Capítulo Dois: Aguardando Resposta Urgente

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 4339 palavras 2026-01-30 14:09:33

Capítulo Dois: Esperando Resposta, Com Urgência

Chen Nuo observava Sun Keke... sua colega.
Sim, Sun Keke, justamente aquela musa da escola que “pulou” do prédio.
Seu rosto, naturalmente bonito, era emoldurado por olhos amendoados, cheios de charme e mistério.
Naquela época, garotas dessa idade raramente usavam maquiagem, mas a beleza natural dessa jovem fazia jus ao título de musa.
E se ainda contarmos aquele C... um bônus indiscutível!
Não se engane, os dois não estavam no local do incidente, do lado de fora da sala de aula.
Eles se encontravam alinhados, em pé, no escritório do diretor de disciplina.
O episódio da queda já havia se tornado o principal assunto do dia na Oitava Escola Secundária.
Por sorte, a sala de Chen Nuo ficava no térreo, e a musa caiu do segundo andar. Se fosse mais alto, nem o bônus do C, nem qualquer outro, teria servido de amortecimento.
Chen Nuo poderia ter sido o primeiro reencarnado da história a ser morto por um frasco de creme facial logo após renascer.
No momento, o que mais o intrigava era o motivo pelo qual aquela garota o fitava daquele jeito.
Havia uma timidez típica da juventude feminina, misturada a uma pitada de charme...
Hmm? Interessante.
Um pigarro do lado de fora da porta fez com que Chen Nuo desviasse o olhar a tempo.

Neste mundo, parece que todos os diretores de disciplina das escolas têm o mesmo semblante: severo, rígido.
O Diretor Sun não era exceção.
Além disso, ostentava dedos amarelados pelo fumo e um tom de voz afetado.
“... Eu só estava ali parado quando ela caiu do andar de cima e aterrissou sobre mim”, Chen Nuo respondeu, tentando mostrar um sorriso inocente. “Então, suponho que, no fim das contas, eu a salvei, não?”
O diretor Sun manteve a expressão séria:
“A enfermaria já examinou vocês? Está tudo bem?”
“Sim, não foi nada.”
O diretor suspirou aliviado, voltando o olhar para Sun Keke:
“Você pulou da janela? O que te levou a fazer isso?”
Sob o olhar interrogador de dois homens, Sun Keke, finalmente, falou:
“Eu estava encostada na grade do segundo andar... admirando a paisagem, e caí sem querer.” A jovem parecia nervosa. “Pai... eu não pulei!”
Pai?
Chen Nuo olhou, surpreso, para os olhos amendoados da musa e seu rosto de flor recém-desabrochada; depois, encarou o rosto quadrado e envelhecido do diretor Sun...
Deve ser adotada! Que injustiça da vida!!

“Chen Nuo, não importa o que tenha acontecido, muito obrigado”, o diretor Sun disse solenemente, encarando-o. “Você se machucou? Está sentindo algo estranho? Já pedi licença à sua professora. Quer que eu te leve ao hospital? Devo avisar seus pais?”
Chen Nuo acenou apressadamente, com um sorriso inocente de adolescente:
“Professor, estou bem de verdade. Acho que tive sorte na queda, não sofri nada.”
Depois de mais algumas palavras de praxe, Chen Nuo quase fez algumas flexões para provar sua boa forma, até que finalmente foi liberado.
E então se despediu.
“Já pedi sua licença, pode ir para casa descansar à tarde... Mas, tem certeza de que não quer que eu te leve ao hospital?” O diretor ainda parecia preocupado.
Chen Nuo, à beira de sair, parou com a mão na maçaneta.
Virou-se, demonstrando a tímida hesitação típica da juventude, com toda sinceridade:
“Diretor Sun, na verdade, gostaria de pedir um pequeno favor, se não for incômodo...”
“Diga, rapaz!”
Chen Nuo parecia ainda mais constrangido:
“Poderia me emprestar cinquenta reais? Estou meio tonto e não consigo ir pra casa de bicicleta.”
O diretor tirou a carteira, pegou uma nota de cem e, depois de pensar um pouco, acrescentou mais duas.
“Tome! Vá ao hospital mesmo assim!”

