenas por mês, pode rivalizar com aqueles bandidos? E no auge da meia-idade, há idosos para cuidar, crianças para criar. Os pais adoecem, precisam de dinheiro. A esposa calcula as despesas do lar, precisa de dinheiro. A filha cresce, precisa estudar e buscar um futuro, precisa de dinheiro. Então, como lutar? Diante de injustiças, resta suportar. Todos vivem assim. Aceitando, enfrentando, sobrevivendo.

— Mas...

Chen Nuo apontou para Yao Weishan.

— Mas vocês não podem empurrar uma pessoa até a morte. Eu sei, entendo, não precisa se justificar. Este mundo é dos fortes, dos predadores. Mas ainda assim, é preciso deixar um caminho para gente honesta como Lao Sun. Realmente vai empurrar um homem assim ao abismo?

— Este mundo não pode excluir pessoas como Lao Sun. O que ele quer proteger é exagerado? Não, apenas deseja um trabalho simples, estável. Uma família pequena, comum. Esposa tranquila, filha crescendo feliz. Com seus ombros estreitos, sustentando a responsabilidade de homem da casa. Só isso. Só esse modo de viver. É exagerado? Incomoda alguém?

— Hoje, ouvi tudo o que disseram. Esse homem honesto vive com dificuldade. E quanto ao caso entre você e Yang Xiaoyi, acha que ele nunca percebeu que a filha era diferente? Nem o mais ingênuo seria tão ingênuo. Ele é honesto, mas apenas finge não saber. Aceita, enfrenta, vive. Busca uma família. Dezoito anos, certo? Dezoito anos desde que Lao Sun se casou com ela, cuidou dela por dezoito anos. Acha que ele não sabe de nada? Com certeza sabe. Mas e daí? O destino do honesto é suportar. Não é ignorância, é fingimento. E por quê? Porque é preciso viver, é preciso fingir ignorância.

— O honesto sempre pensa: o que passou, passou, vamos suportar, desde que daqui pra frente tudo seja melhor, a vida siga em paz, com tranquilidade e harmonia. O que ficou para trás... engole! Engole, misturado ao sangue e à amargura do coração. Engole, esconde, enterra fundo. Ano após ano, usa o cotidiano, o arroz, o óleo, o fogo da vida para envolver tudo isso, digerir pouco a pouco.

— Quando fui à casa de Lao Sun pela primeira vez, vi como ele tratava a esposa... Ao entrar, entregou os chinelos. Sentou e trouxe água quente, misturando com água fria cuidadosamente, com medo de que a temperatura não estivesse agradável. Tão cuidadoso, tão gentil — o que busca? Apenas uma vida honesta, um casal que se ama. Apenas deseja que, no futuro, a vida siga bem. Que dificuldade para o honesto. Vida de capim, corpo de formiga. Eu sei, aos seus olhos, não vale nada: basta um passo para esmagá-lo, para destruí-lo eternamente.

— Mas... não deveria. Não deveria! O honesto não deveria ser tratado assim. Não, nunca!

— Se você o prejudica, ele será arruinado. Se trama contra ele, verá a esposa presa. Se rouba a filha, verá a vida de dezoito anos reduzida a pó? Isso pode destruir um honesto. Entende? Pessoas como ele são invisíveis; você humilha, desde que não seja demais, ele abaixa a cabeça, suporta. Mas aquele emprego, aquela família, são sua vida! Se você tira isso, ele não sobrevive.

— E ele é uma pessoa boa! Honesto, de coração bondoso. Um homem assim não deveria ser forçado ao desespero por alguém como você. Este mundo não deveria ser assim. Gente como você pode morrer mil vezes e não será demais. Um honesto como Lao Sun, se perdido, já é demais!

Nesse momento, Chen Nuo parecia perder a calma, apontando para Yao Weishan.

— Uma coisa quero dizer para gente como você: que diabos, o honesto te roubou o túmulo dos antepassados na vida passada, foi isso?!

Yao Weishan tremeu. Respirou fundo:

— Irmão... podemos negociar! Deixe-me ir, eu te dou dinheiro! Um milhão, dois milhões? Não basta, diga quanto! O quanto eu puder pagar!

Diante do silêncio de Chen Nuo, Yao Weishan continuou:

— Eu desisto! Desisto imediatamente! Não vou mais atrás da criança! Não vou mais provocar Lao Sun! Daqui pra frente, recuo... não, eu volto para o país M agora! Nunca mais vou incomodar Lao Sun e sua família, pode ser assim?

Chen Nuo riu. Riu friamente, apertando os olhos enquanto encarava Yao Weishan.

— Essa sua promessa... eu não acredito.

Chen Nuo olhou diretamente para Yao Weishan:

— Você é um canalha. Se eu te deixar ir, vai sair e chamar a polícia, e... canalhas sempre guardam rancor. Você vai lembrar da derrota, guardar o ressentimento, e quando tiver oportunidade, vai querer devolver. Ao sair daqui, vai tentar me encontrar, me enfrentar. Vai buscar métodos mais cruéis, mais recursos, mais força para se vingar de mim e de Lao Sun.

— Embora eu não tema isso, Lao Sun não aguenta. Ele tem uma vida frágil, corpo de formiga, não suporta essas coisas.

