Capítulo Cinquenta e Seis – Medo!
Desculpem, desculpem, eu estava fora, lembrei que esqueci de programar a publicação e voltei às pressas para atualizar. Atrasei um pouco, pessoal, mil perdões. Da próxima vez vou prestar mais atenção.
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Capítulo Cinquenta e Seis: Medo!
Li Qingshan não era alguém que nunca tivesse visto gente capaz de lutar.
Quando era jovem, recém-iniciado no submundo, já seguira um líder muito famoso, que começara a vida extraindo areia dos rios com barcos. Esse chefe era mestre em luta livre, cheio de habilidades. Li Qingshan já presenciou, certa vez, durante um conflito com o dono de outro barco, seu chefe entrar sozinho em meio à multidão e, numa briga caótica, derrubar sete ou oito brutamontes do lado rival.
Esse chefe comia oito taças de bolinhos de massa e bebia duas garrafas de cerveja numa sentada, falava alto, tinha um corpo forte como um bezerro.
Mas isso adiantou de quê?
Três anos depois, foi esfaqueado até a morte em cima do barco, com mais de dez golpes de faca, a ponto de ficar irreconhecível. Depois, amarraram uma pedra no corpo e jogaram-no no rio.
Aos quarenta anos, Li Qingshan foi até Mianmar negociar jade. Lá, havia um patrão que andava sempre acompanhado de um verdadeiro mestre da luta — um verdadeiro especialista!
Li Qingshan viu com seus próprios olhos esse sujeito escalar telhados e saltar muros, desferindo golpes ferozes. Com um único golpe, partia um bastão grosso como um pote. Nas minas de Mianmar, após um conflito, esse especialista sozinho colocou para correr mais de uma dúzia de homens armados com facas, como se estivesse enxotando patos.
Mas de que adiantou?
Dois anos depois, o patrão foi encurralado numa mina, e o tal especialista, sob a mira de duas espingardas, foi transformado em peneira!
Li Qingshan sempre acreditou que, nos dias de hoje, "saber lutar" não era mais uma grande habilidade — coisa menor!
Por mais hábil que seja um lutador, teme a faca de cozinha. Por melhor que seja o kung fu, um tiro é suficiente!
Hoje em dia, o que conta é influência, contatos, força real e inteligência.
Por mais que alguém saiba lutar, sozinho, para os verdadeiros poderosos, não passa de uma faca útil.
Até esta noite, Li Qingshan sempre pensou assim.
Mesmo tendo sido jogado no rio por aquele rapaz, Li Qingshan só achou que foi pego de surpresa. Mas, se estivesse preparado, ele, um homem de bens e poder, não seria páreo para um aventureiro qualquer?
Com uma multidão, te mato de tanto bater!
Porém, desta vez, Li Qingshan percebeu que estava enganado.
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A Casa Abrigo do Vento era um novo estabelecimento que Li Qingshan abrira dois anos antes. Quatro andares, cinco mil metros quadrados, lazer completo.
No salão, excluindo os funcionários e as garotas do ramo, entre os que realmente seguiam Li Qingshan, havia sim quem fosse capaz de lutar: ex-presidiários, valentões, gente de sangue quente... sem falar nos que só serviam para fazer barulho.
Juntando tudo, eram trinta ou quarenta homens.
Qual foi o resultado?
Em poucos minutos, no maior salão de descanso do último andar, Li Qingshan, já com mais de cinquenta anos, achou que estava diante de um fantasma.
Não era modo de dizer.
Parecia mesmo ter visto um espírito. Por um momento, pensou que o jovem à sua frente talvez nem fosse humano, mas um fantasma.
Mais de vinte homens armados de facas e bastões, trancados numa sala, não conseguiram nem tocar a barra da roupa do rapaz!
Não houve carne dilacerada, nem sangue a jorrar.
O grande salão estava assustadoramente silencioso, como uma casa assombrada!
Mesmo com todas as luzes acesas, o rapaz se movia entre a multidão como uma aparição, desviando de facas, bastões, até dos mais ferozes, como se pesasse menos que nada, flutuando entre os homens.
Por onde passava, bastava um toque e o sujeito caía no chão! Continuava respirando, mas não conseguia se mover nem um centímetro!
A última cartada de Li Qingshan não serviu para nada, tomar Sun Keke como refém não teve efeito algum. O sujeito que segurava a faca no pescoço da garota não teve nem chance de ameaçar. Chen Nuo apenas se aproximou e, com um leve toque, o homem tombou.
Em poucos minutos, no imenso salão, só restaram três de pé ou sentados.
Chen Nuo estava diante de Li Qingshan, Sun Keke sentada no canto, no chão — a bela estudante parecia em choque, sem saber se era de medo ou de espanto.
Li Qingshan nunca sentiu tanto medo em toda a sua vida!
Décadas correndo o país, do sul ao norte, já perambulou por montanhas, carregou ouro e jade, atravessou florestas nevadas, já trocou até tratores por conservas com russos.
Viu facas, viu armas de fogo, viu mortos, viu sangue.
E, justamente por ter visto de tudo, o medo era maior naquele momento!
Li Qingshan percebeu que, se o homem à sua frente quisesse matá-lo, seria mais fácil do que esmagar uma formiga.
