Capítulo Setenta e Dois – Está tão difícil assim?

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 5274 palavras 2026-01-30 14:20:55

Capítulo Setenta e Dois – Está tão difícil assim?

No reservado, uma tela enorme exibia um videoclipe musical.

“Encontre alguém amado, profundamente amado, alguém querido, para dizer adeus à vida de solteiro...”

Cui Dapeng, com o microfone erguido, gritava a plenos pulmões. Quando terminou de cantar, homens e mulheres no reservado aplaudiram com entusiasmo.

Embalado pelo álcool, Cui Dapeng jogou o microfone de lado, pegou uma garrafa de cerveja sobre a mesa e a esvaziou de um só gole.

— Dapeng, você aguenta beber mesmo! — gritou um dos acompanhantes.

Cui Dapeng arregalou os olhos:

— E vocês aí, parados pra quê? Bebam! Cada um com uma garrafa, bebam tudo!

Os rapazes riram alto e pegaram suas garrafas.

— As meninas também! Todo mundo bebe! — Cui Dapeng olhou para as moças sentadas, assistindo, e se irritou.

As garotas, relutantes, pegaram suas garrafas de cerveja.

Na verdade, as meninas que trabalham nesse tipo de ambiente não gostam de beber cerveja. Cerveja é barata, não incentiva o consumo. Além disso, dá sensação de estufamento. Elas preferem que os clientes peçam bebidas importadas.

Qu Xiaoling, sentada no meio, acompanhou o grupo, pegou uma garrafa e, com esforço, bebeu metade. Não conseguiu beber mais.

Acompanhando Cui Dapeng naquela noite, ela já havia sido obrigada a beber bastante, e já tinha vomitado duas vezes no banheiro.

Aquele era o tipo de cliente que Qu Xiaoling mais detestava: lascivo e, principalmente, adorava forçar as moças a beber.

E ainda era pão-duro.

— Beba! Tá criando peixe, é? — Cui Dapeng viu que Qu Xiaoling não havia terminado a cerveja e encarou-a.

Qu Xiaoling sorriu, aproximou-se dele, fingiu um ar de charme:

— Irmão, não consigo beber mais...

— Não vai me dar moral?! — Cui Dapeng, já muito bêbado, não se importou em ser delicado; empurrou-a e tirou a carteira, jogando cem reais na mesa.

— Beba! Cem reais por garrafa! Tá bom?

Qu Xiaoling olhou para o dinheiro, depois para a garrafa, respirou fundo, pegou o dinheiro e, em seguida, agarrou a garrafa e bebeu de uma vez...

·

Zhang Linsheng, vestindo a jaqueta de couro deixada por Chen Nuo, estava no saguão do KTV, diante da parede de vidro, admirando-se, sentindo-se satisfeito.

Pensava que, ao encontrar Qu Xiaoling, ela certamente ficaria impressionada com seu visual.

Chen Nuo tinha o corpo parecido com o dele, então a jaqueta servia bem.

Pegou o capacete, ensaiou alguns poses.

Nesse momento, viu uma porta de reservado se abrir no corredor; alguém saiu cambaleando, correndo apressado rumo ao banheiro no fim do corredor.

Em 2002, os KTVs ainda eram antigos, raramente tinham banheiros privativos nos reservados. Só depois de alguns anos, com a modernização do setor, surgiram os reservados com banheiro — chamados de “salas d’água” no Sul.

·

Qu Xiaoling correu até o banheiro e vomitou violentamente no vaso sanitário.

Depois de vomitar, saiu cambaleando, apenas para encontrar Cui Dapeng e outros do reservado vindo atrás dela.

A camisa e as calças de Cui Dapeng estavam molhadas.

Ao ver Qu Xiaoling sair, ele a agarrou, furioso:

— Droga, você vomitou em mim! Como vai ficar isso? Comprei essa roupa hoje!

Qu Xiaoling, com o cérebro lento pelo álcool, mal conseguia ficar de pé. Uma colega tentou intervir, com voz suave:

— Irmão, não fique bravo. Ela bebeu demais hoje, não foi por querer. Vamos voltar pro reservado, eu bebo com você, ok?

— Todo mundo volta! Pro reservado!

Cui Dapeng arrastou Qu Xiaoling de volta, seguido por todos.

No reservado, ele jogou a moça no sofá, pegou várias garrafas de cerveja, abriu dez delas e as colocou sobre a mesa.

— Minha roupa custa mil reais! Cem reais por garrafa, beba todas! Se beber as dez, te deixo em paz!

Na verdade, ele estava exagerando; toda sua roupa não custava nem metade disso.

Qu Xiaoling realmente não conseguia beber mais. As colegas ainda tentavam intervir, mas Cui Dapeng encarou:

— Quem falar vai beber por ela!

Silêncio total.

Qu Xiaoling implorou:

— Irmão, me solta... Não fiz de propósito, não consigo beber mais...

