Capítulo Setenta: Destino!
Capítulo Setenta: Destino!
Jiang Yingzi despertou já no dia seguinte. Sem mais contato com o veneno, a febre alta havia cedido, embora ela ainda estivesse bastante fraca e sem forças — tudo parecia, na verdade, como uma forte gripe. Um dos vice-diretores do departamento de captação de investimentos chegou a visitá-la em casa, trazendo consigo o vice-diretor médico do hospital distrital, que lhe fez um novo exame antes de se despedir.
Assim, tudo pareceu se resolver em silêncio, como se nada tivesse acontecido.
Chen Nuo e Li Yingwan chegaram a um acordo: não contariam a Jiang Yingzi que ela havia sido envenenada e vítima de um atentado. Do contrário, com o temperamento extremado e quase paranoico daquela mulher, ao saber que fora alvo de mais uma tentativa de assassinato, o medo a faria, provavelmente, amarrar a filha à força e entregá-la à cama de Chen Nuo.
Pois bem, que ela acredite ter sido apenas uma gripe forte.
Li Yingwan ficou no hotel, desempenhando o papel de filha atenciosa, enquanto Chen Nuo foi à escola atuar como aluno exemplar.
A moça das pernas longas, no fundo, estava furiosa: “De novo vai encontrar aquele Sun Gordo! O que ele tem de tão especial? Só porque é grande isso é tão importante assim?”
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Claro que Chen Nuo não era um estudante exemplar. Mas, nos últimos dias, achou por bem ir à escola consolar Sun Keke. A pequena estava sendo forçada pelo velho Sun a estudar tanto que já estava à beira de um colapso. E, sem ver Chen Nuo nesses dias, agora que o rapaz havia finalmente aparecido na escola, Sun Keke já olhava para ele com lágrimas nos olhos.
Chen, o “Ceifador”, ficou com o coração apertado.
Sun Keke até havia emagrecido um pouco! Isso não podia acontecer! Ela devia era ser mais gordinha! O queixo, antes arredondado, já estava mais pontudo!
Chen Nuo, por dentro, resmungava contra o velho Sun — como ele era sem noção!
Mas, logo depois, durante a aula de educação física, quando a menina tirou o casaco e correu com a turma... Chen Nuo ficou aliviado. Ainda bem, não havia emagrecido tanto assim.
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O humor de Sun Keke hoje era ótimo. Chen Nuo finalmente havia ido à escola; eles quase não se viam nos últimos dias, e o telefone também não dava sinal. No coração dela, Chen Nuo era perfeito: bonito, eloquente, divertido, às vezes até muito gentil. Só tinha um defeito: vivia misterioso, cheio de segredos.
E outro: aquela Li Gafanhoto.
Mas, desde que Li Gafanhoto não pisasse na escola, o céu estava claro e sem nuvens!
Hoje, Chen Nuo raramente ficou o dia todo na escola, e Sun Keke pôde, finalmente, monopolizá-lo, sem a incômoda presença da moça das pernas longas.
No meio da aula de educação física, o professor, como sempre, jogou algumas bolas para os alunos e os deixou livres.
Os estudantes dispersaram-se entre brincadeiras e jogos.
Chen Nuo achou um canto no gramado, o mais fofo e macio, e recostou-se sob o sol de primavera, sentindo o calor e a preguiça.
Sun Keke sentou-se ao seu lado, quase se aninhando no peito dele — só não o fez porque ainda estava na escola.
Desde o primeiro beijo, Sun Keke já o considerava seu namorado. Afinal, já haviam se abraçado e se beijado; se não fosse namorado, seria o quê? Um safado?
Ela sentia-se plenamente justificada.
A garota encostou-se a Chen Nuo, com um sorriso doce no rosto, arrancando e torcendo fios de grama, sujando as mãos do sumo verde, que depois limpava no uniforme dele.
Dois jovens, juntos assim, formavam uma bela cena.
Chen Nuo também se sentia confortável, e, de tão à vontade, quase adormeceu.
Foi então que Sun Keke se aproximou e sussurrou:
— Meu pai não vai estar em casa hoje, ele viajou a trabalho.
— Hã?!
Chen Nuo, de repente desperto, olhou para ela.
“Se for falar disso, aí eu não fico mais com sono!”
— Para onde o velho Sun foi? — perguntou Chen Nuo, tentando disfarçar.
Sun Keke explicou rapidamente.
Entendido. A empresa de educação organizou uma viagem, reunindo os diretores de várias escolas para uma reunião. O velho Sun, futuro responsável pela pesquisa pedagógica, também foi chamado para discutir reformas administrativas e de vestibular do ano seguinte.
