Capítulo Quinze – Uma Recompensa Merecida para os Bons

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 4190 palavras 2026-01-30 14:10:58

Capítulo Quinze: "As pessoas boas deveriam ter boas recompensas"

Segunda-feira, de manhã.

Chen Nuo chegou à porta da escola pedalando sua bicicleta, encostou-a em um canto qualquer, trancou e já ia entrar, quando foi barrado.

"O uniforme, onde está?"

Um rapaz com uma braçadeira vermelha o interceptou; o rosto coberto de espinhas.

Chen Nuo olhou ao redor, viu os demais alunos entrando sem parar, todos vestindo o uniforme azul e branco da escola, e franziu a testa.

Ele não tinha usado o uniforme nos últimos dias, por um motivo simples... Ao passar pelo campo minado, teve que cortar um pedaço enorme, não podia simplesmente desfilar com um buraco enorme na roupa.

"Esqueci." respondeu, displicente.

"Então não pode entrar. Hoje tem hasteamento da bandeira, volte para casa e troque."

Chen Nuo olhou para o rapaz na fiscalização, sorriu e deu-lhe um tapinha no ombro: "Não precisa pegar tão pesado. Anota meu nome, tira os pontos que quiser, mas me impedir de entrar não faz sentido."

"Não pode entrar." O rapaz ergueu o queixo, teimoso.

Chen Nuo entendeu — aquilo era implicância.

Inclinou a cabeça, refletiu: "Você é da mesma turma da Sun Keke, não é?"

O rapaz se atrapalhou, tentando manter a pose: "Isso não te diz respeito, você está sem uniforme, não entra."

Chen Nuo não pôde evitar rir — brincadeiras de criança, ingênuas e um tanto bobas.

Não perderia tempo discutindo com um adolescente, então fez um gesto de desprezo, virou-se e foi embora da escola.

O rapaz, orgulhoso, assistiu Chen Nuo se afastar, peito estufado como se tivesse vencido uma grande batalha.

Chen Nuo ficou um tempo no portão, depois encontrou uma barraca de café da manhã na esquina, sentou-se, tomou um copo de leite de soja, comeu dois palitos de massa frita, e só então, ouvindo o sinal da aula matinal soar ao longe, levantou-se, pagou e foi embora.

Afinal, onde é que uma lan house ou salão de jogos faz mais sucesso?

A resposta é óbvia: ao redor das escolas.

Mesmo não conhecendo muito bem a vizinhança do Oitavo Colégio, Chen Nuo deu uma volta pelas ruas próximas e logo achou uma lan house. Entrou, sentou-se diante de um computador, abriu Red Alert, encontrou uma sala qualquer e esqueceu a escola.

Não sabia quanto tempo ficou ali jogando, perdendo mais do que ganhando. Talvez por ser ruim demais, depois de um tempo os outros jogadores não queriam mais jogar com ele. Chen Nuo pensou, foi até a porta, comprou dois maços de Zhonghua e distribuiu entre os jogadores.

De repente, todo mundo achou ótimo e o convidou para jogar junto.

O ambiente era apertado e enfumaçado, Chen Nuo com um cigarro no canto da boca, a mão direita no mouse, entretido com o jogo.

De repente, uma mão grande surgiu por trás e tirou-lhe o mouse.

Chen Nuo suspirou, virou-se e viu o rosto quadrado do velho Sun.

"Por que faltou à aula?" Sun estava sério.

Chen Nuo percebeu que ele estava ofegante. Olhou para o relógio na parede, já era quase meio-dia. Provavelmente Sun saiu logo após a aula para procurá-lo e rodou muito até encontrá-lo.

Sem dizer nada, Chen Nuo foi ao balcão pagar a conta e saiu junto com Sun.

Os dois ficaram se olhando no meio da rua. Sun tentou impor autoridade de professor, mas era evidente que Chen Nuo não se intimidava, e o momento ficou constrangedor.

Sorrindo, Chen Nuo tirou um cigarro e ofereceu: "Companheiro Sun, não precisa ficar tão sério, aceita um?"

"..." Sun olhou para o rapaz à sua frente: "Onde aprendeu essas gírias?"

Mesmo assim, aceitou o cigarro.