Nesse momento, a porta se abriu e entrou uma mulher com aspecto de gerente. Ao ver Cui Dapeng, ela tentou amenizar:

— Dapeng, quem te deixou chateado? Venha, beba comigo. Dá uma chance, vai.

Cui Dapeng coçou a cabeça:

— Você me dá moral, mas quem me dá moral?

Qu Xiaoling, debruçada na mesa, respirou fundo e murmurou:

— Dapeng, não fiz de propósito... Desculpa, desculpa...

Cui Dapeng, talvez por ter bebido demais, estava cada vez mais agressivo.

— Quanto vale o seu “desculpa”? Hoje ninguém vai me tirar do sério!

A gerente ficou desconfortável:

— Dapeng, aqui é o estabelecimento do senhor Luo. Não é adequado causar tumulto assim.

Cui Dapeng riu:

— O senhor Luo é importante! Mas eu trabalho pro senhor Xiao! Vai me assustar com o senhor Luo? Eu já vi ele! Anteontem meu chefe Xiao Guohua bebeu com ele, eu estava lá, mesma mesa!

Continuou se gabando:

— Mesmo o senhor Luo, quando eu brindei, ele bebeu! Vai me assustar com ele?!

Sentou-se no sofá, abriu o colarinho, riu:

— Vamos! Vejam quem conseguem trazer! Só se me fizerem ajoelhar e chamar de “pai”!

Nesse instante, Qu Xiaoling saltou do chão!

Ela devia estar ganhando fôlego, e, aproveitando que Cui Dapeng estava distraído, correu até a porta, abriu-a e fugiu!

— ... — Cui Dapeng ficou um segundo pasmo, pulou do sofá:

— Droga! Quer fugir?!

·

Zhang Linsheng continuava ensaiando poses diante do espelho. Colocou o capacete, virou-se, imitando o som de uma moto, fantasiando ser Andy Lau...

Nesse momento, ouviu passos apressados de salto alto atrás dele.

Ao se virar, viu Qu Xiaoling correndo em direção à saída.

Zhang Linsheng foi ao seu encontro:

— Xiaoling?

Qu Xiaoling se surpreendeu, mas reconheceu a voz:

— Zhang Linsheng?

— Sou eu. — Ele ia tirar o capacete, mas antes disso, ela se jogou em seu peito.

— O que houve? — Zhang Linsheng franziu a testa, abraçando-a.

— Estão me fazendo mal! — Qu Xiaoling, meio chorosa, pediu:

— Vamos embora.

Zhang Linsheng percebeu que ela estava pesada, claramente bêbada, tentou ajudá-la.

Nesse momento.

— Fugindo?! Vai fugir pra onde?!

Cui Dapeng já vinha atrás, caminhando rápido, ameaçando:

— Quer fugir?! Eu...

Nesse ponto, Cui Dapeng parou de falar abruptamente.

Parecia petrificado, olhando fixamente para a mulher no saguão...

Na verdade, para quem a abraçava!

Capacete preto! Jaqueta preta! Luvas pretas!

Droga!

Esse era o pesadelo de Cui Dapeng dos últimos meses!

Por várias vezes, ele acordara assustado com esse sonho: aquele sujeito invadindo sua empresa, sozinho, a mãos nuas, derrubando sete ou oito pessoas, incluindo ele mesmo.

Ainda dizia: “Quer mais emoção? Senão não tem graça.”

E, no final, pisava nele, quebrando seus dedos, um a um!

Depois desse episódio, seu chefe Xiao Guohua pensou em buscar vingança...

Mas, no dia seguinte, Xiao mudou completamente de atitude e fugiu de Jinling com todo mundo!

A empresa inteira foi levada para a Tailândia, passando uma semana na praia de Pattaya, bebendo água de coco.

Alguns subordinados perguntaram a Xiao se iriam buscar vingança...

Mas Xiao deu um tapa e ordenou: “Nunca mais mencionem esse assunto!”

Todos perceberam que Xiao estava com medo!

E agora, aquele mesmo sujeito estava diante de Cui Dapeng!

E, mais ainda...

Envolvia aquela mulher em seus braços!

Cui Dapeng caiu sentado no chão.

Não só ele!

Os três ou quatro que bebiam com Cui Dapeng tiveram a mesma reação!

Todos esses também estavam na empresa naquele dia fatídico!

Quando Cui Dapeng caiu, os outros, ao reconhecerem Zhang Linsheng, também caíram sentados!

Zhang Linsheng olhou para o homem no chão e perguntou a Qu Xiaoling:

— Foi ele que te fez mal?

Qu Xiaoling tremeu, puxando Zhang Linsheng:

— Vamos embora, rápido...

Zhang Linsheng sentiu um fogo subir no peito, soltou Qu Xiaoling e foi de passos largos até Cui Dapeng. No corredor, viu um carrinho com cerveja, pegou uma garrafa.

O jovem nem sabia o que queria fazer.

