Capítulo Quarenta — Não Finja
Este é o capítulo originalmente previsto para as sete horas da noite de hoje, mas não estou me sentindo bem e vou dormir cedo. Ultimamente, o site está propenso a erros, então não me atrevi a programar a publicação automática e preferi liberar agora. Até amanhã de manhã, pessoal~ Durante a fase pública deste livro, haverá dois capítulos por dia: um às nove da manhã e outro às sete da noite.
Capítulo Quarenta: Não Finja
Como era de esperar, assim que saiu do hotel, Chen Nuo recebeu uma ligação do velho Sun.
É verdade que o velho Sun fez essa ligação com um sentimento de profunda relutância. Mas não tinha alternativa: sua querida filhinha voltou para casa chorando. O velho Sun, paciente, perguntou repetidas vezes até entender o que havia acontecido após o fim das aulas.
Na verdade, o velho Sun não queria ligar. Chen Nuo, se fosse apenas seu aluno, até gostava dele e se preocupava sinceramente com o garoto. Mas quando envolve sua preciosa filha, o velho Sun pensa que moleques como Chen Nuo deveriam ser plantados na terra, como se fossem nabos!
O problema é que, nos últimos tempos, até um cego perceberia os sentimentos de sua filha por esse rapaz. A simpatia era evidente. O velho Sun sempre tentou impedir, acreditando tratar-se apenas de um interesse adolescente por alguém do sexo oposto. Bastava vigiar por um ano, concluir o vestibular, a filha iria para a universidade e tudo se resolveria naturalmente.
Mas hoje, a filha voltou para casa aos prantos, com uma tristeza profunda, como se tivesse sido abandonada. O velho Sun ficou tão irritado que quase teve um ataque de pressão alta.
Esse Chen Nuo, será que é um canalha?
Depois de entender tudo, o velho Sun respirou aliviado... Ao menos nada do que temia aconteceu.
Então, bastou uma ligação para convocar Chen Nuo à sua casa.
Assim que entrou, Chen Nuo viu Sun, a filha, sentada calada, com uma expressão fechada.
O velho Sun, por outro lado, parecia tranquilo, convidando-o cordialmente: "Chegou, sente-se."
Chen Nuo entrou sorridente, trocou os sapatos e sentou-se no sofá ao lado do velho Sun.
O velho Sun até serviu um copo de água.
Afinal, o velho Sun era um adulto, muito diferente da ingênua Sun, a filha. Começou perguntando calmamente sobre os estudos de Chen Nuo, aconselhou-o a não faltar às aulas por causa do trabalho e a não descuidar dos estudos.
Também recomendou que mantivesse boas relações com os colegas e evitasse problemas.
No fim, ainda criticou alguns comportamentos ruins dos alunos da escola.
Depois desse sermão, o velho Sun perguntou como quem não quer nada: "O que houve ontem à tarde? Por que Zhang Linshan e os outros vieram te procurar?"
Chen Nuo respondeu tudo com honestidade.
Então, o velho Sun ficou sem palavras... O motivo era sua própria filha. Chen Nuo serviu de escudo.
Não havia como culpá-lo, pelo contrário, até devia agradecê-lo.
"E... aquela estudante transferida da Coreia do Sul, onde você a conheceu?"
Essa é a abordagem de quem sabe das coisas.
Nem perguntou se conhecia, foi direto ao ponto: onde conheceu?
Focou logo nos detalhes.
Felizmente, Chen Nuo já tinha resolvido tudo.
Quando o velho Sun fez essa pergunta, Chen Nuo ficou com uma expressão estranha: "Foi coincidência. Uns dias atrás, eu estava aprendendo a consertar carros na loja do irmão Lei. Essa garota estava passeando por ali, o carro quebrou e eu consertei para ela."
O velho Sun franziu a testa: "Uma garota estrangeira, tão jovem, passeando sozinha?"