Foi para Wuzhou, à beira do lago Jinji, em Guanjianjie.
Seriam três dias fora.
Chen Nuo pensou: “Então…”
— Hoje à noite vou à casa do professor Jiang para uma aula extra de redação.
Chen Nuo assentiu. Já sabia da rotina de reforço de Sun Keke. O professor Jiang, também da escola, era responsável pela turma que se formaria naquele ano. Não era o melhor professor, mas era competente e, acima de tudo, de boa índole, amigo do velho Sun. Pelo visto, no próximo semestre, quando subissem para o terceiro ano, seria ele o novo professor de língua deles.
E o futuro orientador de turma seria o sogro de Chen Nuo.
O velho Sun voltaria ao comando, e o velho Wu se aposentaria, cuidando apenas da sua saúde.
Por isso, desde já, o professor Jiang dava aulas particulares para Sun Keke, para que ela se acostumasse e não perdesse o ritmo.
Uma pena! Justo quando o velho Sun viaja, Sun Keke tem reforço à noite.
Sem chance de ficarem sozinhos.
…Na verdade, mesmo sem reforço, teria a mãe dela em casa.
Mas, para Chen Nuo, Yang Xiaoyi não era alguém digno de consideração.
Sempre a ignorou em seu coração!
— Faz tempo que não passeamos juntos… Íamos até ver um filme.
Sun Keke fez beicinho, coitada. Mesmo sendo colegas de sala, pareciam Romeu e Julieta, separados pelo destino.
Chen Nuo olhou o rosto dela.
Enfim, já que havia provado do fruto proibido…
— Hoje à noite eu te acompanho.
— Mas eu tenho aula de reforço…
— Não tem problema, deixa comigo.
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Ao fim das aulas, Chen Nuo pediu que Sun Keke voltasse para casa jantar e pegar os livros, enquanto ele saiu para resolver algo.
Meia hora depois, Chen Nuo bateu à porta da casa dela.
Sun Keke já o esperava ansiosa, e, assim que o viu, puxou-o imediatamente para sair. Yang Xiaoyi ainda tentou dizer algo sobre segurança, mas nem terminou a frase, pois já fecharam a porta.
Na verdade, nem precisava se preocupar. O professor Jiang morava muito perto. A família Sun no 504, o professor no 302 — mesmo prédio, só andares diferentes.
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O nome completo do professor Jiang era Jiang Gang, homem de quarenta e poucos anos, quase cinquenta, rosto amável e de bom coração.
Sun Keke bateu à porta às sete da noite, logo após o jantar.
Na sala, já estavam dois outros alunos: o monitor da turma, colega de Chen Nuo e Sun Keke, ainda sem nome, parceiro de carteira de Li Yingwan; e outra aluna do segundo ano, chamada Du Xiaoyan — a mesma que, antes do episódio do “campo de batalha amoroso 1.0”, havia levado água mineral para Chen Nuo durante o basquete.
A garota era simpática, não bela, mas tinha um charme juvenil. Pena que… Chen Nuo deu uma olhada. Magra demais!
Quando o professor Jiang abriu a porta, viu Sun Keke e a cumprimentou calorosamente:
— Keke, chegou!
Logo em seguida, notou Chen Nuo atrás dela.
Ora, conhecia bem! Famoso na escola — não por grandes feitos, mas todos os professores o conheciam.
Corajoso! Namorando a filha do velho Sun debaixo do nariz dele. Quase andavam de mãos dadas pela escola. Muitos professores sabiam disso. O próprio Sun tentava controlar, mas sem sucesso.
Ora! Jiang Gang pensava: o velho Sun é muito mole! Se fosse eu, bastava um castigo em casa para pôr o menino na linha!
Mas, para surpresa do professor, Chen Nuo veio junto.
Sun Keke entrou, e Chen Nuo a seguiu, inclinando-se respeitosamente:
— Boa noite, professor Jiang!
— Você é Chen Nuo, certo? O que veio fazer aqui?
O professor franziu o cenho.
— Soube que Keke faz reforço com o senhor, então vim cumprimentá-lo. E aproveito para desejar um feliz Festival do Barco Dragão.
Festival do Barco Dragão? Ainda está longe, estamos em abril! O mais próximo foi o Festival da Limpeza dos Túmulos, que acabou de passar. Isso é só conversa fiada!
— Chen Nuo, fale logo o que quer — disse o professor, não querendo brincadeiras.
Chen Nuo empurrou Sun Keke para a mesa. O monitor e Du Xiaoyan olharam curiosos, mas ele ignorou, apenas lançou um olhar para Sun Keke, que se sentou.
