Capítulo Quarenta e Um – O Resgate de Chen Yanluo

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 4500 palavras 2026-01-30 14:14:24

Capítulo Quarenta e Um – O Resgate de Chen, o Senhor do Submundo

Bip bip bip...

Ao som de um alarme, o guincho do navio começou a girar rapidamente e a corrente foi recolhida lentamente.

Na superfície do mar, naquela manhã, o barco de pesca flutuava solitário, balançando suavemente ao sabor das ondas.

Um mergulhador emergiu da água, fez alguns gestos para o pessoal que operava na embarcação.

O trabalho de resgate seguia de forma organizada.

No convés, Anderson fumava calmamente. O vento frio da manhã ainda cortava a pele, mas ele vestia apenas uma jaqueta fina.

Finalmente, o objeto resgatado surgiu à tona, causando alvoroço entre os presentes. Os trabalhadores se aproximaram curiosos.

Anderson, ao contrário, recuou alguns passos. Lançou um olhar gelado, recolheu-o e seguiu até a proa.

Ali, retirou o telefone via satélite e, com força, atirou a bituca ao mar.

— Encontramos o cadáver do Quatro, o Garimpeiro — disse Anderson, num tom descontraído. — Da próxima vez, será que não podem mandar outra pessoa para essas tarefas entediantes? Uma operação dessas, qualquer um poderia fazer.

— ... Sim, sim, entendi. Minha investigação já avançou, enviarei o relatório em breve.

— ... Bem, pelo que vejo, nosso Garimpeiro Quatro teve um fim trágico. Não vamos fazer nada a respeito?

— Não, não precisa falar em vingança. Era só um Garimpeiro.

— Mas acho que devemos tomar alguma atitude. Precisamos enviar um sinal: quem mexe conosco, paga um preço.

Desligando, Anderson balançou a cabeça.

Lançou um olhar à popa, onde alguns trabalhadores olhavam, horrorizados, para o que fora içado...

Alguém já não conteve o vômito.

— Tsc, humanos... — Anderson torceu o lábio, retirou um par de óculos escuros do bolso e colocou-os.

·

Zhang Linsheng achava que seu fim havia chegado.

Até então, como figurão do terceiro ano do Oitavo Colégio (ao menos em sua própria opinião), ele acreditava que sua carreira de “rei das ruas” despontava como o sol nascente.

Estudar nunca foi seu forte, nem pretendia entrar na universidade. Passava os dias andando com delinquentes, envolveu-se até em algumas brigas coletivas. Na maior parte do tempo, limitava-se a torcer, mas quando o confronto era favorável, também chutava alguns adversários.

Essas credenciais bastavam para que ele se gabasse na escola.

Bem, nessa época, influenciados por uns filmes de máfia de qualidade duvidosa que chegaram há alguns anos, quase toda escola ruim tinha seu grupo de garotos intoxicados, imitando as gangues do cinema. Havia sempre uns “Hao Nan” e uns “Frango-Montanha” em cada colégio.

Outros personagens, como o “Grande Céu Dois” e o “Casca-de-Banana”, ninguém queria interpretar.

No terceiro ano, Zhang Linsheng se via como o “Hao Nan” da escola. Conseguia reunir alguns companheiros, extorquindo dinheiro dos alunos mais novos — claro, segundo ele, isso não era extorsão!

Era “cobrar proteção”, como todo jovem mafioso de respeito!

Além disso, ajudava os amigos nas brigas, ou tomava à força alguma quadra de basquete.

Zhang Linsheng se sentia importante.

Mas, naquela manhã, todo o seu orgulho estava por um fio!

Percebia os colegas sussurrando e apontando para si o tempo todo.

Até o segundo na hierarquia do grupo, o “Frango-Montanha”, não demonstrava mais o mesmo respeito.

Seu prestígio estava em queda livre!

E com razão.

Na véspera, saiu com os amigos para se exibir, disposto a reafirmar sua autoridade.

No entanto... foi carregado nos braços por outro rapaz?

Carregado... nos... braços...

Consegue imaginar?

No cinema, o “Hao Nan” enfrenta o chefão “Corvo”. Mas, antes da luta, “Corvo” o pega no colo e sai correndo...

Como “Hao Nan” poderia manter sua reputação?

Como poderia continuar vivendo?!