Pegar táxi? Jamais! Nunca, em nenhuma vida!
Pois bem. Chen Nuo ficou parado em frente ao portão da escola, olhou para a fila de bicicletas na calçada e, em seguida, para a chave que tirou do bolso, suspirando.
O motivo era simples: ele não sabia qual era a sua bicicleta.
Com quatrocentos reais recém-adquiridos do diretor, Chen Nuo dirigiu-se ao ponto de ônibus mais próximo.
No caminho, tirou do bolso uma passagem mensal de estudante.
Agora, era hora de explicar a situação de Chen Nuo.
Morreu e, de forma inexplicável, voltou vinte anos no tempo. Não era algo exatamente inédito.
Afinal, exemplos assim já dariam a volta ao mundo nas novelas e filmes de TV.

A diferença é que, na vida anterior, ele também se chamava Chen Nuo.
Mas não era esse Chen Nuo!
Este Chen Nuo não era aquele Chen Nuo.
Para ele, tudo era estranho: a escola, os colegas, os professores.
E a família, então, completamente desconhecida!
Encontrar sua casa não foi difícil.
No fundo da mochila, achou um formulário de inscrição de ingresso à Liga Juvenil, já preenchido, com seu endereço.
Depois de encontrar esse novo lar, gastou uma tarde inteira para entender sua atual situação.
Um estudante comum do segundo ano do Ensino Médio, turma seis, na Oitava Escola de Ensino Médio de Jinling, distrito JN.
Ah, a propósito, essa escola não era das melhores – na verdade, havia sido transformada de escola técnica em ensino médio regular apenas um ano antes.
Quanto ao clima escolar e à taxa de aprovação... bem, era herança de uma escola técnica, nada animador.

E a situação familiar de Chen Nuo...
Difícil até de descrever.
Digamos que a sorte lhe deu um personagem... peculiar.
O rapaz desse tempo, chamado Chen Nuo, teve uma vida difícil.
Os pais se separaram cedo; o pai teria ido fazer negócio no exterior, abriu um restaurante chinês, e nunca mais deu notícias.
A mãe se casou novamente há seis anos; não chegou a abandonar o filho de todo, como nos dramas de TV, deixou uns trocados e o confiou à avó.
Ao menos, ela ainda vinha visitar o filho de vez em quando.
Porém, há três anos, o marido da mãe contraiu dívidas de jogo, e, para ajudá-lo, a mulher desviou uma grande quantia do dinheiro público. Acabou sendo presa, junto com o marido.
Então, no ano passado, o adolescente que morava com a avó recebeu outro golpe do destino: a senhora faleceu.
Agora, com dezessete anos e seis meses, Chen Nuo vivia sozinho.
Claro, o comitê de bairro, atento à situação, designou um funcionário para visitá-lo periodicamente, cuidar e supervisionar a vida do jovem.
Nada mal, considerando.
Essa organização de base, quase extinta vinte anos depois, ainda tinha alguma função naquela época.

Chen Nuo gastou a tarde vasculhando documentos, registros antigos e cartas guardadas pela avó e, por fim, montou o quebra-cabeça de sua vida.
O apartamento era pequeno, dois quartos, herança da avó.
Um prédio antigo dos anos 80, corredores cheios de outdoors de anúncios.
Paredes pintadas de branco, chão coberto pelo típico carpete de plástico barato.
Móveis antigos.
Uma TV de tubo colorida, dessas comuns na época – as telas de LCD ainda não existiam.
Computador? Nem pensar.
Chen Nuo achou pouco mais de seiscentos reais em dinheiro vivo.
Era seu sustento.
A avó deixara uma economia de vinte mil, fruto de uma vida inteira. Como Chen Nuo ainda era estudante, o dinheiro ficava sob tutela do bairro, que lhe repassava mil e quinhentos por mês.
Dessa quantia, restava pouco.
Se a vida seguisse seu curso original, o destino do rapaz não seria dos melhores.
Numa escola ruim, sem recursos familiares.
Esqueça passar numa boa faculdade; mesmo que conseguisse, dificilmente teria como pagar as mensalidades e se sustentar.
Talvez... só lhe restasse trabalhar logo após o colegial.

