Capítulo Vinte e Nove — Construção de Equipe

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 4725 palavras 2026-01-30 14:13:56

Capítulo Vinte e Nove – Construção de Equipe

Parte Contratante: Empresa de Consultoria Financeira XX

Parte Contratada: Sun Shengli (número de identidade: XXXXXXXXXXXXXXXXXX)

“Aqui, o tomador Sun Shengli (Parte Contratada) solicita à Parte Contratante um empréstimo no valor de 150.000,00 yuans (cento e cinquenta mil yuans)…”
“Juros do empréstimo…”
“Prazo do empréstimo…”

Chen Nuo estacionou a moto diante de um supermercado a algumas ruas de distância e tirou rapidamente do bolso o contrato, lançando-lhe um olhar veloz.

Hum, a data do empréstimo era o segundo dia após o início das aulas. Não era de se estranhar: desde o começo do semestre, Sun parecia estranho, ansioso e abatido. Inicialmente, Chen Nuo pensara que Sun estava de mau humor por brigas domésticas. Agora percebia que, na verdade, era por causa de agiotas.

Chen Nuo suspirou.

O problema de Sun não era simples. Parecia só um drama familiar, mas agora havia agiotagem envolvida. O incidente daquela manhã na escola... Os adversários estavam levando Sun ao limite, era cruel demais. Uma morte social. Que ódio era esse? Por quê?

Passava das nove da noite quando Xiao Guohua saiu de um karaokê chamado Sapo Azul. Perdido em pensamentos, quase tropeçou nos degraus da entrada. Por sorte, um gerente ao seu lado foi rápido e o segurou.

“Sr. Xiao, cuidado.”

Xiao Guohua ergueu as pálpebras, olhou para o gerente e acenou com a cabeça.

Naquele instante, a mente de Xiao Guohua era um caos. Sua empresa de finanças havia sido atacada naquele dia. Oito ou nove homens, entre eles alguns que estavam com ele há anos, sujeitos duros, acostumados à violência e à prisão. Ainda assim, alguém entrou sozinho e derrubou todos. Perder algumas dezenas de milhares em dinheiro vivo não era o pior; o problema era que até Cui Dapeng e outros estavam hospitalizados. E, pior, os arquivos dos clientes da empresa foram queimados na hora.

Isso era um problema sério.

A empresa era fachada para agiotagem. Os contratos não importavam muito; nesse ramo, contratos não têm valor, não são amparados pela lei. Com a má reputação de Xiao Guohua, ninguém ousava dar o calote. Mas agora, sua empresa fora desmantelada e os contratos queimados diante de todos. Era um golpe direto no orgulho de Xiao Guohua!

Quem teria tamanha ousadia?

Neste território, ele não tinha inimizades recentes. Isso era uma ofensa mortal.

Seria Luo Pá? Impossível, ele estava ocupado com terraplanagem e não se metia nesse ramo. Pequeno Algodão? Também não, mexia com drogas. Fu Daqing? Improvável, saiu da prisão há um ano e estava ocupado disputando território em novos mercados comerciais.

O pior: quem era o tal sujeito?

Sozinho, derrubou todos os homens de Xiao Guohua e saiu ileso.

De onde surgira esse demônio?

Era perigoso demais.

Quando recebeu a notícia, Xiao Guohua estava almoçando na casa da amante, que lhe dera um filho no ano anterior e estava em alta. Ela lhe pedia um carro, mas, ao receber a ligação, Xiao Guohua saiu às pressas.

Passou a tarde toda enviando seus homens para investigar quem era o autor do ataque.

Aos quarenta anos, Xiao Guohua era um dos chefes locais. No ramo de agiotagem, era referência. Para chegar onde estava, cultivou capangas ferozes. Nos últimos anos, expandiu os negócios: além da agiotagem, abriu uma casa de chá e uma concessionária.

Segundo a trajetória que Chen Nuo conhecia de sua vida anterior, se nada mudasse, Xiao Guohua logo entraria de vez no ramo de vendas de carros, e em alguns anos teria duas lojas 4S, enriquecendo ainda mais com peças automotivas. Mas seu fim também não seria bom: vindo do submundo, acabou embarcando na onda das financeiras P2P, criou uma empresa do tipo junto a outros, mas caiu quando o setor colapsou, tentou fugir com o dinheiro, mas foi preso.

No momento, Xiao Guohua ainda não era tão ilustre quanto seria futuramente, mas já era milionário.

Nessa noite, reuniu seus homens no karaokê para discutir, mas não chegaram a nenhuma conclusão. Restou-lhes supor que seria obra de um criminoso de fora, alguém em viagem que precisava de dinheiro e mirou sua empresa.

Sem respostas, conformaram-se com essa teoria.

Segundo Cui Dapeng, o sujeito falava um mandarim padrão, sem sotaque local. Mais um indício de que seria um criminoso forasteiro.

Por que justo ele teve esse azar?

Por que não roubaram Luo Pá?

Irritado, Xiao Guohua bebeu além da conta naquela noite.

Ao sair do karaokê, seus homens já haviam se dispersado para continuar investigando.

Na rua, um Audi preto aproximou-se devagar e parou. Xiao Guohua entrou no banco de trás, já um pouco embriagado, relaxou e fechou os olhos, ordenando: “Lao Wei, para casa.”

O Audi seguiu.

Após uns quinze minutos, Xiao Guohua abriu os olhos e viu, pela janela, ruas estranhas. Franziu o cenho e, subitamente, ficou sóbrio.

Tateou discretamente o banco de trás e pegou seu cigarro, acendendo um. Baixou o vidro para dissipar a fumaça.

“Irmão, quer um cigarro?” – ele ofereceu ao motorista.