Chen Nuo aproveitou para acender para ele, riu e disse: "Já está na hora do almoço, vamos, eu te pago uma refeição."

Entraram em um restaurante simples à beira da rua. Sem olhar o cardápio, Chen Nuo observou as mesas ao redor, viu o que os outros comiam, e chamou a atendente: pediu ovos mexidos com pimenta e berinjela com carne moída.

"Vai beber?" Chen Nuo perguntou, mas Sun lançou um olhar fulminante.

"Se você não bebe, eu bebo." Ele foi até o balcão, pegou uma cerveja, abriu com os hashis e serviu-se.

Mal serviu, o copo foi arrebatado por Sun, que virou tudo de uma vez.

No rosto quadrado de Sun, transparecia um misto de raiva e decepção.

"Deixa vir a comida, aí você me dá o sermão, pode ser?" Chen Nuo, paciente, sorriu: "Hoje, durante o almoço, você pode falar o que quiser, vou ouvir tudo com atenção, combinado?"

Sun ficou olhando para Chen Nuo, pensativo. Depois serviu-se de mais um copo de cerveja.

"Você é muito novo, não precisa fingir que é descolado, querendo parecer igual àqueles marginais." Sun suspirou: "Quando você crescer, vai olhar para trás e ver o quanto isso é ridículo e infantil."

Chen Nuo ficou calado, separando os hashis descartáveis.

Quando a comida chegou, provou um pedaço: estava na medida. Ia pegar a cerveja, mas o olhar de Sun o fez desistir.

Melhor não comprar briga.

Sun continuou: "Eu entendo, você está na adolescência, fase de rebeldia. Somado aos problemas familiares, você se tornou arredio, não gosta de interagir, se sente superior... Eu entendo. Mas, Chen Nuo, não vou te dar sermão porque sei que você não ouve... Mas me diga, você já pensou no seu futuro?"

"Mmm... Futuro?" Chen Nuo mastigava um pedaço de berinjela.

"Futuro." Sun suspirou: "Você é tão jovem, vai desperdiçar tudo? Vai acabar perambulando por aí?"

Chen Nuo não respondeu, pegou mais um pedaço de ovo.

"Não se pode desistir de si mesmo tão cedo." Sun balançou a cabeça: "Já vi muitos jovens como você: cara fechada, ar de superioridade, fingindo ser diferente, especial... Infantilidade! Te garanto, ninguém te vê como você imagina, tudo isso é só para si mesmo."

Neste momento, do lado de fora ouviu-se barulho: uma moto estilosa parou em frente ao restaurante, com som alto tocando uma música cafona, e o rapaz de jaqueta de couro desceu, exibindo um ar arrogante.

Sun apontou: "Olha, esse é o tipo de pessoa que estou falando. Finge ser diferente, se exibe, não sabe o que é ser realmente alguém. Moto barulhenta, parece legal, mas no fundo quer só chamar atenção... E aí, acha legal?"

Chen Nuo permaneceu calado.

Sun balançou a cabeça: "Ele pode achar que é legal, mas para quem olha de fora, só há uma palavra..."

"Idiota." Chen Nuo completou.

Surpreso, Sun lançou-lhe um olhar: "Você sabe disso?"

"Claro." Chen Nuo pediu mais uma tigela de arroz, comeu algumas colheradas e sorriu: "Sun, na verdade você se engana. Eu não sou igual aos alunos-problema que você imagina."

"Não tem diferença, vocês jovens todos acham que são especiais, únicos... mas é tudo a mesma rebeldia da adolescência." Sun balançou a cabeça.

Chen Nuo riu: "Não penso assim. Só acho... que ser preguiçoso é confortável."

Sun ficou sem palavras: "Preguiçoso?"

"Eu gosto desses dias sem graça, tranquilos, livres, sem ninguém me importunando, sem preocupações. Comer, beber, levar a vida. No inverno, tomar sol, ver a neve, de vez em quando brincar com sua filha..."

Sun lançou-lhe um olhar afiado.

"Ok, ok, era brincadeira." Chen Nuo riu e, sincero, completou: "Sun, você é uma boa pessoa, um bom professor... Mas me deixa em paz, pode ser? Não vou causar problemas, nem sou esse jovem perdido que você pensa. Só quero ficar à toa, aproveitar o tédio."