Mas seu pensamento era simples:

Ele gostava daquela mulher!

E ela foi maltratada!

Ao chegar diante de Cui Dapeng, este olhou para ele, pasmo.

— Você maltratou minha irmã Xiaoling? Quem é você?

Cui Dapeng, tremendo:

— Eu, eu, eu sou...

Zhang Linsheng, com o capacete, perguntou:

— Fale mais alto, não entendi.

Cui Dapeng estremeceu!

Quase esqueceu da fama daquele sujeito! Não gostava de gente falando baixo!

Se o volume não era suficiente, quebrava dedos na hora!

Cui Dapeng sentou-se direito e gritou:

— Cui Dapeng! Vinte e nove anos! Tenho antecedentes! Fiquei dois anos na prisão por agressão!

A voz ecoou pelo saguão.

Depois, Cui Dapeng baixou o tom, suplicando:

— Está alto o suficiente, irmão? Me perdoe dessa vez! Eu não sabia, não sabia que essa mulher era sua namorada...

Ao ver a garrafa de cerveja na mão de Zhang Linsheng...

Cui Dapeng, decidido, pegou-a, segurou firme e gritou:

— Irmão! Eu errei! Vamos resolver agora! Ouça o som!

Pá!

Era mesmo um sujeito duro; quebrou a garrafa na própria cabeça.

·

O vidro se espalhou pelo chão, sangue escorreu da cabeça de Cui Dapeng, que suplicou:

— Irmão, assim tá bom?

...

O irmão Haonan ficou pasmo.

O quê...?

O mundo do crime está assim agora? Cometeu um erro, já pede desculpa e se pune?

Eu deixei esse meio há poucos dias... Já ficou desse jeito?

Está tão difícil assim viver na rua?

Meio atordoado, Zhang Linsheng assentiu:

— Está bom.

Cui Dapeng, aliviado, levantou-se apressado, gritou baixinho:

— Vamos, vamos, todos vamos!

Saiu correndo, levando todos consigo.

A gerente e as moças que ficaram olharam para Zhang Linsheng, como se não acreditassem.

Qu Xiaoling, sentada no chão, olhava para aquele rapaz, com um brilho estranho nos olhos...

·

O chefe Xiao Guohua estava bebendo, diante dele apenas Li Qingshan.

Li Qingshan tinha o rosto pálido de doença.

Na mesa, iguarias de montanha e mar, só os dois sentados.

Li Qingshan, com um copo numa mão e um cigarro na outra, contava algo a Xiao Guohua...

— ...Naquele momento, pensei: esse sujeito é tão assustador, quando dei o tiro, estava morrendo de medo!

Já estava bebendo há mais de uma hora; Xiao Guohua estava completamente atônito!

Ficou impressionado!

Capacete preto! Jaqueta preta! Luvas pretas!

E ainda era um lutador formidável!

Glup!

Xiao Guohua engoliu saliva com força.

Parece que a decisão de fugir foi muito sábia!

Com um gosto amargo, Xiao pegou o copo, deu um gole, e murmurou:

— Irmão! É tão assustador assim? Você disse... até bala ele aguenta?! Isso é humano?!

Li Qingshan, com expressão complexa, um medo nos olhos:

— Você não entende. Quando eu era jovem, também me aventurei, conheci muitos lutadores, ouvi histórias assustadoras. Mas nunca pensei que encontraria um desses. Por isso, você entende porque estou assim hoje; nem penso em vingança!

O sujeito aguenta até bala.

Como vingar? Como lutar?

Encontrar alguém assim e sobreviver já é sorte.

Nesse momento, o celular de Xiao Guohua tocou.

Ao ver que era Cui Dapeng, atendeu.

Do outro lado, Cui Dapeng estava claramente ansioso e assustado, mas também um pouco animado!

— Chefe! Chefe! Encontrei aquele sujeito! Aquele! Que invadiu nossa empresa e derrubou vários! O do capacete de moto!

Eu sei como encontrá-lo!

Chefe, quer vingança?! Basta dar a ordem, reunimos todo mundo da empresa! Vamos ver se não conseguimos derrotá-lo!

— Aff!

Ao ouvir isso, Xiao Guohua tomou um susto.

Quase deixou o celular cair.

Segurou firme e respondeu, irritado:

— Reunir?! Eu reúno você pra morrer! Se quer morrer, não me envolva! Onde quer que esteja, volte imediatamente!

·

Chen Nuo estava diante do computador, abriu o site do Polvo, acendeu um cigarro.

Plim, um alerta soou.

“Você tem uma mensagem.”

Chen Nuo ficou surpreso.

Clicou.

Remetente: Duoduo Feng — Tenho fotos da Rainha das Estrelas, mas não por dez mil dólares. Se tiver interesse, podemos negociar.

Chen Nuo sorriu.

·

Bang bang bang... Aliás, vocês já cansaram desse bang bang bang, querem que eu mude a palavra de agradecimento?