"Claro que não, estava acompanhada de um adulto", respondeu Chen Nuo. "Mas não falavam bem o idioma, mal conseguiam se comunicar."
"E depois?"
"Depois... Bem, vi que era estrangeira, então falei com o irmão Lei para não cobrar pelo conserto."
O velho Sun sorriu de modo ambíguo: "Deixar de cobrar pelo conserto, no máximo dez ou vinte reais. Por isso aquela garota hoje foi tão calorosa contigo na escola?"
Chen Nuo riu: "Talvez seja porque sou bonito."
"Não faça graça." O velho Sun franziu a testa: "Fale a verdade."
Chen Nuo coçou a cabeça, um pouco sem jeito: "Conversei com ela algumas vezes, mas tudo meio desconexo, a maioria das frases nem entendi. Ah, ela disse que pareço com Won Bin e me chamou de 'oppa' o tempo todo."
Essa é a cara de pau.
Chen Nuo continuou sorrindo: "Parece que as garotas sul-coreanas são assim, veem um astro e gritam, veem um cara bonito e tratam como ídolo... Precisa entender o quanto esse povo valoriza a aparência."
Sun, a filha, que estava escrevendo deveres enquanto escutava, não entendeu muito bem.
Mas o velho Sun entendeu.
Sim, se não entendiam o idioma, mas mesmo assim ela disse que ele parecia com Won Bin... Então conversaram bastante!
Entendeu!
Jovens, ao verem uma garota bonita, logo se animam para conversar.
No geral, nada de mais. Jovens gostam de conversar com pessoas atraentes do sexo oposto.
Não parecia ter má intenção, apenas a reação natural de um rapaz ao se sentir atraído.
No fundo, o velho Sun ainda tinha um pensamento difícil de admitir.
Bem, se gosta de conversar, que converse à vontade! Se surgir alguma faísca, melhor, assim não prejudica minha filha.
"Ah, naquele dia, o irmão Lei também estava lá. Se não acredita, pode perguntar a ele", disse Chen Nuo com um sorriso amargo. "Eu só quis ajudar."
Chen Nuo disse tudo de modo descontraído.
O velho Sun, porém, não iria perguntar ao irmão Lei. Esse tipo de coisa não vale a pena investigar, perguntar seria exagerado.
E, mesmo que perguntasse, o irmão Lei, com seu talento para encenar e sua personalidade afável, poderia inventar qualquer coisa.
O papo terminou, já era tarde.
O velho Sun não ofereceu jantar... Parecia querer esperar Chen Nuo sair para conversar com a filha.
Chen Nuo então se despediu.
"Pai, vou acompanhá-lo até lá embaixo", disse Sun, a filha, levantando-se de repente.
Durante toda a conversa, Sun esteve ao lado, escrevendo na mesa de jantar, mas escutando tudo.
Agora, levantou-se para acompanhar Chen Nuo.
O velho Sun franziu a testa, mas logo viu nos olhos da filha uma determinação incomum.
Suspirou por dentro.
Talvez seja melhor que se entendam.
Chen Nuo também se surpreendeu um pouco, mas não disse nada.
Os dois trocaram de sapatos e saíram.
Ao descer, ambos permaneceram em silêncio.
Quando chegaram ao térreo, antes de sair pelo portão do prédio, Sun parou, e, aproveitando a escuridão do corredor, se aproximou de Chen Nuo e o abraçou pela cintura.
Chen Nuo não se mexeu.
O corredor estava escuro e silencioso.
O corpo da garota, macio e perfumado, estava colado ao peito de Chen Nuo. Ele até sentiu o batimento do coração dela.
Chen Nuo hesitou: "Você..."
Sun, no escuro, encostou a cabeça no ombro dele, com uma voz suave e um toque de mágoa.
"Eu ainda nem te abracei como ela fez ontem à tarde..."
...
