Capítulo Cinquenta e Três — Memórias de Langya
Capítulo Cinquenta e Três – As Memórias de Langya
O ônibus chegou ao sopé do Monte Langya. Assim que desceram, aquele grupo de adolescentes não conteve a empolgação e saiu correndo em direção à montanha, ansiosos por encontrar o lendário Pavilhão do Bêbado.
Aquele lugar, Chen Nuo já conhecia de outra vida. Caminhava calmamente, por último, segurando a mão da irmãzinha, enquanto observava os colegas de classe subirem a montanha aos pulos. Corriam depressa. Ah, juventude, coisa boa.
Porém... Chen Nuo olhou para trás, para um pequeno pavilhão meio esquecido, perto do ônibus. O Pavilhão do Bêbado estava, na verdade, ali mesmo, ao pé da montanha.
Chen Nuo pegou uma laranja, descascou, deu metade para a irmã e ficou com a outra. Os dois sentaram-se num banco de pedra ao lado do pavilhão, sem pressa de subir.
Foi então que viu o carro da família da moça de pernas longas entrar no estacionamento. O motorista coreano havia se perdido no caminho e só agora chegava. Ao descer, pediu desculpas, curvando-se repetidas vezes até ser enxotado pela jovem irritada.
Ela olhou ao redor, procurando o ônibus do Colégio Oito, mas só viu o estacionamento vazio. Circulou pelo lugar, mas não encontrou os uniformes azul e branco dos seus colegas, ficando cada vez mais ansiosa.
Era alta temporada: muitas escolas organizavam excursões ao Monte Langya. Próximo ao estacionamento, juntavam-se estudantes de outros colégios, exibindo um verdadeiro desfile de uniformes feios: amarelo e branco, vermelho e azul, branco e verde... Pareciam filhos de uma mesma mãe, mas cada um com sua mutação. O modelo era sempre o mesmo, só mudava a cor das listras, todos com aqueles agasalhos largos de zíper.
Li Yingwan deu algumas voltas, não encontrou ninguém e ficou ainda mais nervosa. Seu visual se destacava tanto que nem mesmo o uniforme conseguia esconder sua beleza. Rapidamente, atraiu vários rapazes de outros colégios, que se aproximaram para perguntar algo, misturando conversas com tentativas de flerte. Li Yingwan respondia num misto de coreano e chinês, com seu rosto encantador e as pernas longas sob a saia.
Os rapazes se empolgaram e não arredaram pé. Uns ajudavam de verdade, outros só aproveitavam o pretexto para se aproximar.
Chen Nuo, ao ver a cena, jogou o último gomo de laranja na boca e pensou que não podia simplesmente ignorar a situação. Levantou-se, afastou-se devagar e, sem dizer uma palavra, pegou a mão da moça de pernas longas e a puxou dali.
"Ei, de onde você veio...?" protestaram alguns rapazes, mas, antes que pudessem terminar, viram a jovem sorrir radiante, abraçar o braço de Chen Nuo e segui-lo contente.
Putz... já tem dono.
Chen Nuo, satisfeito, seguiu com uma moça de cada lado — uma de pernas longas, outra a irmã mais nova. Que maravilha!
— Vamos, subir a montanha!
Ao virar uma curva, viram Sun Keke e outros colegas sob um pinheiro. A bela Sun olhava ao redor procurando alguém. Ao ver Chen Nuo chegando com as duas moças, especialmente com Li Yingwan agarrada em seu braço, seu rosto fechou na hora. E ainda viu Li Yingwan, enquanto caminhava, descascar uma laranja e enfiar um gomo na boca de Chen Nuo...
Vadia!
Sun Keke entrou em modo de combate e avançou a passos largos. Chen Nuo, ao notar o fogo nos olhos dela, engoliu o gomo de laranja sem mastigar.
Olhou para o lado. Ruim. Os alunos do último ano ficaram na escola estudando para o vestibular, não vieram à excursão.
O que isso significa? Que Zhang Linsheng não estava presente!
Ah, aquela cena clássica de "Chen, o Carrasco, abraçando Zhang Linsheng" teria que esperar.
Olhou para a irmã.
"Hum? Mano?" A pequena Yezi levantou a cabeça.
