Capítulo Cinquenta – Beija-flor
[Não espere até à noite, este capítulo será publicado antecipadamente!
O capítulo anterior tinha mais de quatro mil palavras, este tem mais de sete mil.
Hoje já foram dois capítulos, mais de onze mil palavras.
Bastante dedicação e esforço, não acham?]
Capítulo 50 – Beija-flor
Ao embarcar no avião, Chen Nuo prontamente ajudou a carregar o equipamento. Assim que entrou na cabine, sentou-se sozinho num canto, cumprindo à risca a etiqueta de um estranho cortês — sem incomodar ninguém.
Dentro do avião, Neville olhava pela janela, contemplando as montanhas nevadas ao longe. O tempo estava excelente, a visibilidade perfeita, e Neville parecia um tanto absorta.
Por sua vez, Chen Nuo encolheu-se no canto da cabine, com fones de ouvido, ouvindo música em seu MP3.
Esse gesto lhe rendeu um olhar de desdém de Lux.
Hmph, então é um novato.
Montanhistas minimamente experientes sabem que não se deve desperdiçar bateria à toa. Afinal, quando se chega ao EBC, recarregar as pilhas não é nada fácil.
O olhar de desprezo de Lux passou rapidamente pelo rosto de Chen Nuo... Essa moça não tinha a menor simpatia por ele.
Primeiro, ela não gostava de pessoas que se atrasam... além disso, por causa do atraso de Chen Nuo, o horário de decolagem do grupo também foi adiado.
Em segundo lugar... embora Chen Nuo estivesse vestido com roupas de montanhismo, parecia magro e frágil.
Lux, atleta, frequentadora assídua de academias, britânica apaixonada por agachamentos, definitivamente não gostava desse tipo de rapaz de rosto delicado.
No entanto, Chen Nuo pareceu perceber o olhar de Lux e, surpreendentemente, tomou a iniciativa de falar:
— Olá. Acho que te conheço de algum lugar... Posso perguntar, você tem um apelido... Beija-flor?
Lux ficou surpresa.
Beija-flor era o apelido que a mídia lhe dera depois de aparecer na capa de algumas revistas de esportes.
Bem, embora não gostasse desse sujeito, a boa educação a fez assentir levemente, exibindo um sorriso polido:
— Sim, pelo visto você leu minhas entrevistas.
— Claro — Chen Nuo sorriu. — Você é muito bonita.
— ...Obrigada — respondeu Lux, abaixando o chapéu e fechando os olhos para descansar — um gesto claro: não me incomode.
O olhar de Chen Nuo pousou no rosto de Neville.
O perfil de Neville desenhava uma linha delicada e bela; o rubor saudável em seu rosto juvenil denotava vitalidade. Sob os longos cílios, os olhos azuis eram de uma beleza extrema.
Chen Nuo suspirou silenciosamente.
Beija-flor.
Essa ave é conhecida pelo porte diminuto, pelas cores vivas das penas e, principalmente, pelo som zumbido que as asas produzem ao vibrar em alta frequência durante o voo.
Daí o nome, beija-flor.
Foi esse também o codinome usado por Neville ao lado de Chen Yanluo, acompanhando-o em perigos durante anos, na beira do inferno.
No entanto... Neville não gostava, propriamente, de beija-flores. Ela usava esse codinome em homenagem à irmã, Lux.
Segundo a história passada, em 22 de março de 2001, a família Devonshire, ao escalar o Lobuche, sofreria um acidente inesperado.
No desastre, apenas a jovem Neville, de dezoito anos, sobreviveria. Todos os outros morreriam.
Esse acidente marcaria um ponto de virada dramático na vida de Neville.
Anos depois, ao conhecer Chen Nuo, Neville contou-lhe a verdade sobre aquele dia:
Durante a escalada por um paredão íngreme, seu tio Benjamin cortou, de repente, a corda, fazendo com que o casal Locke caísse e morresse — um assassinato a sangue frio!
Neville e Lux sobreviveram porque Lux, rápida, cravou o machado de gelo na rocha, salvando as duas irmãs.
Benjamin tentou matá-las também, mas no fim, Lux, para proteger a irmã, agarrou-se à corda de Benjamin e ambos caíram no abismo.
Aos dezoito anos, Neville viu o tio assassinar os pais e, depois, a irmã se atirar junto ao assassino — para uma garota tão jovem e inexperiente, o mundo inteiro desmoronou.