Depois de alguns segundos, Sun levantou o rosto, e Chen Nuo, mesmo na penumbra, viu as faces dela coradas.
A garota deu um passo para trás e, rapidamente, subiu correndo, como se fugisse.
Chen Nuo não saiu logo.
Ficou parado, no escuro, pensando, e suspirou.
Seus sentimentos estavam confusos.
Em relação a Sun, ele realmente não tinha aquele tipo de sentimento.
Não tinha mesmo.
Se fosse só a aparência, o instinto masculino de desejar uma garota bonita existia, claro.
Mas desejar o corpo de Sun... Só por causa do velho Sun, não poderia prejudicar a filha dele.
E sentimentos mais profundos... Não tinha chegado a esse ponto!
Após duas vidas, um coração endurecido como o de um juiz do submundo não se entrega facilmente.
Falta algo ainda.
Então por que não a afastou?
Ora, um rapaz na flor da idade, diante de uma garota bela, macia e perfumada, que demonstra claramente o seu afeto, abraçando-o... Quantos homens podem dizer que iriam recusar?
Não finja!
Além do mais... O toque de agora... Um pouco mais cheinha, realmente é bom.
...
À noite, Zhang Linshan acordou ao lado de uma lixeira em um beco.
Sem celular, sem saber que horas eram.
Saiu do beco cambaleando... Não havia quase ninguém na rua.
A direção da escola estava escura.
Mas a tarde de hoje... Que história foi aquela?
Cheio de dúvidas, Zhang Linshan decidiu ir para casa.
Mal deu alguns passos quando viu os pais vindo ao seu encontro.
Mal gritou "Pai", o seu pai se aproximou e deu um tapa enorme em seu rosto!
"Desgraçado, ainda sabe voltar! Onde você se meteu? Arrumou mais confusão! O diretor foi até nossa casa!"
Zhang ficou atordoado.
Como explicar?
Se dissesse que foi levado por um rapaz e dormiu durante o trajeto, só acordando agora... O pai acreditaria?
...
Na manhã seguinte, na escola.
A professora Wu, da turma 2-6 do segundo ano, entrou na sala acompanhada da garota de pernas longas, agora vestindo o uniforme novo do Colégio Oitavo.
Rosto delicado, corpo esguio e sedutor, cabelos pretos lisos.
Todos os rapazes da classe prenderam a respiração.
Li Yingwan manteve o rosto sério; ao ver Chen Nuo, seu olhar suavizou, mas não chegou a sorrir.
A professora Wu apresentou: "Esta é a aluna Li Yingwan, vinda da Coreia do Sul. Ela vai estudar temporariamente em nossa escola, e ficará em nossa turma por enquanto."
Três segundos de silêncio.
De repente, todos os meninos começaram a aplaudir e comemorar!
Pareciam animais soltos... As garotas, por outro lado, ficaram com o coração apertado.
Ah, homens!
Li Yingwan esperou que todos se acalmassem, ficou ao centro e fez uma reverência.
Com uma frase ensaiada, disse: "Olá, sou Li Yingwan, estou feliz por estar aqui!"
A professora Wu olhou ao redor da turma, e todos os rapazes se endireitaram.
Mas o olhar dela acabou no lugar vazio ao lado de Chen Nuo.
"Li Yingwan, sente-se na última fila, ao lado de Chen Nuo."
Suspiros entre os rapazes.
Sun, a filha, teve um tremor nos olhos.
Ela respirou fundo e decidiu.
"Professora!"
Sun levantou-se de repente.
"Sim? Sun, o que houve?"
Sun mordeu os lábios, mas ergueu o olhar e encarou a professora: "A nova aluna é estrangeira e talvez não domine bem o idioma. Sentar atrás pode dificultar para ela ouvir a aula. Além disso, da última fila não se vê bem o quadro."
...
Agora, vários alunos, meninos e meninas, prenderam a respiração.