De manhã, por um motivo banal, ainda discutiu com o “Frango-Montanha”.

O sujeito, desbocado, apontou para Zhang Linsheng e soltou: — Quem será que, ontem, foi pra briga e acabou carregado nos braços por outro homem...

O sangue de Zhang Linsheng ferveu!

Se não fossem os amigos segurando, teria estourado uma guerra civil no Oitavo Colégio.

Não podia continuar assim! De jeito nenhum!

Passou toda a manhã pensando numa solução: a única saída era procurar aquele tal de Chen Nuo!

Precisava dar-lhe uma surra exemplar! E, principalmente, diante de todos, fazê-lo implorar de joelhos!

Só assim recuperaria o respeito perdido!

·

Chen Nuo também estava de cabeça quente.

A aparição da garota das pernas longas foi totalmente inesperada.

Nunca imaginou que ela, tão determinada, usando apenas a memória, desenharia os caracteres do nome da escola no uniforme dele, rastreando-o até ali.

E ainda por cima, se transferiu!

Se fosse qualquer outra pessoa lhe causando tanto problema... O Senhor do Submundo saberia lidar.

Mas... aquela garota era diferente!

Na vida passada, ela lhe confiou a própria vida, dançando com ele na lâmina da faca, juntos no fio da morte.

Foi a própria Li Yingwan, a quem ele salvara do pesadelo nesta vida.

O que fazer? Não podia simplesmente sumir com ela!

Na noite anterior, no hotel, teve uma conversa rápida com a garota, estabelecendo algumas regras.

Primeiro: era terminantemente proibido contar a história de como ele salvou sua família em Seul — Li Yingwan entendeu perfeitamente. Vê Chen Nuo como um super-herói.

Depois, mergulhou no papel de “única companheira que conhece a identidade secreta do herói”, emocionada e animada.

Em seguida, combinaram uma história para explicar como se conheceram.

E só. A garota não arredava pé, por nada!

Não dava para sumir com ela!!

Que dor de cabeça!

Além disso, Chen Nuo conhecia bem a personalidade de Li Yingwan.

Ela era extremamente obstinada, quase obsessiva!

Os traumas da vida passada só ampliaram esse traço.

No fundo, sempre fora assim: uma personalidade radical.

Quando decide algo, é difícil fazê-la desistir.

E, mais uma vez...

Não podia simplesmente sumir com ela!!

`

A manhã inteira, Chen Nuo passou a evitá-la.

Durante as aulas, tudo corria bem. No intervalo, Li Yingwan era como uma andorinha, tagarelando em mandarim com sua voz um tanto atrapalhada — Chen Nuo já avisara: nada de revelar que falava coreano, nem conversar nesse idioma na presença de outros.

Ela gravou a regra e se esforçava para falar em mandarim — quando, no aperto, escapava alguma palavra em coreano, Chen Nuo fingia não entender.

Aguentou duas aulas. Na hora do almoço, fugiu direto para o refeitório.

Pegou uma sopa de carne com conserva sem carne, um arroz frito com linguiça e ovo sem linguiça — na verdade, havia pouquíssimo ovo.

Deu a primeira garfada e logo avistou Sun, a musa da escola, sentando-se furiosa à sua frente.

“...”

Ah, essa também não podia sumir.

Chen, o Senhor do Submundo, olhou melancólico para o céu pela janela.

Afinal, na noite anterior, ela o abraçara, cheia de mágoa e delicadeza, aquela ternura e ressentimento típicas de uma moça...

Sun, embora de cara fechada, não estava realmente zangada. Passara a manhã observando Chen Nuo e a “garotinha gafanhoto” coreana.

Sim, um gafanhoto!

Ora, pernas compridas daquele jeito, só podia ser um gafanhoto!

Ela percebeu: embora Li Yingwan falasse sempre com Chen Nuo, ele parecia evasivo, até mesmo desconfortável.

Por isso, estava com raiva — mas, principalmente, de Li Yingwan.

Plof!

Um pacote de papel pousou sobre a mesa. Lá dentro, dois pãezinhos recheados, brancos e redondos.

— Toma, são de três delícias com bambu — murmurou Sun. — Evite a comida do refeitório. Ouvi meu pai dizer que nem lavam o arroz.

Chen Nuo sorriu, mordeu um dos pães.