E pior: ao ser resgatada, Neville enfrentou uma situação ainda mais cruel.
No mês seguinte ao resgate, Neville foi condenada a trinta anos de prisão por homicídio.
Seis anos depois da tragédia familiar, aos vinte e quatro, Neville conheceu Chen Nuo.
O encontro aconteceu numa penitenciária feminina de segurança máxima, onde Neville já estava presa há seis anos.
O motivo: em defesa do que restava de sua família — a velha mansão ancestral — matou um parente que queria tomar-lhe tudo. Aquela casa era a última lembrança significativa de sua vida.
Vendo a história de Neville em sua vida anterior: juventude ensolarada, tragédia familiar, aos dezoito anos caiu nas garras de parentes vorazes, perdeu tudo, matou por desespero e passou seis anos na prisão.
Até o dia em que Chen Yanluo recebeu uma missão para eliminar o diretor daquela prisão.
Durante a ação, Chen Nuo viu Neville pela primeira vez no escritório do diretor.
Aos vinte e quatro anos, Neville estava de joelhos num canto da parede, com um colar metálico e uma corrente, como um cão indefeso. Estava nua, olhar vazio, como uma boneca sem alma.
O diretor era uma mulher cruel e sádica.
Após Chen Nuo atirar na diretora, a velha perversa rastejava pelo chão, gemendo de dor... Neville, de repente, despertou, pulou sobre ela e, com unhas e dentes, num acesso de loucura, tentou despedaçá-la.
Chegou a arrancar um pedaço de carne dos ossos da diretora.
Depois que Chen Nuo a resgatou, Neville contou-lhe: desde o primeiro dia na prisão, a diretora — atraída pela origem nobre de Neville — fizera dela um “animal de estimação” especial, torturando-a por seis anos.
Depois disso, Neville passou a seguir Chen Nuo, adotando o novo nome: Beija-flor.
O barulho do rotor do helicóptero trouxe Chen Nuo de volta ao presente.
A aeronave pousou lentamente numa clareira de menos de cinquenta metros de diâmetro, próxima ao acampamento base do EBC.
Ao desembarcar, Locke apertou a mão de Chen Nuo:
— Foi uma viagem agradável. Boa sorte, rapaz.
Chen Nuo fitou-o profundamente, com um olhar inicialmente complexo, mas logo sorriu e estendeu a mão:
— Foi um prazer viajar juntos. Ficaremos alguns dias no EBC; se precisarem de algo, contem comigo.
Depois, correu até sua mochila, remexeu um pouco e voltou ao lado de Neville, entregando-lhe algo na mão com um sorriso:
— Um pequeno presente.
Ao ver o garoto se afastar com a mochila, cambaleando, Neville olhou surpresa para a mão: era um chocolate amargo de 75%.
E justamente sua marca preferida: Debaujalay.
...Coincidência?
Instintivamente, Neville olhou para o jovem ao longe.
— ...Não gosto desse sujeito — Lux falou ao seu ouvido.
— Por quê? — Neville franziu a testa.
Lux sorriu, em tom de brincadeira:
— Porque ele ignorou minha beleza e só quis agradar você.
A piada não teve graça, mas Neville esboçou um sorriso forçado.
A imensa geleira de Khumbu estava próxima.
Ainda era tarde, o sol demoraria a se pôr.
Neville não era novata diante de geleiras, mas ver de perto a famosa Khumbu era arrebatador.
Ao contrário do que muitos pensam, a geleira não era de um branco prateado, mas de um azul pálido, reflexo do céu, certamente.
Aquela tonalidade azul, profunda, era hipnotizante...
Embora o EBC esteja a 5.300 metros de altitude, o clima não era extremamente frio. Em março, durante o dia, com sol, a temperatura era suportável... à noite, no entanto, caía para zero ou menos.
Neville, vestindo anorak, auxiliou habilmente o pai a montar a barraca. Lux, junto com a mãe e o tio, não estava por perto, pois tinham ido ao grande acampamento comprar suprimentos.
Barraca, sacos de dormir e até uma tenda para servir de banheiro — sim, é preciso uma barraca especial para isso, pois nas noites geladas de alta montanha é impossível usar o exterior sem risco de congelar... se você não quiser virar um bloco de gelo.
