Capítulo Um: Desconexão
Capítulo Um – Desconexão
23 de dezembro de 2021.
Londres.
Rua em frente à sede do Banco Barclays.
Um homem de meia-idade, com cabelos grisalhos, saiu pela porta principal do banco, cercado por uma comitiva de seguranças vestidos de preto. Ao lado da calçada, a porta de um Mercedes já estava aberta. Alguns seguranças estavam posicionados estrategicamente, atentos a qualquer movimento ao redor.
O homem caminhava em direção ao carro, resmungando para seu assistente ao lado: “Diga àqueles sanguessugas do fundo que, se eles não agirem, nós agiremos primeiro. Isto é um banquete, não me importo com essa bobagem de crise. Cem milhões de lucros previstos, nem que seja o próprio inferno, vale a pena…”
Antes que concluísse a frase, um estrondo retumbou! Sua cabeça explodiu como uma melancia madura.
O assistente ao lado, salpicado de vermelho e branco pelo rosto e pelo corpo, ficou paralisado por um instante antes de soltar um grito lancinante.
Os seguranças, bem treinados, correram em direção ao homem, e alguns, experientes, rapidamente deduziram a direção do disparo e partiram em perseguição.
Minutos depois, em um prédio distante, localizaram o ponto do tiro. Encontraram um rifle de precisão montado e operado por controle remoto.
— Maldição, era controlado à distância.
—
Em uma cafeteria numa rua atrás do banco, uma mulher de sobretudo saiu calmamente. Os cabelos negros e os olhos escuros denunciavam sua origem asiática.
Ao chegar à calçada, as longas pernas envoltas por botas de couro davam-lhe um ar imponente. Ela entrou rapidamente num beco, puxou de trás de uma lixeira um sobretudo que já estava ali escondido.
Ao vestir o sobretudo, ao sair do outro lado do beco, já havia se transformado numa figura de elite: sobretudo, óculos escuros, uma postura cheia de presença.
Ela abriu a porta de um Land Rover estacionado, entrou no carro e pegou um celular e uma chave.
Discou para um número previamente salvo.
— Vaga-lume reportando: o alvo foi eliminado. Aliás, seu brinquedinho funcionou bem, só faltou calibrar melhor o vento. Da próxima vez, melhore isso, Raposa.
Do outro lado da linha, respondeu uma voz feminina rouca, com forte sotaque latino em inglês: — Entendido. Bata em retirada imediatamente pela rota alternativa.
— Da próxima vez, não me envolva em missões como essa. Só mais um abutre do mercado financeiro… Me interromperam nas férias por isso? Que tédio. — Ela se espreguiçou, e mesmo sob o sobretudo, era impossível esconder as curvas sinuosas. — E agora, qual é minha próxima missão?
— Não há mais missões. Ordem recente: todos devem entrar em modo de silêncio.
— Silêncio? Por quanto tempo? — a mulher franziu a testa.
— ...Para sempre.
Ao ouvir isso, ela pisou fundo no acelerador.
O Land Rover freou abruptamente na rua.
— Modo de silêncio? Para sempre? — sua voz tremeu levemente.
Após um segundo em silêncio, perdeu o controle e começou a gritar no telefone: — Quem deu essa ordem?! Quero falar com o CHEFE!
— Foi o próprio chefe. A ordem foi dada há uma hora. Ele mesmo gravou uma mensagem.
— Mentira! Sua maldita Raposa, está mentindo de novo! Se repetir isso, eu juro que te mato com um tiro!
Do outro lado, a voz rouca manteve-se fria: — Que pena, não será necessário. Você me conhece, e conhece a ele também.
Sentada no carro, indiferente à sinfonia de buzinas atrás, ela deixou as lágrimas escorrerem sob os óculos escuros.
Com a voz trêmula, disse: — Então… desta vez, ele realmente se foi? Ele… nos deixou?
A voz do outro lado estava indiferente: — Suas últimas palavras: “Espero que, no futuro, todos nós possamos ir para o paraíso. O inferno… deixe que eu enfrente sozinho.” — Pausou, depois continuou — Execute a ordem, Vaga-lume. Esta é nossa última conversa, então… até a próxima vida.
A ligação caiu, restando apenas o tom de linha ocupada.
Ela tirou os óculos escuros; a maquiagem impecável agora estava borrada pelas lágrimas, o delineado escorria em traços negros pelo rosto.
Seus olhos estavam cheios de um luto profundo.
As buzinas atrás soavam cada vez mais urgentes, e as sirenes da polícia se aproximavam.
De repente, ela pegou o celular e enviou uma mensagem para aquele número.
Logo em seguida, atirou o aparelho no carro, desceu e, no meio da rua, sacou uma pistola e disparou para o alto, gritando descontroladamente até esvaziar o carregador.
— AAAAAAAAHHHH!
Tiros ecoaram seguidos de gritos. Os transeuntes fugiram em pânico, enquanto os motoristas, apavorados, abandonavam os carros.
Em instantes, viaturas policiais chegaram em peso.
A mulher acendeu um cigarro, ficou parada no meio da rua, tragou profundamente e jogou a bituca ao chão.
— Inferno? Não. Não vou deixar você ir sozinho para aquele lugar. Eu irei com você!
Vendo os policiais se aproximando com armas em punho, ela sorriu friamente, puxou uma adaga prateada e cravou-a no próprio peito.
No celular dentro do carro, a última mensagem enviada dizia:
Vaga-lume, desconexão!