Chen Nuo, sem hesitar, pegou a irmãzinha no colo e, sorrindo para as duas moças e os colegas, anunciou em voz alta:
— Vamos apostar corrida até o topo da montanha! Quem chegar primeiro, vence! Corram!
E saiu disparado, com a irmã nos braços. Sun Keke e Li Yingwan ficaram paradas, atônitas, enquanto Chen Nuo já estava cinquenta metros à frente.
Chen Nuo correu por duas curvas até que a irmãzinha lhe deu um tapinha no ombro:
— Mano, pode parar, ninguém está nos seguindo.
— É mesmo?
Ele parou e olhou para ela.
— Mano, assim não dá — disse ela, sorrindo de leve.
— Criança não entende dessas coisas.
— Eu entendo sim — respondeu ela, rindo. — Você é a Shan Cai. A Keke e a Unnie são, uma, o Dao Ming Si, a outra, o Hua Ze Lei. As duas gostam de você.
... Melhor não deixar essa garota ver mais DVDs.
A novela "Jardim de Meteoros" estava em alta por todo o continente asiático, mesmo sem transmissão oficial, os DVDs piratas espalharam-se por toda parte. O assunto mais popular nas escolas já não era mais "Sonata de Inverno"; os diálogos mais quentes agora eram: "Se pedir desculpa resolvesse, para que serviriam os policiais?"
— Por que você chama a moça de pernas longas de Unnie?
— Porque ela me pediu para chamá-la assim.
O Monte Langya não era alto.
Quando Sun Keke, Li Yingwan e os colegas atravessaram para o outro lado da montanha, viram Chen Nuo já sentado, devorando uma maçã.
A pequena Yezi, com o rosto tão fofo, já estava cercada por um grupo de meninas da turma, todas querendo alimentá-la. Ela estava com as bochechas estufadas, parecendo um esquilo, segurando uma banana numa mão e uma barra de chocolate na outra.
O velho Sun e dois professores organizavam o piquenique. Ali havia uma área preparada para isso. O representante da turma liderou alguns para alugar grelhas e utensílios, além de comprar carvão.
Chen Nuo escolheu um fogareiro perto do lago, acendeu o carvão e começou a assar carne com a irmã ajudando, pincelando óleo nos espetinhos.
Alguns colegas mais ousados foram negociar com agricultores locais e trouxeram repolhos e berinjelas, que cortaram e também puseram para assar.
Com o pai por perto, Sun Keke não ousou se aproximar de Chen Nuo, vendo, enciumada, Li Yingwan circulando à vontade.
O almoço foi uma bagunça esfumaçada. Poucos sabiam cozinhar, então muitos espetinhos ficaram queimados ou crus, mas a juventude e o bom humor garantiram a diversão. Alguns meninos aproveitaram para brincar e correr atrás das meninas.
O velho Sun pensou em intervir, mas acabou deixando. Daqui a pouco entrariam no último ano, logo não teriam mais esses momentos de alegria.
O lugar estava cheio, não só de alunos do Colégio Oito, mas de outras escolas também. Logo, começaram a interagir, pedindo carvão emprestado ou utensílios, e novas amizades surgiram.
Ao final do almoço, muitos alunos brincavam ao redor do laguinho.
De repente, ouviu-se um splash.
Logo vieram os gritos das meninas:
— Alguém caiu na água!
— Socorro!
No lago, três estudantes se debatiam — um do Oito e dois de outra escola, duas meninas e um menino.
Meio adolescentes ainda, agiram sem pensar. E a maioria não sabia nadar. Os poucos que sabiam ficaram paralisados.
Chen Nuo reagiu primeiro, gritando para o velho Sun:
— Professor! Socorro!
O velho Sun correu em direção ao lago enquanto tirava o casaco e mergulhou de cabeça!
Luo Qing sabia nadar e foi junto, mas, antes de pular, Chen Nuo o segurou.
— Ei! Me solta, eu sei nadar!
— Não vá! — respondeu Chen Nuo, sério.
O velho Sun já puxava a menina mais próxima para a margem, gritando:
— Ninguém mais entre! Afastem-se!
E mergulhou de novo.