Além disso, pelas normas dos montanhistas, todo lixo deve ser recolhido — inclusive dejetos.
Depois de ajudar o pai, Neville saiu sozinha para tirar fotos com a câmera. Notou, a uns dez metros de distância, uma barraca vermelha já montada, onde o jovem conversava com um guia Sherpa.
O guia retirou alguns cilindros de oxigênio do iaque, jogou-os no chão e pegou o dinheiro que o rapaz lhe entregou.
Neville percebeu que o jovem a viu e acenou. Hesitou um pouco, mas respondeu ao aceno... e o sujeito logo veio em sua direção!
Quando chegou perto, Neville, apesar da hesitação, alertou gentilmente:
— É melhor não correr assim, estamos em grande altitude, é um desperdício de energia.
Chen Nuo sorriu.
— Não pretendo escalar, só vou dar uma volta por aqui, uma caminhada.
— Tome cuidado. Não faça nada além das suas forças — Neville suspirou. Não pretendia conversar, mas sua natureza bondosa fez com que dissesse mais algumas palavras: — Mesmo caminhando, este lugar tem seus perigos.
— O chocolate estava bom? — Chen Nuo ignorou o assunto e perguntou sorrindo.
Neville lhe lançou um olhar atravessado e foi embora.
Perto do acampamento, havia uma ladeira com alguns objetos estranhos fincados no chão: pás, machados de gelo, placas de madeira — em sua maioria em forma de cruz.
O que tinham em comum era: quase todos traziam placas metálicas ou etiquetas presas com fios ou correntes.
Neville ficou ali por um tempo, até ouvir passos atrás de si e ver o sorriso do jovem.
— Em que está pensando? — Chen Nuo perguntou.
— ... — Neville suspirou. — Este é um santuário dos alpinistas. Cada placa representa alguém que morreu na escalada. Como não é possível resgatar os corpos, os amigos costumam trazer a placa memorial e pendurá-la aqui.
— Está homenageando algum conhecido? Quer ser uma grande montanhista?
— Não — Neville balançou a cabeça, olhando para Chen Nuo. — ...Não quero apenas ser montanhista, quero ser uma grande aventureira, uma atleta de esportes extremos!
Não me admira que você tenha sido tão destemida em sua vida passada... pensou Chen Nuo.
— O que estão fazendo aí? — soou a voz de Lux.
...Esta irmã mais velha sempre aparece na pior hora, suspirou Chen Nuo.
Lux lançou um olhar avaliador a Chen Nuo:
— Você, não tente nada com minha irmã.
— Hã? — o rosto de Chen Nuo era uma mistura de perplexidade e desconforto.
Sem lhe dar atenção, as irmãs se afastaram.
O anorak escondia a parte superior do corpo, mas as pernas, longas e torneadas, vistas de costas, eram um deleite visual...
Chen Nuo sorriu, observando aquele vulto... Hum... Que bela silhueta... que curvas.
Suspirou levemente, depois recolheu o sorriso e olhou para o amontoado de “lápides” à frente, o olhar sombrio.
22 de março, 14h40.
Lobuche, cerca de seis mil metros de altitude.
Neville, por trás das lentes do óculos de neve, fixava o olhar nos próprios pés, as mãos com luvas segurando o bastão de caminhada, já meio dormentes.
Mentalmente, ela regulava a respiração de acordo com as técnicas de escalada, ajustando cada passo.
Depois de quase quatro horas de caminhada, sentia suas forças beirando o limite.
Foi então que alguém lhe tocou o ombro.
Em ascensões nas montanhas geladas, mesmo em terreno plano, os membros do grupo comunicam-se tocando uns aos outros — sob camadas de roupas grossas, é fácil ignorar gritos, por isso o toque é essencial.
— Ali na frente! Chegamos ao ponto de escalada! — Neville reconheceu a voz da irmã.
Sem olhar para trás, ergueu o polegar.
Estava no meio da fileira, presa à corda de segurança. O grupo de cinco mantinha-se alinhado, avançando em direção ao cume de Lobuche.
Na baixa temporada, não havia outros grupos na trilha... Mesmo na alta, quase não se via gente.
Faltavam mais de cem metros de desnível até o cume... mas o trecho era bem mais longo.
À frente, um paredão não muito alto — o único trecho realmente desafiador do percurso.