“Estou dirigindo, depois eu aceito.” O motorista, Chen Nuo, recusou com um aceno.

Xiao Guohua permaneceu calmo, mas notou que o carro já saía da cidade.

“Irmão, você é de onde?” O tom de Xiao Guohua era sereno: “Está precisando de dinheiro ou passando por algum aperto?”

Enquanto falava, tirou um envelope de papel pardo com dinheiro e o jogou no banco ao lado.

“Não é muito, mas é o que tenho. Considere como um favor entre colegas. Se estiver com problemas, fale comigo, talvez eu possa ajudar. Não vale a pena se meter em besteira, concorda?”

Chen Nuo sorriu: “O senhor Xiao é mesmo experiente.”

Ao ouvir isso, Xiao Guohua sentiu um frio na espinha. Havia uma esperança de que fosse apenas um roubo por dinheiro, mas o “senhor Xiao” denunciava que era pessoal.

“Irmão, não precisa disso.” Ele manteve a calma, tentando negociar: “Se for pouco, diga quanto precisa. Tudo se resolve, não é?”

“Tem ares de chefe do submundo mesmo.” Chen Nuo assentiu. “Não é à toa que chegou onde está.”

O carro desacelerou e entrou numa estrada de terra acidentada.

Xiao Guohua percebeu que se aproximavam de Fangshan – que, em 2001, ainda era zona rural.

Engoliu em seco, tocou discretamente o bolso, onde estava seu celular.

“Se eu fosse você, não tentava ligar para ninguém.” Chen Nuo conduzia com firmeza, sem olhar para trás. “Esse lugar é isolado. Seus homens levariam, no mínimo, uma hora para chegar aqui. E, nesse tempo, dá pra cavar um buraco e enterrá-lo.”

“Não precisa disso, irmão, não há motivo para tanto.” Xiao Guohua tentou sorrir, mas recolheu a mão.

“Então, posso ousar contar ao senhor Xiao?” Chen Nuo puxou o freio de mão, virou-se e pediu: “Me passa um cigarro.”

Xiao Guohua apressou-se em entregar.

Chen Nuo virou o retrovisor, impedindo Xiao Guohua de ver-lhe o rosto.

Este, por sua vez, era esperto o bastante para saber que não deveria olhar – olhar poderia ser sentença de morte. Sentou-se direito, sem ousar espiar.

Chen Nuo baixou a máscara, acendeu o cigarro e abriu um pouco a janela. Fumaram em silêncio.

Quando terminou, Chen Nuo atirou a bituca pela fresta.

“Irmão, pensou bem? Diga o que quer, e eu vejo se posso atender.”

Xiao Guohua sentiu-se um pouco mais tranquilo. Se o outro fumava em paz, não pretendia matá-lo.

“Sr. Xiao, tem tido dias ocupados.” Chen Nuo sorriu. “Ouvi dizer que mantém uma amante em Yinxing que, ano passado, lhe deu um filho.”

O coração de Xiao Guohua gelou, mas manteve-se calmo:

“Coisas da vida.”

“Se está cansado, tire férias. Esqueça esses negócios por uns dias. Aproveite a família, brinque com o filho. Vai lhe fazer bem.”

“…”

Xiao Guohua entendeu o recado e não hesitou:

“Está certo. Nem no Ano Novo descansei, estou exausto. Vou tirar uns dias de folga, largar as confusões e ficar em casa com meu filho… Você acha que um mês está bom?”

“Sr. Xiao, você ganha muito por dia, um mês é demais.” Chen Nuo ponderou: “Duas semanas. Ouvi dizer que o sudeste asiático está agradável agora.”

“Fechado!” Xiao Guohua concordou. “Amanhã mando comprar as passagens e levo todos para a Tailândia.”

“Então ficamos assim.” Chen Nuo sorriu, apertou um botão e as portas destravaram.

“Não o levarei de volta. Chame alguém para buscá-lo.”

Xiao Guohua riu: “Não precisa se incomodar! Fique com o carro.”

Desceu do carro, sentiu as pernas tremendo, mas, acostumado à vida dura, beliscou a coxa até sentir dor e firmar-se.

O carro partiu.

Só então, vendo o carro sumir, Xiao Guohua respirou aliviado. Uma sensação de ter escapado da morte tomou conta de todo o seu corpo.

Tateou por cigarros e lembrou-se que os deixou no carro.

Enquanto recuperava o fôlego, olhou para o lado e avistou, a uns dez passos de distância, ao pé da encosta… um buraco! Claramente recém-cavado, do tamanho exato para enterrar alguém! Ao lado, uma pá fincada!

Um frio percorreu-lhe o corpo e ele desabou no chão, suando em bicas!

Se tivesse dito uma palavra errada, aquele buraco teria sido seu destino!

Tremendo, tirou o celular e discou um número.

“Alô, Lao Si? Sou eu! Chame de volta todos que foram investigar. Não procurem mais saber do que aconteceu hoje! Eu disse para chamar de volta, só faça isso! Não quero discussões! É isso! Para de reclamar! Eu admito! Não vamos atrás de mais nada! Engulo essa! E mais, reserve passagens para a Tailândia! Dez dias de turismo pela Ásia! Todos vão, ninguém fica! Negócios? Paramos uns dias, não vai matar ninguém! Tudo parado! Vamos viajar, ouviram? Como é que chama isso mesmo? Ah, isso! Construção de equipe! Não entendeu? Construção de equipe!!”

Desligou e ficou sentado à beira da estrada, lançando outro olhar ao buraco.

Só então sentiu sua alma voltar ao corpo.

Maldição… que tipo de demônio era aquele sujeito?

Toc, toc, toc…