Capítulo Quarenta e Quatro – Domine Bem o Mandarim

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 4933 palavras 2026-01-30 14:14:27

Capítulo Quarenta e Quatro – Aprendendo Mandarim

Na manhã de sexta-feira, Chen Nuo saiu cedo para entregar o dinheiro ao Irmão Lei, e só voltou à escola ao meio-dia. Do lado de Li Qingshan, por ora, tudo permanecia calmo. Depois daquela investida de ontem, o velho precisava de tempo para refletir... Quanto mais tempo alguém passa no submundo, mais cauteloso se torna. Ao se deparar com um sujeito misterioso e perigoso, é natural que primeiro tente se informar. Melhor deixar o Irmão Lei cuidar dessa disputa.

No intervalo do almoço, Chen Nuo fez questão de se esquivar. Enfrentar novamente uma cena caótica no refeitório... não haveria certeza de que Zhang Linsheng estaria por perto para socorrê-lo. Além disso, os pratos dos pequenos restaurantes fora da escola eram muito mais apetitosos, não? Satisfeito e limpando os dentes, Chen "Yanluo" Nuo caminhava balançando os ombros de volta à sala de aula.

Ao retornar, Li Yingwan acabava de chegar do almoço e encontrou vários envelopes sobre sua mesa, além de duas caixas de bombons e um buquê de flores no compartimento embaixo. Sem sequer olhar, a moça de pernas longas pegou um saco plástico, varreu tudo para dentro e, carregando-o, foi até a porta da sala, onde despejou tudo de uma vez na lixeira. Dentro e fora da sala, muitos observaram a cena.

Vendo Chen Nuo se aproximar pelo corredor, Li Yingwan imediatamente foi ao seu encontro. O gelo em seu rosto derreteu num instante e, sorrindo docemente, ela agarrou o braço de Chen Nuo:

— Oppa, onde você esteve?

Chen Nuo suspirou:

— Fale em chinês.

Li Yingwan hesitou um pouco:

— On-de vo-cê es-tava?

Vendo os olhares dos colegas ao redor, Chen Nuo, sem demonstrar emoção, puxou discretamente seu braço:

— Fui almoçar.

— Posso almoçar com você? Da próxima vez? Juntos?

Chen Nuo lançou um olhar a Li Yingwan e, disfarçadamente, à sala — a bela Sun não estava, provavelmente aproveitando o intervalo para ir em casa. Pensou um pouco; não dava para seguir empurrando com a barriga, era preciso resolver.

— Venha comigo.

Sem hesitar, virou-se e saiu, seguido por uma radiante Li Yingwan. Não deixaram a escola, mas subiram diretamente as escadas do prédio.

O terraço costumava estar trancado, mas, em algum momento, alguns veteranos conseguiram uma cópia da chave. Assim, virou o lugar onde alguns garotos se reuniam às escondidas para fumar.

Naquele momento, Zhang “Ex-Hao Nan” Linsheng estava encostado pensativo na grade do terraço, fumando e olhando os estudantes no pátio, saudoso dos velhos tempos do submundo... Mal apagou o cigarro, ouviu o rangido da porta de ferro sendo aberta. E então, o rosto de seus pesadelos apareceu. Zhang Linsheng ficou paralisado.

Chen Nuo acenou com a mão para o rapaz, mas este, como se tivesse visto um fantasma, gritou, passou correndo ao lado de Chen Nuo e desapareceu escada abaixo, quase rolando de tanto desespero.

Chen Nuo pigarreou, olhou ao redor para se certificar de que estavam sozinhos e puxou a garota de pernas longas para um canto protegido do vento no terraço.

Li Yingwan, ainda corada, sentiu o coração acelerar ao perceber que estava sozinha com Chen Nuo naquele lugar isolado. Não resistiu e sua mente viajou longe... Imaginou cenas de novelas — paredes, beijos roubados, paixões avassaladoras — como trens passando velozmente em sua cabeça. Mas, depois de um tempo, percebeu que Chen Nuo permanecia imóvel.

Ergueu os olhos e viu o rosto sereno de Chen Nuo, que a olhava com um olhar calmo.

— Oppa... — murmurou ela, com voz delicada.

