Capítulo Um: Desconexão

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 4195 palavras 2026-01-30 14:09:31

Capítulo Um – Desconexão

23 de dezembro de 2021.

Londres.

Rua em frente à sede do Banco Barclays.

Um homem de meia-idade, com cabelos grisalhos, saiu pela porta principal do banco, cercado por uma comitiva de seguranças vestidos de preto. Ao lado da calçada, a porta de um Mercedes já estava aberta. Alguns seguranças estavam posicionados estrategicamente, atentos a qualquer movimento ao redor.

O homem caminhava em direção ao carro, resmungando para seu assistente ao lado: “Diga àqueles sanguessugas do fundo que, se eles não agirem, nós agiremos primeiro. Isto é um banquete, não me importo com essa bobagem de crise. Cem milhões de lucros previstos, nem que seja o próprio inferno, vale a pena…”

Antes que concluísse a frase, um estrondo retumbou! Sua cabeça explodiu como uma melancia madura.

O assistente ao lado, salpicado de vermelho e branco pelo rosto e pelo corpo, ficou paralisado por um instante antes de soltar um grito lancinante.

Os seguranças, bem treinados, correram em direção ao homem, e alguns, experientes, rapidamente deduziram a direção do disparo e partiram em perseguição.

Minutos depois, em um prédio distante, localizaram o ponto do tiro. Encontraram um rifle de precisão montado e operado por controle remoto.

— Maldição, era controlado à distância.

Em uma cafeteria numa rua atrás do banco, uma mulher de sobretudo saiu calmamente. Os cabelos negros e os olhos escuros denunciavam sua origem asiática.

Ao chegar à calçada, as longas pernas envoltas por botas de couro davam-lhe um ar imponente. Ela entrou rapidamente num beco, puxou de trás de uma lixeira um sobretudo que já estava ali escondido.

Ao vestir o sobretudo, ao sair do outro lado do beco, já havia se transformado numa figura de elite: sobretudo, óculos escuros, uma postura cheia de presença.

Ela abriu a porta de um Land Rover estacionado, entrou no carro e pegou um celular e uma chave.

Discou para um número previamente salvo.

— Vaga-lume reportando: o alvo foi eliminado. Aliás, seu brinquedinho funcionou bem, só faltou calibrar melhor o vento. Da próxima vez, melhore isso, Raposa.

Do outro lado da linha, respondeu uma voz feminina rouca, com forte sotaque latino em inglês: — Entendido. Bata em retirada imediatamente pela rota alternativa.

— Da próxima vez, não me envolva em missões como essa. Só mais um abutre do mercado financeiro… Me interromperam nas férias por isso? Que tédio. — Ela se espreguiçou, e mesmo sob o sobretudo, era impossível esconder as curvas sinuosas. — E agora, qual é minha próxima missão?

— Não há mais missões. Ordem recente: todos devem entrar em modo de silêncio.

— Silêncio? Por quanto tempo? — a mulher franziu a testa.

— ...Para sempre.

Ao ouvir isso, ela pisou fundo no acelerador.

O Land Rover freou abruptamente na rua.

— Modo de silêncio? Para sempre? — sua voz tremeu levemente.

Após um segundo em silêncio, perdeu o controle e começou a gritar no telefone: — Quem deu essa ordem?! Quero falar com o CHEFE!

— Foi o próprio chefe. A ordem foi dada há uma hora. Ele mesmo gravou uma mensagem.

— Mentira! Sua maldita Raposa, está mentindo de novo! Se repetir isso, eu juro que te mato com um tiro!

Do outro lado, a voz rouca manteve-se fria: — Que pena, não será necessário. Você me conhece, e conhece a ele também.

Sentada no carro, indiferente à sinfonia de buzinas atrás, ela deixou as lágrimas escorrerem sob os óculos escuros.

Com a voz trêmula, disse: — Então… desta vez, ele realmente se foi? Ele… nos deixou?

A voz do outro lado estava indiferente: — Suas últimas palavras: “Espero que, no futuro, todos nós possamos ir para o paraíso. O inferno… deixe que eu enfrente sozinho.” — Pausou, depois continuou — Execute a ordem, Vaga-lume. Esta é nossa última conversa, então… até a próxima vida.

A ligação caiu, restando apenas o tom de linha ocupada.

Ela tirou os óculos escuros; a maquiagem impecável agora estava borrada pelas lágrimas, o delineado escorria em traços negros pelo rosto.

Seus olhos estavam cheios de um luto profundo.

As buzinas atrás soavam cada vez mais urgentes, e as sirenes da polícia se aproximavam.

De repente, ela pegou o celular e enviou uma mensagem para aquele número.

Logo em seguida, atirou o aparelho no carro, desceu e, no meio da rua, sacou uma pistola e disparou para o alto, gritando descontroladamente até esvaziar o carregador.

— AAAAAAAAHHHH!

Tiros ecoaram seguidos de gritos. Os transeuntes fugiram em pânico, enquanto os motoristas, apavorados, abandonavam os carros.

Em instantes, viaturas policiais chegaram em peso.

A mulher acendeu um cigarro, ficou parada no meio da rua, tragou profundamente e jogou a bituca ao chão.

— Inferno? Não. Não vou deixar você ir sozinho para aquele lugar. Eu irei com você!

Vendo os policiais se aproximando com armas em punho, ela sorriu friamente, puxou uma adaga prateada e cravou-a no próprio peito.

No celular dentro do carro, a última mensagem enviada dizia:

Vaga-lume, desconexão!

