Capítulo Trinta e Um – Em Busca de Justiça
Com receio de que vocês estejam ansiosos e, como é um trecho contínuo da história, decidi publicar de uma vez o segundo capítulo de hoje.
Capítulo Trinta e Um – Em Busca de Justiça
— Sun, eu te devo desculpas — Yang Xiaoyi mordeu os lábios, com determinação. — Quando casei com você, eu já estava grávida!... E ele... ele foi embora para o exterior, me deixou. Eu não sabia o que fazer... Então...
— Então, por acaso, eu sempre gostei de você e você me aceitou — Sun sorriu amargamente.
Ele fitou a esposa, sua voz presa à garganta: — Lembro daquela noite, quando disse que cuidaria de você. Você perguntou se eu teria coragem de me casar contigo. Eu disse que sim.
— Sun, você é um bom marido, um bom pai. Eu é que te decepcionei! — Yang Xiaoyi caiu de joelhos, chorando alto.
Sun olhou demoradamente para a esposa. Só então, trêmulo, estendeu a mão e a ajudou a se levantar do chão.
Virando-se para Yao Weishan, sua expressão era de tristeza profunda: — Pronto, está satisfeito? Conseguiu o que queria, Yao Weishan. Mas você não vai levar a Keke, desista.
Tentou sair, puxando a esposa consigo.
— Esperem.
Yao Weishan falou friamente: — O balanço da empresa fecha, no máximo, na próxima semana. Se sair agora, está preparado para ver sua mulher na prisão? São centenas de milhares! Onde vai arranjar tanto dinheiro?
Sun parou.
Virou-se com dificuldade, fitando Yao Weishan.
— Eu vou pedir emprestado!
Sun falou entre dentes: — Esta noite vou procurar meus parentes e amigos, de porta em porta, implorar, me ajoelhar se for preciso!
— Hahahahahaha! — Yao Weishan riu, seus olhos reluziram de ironia. — Pedir emprestado? Depois do espetáculo de hoje na escola? Sun... você acha que ainda existe alguém disposto a te emprestar dinheiro? Até os agiotas já foram até lá! Quem ainda vai se arriscar por você?
Sun cambaleou, arregalando os olhos para Yao Weishan.
— Foi... foi você?! Yao Weishan! Que veneno o seu!
Yao Weishan gargalhou.
— Negócios são assim, sempre bom conhecer gente de todos os tipos. Não me acuse sem provas, não pode sair falando o que quer! — disse, sinistramente, tirando um cartão bancário do bolso e batendo-o levemente na mesa.
Sua voz soou como a de um demônio.
— Neste cartão há um milhão. Um milhão inteiro. Resolve todos os seus problemas! O dinheiro desviado por sua esposa, você pode devolver! As dívidas com parentes e amigos, você pode quitar! Até os agiotas, tudo pago de uma vez! Nunca mais vão te incomodar, não ficará nenhum rastro.
Pense bem, pense com calma, Sun, não aja por impulso!
Quer mesmo ver sua mulher atrás das grades? Xiaoyi é tão jovem, vai destruir a vida dela assim?
Quer ver aqueles agiotas voltando sempre à sua escola para causar confusão?
E, se não quiser mais ficar neste colégio, depois de pagar tudo, ainda sobra muito dinheiro!
Ficam dezenas de milhares, não é pouco.
Você pode investir, abrir seu próprio negócio, nunca mais precisar dar aula.
Ah, você gosta de ensinar, quase me esqueci.
Então use o dinheiro que sobrar para fazer contatos, e se transfira para outra escola.
Bem longe, onde ninguém saiba do escândalo dos agiotas, num novo ambiente, você pode continuar sua carreira de professor.
Não seria melhor assim?
Além disso, Keke comigo, há algum problema nisso?
Eu tenho dinheiro, muito mais que você! Levo ela para os Estados Unidos, consigo para ela cidadania americana! Posso dar a ela uma vida privilegiada, cheia de conforto! Do melhor!
Vai morar numa casa enorme, vestir roupas de luxo, viver no bem-bom!
E poderei colocá-la nas melhores escolas!
Ela pode mudar de vida completamente!
Tudo isso não seria melhor para a criança?