— Professor Jiang, podemos conversar na cozinha?
— …Está bem — respondeu Jiang Gang, curioso.
Foram à cozinha, e Chen Nuo fechou a porta atrás de si.
Ali, tirou um envelope do bolso.
— Professor, no próximo ano o senhor será nosso professor. Quero estudar sério. Ouvi dizer que suas aulas de reforço são muito boas. Será que posso aprender com o senhor também?
E colocou o envelope sobre o fogão.
Jiang Gang ficou surpreso. Reforço? Todo professor do ensino médio sabia que Chen Nuo era famoso por cabular aulas! Agora queria estudar sério? Ele só queria mesmo era ficar de olho na sua namoradinha!
O professor ficou indeciso. Dar aulas particulares em casa era algo comum naquela época; muitos professores faziam isso, já que o salário do colégio não era grande coisa. E, no caso dele, havia ainda necessidades especiais em casa, sempre precisando de dinheiro.
Aceitar Chen Nuo não era impossível, mas o problema era que o rapaz não tinha intenção de estudar. E, se Sun soubesse, seria constrangedor.
Enquanto ainda hesitava, Chen Nuo, esperto, gritou para a sala:
— Keke! Esqueci de te pedir uma coisa!
Acenou para o professor, abriu a porta e saiu, deixando-o sozinho na cozinha.
O professor olhou para o envelope e logo entendeu as intenções do rapaz. Que esperto!
Palpou o envelope. Grosso! Mais do que qualquer outro já recebido.
Suspiro… E agora?
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Pouco depois, o professor saiu da cozinha e foi até a mesa da sala.
— Vamos começar a aula. A partir de hoje, Chen Nuo também terá reforço com vocês — disse, olhando para ele: — Trouxe seu livro de língua e o caderno de exercícios?
— Não tem problema, posso dividir com a Keke.
…Pois é, claramente não veio estudar.
O professor resignou-se. Se fosse seguir a consciência… não teria aceitado, mas a oferta era generosa.
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Durante a aula, Chen Nuo percebeu que o professor Jiang era competente. Tinha um método sólido, conhecimento profundo e sabia ensinar de forma didática — um bom professor.
— O ideograma “ju” tem vários significados: erguer, como levantar; ação, como comportamento; iniciar, como realizar; citar, como exemplificar; eleger, como escolher; e o sentido de totalidade, como em “todo o país”, “mundialmente famoso”.
O professor explicou e pediu aos quatro alunos:
— Agora, cada um diga uma palavra com “ju” e explique seu significado.
O monitor: — “Gestos”, aqui significa levantar.
Du Xiaoyan: — “Citar um exemplo”, aqui significa apresentar.
Sun Keke: — “Levantar peso com leveza”, também é erguer.
Chegou a vez de Chen Nuo, que pensou:
— “Bandeja à altura dos olhos!”
O professor revirou os olhos. “Fala, mas para de olhar para a Keke!”
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— O ideograma “xiang” tem vários sentidos… Agora, cada um diga um exemplo e explique.
O monitor: — “Comparar”, significa…
Du Xiaoyan: — “Equilíbrio”, significa…
Sun Keke: — “Olhar com outros olhos”, significa…
Chen Nuo, fitando Sun Keke: — “Respeitar como hóspede…”
O professor: — “…”
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— O ideograma “bai” pode significar cor, luz, pureza… Chen Nuo! Se você disser ‘envelhecer juntos’, saia agora mesmo!!!
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Antes que a aula terminasse, o professor finalmente entendeu por que o velho Sun andava sempre com a mão no peito.
Jiang Gang consolou a si mesmo: “Já recebi o dinheiro…”
Foi quando bateram à porta.
O professor foi atender, e os jovens viram um homem robusto e rústico na entrada, vestindo uma jaqueta manchada de óleo.
— Professor Jiang, desculpe incomodar!
O homem entregou uma sacola de frutas, depois empurrou o filho para dentro.
— Estude direito! Ou eu te arrebento! — gritou para o rapaz, e, voltando-se ao professor, disse respeitosamente: — Por favor, professor! Se ele passar no vestibular, já fico feliz!
Depois de mais algumas broncas no filho, despediu-se.
O professor suspirou, dizendo ao garoto na porta:
— Entre, não fique aí parado.
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Zhang Linsheng entrou cabisbaixo. Assim que olhou para a mesa e viu os quatro jovens reunidos, logo avistou aquele sorriso irritante.
Droga!!! Eu virei colega desse desgraçado?!
Hao Nan ficou instantaneamente desanimado!
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