—
A vinte mil pés de altitude, um avião de treinamento para salto de paraquedas voava.
Dentro, uma mulher loira de cabelos curtos, corpo escultural, ouviu a última mensagem no celular.
— ...As últimas palavras dele... execute a ordem... até a próxima vida.
A loira desligou o telefone, sentou-se devagar, o rosto exuberante tomado por um torpor.
À sua frente, um homem revisava o equipamento de salto, parou e perguntou, franzindo o cenho:
— O que houve, Alice? Algum problema? Estamos quase no local de salto. Você parece estranha. Aquela ligação...
Pá!
A loira sacou uma arma e bateu com ela diante do homem.
Ele empalideceu, pulando assustado.
— Sente-se, senhor Pierre. — Os olhos azuis da mulher estavam tomados de uma tristeza indescritível.
— Alice... você...
Ela respirou fundo. A fala era tão fria que parecia mecânica:
— Em primeiro lugar, não me chamo Alice. Esse nome é falso. Minha missão era me aproximar de você, atuar como sua instrutora de voo e, segundo o plano original, sequestrá-lo durante este salto. Alguém nos contratou. Um projeto militar antigo de que você participou interessa a eles... Não me importa. Eu só tinha que te sequestrar e entregar, depois receber o pagamento. Trinta milhões de dólares. Você vale muito.
Pierre ficou lívido, os olhos buscando desesperadamente uma saída:
— A... Alice... não entendo...
— Entendeu sim. Suas pupilas dilataram, você está com medo. — Ela balançou a cabeça, ainda calma. — Para sequestrá-lo hoje, planejamos tudo ao longo de um mês, e...
— Alice! Podemos negociar. Pago mais...
— Já disse, não me chamo Alice. — Ela sorriu de leve. — Mas, por sorte, há um minuto decidi cancelar a missão. Agora, pode ir embora.
— ...Embora? — Pierre arregalou os olhos.
Ela apontou para a porta:
— Pegue seu paraquedas e salte.
Quando ele hesitou, ela apenas destravou a arma, e ele se calou.
Um minuto depois, Pierre saltou da aeronave. No ar, abriu o paraquedas.
No cockpit, a loira suspirou, como se falasse consigo mesma:
— Inferno? Sempre quis ver como é. Não vá tão rápido, espere por mim. Eu vou alcançá-lo.
No celular, uma mensagem já havia sido enviada:
Beija-flor, desconexão!
No céu, Pierre testemunhou uma cena inesquecível.
O avião mergulhou em direção à montanha, explodindo em uma labareda de fogos.
—
No quarto escuro, apenas a luz do computador iluminava o ambiente.
Na tela, diversos avatares e nomes já estavam em preto e branco.
As mãos no teclado, tão tensas que as unhas perfuraram as palmas, estavam ensanguentadas.
Nas caixas de diálogo de cada nome, a última mensagem recebida era quase idêntica:
Minotauro, desconexão!
Beija-flor, desconexão!
Mirtilo, desconexão!
Íris, desconexão!
...desconexão!
Desconexão.
Desconexão!
Desconexão!!!
Diante da tela, uma mulher de traços latinos chorava descontroladamente.
— Então, Chen Nuo, seu idiota arrogante, você realmente acreditou que, ao partir, o acordo que conquistou permitiria que vivêssemos em silêncio o resto da vida? Não entende que, desde que nos tirou do abismo, do lodo do destino, cada um de nós passou a viver apenas para você?
Com as mãos ensanguentadas, ela retirou calmamente uma pistola da gaveta.
Um projétil carregado no pente.
Pente encaixado.
Destravou a arma.
Cada movimento, executado com precisão e firmeza.
— O paraíso é onde você está.
A mulher sorriu docemente, apontou a arma para a própria têmpora.
— Raposa, desconexão!
Bang!
—
A vida, às vezes, é como um riacho, outras como um grande rio.
Muitas vezes, cada gota de chuva, cada córrego, acaba desaguando no rio, e finalmente… no mar.
Assim é a vida.
Assim como o tempo e o espaço.
Assim como o próprio universo.
—
Na tarde de 23 de dezembro de 2000.
Recién regressado a esta linha do tempo, alheio àquela despedida de vidas fulgurantes como fogos de artifício, Chen Nuo vestia um uniforme escolar azul e branco, feio e largo, parado do lado de fora da sala de aula.
Sem surpresa, ficou ouvindo a aula de matemática do lado de fora.
Também não surpreendia o fato de que, após décadas sem rever o conteúdo do ensino médio, olhando para aquele problema na lousa, era como se lesse em outra língua.
— Ah, esta vida não vale a pena — suspirou com falsa melancolia.
No campo, alunos jogavam futebol, rapazes correndo e gritando, suando hormonios, na esperança de impressionar as garotas.
De seu ângulo, podia ver, na última fileira da sala, um rapaz escondendo um romance de Jin Yong sob o livro de matemática.
Também via, na primeira fileira, o estojo de uma garota com um adesivo de Jay Chou.
Chen Nuo ergueu os olhos para o céu. Era inverno, mas a luz ainda feria os olhos.
— Então, Céu, isto é um castigo ou uma recompensa? — sorriu amargamente.
De repente, uma sombra desceu dos céus, e seu rosto colidiu diretamente… bem, para ser exato, foi atingido por duas formas macias.
Emmmm…
Macias, mas bem firmes.
Talvez… C?
Um grito estridente ecoou ao lado.
— Socorro!!! A musa da escola pulou do prédio!!!
—
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