Capítulo Setenta e Um — Amigos

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 4224 palavras 2026-01-30 14:20:54

Capítulo Setenta e Um – [Amigos]

No íntimo, Hélio sentia-se profundamente incomodado. Ele, outrora famoso e respeitado entre todos no Colégio Oito, agora via-se forçado pelos pais a frequentar aulas de reforço com o professor! E tudo por culpa daquele desgraçado...

Alguém já viu o chefe de Bronze Bay, o Hélio, ir para um cursinho? Era inconcebível!

A verdade é que, quanto aos estudos, Hélio sempre foi um desastre. Sua energia era toda dedicada à bagunça, liderando seu grupo pirata de Bronze Bay para todo lado, sem jamais se preocupar com os livros.

Mas ultimamente, ele estava sozinho. Todos sabiam o motivo. E, sem companhia, sem ninguém para distraí-lo, Hélio, que não era do tipo de ficar lendo romances na aula, acabou por se sentir tão entediado que, em algumas ocasiões, prestou atenção nas explicações.

O resultado? Na prova do meio do semestre, saiu da posição quarenta e oito da turma para a trigésima sétima! Os pais, que já haviam desistido dele, planejando mandá-lo trabalhar logo após o ensino médio, agora viram uma esperança.

Talvez ainda houvesse tempo para salvá-lo. Daí veio o reforço escolar. Se ao menos conseguisse entrar numa faculdade técnica, seria melhor que só ter o ensino médio. O futuro seria menos árduo. Afinal, coração de pai e mãe é sempre de compaixão.

Luís, desde que se sentou, manteve a cabeça baixa e em silêncio. Já Noel tratava Hélio com uma gentileza surpreendente.

"Hélio, você também veio para o reforço, hein?"

"Hélio, já jantou?"

"Hélio, essa questão é para explicar um termo."

"Hélio, quer que eu te ensine a desenhar Rousseau como se fosse Du Fu?"

O olho de Hélio chegou a tremer: "………………………………"

Foi a professora Jéssica quem não aguentou mais, tossiu e falou com voz grave: "Noel, concentre-se! Pare de ficar provocando os colegas."

Noel sorriu com ar travesso e assentiu. Ao lado, Cecília, o representante da turma e Ana só podiam conter o riso.

Por volta das nove da noite, as aulas terminaram. Os cinco alunos recolheram seus pertences e despediram-se da professora.

Jéssica, com uma xícara de chá na mão, ficou na porta dando conselhos individuais:

"Ana, revise bem as definições de termos."

"Cecília, faça os exercícios de interpretação de texto com atenção em casa."

"Luís, sua base é fraca. Dedique-se a decorar poemas e textos antigos, isso pode te ajudar muito."

Ao olhar para Noel, a professora quis mesmo dizer: “Seria ótimo se você não viesse amanhã...” Mas, com o envelope ainda no bolso, ela se conteve.

Jéssica deu um tapinha no ombro de Noel: "Noel..."

"Pois não, professora? O que devo ter em mente?"

"...Tenha cuidado no caminho."

"......"

O representante da turma, ignorado, chorava por dentro: "Nem nome eu tenho, sou só um instrumento sem importância..."

Os jovens saíram juntos. Como estavam acompanhados, Cecília subiu direto para casa, envergonhada demais para conversar com Noel. Noel e os outros três desceram, cada um pegando sua bicicleta.

O representante ficou com Ana. Noel olhou para Luís: "Hélio, por onde você vai? Estamos no mesmo caminho?"

"...Não!"

"Ué, nem disse para onde vou e já não somos do mesmo caminho. Hélio, você está com algum problema comigo?"

E você ainda pergunta?!

"Assim não vale, hein! Da última vez, quando você fez aquele alongamento e machucou a coxa, fui eu quem te carregou até a enfermaria."

Muito obrigado, viu!

Luís saiu andando para a beira da rua, enquanto Noel seguia sorrindo ao seu lado.

Na verdade, a percepção de Luís sobre Noel era um tanto complexa: antes, era pura antipatia. Mas agora, não sabia bem por quê, sentia um certo temor profundo por aquele rapaz sorridente, até mesmo... medo?

Não sabia de onde vinha aquele receio, mas era como se uma voz interior lhe alertasse: "Não mexa com esse sujeito, não dá para enfrentá-lo..."

Hélio não estava de bicicleta, apenas caminhando pela rua. Sua bicicleta, na verdade, fora levada por seu pai.

Por quê? Ora, a família antes tinha três bicicletas, uma para cada. Mas, por causa de um malandro, só restou uma. A família de Luís era de gente econômica; por enquanto, quem precisasse usava a única bicicleta disponível. O pai de Luís disse que era só uma fase, pois o próximo mês chegaria um lote novo na loja, bem mais em conta, e então comprariam outra.

Luís andou alguns passos e respirou aliviado ao ver que Noel não o seguia. Mas, de repente, ouviu o rugido de um motor e o barulho do escapamento...

Ao virar-se, viu uma moto Yamaha preta, de corrida, passando devagar pela rua. O piloto vestia uma jaqueta de couro preta, capacete preto com desenho de chamas.

Para os jovens daquele tempo, isso era o ápice da ostentação!

Luís sentiu uma pontinha de inveja nos olhos, até que viu o piloto tirar o capacete e sorrir para ele:

"Que tal? Sobe aí, te levo um trecho."

Hélio sentou-se no banco de trás da moto. O vento rugia ao seu redor.

Era impossível resistir à tentação de uma moto de corrida tão estilosa, especialmente para um jovem criado assistindo filmes de Hong Kong como Luís.