Enquanto falava, Yao Weishan abaixou-se e colocou sobre a mesa uma pasta executiva previamente preparada. Abriu-a com um estalo e tirou de dentro um maço de documentos.
— Aqui estão três papéis. Um é o exame de paternidade, outro é uma declaração de rompimento de vínculo paterno, o último é a autorização para transferência da guarda.
Sun, basta você assinar, e Yang Xiaoyi também.
Tudo termina aqui! Todos os problemas, como um pesadelo, terminam e você desperta!
Assine, pegue este milhão, ponha fim a todos os tormentos e comece uma nova vida.
Não seria melhor assim?
O cômodo mergulhou num silêncio mortal.
O casal Sun, de rosto desolado, parecia derrotado. Yao Weishan sorria como um vencedor.
Ele chegou a fechar a pasta.
— Sei bem, Sun, eu te conheço demais. Seu temperamento, seu orgulho, você não vai aceitar isso de imediato, não vai conseguir engolir! Mas tudo bem, compreendo, então vou te dar um tempo.
Fez um gesto de desdém, a voz carregada de escárnio:
— Esta noite vocês podem ir para casa. Reflitam sobre minha proposta... Você é teimoso, só acredita vendo, só chora no caixão!
Talvez ainda mantenha um fio de esperança, ache que pode tentar mais uma vez, pedir dinheiro a mais gente.
Sem problemas! Te dou essa chance!
Dou três dias!
Em três dias, se me procurar, minha proposta continua de pé!
Assine os papéis, pegue o dinheiro!
Viu como sou generoso?
Yao Weishan sentia-se exultante naquela noite!
Enquanto via aquele homem de meia-idade, destruído, sem forças, deixar o local de mãos dadas com a esposa, serviu-se de mais um copo generoso de bebida, que virou de uma vez!
Afrouxou o botão da camisa, sentindo-se completamente satisfeito.
Yao Weishan voltou para sua suíte luxuosa no topo do hotel.
Assim que entrou, riu alto três vezes, vitorioso.
Aquela sensação de triunfo era ainda maior do que quando, quatro anos antes, vencera um rival nos negócios, levando-o à falência e ao suicídio.
Mais prazerosa, ainda, do que depois de ver a filha daquele inimigo de longa data, a quem comprara aos poucos, até tê-la em sua cama.
Yao Weishan entrou no banheiro, despiu-se e foi tomar banho. A água quente escorria pelo corpo, e ele não conseguia se livrar daquela euforia de vencedor; seu sangue fervia, cada vez mais ardente.
Chegou a pensar em ligar para aquela garota do grupo de artes, que havia seduzido dias atrás na cidade. Lembrava como ela o servira tão bem.
Sim, por que não?
Quanto a Sun Shengli...
Será que ele realmente acreditava que seria poupado?
Ingênuo! Ridículo!
Depois de tantos anos, Yao Weishan sabia muito bem: quando se arranca o mato, deve-se extirpar a raiz!
Assim que levasse a criança para os Estados Unidos, quando tivesse tempo, trataria de acabar com qualquer ameaça.
Precisava encontrar um jeito definitivo de esmagá-lo.
Yao Weishan sorria, satisfeito.
Já vestido com o roupão, secando os cabelos com uma toalha ao sair do banheiro para a sala, de repente, parou.
A suíte, decorada com extremo luxo, estava às escuras, a luz muito fraca.
No sofá, uma silhueta sentada.
Yao Weishan levou um susto e recuou um passo:
— Quem é você?!
Virou-se para ir ao quarto.
— Procurando isto?
Do sofá, Chen Nuo inclinou-se para frente, mostrando o rosto na penumbra.
Jogou no chão um celular Nokia de última geração.
O olhar de Yao Weishan mudou, e ele gritou:
— Segurança!
A voz morreu na garganta.
No sofá, o jovem empunhava algo.
O cano negro de uma pistola apontava diretamente para Yao Weishan.
Ele calou-se imediatamente.
— Amigo... — Yao Weishan engoliu em seco. — Se quer dinheiro, podemos conversar!
— Não, não quero dinheiro. — Chen Nuo levantou-se devagar, fitando-o nos olhos. — Quero justiça.
—
Relendo, vejo que o tom que queria transmitir está aí, estou satisfeito.
Peço votos, votos mensais, recomendações, e, se possível, algum apoio!