Uau, a delicada Sun, mostrando seu poder de defesa!
Luo Qing virou-se para Chen Nuo e murmurou: "Veja, a guerra silenciosa começou..."
Depois acrescentou: "Amigo, depois me agradeça."
Em seguida, Luo Qing também se levantou.
"Professora! Deixe que ela sente no meu lugar, eu vou para trás, sento com Chen Nuo."
A professora Wu estava constrangida... Ela dava aulas há décadas, entendia bem essas questões entre jovens.
Além disso, o que aconteceu ontem à tarde, muitos alunos viram e já chegaram aos ouvidos dela.
Mas depois houve algo estranho: a garota coreana abraçou Chen Nuo, mas Chen Nuo saiu carregando um rapaz?
Que história era essa?
Enfim, a professora Wu decidiu deixar a fofoca de lado.
Aceitou: "Está decidido!"
Luo Qing pegou a mochila e sentou ao lado de Chen Nuo, liberando o lugar.
A professora bateu no ombro de Li Yingwan e indicou o lugar vazio.
Li Yingwan não mudou de expressão, fez uma reverência à professora Wu e, com a mochila de um ombro, foi rapidamente se sentar.
Dava para ver que a garota estava feliz... Poderia sentar perto de Chen Nuo, bem próxima.
Como ainda não dominava o idioma, sequer entendeu a disputa silenciosa pela escolha do lugar.
... Felizmente não entendeu.
...
O antigo colega de mesa de Luo Qing era o líder da turma.
Normalmente, meninos e meninas sentavam juntos, mas ele e Luo Qing acabaram juntos, o que sempre foi motivo de alguma frustração.
Não havia alternativa, havia menos meninas que meninos.
Mas, agora, uma garota tão bonita e alta da Coreia do Sul seria sua colega de mesa?
Que sorte!
Li Yingwan sentou, abriu a mochila e tirou seus livros e material.
O líder da turma tossiu, baixou a voz: "Olá, colega, meu nome é..."
"Shhh!"
Li Yingwan fez um gesto para silenciá-lo.
Depois, tirou seu estojo.
No estojo, havia um adesivo grande.
As garotas dessa época costumavam colar adesivos de Jay Chou, Nicholas Tse, ou até de Louis Koo.
Para as coreanas... O grupo Shinhwa ainda era popular.
Mas no estojo da garota de pernas longas...
O líder da turma viu e ficou perplexo.
Um manto verde, rosto vermelho como tâmaras, sobrancelhas grossas, barba elegante.
Uma mão segurando a barba, a outra uma espada!
Que espada era essa?
A lendária espada Qinglong Yanyue, pesando oitenta e dois quilos!
Meu Deus!
O líder ficou atordoado.
Que gosto era esse da coreana?
E não acabou por aí!
Ela posicionou o estojo, sentou-se reta, bateu três vezes no peito, juntou as mãos e fez três reverências solenes.
Com uma expressão devota!
O líder olhou, chocado para sua nova colega.
Depois, olhou assustado para os colegas atrás.
O olhar dizia: Vocês viram isso?!
Luo Qing, sério, deu um tapinha no ombro dele: "É preciso respeitar a fé religiosa de nossos amigos estrangeiros!"
Ao lado, Chen Nuo já segurava a cabeça...
...
Bem, votem, apoiem... Bam, bam, bam.
Alguns dizem que este livro segue velhos clichês, estilo 'rei dos soldados'... Eu nunca li muitos livros desse tipo.
Além disso, não importa se é ou não sobre soldados.
Os leitores não detestam os clichês, detestam autores ruins que escrevem mal e de forma desagradável. O problema não está nos clichês, mas na má escrita.
Não existem clichês ruins, apenas autores ruins.
Se escrever com o sabor certo, o clichê pode ser novo ou antigo, não importa.
Esse é meu princípio de criação.
Obrigado por acompanharem até aqui. Continuem lendo.