No salão do último andar, mais de vinte de seus homens jaziam caídos, nenhum conseguia se mexer.
Diante do jovem, Li Qingshan sentia-se não diante de um homem, mas de uma besta pré-histórica, um demônio devorador de homens.
Ainda tinha uma última carta na manga.
Era a arma de fogo que carregava no peito.
Mas, naquele momento, sentia as mãos suadas, o suor escorrendo pela testa e pelas costas. A mão já segurava a arma dentro do casaco, mas faltava coragem de puxar!
Parecia que, no fundo da alma, algo lhe dizia: Não vai adiantar!
Chen Nuo parou, sorrindo para Li Qingshan.
— Tem uma arma no peito?
Li Qingshan cerrou os dentes, sem responder.
— Pode sacar — disse Chen Nuo, com voz sincera. — Você também é alguém de nome, tem orgulho. Se não deixar você sacar a arma, vai ficar engasgado. Vamos, saque.
Li Qingshan tremeu.
Por fim, afinal, era um homem forjado em décadas de luta, e o medo acumulado explodiu numa fúria selvagem!
Naquele instante, Li Qingshan parecia não ter mais de cinquenta anos. Com os olhos fixos no rapaz de capacete, flashes de sua juventude vinham à mente: as brigas sangrentas nos barcos, os confrontos nas minas birmanesas...
Por fim, sacou a arma!
Bang!
Um tiro ecoou!
Esse tiro reunia toda a sua coragem e ferocidade acumulada em décadas, o último resquício de bravura que lhe restava!
Ao disparar, sentiu-se esvaziado, caindo mole no sofá.
A mente, completamente em branco!
O jovem à sua frente ergueu levemente a mão direita, os dois dedos juntos.
Chen Nuo olhou para Li Qingshan, deu um passo à frente, curvou-se, e com os dois dedos depositou algo sobre a mesa de centro.
Ting!
Uma bala dourada foi colocada suavemente no cinzeiro diante de Li Qingshan!
……
Li Qingshan ficou lívido, sem expressão sequer para o medo. Completamente exaurido.
Desabou de joelhos, como se todos os ossos tivessem sido arrancados.
Chen Nuo sorriu de leve, falando calmamente:
— Rende-se?
— ...Rendo-me!
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Chen Nuo assentiu, ainda calmo:
— Dei-lhe a chance de atirar. Agora, está resolvido.
— Não há mais nada. O que disser, está dito — retrucou Li Qingshan, sem emoção.
— Ótimo — disse Chen Nuo. — Não me meto nos assuntos do submundo, nem menciono o caso com o Careca Lei, mas você sabe o que fazer. E quanto ao resto... nem precisa dizer. Gente como você não é tola.
— Sim, daqui em diante você é o céu, o que disser está dito — respondeu Li Qingshan, o olhar vazio e apático.
— Muito bem. — Chen Nuo aproximou-se, olhando de cima o chefe ajoelhado, sorrindo de leve: — Um tiro desses não pode sair de graça.
Então, o rapaz se abaixou e tocou levemente as duas pernas de Li Qingshan.
— O resto da vida será numa cadeira de rodas.
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Li Qingshan ficou paralítico.
Ninguém de fora soube o que realmente aconteceu naquela noite, no famoso abrigo de Li Qingshan.
Dez minutos depois que Chen Nuo saiu carregando Sun Keke, os homens caídos começaram lentamente a se mexer. O corpo, antes imóvel como estátua, foi recuperando os movimentos.
Logo, os subordinados viram o chefe, ajoelhado, com as mãos no chão, olhos fixos, vazio, sem dizer uma palavra.
Naquela noite, Li Qingshan foi levado ao hospital. Não tinha ferida alguma, todos os exames, inclusive tomografia, nada encontraram — exceto dois cistos renais e uma próstata aumentada — mas, fora isso, nada!
As pernas... simplesmente não se mexiam!
Sem um pingo de sensibilidade!
Outros funcionários de filiais chegaram querendo causar tumulto, mas Li Qingshan, após um momento de silêncio, dispensou todos.
Depois, ordenou o fechamento de todas as três casas da Casa Abrigo do Vento por um mês. Sobre o ocorrido, ordenou silêncio absoluto, nem uma palavra seria dita.
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Quando Chen Nuo saiu pela porta dos fundos carregando Sun Keke nos braços, Zhang Linsheng observava escondido atrás de um plátano do outro lado da rua.
Zhang Linsheng não foi embora, mas não teve coragem de entrar novamente. Sem saber exatamente o que fazia, ficou ali parado. Nem ele sabia o que esperava.
Ansioso e assustado, andava em círculos, reunindo coragem para atravessar, mas ao chegar à beira da rua, recuava.
Quando finalmente viu Chen Nuo saindo pelo beco com Sun Keke, respirou aliviado.
E, ao soltar o ar, sentiu-se ainda mais impressionado!
Como... como ele conseguiu isso?!
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Chen Nuo montou na moto, colocou Sun Keke em seu colo. Com uma mão no guidão e a outra envolvendo a garota, ligou o motor e partiu.
Antes de ir, virou-se e acenou suavemente para Zhang Linsheng, do outro lado da rua.
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Bom fim de semana a todos, conto com os seus votos.
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