Capítulo Sessenta e Sete – Quem És Tu
— Sim, depois da reunião à tarde, só cheguei em casa à noite.
Capítulo 67 — Quem é Você
No chuveiro, após desmontar o espalhador, Chen Nuo raspou com um cotonete uma substância oleosa residual.
— Isso é solúvel em água. Alguém aplicou discretamente no bico do chuveiro e, ao tomar banho com água quente, o calor dissolve gradualmente o óleo, que escorre junto com a água sobre o corpo durante o banho — explicou ele.
— E o que tem dentro? — perguntou Li Yingwan.
— Um tipo de toxina, em quantidade mínima — Chen Nuo pensou antes de responder. — Por ser em dose baixa, não causa morte imediata.
— Mas mesmo assim, não é perigoso? Não precisa ingerir, só de tocar a pele já é suficiente para envenenar, certo?
— Sempre há pequenas lesões imperceptíveis na superfície da pele: arranhões, foliculites, espinhas, ou até um pouco de água entrando sem querer nas narinas, onde a mucosa nasal absorve... Muitos fatores, realmente.
Li Yingwan estava visivelmente nervosa e, mais ainda, assustada:
— Então, minha mãe corre perigo? Oppa, você tem um jeito de salvá-la, não tem?
Chen Nuo refletiu:
— Por enquanto, não é letal. Essa toxina provoca sintomas semelhantes a uma forte gripe, deixando a pessoa tonta. Um banho não é suficiente para matar, mas repetidas exposições... você entende.
Li Yingwan começou a chorar:
— E o que fazemos agora, oppa?
Com serenidade, Chen Nuo orientou:
— Por ora, mantenha segredo. Não confie nem na secretária da sua mãe, pois não sabemos suas intenções. Sua mãe ainda não está gravemente afetada. Em condições normais, ela ficará sonolenta por algum tempo e, se não houver nova exposição à toxina, irá se recuperar gradualmente.
Vendo a angústia da jovem, Chen Nuo sugeriu uma solução:
— Pegue um balde de água quente, misture com um pouco de sabão — de preferência alcalino — e lave sua mãe, removendo possíveis resíduos da toxina na superfície da pele. Durante o banho, tome cuidado para não encostar nela.
Falando baixo, Chen Nuo continuou:
— Depois, consiga clorofila ou qualquer composto natural que ajude a eliminar toxinas — pode comprar numa farmácia e dar a ela por alguns dias, quando acordar. Isso vai ajudar. O corpo humano tem certa capacidade de desintoxicação; desde que não haja nova exposição, será apenas um episódio de doença, e ela se recuperará sozinha.
Na verdade, a tal clorofila oral não faz grande diferença. Chen Nuo sugeriu apenas para acalmar a moça; ao dar-lhe algo para fazer, ela ficaria menos ansiosa.
— Não se preocupe — disse ele, pousando a mão no ombro de Li Yingwan, com firmeza —, enquanto eu estiver aqui, sua mãe não correrá perigo.
Depois de tranquilizar a jovem, Chen Nuo fechou as cortinas e advertiu:
— Lembre-se, ninguém pode saber que você está lavando sua mãe — especialmente a secretária. Mantenha-se alerta.
— Mas... quem fez isso com minha mãe? — O medo dominava o rosto de Li Yingwan, que de repente lembrou do caso Nangao Li.
Chen Nuo sorriu de leve:
— Isso... deixa comigo.
— E como vamos enganar a secretária?
— Simples.
Chen Nuo pediu que Li Yingwan ligasse para a secretária, instruindo-a a sair para comprar algo.
O pedido era específico: asas de frango assadas de um restaurante na Rua Yunnan, em Nanjing.
— Só para comprar asas de frango, ela vai demorar tanto? É longe assim? — perguntou Li Yingwan, sem entender.
Na verdade, não era tão longe, ficava a uns dez quilômetros. Mas aquele restaurante, recém-inaugurado, era famoso pelo tempero especial de suas asas, assadas com um molho secreto, o que o tornava um sucesso absoluto na cidade. À noite, as filas eram intermináveis.
A pequena loja ficava numa rua comum e, depois que ganhou fama, à noite a fila chegava a cem metros; até táxis esperavam na porta por pedidos.
Segundo o curso natural das coisas, o dono desse restaurante ficou rico, expandiu o negócio, comprou casa e carro em um ano. Mas, após enriquecer, deixou de pôr a mão na massa e contratou funcionários; o sabor caiu, a reputação desmoronou, e em poucos anos virou só mais uma lenda esquecida da culinária local.
Muitos restaurantes de rua começam assim: surgem modestamente, crescem, perdem a essência e acabam superados.
Enfim, naquela época, o restaurante estava no auge. À noite, se a secretária fosse lá, entre a ida e a volta, seria um milagre voltar em menos de três ou quatro horas. Chen Nuo apostava nisso.
Depois, ele orientou Li Yingwan a cuidar de Jiang Yingzi no quarto, enquanto ele próprio saía.
— Oppa... para onde você vai? — perguntou a jovem, assustada.
— Dar uma volta — respondeu, sorrindo.
Em pensamento, completou: E aproveitar para enterrar alguém.
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Chen Nuo saiu do hotel andando, sem usar a moto. Seu destino era claro: uma caminhada em direção oeste, até um prédio comercial próximo ao hotel, o mais alto da vizinhança.
Pela localização, distância e ângulo de observação, aquele edifício estava perfeitamente alinhado com o quarto de Li Yingwan no hotel.