Sun Keke, desesperada, correu até a margem, chorando:
— Pai! Cuidado!
O velho Sun conseguiu empurrar o rapaz para fora, embora estivesse exausto e tivesse engolido um pouco de água. Vendo ainda uma menina se debatendo, virou-se e nadou de novo.
Outros professores também pularam, mas o velho Sun estava mais perto. Agarrando a menina pelas axilas, puxou-a para a outra margem.
Com esforço, conseguiu trazê-la até a terra firme, mas acabou escorregando e caindo na água.
Nesse momento, uma mão surgiu da margem e puxou-o com força para cima.
Ao olhar, viu o rosto sorridente de Chen Nuo.
Chen Nuo o ajudou a se erguer e, vendo os colegas ainda atônitos, levantou o braço do professor e gritou com força:
— Professor Sun é demais!
Após alguns segundos, todos repetiram:
— Professor Sun é demais!
— Professor Sun é incrível!
— Viva o Professor Sun!
Chen Nuo entregou o professor a Sun Keke, que, junto com outros colegas, ajudou-o a sair. Ele estava exausto e foi levado à loja próxima para se trocar.
Os alunos que caíram na água foram salvos; um deles estava mais abalado, mas logo se recuperou. Os outros dois tossiram um pouco e ficaram bem, recebendo cuidados dos professores.
Luo Qing se aproximou de Chen Nuo, franzindo a testa:
— Por que não me deixou pular?
Chen Nuo deu um tapinha no ombro dele, sem responder. Quase roubou a cena, amigo.
Não explicou tudo. Impediu Luo Qing de pular porque sabia que, com "Chen, o Carrasco" ali, ninguém corria perigo de verdade.
O velho Sun tremia de frio. Era final de março, as manhãs e noites ainda eram geladas e a água também. Estava encharcado dos pés à cabeça, enrolado num cobertor emprestado da loja.
Chen Nuo se aproximou, entregando algumas roupas:
— Troque-se. Comprei de um agricultor local. Tire a roupa molhada e vista estas secas. A roupa de baixo pode ficar para depois.
O velho Sun agradeceu e entrou para se trocar.
Chen Nuo saiu e foi até Li Yingwan.
— Preciso que me ajude com uma coisa.
— O quê?
— Sua família tem negócios aqui, deve conhecer alguém da imprensa local...
Esse assunto se desenrolou durante o dia.
No dia seguinte, o aluno salvo foi com os pais até a escola agradecer ao professor. A mãe quase se ajoelhou diante dele.
No terceiro dia, os dois alunos da outra escola também vieram agradecer, um deles trouxe uma faixa de honra.
No quarto dia, saiu uma matéria no jornal local: "Professor corajoso salva três alunos de afogamento!"
O departamento de educação do distrito, diante disso, tinha três opções.
Primeira: fingir que não viu — não seria adequado, seria omissão.
Segunda: responsabilizar a escola pela falta de segurança — também não era boa ideia, seria se atacar.
Terceira: elogiar o professor herói.
É claro que escolheram a terceira.
No quinto dia, a equipe da TV do distrito foi entrevistar o professor.
Não duvide: o distrito de JN tem seu próprio canal de TV. Antes, era um condado, mas foi incorporado à cidade de Jinling. O canal do distrito foi mantido e ocupa o primeiro lugar na programação local, algo exclusivo desse distrito.
Outros distritos não têm canal próprio.
Assim, sob intervenção oficial, a campanha de elogios foi lançada com grande alarde.
O Colégio Oito imediatamente restabeleceu o cargo do velho Sun.
O departamento de educação do distrito o incluiu na lista de educadores do ano e já garantiu para ele o título de excelente professor.
A empresa de educação voltou a procurá-lo, desta vez com o diretor geral, oferecendo alto salário com bônus por desempenho, além de prometer que, após a reforma, ele seria o responsável pela turma finalista, chefe do ano, coordenador do ensino médio e ainda assistente do diretor (equivalente a vice-diretor).
O contrato já estava pronto para assinatura.
O departamento de educação também marcou palestras para que ele falasse como exemplo de educador modelo.
Aos quarenta e poucos anos, o velho Sun, sem querer, atingiu o auge da vida.
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