Sentado no sofá, Chen Nuo contemplou os documentos e o maço de dinheiro à sua frente.
Não havia escritura da casa; o imóvel era do antigo emprego da avó, e a posse, do local de trabalho. Só por causa de sua situação especial, com a mediação do governo, ele pôde continuar morando lá.
Mas provavelmente só até se formar e arranjar emprego.
Bem, era isso.

“Não está tão ruim”, suspirou Chen Nuo.
Relações sociais simples, um personagem marcado pela solidão – uma vida sem muitas complicações.

Chen Nuo pensou por um tempo, pegou o telefone e discou um número que conhecia de cor.
Logo depois, largou o fone.
Número inexistente.
Ainda inconformado, foi pessoalmente... na verdade, curioso, queria ver a si mesmo naquela idade.
O verdadeiro eu!
Mas se decepcionou.
Foi ao endereço onde morou na vida passada, bateu à porta e quem atendeu foi um menino gordo, com um copo de macarrão instantâneo na mão.
Deu a volta pelo bairro, mas confirmou: tudo estava igual, inclusive os vizinhos de antes, a dona do mercadinho, interesseira como sempre, e o gordinho briguento do prédio ao lado.
Todos lá.
Só ele que não.
Nesse tempo e espaço, o seu eu de antes desaparecera.
Restava apenas esse Chen Nuo, solitário e amaldiçoado.

De mãos nos bolsos, Chen Nuo saiu vagando pela noite.
Ao passar no mercadinho, comprou um maço de cigarros.
A dona, de olho em sua cara de adolescente e no uniforme azul e branco, entregou-lhe um maço de Yuxi sem dizer nada.
Chen Nuo apalpou o maço.
Como previsto – era falso.
Sorriu. Nada mudara.
A TV do mercadinho exibia um DVD pirata. Uma jovem e linda atriz chorava nos braços de Song Seung-heon.
Sim, “Autumn in My Heart”, o dorama coreano que virou febre na Ásia no ano 2000.
Song Hye-kyo realmente era linda; não à toa, vinte anos depois, ainda era capaz de conquistar corações, inclusive o de Song Joong-ki.
Já Song Seung-heon... Chen Nuo suspirou. Anos depois, ele também conquistaria as mais belas atrizes.

Pensando nessas futilidades, Chen Nuo de repente mudou de expressão, lembrando-se de algo importante.
Meia hora depois, entrou em uma lan house... Em 2000, lan houses eram raras, uma hora custava dez reais.
Havia mais baratas, chamadas de “salas de computadores”, com jogos como Red Alert e StarCraft, mas a maioria das máquinas não tinha acesso à internet.
Aquela lan house era das melhores da cidade.
Chen Nuo suportou as intempéries do Windows 98, acessou a internet por VPN e pesquisou tudo o que queria.
Dez minutos depois, soltou um longo suspiro, tirou o maço de Yuxi e acendeu um cigarro.
O gosto picante do cigarro falso quase o fez tossir, mas sua testa se manteve franzida.
“Vai dar trabalho...”

Olá a todos. Meu nome é Chen Nuo, sou estudante do segundo ano do Ensino Médio da Oitava Escola do Distrito JN. Gosto de computadores e jogos, detesto química e a tabela periódica.
Mas nada disso importa.
O maior desafio agora é: preciso, de alguma forma, chegar à capital sul-coreana em quinze dias... Ah, em 2000 ainda se chamava Hanseong, não Seul.
E por que preciso tanto ir a Hanseong em quinze dias?
Porque, na noite do décimo quinto dia, por volta da meia-noite, uma garota passará pelo momento mais trágico e terrível de sua vida!
E agora, eis a questão:
Sem dinheiro para passagens, sem passaporte, sem visto, sem meios legais de sair do país, como um estudante de dezessete anos pode chegar à capital sul-coreana em quinze dias? Não me diga para nadar, ou posso ficar violento!
Esperando resposta, com urgência.