Se alguém planejou um envenenamento lento, aplicando pequenas doses de toxina, Chen Nuo podia deduzir algumas coisas.
Primeiro, o agressor não queria matar diretamente, talvez por receio, ou por arrogância, preferindo métodos sofisticados para mostrar sua habilidade.
Segundo, ao escolher um método sorrateiro, certamente estaria monitorando a vítima de perto — afinal, com doses mínimas, qualquer imprevisto poderia frustrar o plano: se Jiang Yingzi parasse de tomar banho, trocasse de quarto ou algo saísse do controle, o ataque seria inútil. Portanto, a vigilância era essencial, para reagir a qualquer contratempo, talvez até agir novamente.
·
De mãos nos bolsos, Chen Nuo caminhou sem pressa. Parou num mercado, comprou uma lata de refrigerante e a tomou enquanto andava. Quando chegou ao prédio, terminou a bebida e jogou a lata fora, olhando para cima.
Considerando a altura, os andares ideais para vigiar o quarto de Li Yingwan seriam entre o oitavo e o décimo. Nem mais alto, nem mais baixo.
Antes de entrar, deu uma volta ao redor do prédio. Não havia câmeras de segurança — afinal, era 2001, ainda não havia tantos equipamentos desse tipo por toda parte.
Poucos minutos depois, voltou à entrada do prédio, agora vestindo um casaco que arranjara sabe-se lá onde. Era o uniforme vermelho de uma empresa de entregas, que pegou em uma agência ali perto. Com o boné de beisebol na cabeça, entrou no edifício com naturalidade.
Subiu pelas escadas de emergência, sem usar o elevador, indo direto ao oitavo andar.
Ali, percebeu que o andar inteiro estava em obras, cheio de materiais de construção e operários colando rodapés, mesmo já sendo mais de oito da noite.
Viu os trabalhadores carregando tijolos e pensou: Força, guerreiros do batente!
Virou e saiu. O oitavo andar estava descartado — com tanta gente circulando, impossível montar um posto de vigilância ali.
No nono, também não servia: estava dividido entre três empresas, todas funcionando, luzes acesas e funcionários fazendo hora extra.
Com um suspiro de solidariedade aos trabalhadores noturnos, Chen Nuo seguiu para o décimo andar.
Ali, o ambiente era mais complexo: o andar estava dividido em diversas salas. Algumas portas tinham placas iluminadas, outras estavam às escuras.
Chen Nuo avançou pelo corredor, parando diante da primeira porta. Havia placa de empresa e, pela janela, via-se funcionários trabalhando.
— Força, guerreiros do batente — pensou, desejando sorte, e seguiu adiante.
A segunda porta, o mesmo: mais gente trabalhando.
A terceira, vazia e sem porta, apenas um espaço cru. Com o movimento diurno no andar, um cômodo desse, sem porta, era impróprio para vigilância: qualquer um que passasse no corredor enxergaria facilmente lá dentro.
Inadequado.
Parado diante da quarta porta, Chen Nuo sorriu. Estava fechada, sem luz, e um papel dizia: “Aluga-se! Telefone: XXXXXXXX”. Pelo posicionamento, aquele cômodo tinha vista direta para o hotel ao longe.
O lugar perfeito.
Chen Nuo respirou fundo, olhou pelo corredor para se certificar de que estava sozinho, e então pegou a maçaneta.
A porta estava trancada, mas com um giro suave, ouviu-se o clique do cilindro. A fechadura se abriu!
Ao empurrar a porta e entrar, Chen Nuo viu claramente, à luz tênue, que havia um telescópio montado junto à janela.
Deu alguns passos para dentro. Porém, de repente, sentiu um alerta e fez um movimento tático para trás.
Zás!
Um brilho cortante passou rente ao seu nariz — a lâmina reluzente refletiu nos seus olhos. O agressor, oculto nas sombras, atacou com velocidade. Após errar o primeiro golpe, Chen Nuo desviou para a esquerda e evitou uma segunda estocada na cintura. Ao mesmo tempo, ergueu o braço esquerdo, aparando um chute do inimigo, que foi repelido à distância.
Em menos de cinco segundos, trocaram três golpes. O atacante, vendo-se frustrado, tentou correr para a porta, mas Chen Nuo foi mais rápido, agarrou sua manga e o arremessou de volta ao chão. O homem rolou até a janela e se levantou rapidamente.
À luz que entrava pela janela, Chen Nuo viu seu adversário: um homem de aparência comum, idade indefinida, vestindo jaqueta cinza — alguém que passaria despercebido na rua.
O homem o encarava, furioso. Olhou para a própria mão: um corte profundo sangrava, manchando a manga de vermelho.
Sorrindo, Chen Nuo mostrou sua mão: entre os dedos, segurava o anel de uma lata, fino e afiado, ainda borrifado de sangue.
O homem rangeu os dentes:
— Quem é você?
Chen Nuo ficou surpreso.
Ora! Ele falava em coreano — com um leve sotaque da região de Silla, ou seja, do sul.
Ao não obter resposta, o homem repetiu:
— Quem diabos é você?
Pensando um instante, Chen Nuo respondeu, sério:
— Kang Ho Dong!
O adversário pareceu confuso, depois praguejou:
— Maldito!
Chen Nuo assentiu:
— Descanse em paz.
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Primeiro capítulo entregue.
Em breve, mais um.
Peço seu voto de recomendação!
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