A vinte mil pés de altitude, um avião de treinamento para salto de paraquedas voava.

Dentro, uma mulher loira de cabelos curtos, corpo escultural, ouviu a última mensagem no celular.

— ...As últimas palavras dele... execute a ordem... até a próxima vida.

A loira desligou o telefone, sentou-se devagar, o rosto exuberante tomado por um torpor.

À sua frente, um homem revisava o equipamento de salto, parou e perguntou, franzindo o cenho:

— O que houve, Alice? Algum problema? Estamos quase no local de salto. Você parece estranha. Aquela ligação...

Pá!

A loira sacou uma arma e bateu com ela diante do homem.

Ele empalideceu, pulando assustado.

— Sente-se, senhor Pierre. — Os olhos azuis da mulher estavam tomados de uma tristeza indescritível.

— Alice... você...

Ela respirou fundo. A fala era tão fria que parecia mecânica:

— Em primeiro lugar, não me chamo Alice. Esse nome é falso. Minha missão era me aproximar de você, atuar como sua instrutora de voo e, segundo o plano original, sequestrá-lo durante este salto. Alguém nos contratou. Um projeto militar antigo de que você participou interessa a eles... Não me importa. Eu só tinha que te sequestrar e entregar, depois receber o pagamento. Trinta milhões de dólares. Você vale muito.

Pierre ficou lívido, os olhos buscando desesperadamente uma saída:

— A... Alice... não entendo...

— Entendeu sim. Suas pupilas dilataram, você está com medo. — Ela balançou a cabeça, ainda calma. — Para sequestrá-lo hoje, planejamos tudo ao longo de um mês, e...

— Alice! Podemos negociar. Pago mais...

— Já disse, não me chamo Alice. — Ela sorriu de leve. — Mas, por sorte, há um minuto decidi cancelar a missão. Agora, pode ir embora.

— ...Embora? — Pierre arregalou os olhos.

Ela apontou para a porta:

— Pegue seu paraquedas e salte.

Quando ele hesitou, ela apenas destravou a arma, e ele se calou.

Um minuto depois, Pierre saltou da aeronave. No ar, abriu o paraquedas.

No cockpit, a loira suspirou, como se falasse consigo mesma:

— Inferno? Sempre quis ver como é. Não vá tão rápido, espere por mim. Eu vou alcançá-lo.

No celular, uma mensagem já havia sido enviada:

Beija-flor, desconexão!

No céu, Pierre testemunhou uma cena inesquecível.

O avião mergulhou em direção à montanha, explodindo em uma labareda de fogos.

No quarto escuro, apenas a luz do computador iluminava o ambiente.

Na tela, diversos avatares e nomes já estavam em preto e branco.

As mãos no teclado, tão tensas que as unhas perfuraram as palmas, estavam ensanguentadas.

Nas caixas de diálogo de cada nome, a última mensagem recebida era quase idêntica:

Minotauro, desconexão!

Beija-flor, desconexão!

Mirtilo, desconexão!

Íris, desconexão!

...desconexão!

Desconexão.

Desconexão!

Desconexão!!!

Diante da tela, uma mulher de traços latinos chorava descontroladamente.

— Então, Chen Nuo, seu idiota arrogante, você realmente acreditou que, ao partir, o acordo que conquistou permitiria que vivêssemos em silêncio o resto da vida? Não entende que, desde que nos tirou do abismo, do lodo do destino, cada um de nós passou a viver apenas para você?

Com as mãos ensanguentadas, ela retirou calmamente uma pistola da gaveta.

Um projétil carregado no pente.

Pente encaixado.

Destravou a arma.

Cada movimento, executado com precisão e firmeza.

— O paraíso é onde você está.

A mulher sorriu docemente, apontou a arma para a própria têmpora.

— Raposa, desconexão!

Bang!

A vida, às vezes, é como um riacho, outras como um grande rio.

Muitas vezes, cada gota de chuva, cada córrego, acaba desaguando no rio, e finalmente… no mar.

Assim é a vida.

Assim como o tempo e o espaço.

Assim como o próprio universo.

Na tarde de 23 de dezembro de 2000.

Recién regressado a esta linha do tempo, alheio àquela despedida de vidas fulgurantes como fogos de artifício, Chen Nuo vestia um uniforme escolar azul e branco, feio e largo, parado do lado de fora da sala de aula.

Sem surpresa, ficou ouvindo a aula de matemática do lado de fora.

Também não surpreendia o fato de que, após décadas sem rever o conteúdo do ensino médio, olhando para aquele problema na lousa, era como se lesse em outra língua.

— Ah, esta vida não vale a pena — suspirou com falsa melancolia.

No campo, alunos jogavam futebol, rapazes correndo e gritando, suando hormonios, na esperança de impressionar as garotas.

De seu ângulo, podia ver, na última fileira da sala, um rapaz escondendo um romance de Jin Yong sob o livro de matemática.

Também via, na primeira fileira, o estojo de uma garota com um adesivo de Jay Chou.

Chen Nuo ergueu os olhos para o céu. Era inverno, mas a luz ainda feria os olhos.

— Então, Céu, isto é um castigo ou uma recompensa? — sorriu amargamente.

De repente, uma sombra desceu dos céus, e seu rosto colidiu diretamente… bem, para ser exato, foi atingido por duas formas macias.

Emmmm…

Macias, mas bem firmes.

Talvez… C?

Um grito estridente ecoou ao lado.

— Socorro!!! A musa da escola pulou do prédio!!!

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