Sun, com um sorriso disfarçado nos olhos, logo foi chamada pelas amigas para a mesa ao lado. Afinal, naquele tempo, as garotas ainda eram tímidas e evitavam almoçar com rapazes em público.

Mas... Li Yingwan não tinha esses pudores!

Chen Nuo mal terminara o primeiro pão, quando Li Yingwan, exalando um perfume leve, correu até ele e sentou-se ao seu lado.

— Oppa, o que está comendo de bom? — perguntou ela, naquele tom típico de surpresa das garotas coreanas.

— ...Pão recheado.

— Oppa, quero provar também!

Aproximou o rosto, os olhos de amêndoa virando dois crescentes, a boquinha aberta: — Aaah...

Vapt!

Chen, o Senhor do Submundo, sentiu um olhar gélido atravessá-lo — Sun, sentada à mesa ao lado, apertava os hashis com força!

·

Diante da garota de boca aberta, sentindo o olhar de Sun que quase perfurava, Chen, o Senhor do Submundo, começou a suar frio.

De verdade: nem no passado, duelando com o outro grande chefe do submundo, o “Feiticeiro”, sentiu o suor gelado correr assim!

Lançou um olhar complicado para as duas garotas.

Mais uma vez... não podia sumir com elas!

— Oppa, só um pedacinho, não seja tão sovina — disse Li Yingwan, manhosa, esfregando as mãos. — Por favor!

Ela insistiu, aproximando ainda mais o rosto: — Aaah...

Paf! O hashi descartável de Sun, ao lado, quebrou-se.

Por dentro, Chen, o Senhor do Submundo, pensava: e agora?

— Chen!!! Nuo!!!

Uma voz cortante ecoou na entrada do refeitório!!

Num instante, metade dos presentes voltou-se para a porta!

Zhang Linsheng cruzou o salão, peito estufado, passos firmes, sob todos os olhares!

Chen, o Senhor do Submundo, soltou o ar dos pulmões.

— Chen Nuo! Hoje você não escapa, eu...

Zhang Linsheng fazia questão de falar alto, atraindo cada vez mais atenção. Seu coração acelerava — o momento da virada era agora!

Ninguém notou os hashis trêmulos nas mãos de Chen Nuo, nem um pedaço de ovo frito escorregando silenciosamente ao chão.

Zhang Linsheng apressou o passo: — ...Não vou te deixar impune... Ai, caramba!

O pé escorregou! O corpo perdeu o equilíbrio!

Como vinha rápido, deu um passo largo demais e...

Todos ouviram o “zizla”!

A calça rasgou!

Num perfeito espacate, o “Hao Nan” despencou no chão escorregadio do refeitório!

Ao redor: um longo “Ooooh...”

Zhang Linsheng gemeu: — Ai, meu...!

A última palavra já saiu trêmula.

Estatelado, sentiu uma dor lancinante entre as pernas, o corpo inteiro fraquejou.

Chen Nuo já estava de pé!

Zhang Linsheng, caído, olhou para cima.

Num instante, trocaram um olhar cúmplice.

Zhang Linsheng: ...Por favor, não...

Chen Nuo: Não, você vai sim!

— Zhang, o que houve? Como caiu desse jeito? Não se preocupe, vou te levar à enfermaria! — disse Chen Nuo, inclinando-se e, ignorando as tentativas fracas de resistência, segurou-o pelo pescoço e pelos joelhos.

Vamos lá!

Um novo “Ooooh...” percorreu os colegas ao redor.

Se ontem, no campo, a cena de carregar o rapaz nos ombros já foi chocante — afinal, foi como carregar um saco de arroz...

Agora, aquele típico “carregar nos braços”... Sim...

Chen Nuo, com porte ereto, segurando Zhang Linsheng num autêntico “carregar de princesa”, atravessou o refeitório, cruzou o pátio...

Passou pelo prédio da escola...

E por outro...

Por onde passava, olhares e cochichos se multiplicavam...

Zhang Linsheng desistiu de lutar.

Deitado nos braços de Chen Nuo, só um pensamento lhe restava:

Sua carreira gloriosa de rei das ruas terminara ali...

No Oitavo Colégio... não havia mais “Hao Nan”!

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Eu, Campo de Batalha Amorosa 2.0, aceito doações!

À noite tem mais...

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