— Eu não vou! Eu juro que não vou! Nunca mais vou incomodar ele!

— Não adianta — Chen Nuo balançou a cabeça, apontando para si mesmo. — Não acredito em você porque sei quem você é. Entendo demais a mente de gente como você... porque, eu também já fui um canalha.

— Você... vai me matar?

Yao Weishan olhou para Chen Nuo, incrédulo:

— Vai me matar?!

Chen Nuo olhou calmamente.

— Eu... eu posso te dar muito dinheiro, muito dinheiro mesmo! — Yao Weishan gritou. — Como pode me matar?! Você sabe quem eu sou? Sabe o tamanho dos meus negócios, do meu poder, da minha influência?! E tudo por causa de um Sun Shengli? Por causa de um Sun Shengli que ganha algumas centenas por mês?! Vai me matar?! Não pode, não pode! Sou rico! Sou importante! Tenho passaporte do país M! Sabe o tamanho das consequências? Sabe o tamanho do problema?! Por causa de um Sun Shengli?!

Yao Weishan tremia:

— Deixe-me ir! Eu volto para o país M, nunca mais volto, eu juro! Juro de verdade!

E, de repente, seus olhos brilharam:

— Eu... vou provar pra você!

Apressado, rastejou até o chão, pegou o celular. Chen Nuo não o impediu. Sabia que alguém tão esperto não seria tolo de chamar a polícia ou pedir socorro com ele ali.

De fato.

Yao Weishan discou um número.

— Gerente Zhao, sou eu! Cancele imediatamente a auditoria da empresa! Isso, isso... não vai mais acontecer! Eu ordeno! Não vai acontecer! Avise a contabilidade, ao setor fiscal, é minha decisão, só execute, não pergunte!

Jogou o celular no chão, olhos vermelhos, respirando com dificuldade, encarou Chen Nuo:

— Viu? Eu fiz! Deixei Sun Shengli e sua família em paz! Você não pode me matar, não tem motivo para me matar! Deixe-me ir! Não vou me vingar de você, nem de Sun Shengli! Eu realmente volto para o país M, amanhã mesmo!

Chen Nuo observou Yao Weishan em seu surto. O olhar aterrorizado, a expressão absurda — em seu entendimento, era impossível aceitar a lógica: alguém mataria por Sun Shengli, alguém por uma vida de formiga, mataria ele? Vale a pena?! Ele era alguém importante! Bastava um passo para mover montanhas!

Chen Nuo estalou os dedos.

Yao Weishan tremeu, tombando no chão. Sentiu uma sensação quente no fundo da cabeça, agradável até, mas seu corpo ficava cada vez mais rígido, sem forças. Não sabia que, com aquele estalo, um vaso sanguíneo em seu cérebro havia se rompido. O sangue jorrava, sem controle...

Chen Nuo assistiu de longe enquanto Yao Weishan se contorcia como um peixe no chão, lutando. Por fim, saliva escorria, a boca torta, o olhar apagado.

— Você... como... pode... me matar... eu... tenho muito... dinheiro... dinheiro...

Mais e mais saliva escorria pelo canto da boca, e Yao Weishan não conseguiu mais falar. Aos poucos, seus olhos se fecharam.

Chen Nuo ficou sentado por um tempo, depois levantou-se.

— Quando encontrarem seu corpo, pensarão que foi hemorragia cerebral. Você tomou um banho quente, depois bebeu um copo grande de uísque, pronto, os fatores de risco estão explicados. Homens de sucesso têm muita pressão, saúde precária. Um problema cerebral, uma hemorragia, não é nada estranho. Mesmo exames detalhados não encontrarão nada. Nenhum sinal de luta, de violência, de ferimentos, tudo limpo. Você convulsiona, músculos rígidos, movimentos descoordenados, até incontinência antes de morrer. Tudo condiz com hemorragia cerebral. Até a autópsia mostrará que o vaso sanguíneo explodiu espontaneamente. Tudo muito natural, muito normal.

Aproximou-se do ouvido de Yao Weishan.

— Quando estiver na ponte do esquecimento, bebendo a sopa da memória, lembre-se de uma coisa — Chen Nuo sorriu. — Na próxima vida, não humilhe gente honesta.

Yao Weishan soltou o último suspiro.

Chen Nuo virou-se, usando luvas, abriu a porta da varanda. Saiu, fechou a porta; o trinco se encaixou e travou automaticamente. Saltou leve até a borda, deslizou pelo prédio. No ar, caiu rápido, mas a velocidade foi diminuindo; a cerca de dez metros do chão, estava quase flutuando. Ao aterrissar, olhou ao redor, certificou-se de que ninguém o vira, colocou o capuz do casaco de couro, mãos nos bolsos, contornou pelo jardim dos fundos do hotel e desapareceu numa viela...

[Apesar das críticas, insisto que esses capítulos me deixaram muito satisfeito. Romance na internet não significa apenas “história para agradar”. Uma obra precisa de momentos fortes, mas não é só isso. Fui muito criticado, mas acredito que esses capítulos são o melhor que posso escrever, com todo meu empenho. Não vou mudar, não me arrependo. Escrevo literatura, não pornografia. Por fim, peço votos, peço apoio, peço recompensas. Não acredito que todos os leitores só gostem de histórias vazias e superficiais.]