Quem nunca sonhou em vestir uma jaqueta incrível e atravessar as ruas numa moto dessas?

E, se no banco de trás estivesse uma noiva vestida de branco, como Wu Qianlian, seria o sonho perfeito!

A moto parou na frente do maior KTV da cidade. Os dois jovens desceram.

"O que você veio fazer aqui tão tarde?", perguntou Noel, curioso.

Luís não queria conversar, mas depois de ser levado na moto, não podia continuar tão frio.

Hesitou: "Minha mãe trabalha aqui como faxineira. Vim buscá-la."

"Ah..."

Na verdade, Luís não contou toda a verdade: sua mãe não trabalhava naquele dia.

"Que horas ela sai?"

"Bem... ainda falta um pouco", Luís hesitou. Na verdade, faltava muito. Ainda nem eram dez da noite, e as funcionárias do KTV só saíam depois da meia-noite.

Noel assentiu e, surpreendentemente, tirou um maço de cigarros do bolso: "Vamos, sentamos ali na escada, eu te faço companhia enquanto espera."

"...Eu já tenho cigarros", Luís tirou um Hilton.

Noel sorriu: "Fume os meus, fume os meus..."

Hélio olhou para o maço de Chineses macios na mão de Noel e ficou calado.

Os dois sentaram-se na beira da escadaria do cabaré, fumando.

Noel era muito cordial. Primeiro, não tinha inimizade com Hélio, e, na verdade, já o usara várias vezes como salvador em situações difíceis... era um favor a ser retribuído!

Segundo, na vez em que Cecília foi sequestrada por Alexandre, Hélio ajudou bastante. Noel reconhecia a dívida.

Por isso, decidiu ser mais generoso e próximo do rapaz. Apesar de ter hipnotizado e bloqueado parte das lembranças de Hélio, ainda tinha que compensar o favor.

Assim, Noel iniciou uma conversa descontraída com Luís, achando divertido provocar aquele rapaz que tinha um certo medo dele.

Depois de um tempo, Noel percebeu que Luís olhava disfarçadamente para a moto.

"Gosta de motos?"

"Sim."

"Amor Eterno? Ou Corrida de Fogo?"

"Amor Eterno! Liu é muito estiloso!", Luís animou-se.

Noel pensou: "Sabe pilotar?"

"...Um pouco. Já andei na moto do meu tio, mas não sou muito habilidoso."

Noel sorriu e simplesmente entregou as chaves e o capacete:

"Vai lá, experimenta!"

Luís ficou pasmo! Tão generoso assim?

Aquela Yamaha de corrida valia pelo menos dez ou vinte mil. Ele deixaria mesmo Luís pilotar? Não tinha medo de que ele caísse?

"Não tenha medo! Vai! Dá uma volta!"

Luís, tremendo de emoção, não conseguiu resistir à tentação. Com um impulso, pegou o capacete e as chaves, caminhou até a moto.

Montou, colocou o capacete, ligou... e saiu em disparada.

Noel ficou sorrindo, sentado, observando.

Dois minutos depois, Luís voltou, tirando o visor do capacete, e ouviu Noel gritar:

"Já acabou? Nem deu tempo de aproveitar! Pode continuar, meu tanque está cheio!"

Luís sentia-se tão animado que quase explodia de alegria!

Que sensação! Demais!

Então, sem hesitar, continuou pilotando – uma volta, duas, três...

Hélio pilotou a Yamaha como um pequeno animal selvagem, dando várias voltas pelas ruas, cada vez mais empolgado!

Finalmente, depois de um tempo, voltou à porta do cabaré, onde Noel estava espreguiçando.

Hélio, sabendo bem o que fazer, desceu, estacionou e foi devolver o capacete e as chaves.

"Obrigado por me deixar pilotar sua moto", disse, um pouco envergonhado. "Ela deve ser muito cara."

Noel pensou por um instante: como responder? Dizer que era patrocinada?

Olhou para Luís: "Gostou?"

"Claro! Foi incrível, demais!"

Noel sorriu, não pegou o capacete: "Se gostou, pode ficar com ela por uns dias."

"Você está falando sério?!"

Luís ficou confuso! Ele estava mesmo emprestando a moto?

Uma Yamaha de corrida, coisa de dez ou vinte mil!

Que generosidade era essa?!

Luís, excitado, ficou até vermelho, voz tremendo: "Você... não tem medo de que eu quebre?"

Noel pensou: "Vi você pilotar, está bem, é experiente. Mas, lembre-se: divirta-se, mas com segurança."

Dizendo isso, deu um tapinha no ombro de Luís: "Pode bater o carro, só não pode se machucar."

Depois, Noel começou a se afastar, mas parou e bateu na própria cabeça.

"Ah, quase esqueci! Ostentar tem que ser completo! Aqui, a roupa e as luvas de couro, tudo para você."

E, sem mais, entregou a jaqueta e as luvas a Luís.

Luís, confuso: "Noel... por que está sendo tão generoso comigo? E os desentendimentos de antes..."

"Você já disse que era só um mal-entendido", Noel sorriu. "Mal-entendido resolvido, agora somos amigos."

"Amigos?"

"Sim. A partir de hoje, somos amigos", Noel sorriu e acenou. "A moto é sua por uns dias! Aproveite, mas cuidado!"

Dizendo isso, Noel saiu andando, deixando Luís parado, perplexo.

Olhando para Noel, Luís sentiu o peito aquecer.

Amigos...

Pronto!

O sentimento é mútuo...

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