Para a família Devonshire, experiente em escalada, não era obstáculo.
Neville ergueu os olhos para a rocha; sentiu o coração batendo estranho, mas atribuiu à exaustão.
Ajustou a mochila, prendeu o bastão, pegou uma peça de proteção, apertou o mosquetão da corda.
Eu consigo! — a convicção era firme.
O vento frio trazia partículas de neve; apesar do capuz e dos óculos, Neville ainda sentia o ar cortante, como se entrasse por frestas.
Logo percebeu que era só impressão.
Encaixou, com força, a peça de proteção na fenda da rocha, respirou fundo, suspensa na corda, girou o corpo.
Agora, sentia o raciocínio cada vez mais lento...
Mal de altitude?
Ao chegar lá em cima, terei que usar oxigênio.
A mente começava a embotar. Justo então...
Uma lâmina brilhante de faca cortava a corda de escalada!
— Meu Deus! O que está fazendo?!
— Pare!
— Vamos cair!
— Segurem firme! Não soltem!
— O machado! O machado!!!
BUM...
Não se sabia se era um estrondo real ou só um zumbido nos ouvidos.
Neville sentiu o corpo despencar, caindo sem fim...
Como se perdesse a consciência, entre hipóxia severa e exaustão, a mente mergulhou no caos...
Só restavam fragmentos piscando na escuridão...
A lâmina continuava cortando a corda.
Mas, de repente, ploft... a faca escorregou das mãos, caindo no abismo...
Os olhos da jovem já se fechavam.
Ela mergulhou na escuridão.
Tic-tac.
Tic-tac.
O vento açoita o acampamento, sacudindo a estrutura metálica da barraca.
Neville desperta das trevas, sentindo o corpo, aos poucos, recobrar a sensibilidade.
Envolvida no saco de dormir, sentia-se aquecida.
A luz dentro da barraca era tênue; Neville semicerrava os olhos, tentando enxergar. Viu uma figura de costas, vestida em anorak vermelho, agachada, ocupada com algo.
Alguns segundos depois, a pessoa virou-se, trazendo uma tigela fumegante de mingau.
— Beba, custou esquentar, se não tomar logo vai esfriar — disse o jovem, cujo rosto lhe era familiar.
— Você? Você... — Neville sentiu uma dor de cabeça lancinante; ao ver Chen Nuo à sua frente, ficou assustada: — Papai? Mamãe? Irmã?
Sentou-se de supetão.
Chen Nuo sentou-se calmamente à sua frente, fitando-a nos olhos.
O olhar era complexo.
Após um longo silêncio, Chen Nuo suspirou suavemente:
— Neville, você ainda não acordou? Aqui não há mais ninguém. Não há seu pai, Locke; nem sua mãe, nem sua irmã Lux, nem seu tio Benjamin.
Tudo...
É fruto da sua imaginação.
Tudo, só existe em sua mente.
BUM!
A frase “só você” soou como um martelo pesado, esmagando o coração da garota!
Todas as cenas vividas nos últimos dias se estilhaçaram como vidro!
...
Neville diante do espelho da torre de controle do aeroporto de Lukla: “Prontas, meninas, vamos partir!”
Diante do espelho, falava impaciente: “Já podemos ir? Papai disse que ainda falta um passageiro.”
Depois, erguia a cabeça para ver o avião chegando...
...
Neville ao lado do avião, falando com voz grave ao jovem: “Recomendado por Wilson? Preciso ver seu passaporte, senhor.”
...
Neville sorrindo para o jovem: “Somos todos torcedores do Arsenal, seja bem-vindo ao grupo, senhor Chen.”
...
“Olá. Acho que te conheço... Seu apelido é Beija-flor?”
Neville, com um sorriso contido: “Sim, pelo visto leu minhas revistas.”
...
Ao descer do avião, Neville apertando a mão de Chen Nuo: “Foi uma viagem agradável. Boa sorte, rapaz.”
...
Neville olhando o chocolate na mão, distraída, murmurando com ironia: “Não gosto desse sujeito... Por quê?... Porque ele ignorou minha beleza e só quis te agradar.”
...
Sozinha, montando a barraca, virando-se e vendo o rapaz acenando animado para ela.
...
Juntos, diante das lápides, Neville, em tom severo, advertindo: “O que estão fazendo aí?... Não tente nada com minha irmã!”