"Mas e o futuro? Como vai viver?" Sun insistiu.

Chen Nuo lembrou de alguns milhares de dólares e barras de ouro guardados em casa. Sorriu e não respondeu.

"Não falo por falar... Sei bem a taxa de aprovação da nossa escola, ai!" Sun serviu-se de mais um copo de cerveja: "Se não pode ser ótimo aluno, não vou te forçar, mas pelo menos siga um caminho decente. Sei o que você pensa: se matar de estudar para entrar numa faculdade mediana não compensa, né? Mas você é diferente, Chen Nuo! Não tem família, nem apoio, vai precisar de um diploma. Não estou dizendo para entrar numa universidade de elite! Mas um diploma técnico você precisa!"

"E se eu passar, como vou pagar a faculdade? Bolsa para estudante carente? Você sabe, não é fácil." Chen Nuo sorriu.

Sun suspirou.

Tirou uma carta de recomendação do bolso e colocou diante de Chen Nuo.

"Esses dias fui ao seu bairro, expliquei sua situação, consegui um emprego de meio período para você." Sun olhou nos olhos do rapaz: "Não desista de si mesmo, entendeu? Você tem só dezessete anos, tem a vida inteira pela frente. Não se entregue tão cedo!"

Chen Nuo bateu os olhos na carta.

Sun continuou: "É uma vaga de emprego reservada para jovens em situação de vulnerabilidade. Você nem tinha idade suficiente, mas insisti bastante. É para trabalhar de estoquista no supermercado, de segunda a sexta, das sete às onze da noite, quatro horas por dia. Nos finais de semana, oito horas de trabalho normal. Salário de oitocentos por mês, com uma refeição garantida. Não é muito, mas é digno! Chen Nuo, digno, entende?"

Sun agora parecia realmente triste: "Não quero te ver daqui a uns anos igual àqueles moleques, rondando a escola para assediar meninas ou extorquir dinheiro dos colegas! Se você virar isso, vou me decepcionar muito."

"Me escuta, não se perca!" Sun pediu em voz baixa: "Vá às aulas, assuma esse emprego. Daqui a dois anos, quando se formar, mesmo que entre num curso técnico, se economizar o salário, já dá para pagar a faculdade. Depois, faça algum bico enquanto estuda, vai ser difícil, mas ainda é melhor do que virar vagabundo. Com um diploma, sempre vai arrumar um trabalho digno, vai poder comer com honestidade!"

Desta vez, Chen Nuo sentiu-se realmente tocado.

O que o surpreendia era ver que, naquele tempo, pessoas boas como Sun já eram raras... e vinte anos depois, então, quase extintas.

"Sun... Alguém já te disse que você é meio bobo?" Chen Nuo disse suavemente.

Sun sorriu, o olhar complexo, e fez um gesto de desprezo.

O almoço terminou, Sun voltou para a escola. Inteligente, ele não obrigou Chen Nuo a ir junto.

Como professor experiente, sabia que a rebeldia do aluno era como um burro teimoso: puxando não vai, empurrando volta.

"Pense bem no que te disse." Sun recomendou, antes de partir.

Ah, e fez questão de pagar o almoço.

Antes de ir, Sun enfiou a carta de recomendação no bolso de Chen Nuo.

Vendo Sun se afastar, Chen Nuo suspirou.

As pessoas boas merecem boas recompensas.

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(Não ache este capítulo vazio; escrevi guiado pela emoção. Personagens como o velho Sun precisam de mais desenvolvimento para ganharem vida. E, para ser sincero, Sun é um dos personagens de que mais gosto, então não terá um final trágico.

Sobre as atualizações: salvo imprevistos, teremos dois capítulos por dia, um de manhã, outro à noite.

O sistema de votos mudou, agora é possível votar mesmo antes do livro ser lançado oficialmente. Então, se gostou, se acha que merece seu voto, fique à vontade. Não estou mirando no topo dos votos, mas um pouco já deixa o coração contente, não é?

E, claro, os votos de recomendação também são bem-vindos.

Por fim, obrigado!)