Depois, virando as costas, deixando o jovem com uma expressão estranha.
...
...
“Em 17 de abril de 1997, seu pai, Locke Devonshire, e sua mãe, Rosa Devonshire, casal famoso no alpinismo, morreram durante uma escalada ao Everest, vítimas do clima extremo.
Em 3 de junho de 1999, sua irmã Lux, prodígio da família e estrela em ascensão, tentando honrar o legado dos pais, morreu durante um treino no Lobuche, ao despencar quando a corda se rompeu.
Em 21 de julho de 2000, seu tio Benjamin, atolado em dívidas, a pressionou para vender a casa da família. Ao recusar, ele tentou atacá-la e você o matou em legítima defesa. Apesar de inocentada, desde então...
Neville, talvez desde então sua mente tenha sofrido um grande abalo.”
Chen Nuo pousou suavemente a mão no ombro da garota, perdida.
“Durante muito tempo, sua mente fragmentou-se, criando versões dos seus pais, da irmã, do tio — quatro personalidades além de você mesma. Você viveu como cinco pessoas diferentes, dia após dia.
Você fingiu que nada de ruim aconteceu, prendeu-se num mundo de sonhos mantido só por você...
Aos olhos dos outros, ficou cada vez mais estranha, murmurando sozinha, com atitudes cada vez mais excêntricas.
No mês passado, você abandonou Eton... por faltas frequentes.
No último ano, viajou pelo mundo, caminhou, praticou esportes extremos, sempre fingindo que a família estava ao lado, pais e irmã vivos...
Até anteontem, quando veio ao Nepal.
Com o passaporte da irmã, entrou num grupo de novatos no montanhismo, pagou todas as despesas e trouxe todos de helicóptero ao EBC.
Depois, eu paguei para pegar carona no seu voo.
Hoje à tarde, você e sua equipe chegaram ao último trecho de escalada antes do cume do Lobuche.
Na parede de rocha, você teve um surto... tentou cortar a corda!”
Sim, esta é a verdade.
Não houve tragédia de assassinato na família Devonshire, nem tio matando os pais, nem irmã morrendo junto com o tio.
Na vida passada, a verdade era: Neville usou o passaporte e a identidade da irmã para vir ao Nepal, entrou num grupo e, nesta tarde, durante a escalada, teve um surto, as outras personalidades se misturaram e ela imaginou toda aquela tragédia.
Na realidade, em meio ao surto, cortou a própria corda, ferindo gravemente dois colegas, um levemente.
No passado, após ser resgatada, Neville voltou ao Reino Unido e respondeu a processo por ferimentos causados, sendo diagnosticada com transtornos mentais e internada compulsoriamente numa clínica psiquiátrica.
Nada de penitenciária, nada de defender a mansão matando parentes.
Na verdade, a clínica era uma prisão para criminosos insanos — uma prisão especial.
A diretora sádica era, na verdade, a diretora do hospital psiquiátrico.
O conteúdo cruel, contudo, era real.
Naquela noite, Chen Nuo infiltrou-se na clínica e viu, no escritório da diretora, Neville nua, presa a uma corrente no canto — após seis anos de abusos.
A única diferença: naquela missão, o alvo de Chen Nuo não era a diretora.
O alvo era a própria Neville!
Única herdeira do título e do vasto patrimônio da família Devonshire!
Se ela morresse... o cliente de Chen Nuo herdaria tudo.
Esse era o verdadeiro... segredo!
Sentada no saco de dormir, a expressão da jovem passou da apatia à perplexidade, até que a emoção transbordou.
Os olhos encheram-se de dor profunda!
Por fim, começou a chorar baixinho.
...
— Sinto muito por te arrancar desse sonho... Se fosse um sonho feliz, eu desejaria que continuasse dormindo. Mas, pequena beija-flor, o que te aprisiona é uma ilusão luminosa, mas na verdade, um pesadelo sombrio.
Por isso, vim de longe, como alguém caído do céu, só para te livrar desse pesadelo.
Ao terminar, Chen Nuo falou suavemente.
A garota, como se esgotasse toda a força do corpo, desabou em prantos...
...
[Só digo uma coisa: quem mais?! Não é genial? Não merece seus votos e recompensas?
Então, venha, mostre seu apoio!
Bang, bang, bang!]