Chen Nuo suspirou em silêncio. Quis ser duro, dizer palavras cruéis, mas não conseguiu. Conhecia bem aquele rosto — na vida passada, ela foi a que mais cedo o acompanhou, e também a mais leal. Ao ver aquele rosto jovem e frágil, lembrou-se da noite em que Li Yingwan, depois de vingar-se, chorava descontroladamente, com os punhos cerrados, como se enlouquecida. Lembrou-se de tê-la amarrado numa coberta e pendurado do lado de fora da janela. Lembrou-se de deixá-la sozinha na montanha, com uma arma, uma faca e uma ração militar, para que praticasse sobrevivência, e de como ela ficou ali, sozinha, mas com uma expressão teimosa no rosto. E daquela noite, após a vingança, quando ela lhe implorou para ficar ao seu lado enquanto dormia — porque, se acordasse e não o visse, teria vontade de se matar.

Tantas palavras se resumiram num suspiro. As palavras duras, no fim, não saíram.

— Oppa... — Os olhos de Li Yingwan brilharam. Ela falou baixo: — Eu... te causei problemas?

Chen Nuo pensou um pouco:

— Não chega a ser um problema. Desde que não conte a ninguém sobre o que aconteceu naquele dia em que te salvei, não há com o que se preocupar.

— Desculpe! — Li Yingwan fez uma profunda reverência e, ao levantar, seu rosto demonstrava apreensão. — Oppa, desculpe. Sei que fui egoísta! Mas... não consegui evitar vir te procurar. Desde aquele dia, tenho pesadelos todas as noites! Sonho com aqueles bandidos horríveis levando a mim, minha mãe e meu irmão embora. Só quando penso em você, sinto-me um pouco mais segura. Desenhei seu retrato e deixo debaixo do travesseiro, só assim consigo dormir. Oppa, por favor, não me afaste de você, está bem?

Ao final, sua voz era um súplica. Chen Nuo permaneceu em silêncio.

— Depois que você foi embora, só então soube que meu pai havia sido morto por aquelas pessoas... — os olhos de Li Yingwan se encheram de lágrimas. — Muita gente foi lá em casa: colegas de trabalho do papai, parentes, policiais... Mamãe chorava todos os dias. Eu sentia tanto medo, me escondia no quarto, não tinha coragem de sair. Só olhando para seu retrato o medo diminuía um pouco. Deixe-me ficar ao seu lado, por favor?

Chen Nuo refletiu e assentiu lentamente:

— Você só quer mesmo me acompanhar, nada além disso?

O rosto de Li Yingwan corou intensamente. Ela murmurou:

— Eu...

Então, reunindo coragem, perguntou:

— Oppa... aquela, a colega Sun, ela é sua namorada? Vocês estão juntos?

— Não — Chen Nuo balançou a cabeça.

— Então... posso namorar você, oppa? Eu tenho obedecido tudo que você disse: não aprendi a fumar, nem a beber, não falo palavrão, não tenho tatuagem... continuo rezando para o Segundo Irmão Guan! Oppa, tudo que você pediu, eu fiz direitinho! Se você quiser namorar comigo, prometo obedecer tudo que disser!

Ah, crianças... Chen Nuo suspirou. Não adiantava, não conseguiria afastá-la, nem agir ou falar com crueldade...

Então...

Chen Nuo ponderou:

— Não gosto de pessoas que não sabem falar bem o mandarim.

— Eu vou me esforçar! Mas... oppa, como faço para aprender bem mandarim?

Chen Nuo pensou... e teve uma ideia!

Tossiu e disse:

— Preste atenção.

Respirou fundo e pronunciou:

— Oito centenas de soldados correm para o norte, os artilheiros avançam lado a lado pelo norte. Os artilheiros temem acertar os soldados, os soldados temem esbarrar nos artilheiros!

Li Yingwan arregalou os olhos, perplexa.

— O quê? Hã?

Chen Nuo deu um tapinha no ombro da garota:

— Pronto, vá praticando.

Dito isso, Chen "Sem Vergonha" Nuo enfiou as mãos nos bolsos e saiu andando. Sim, isso deve mantê-la ocupada por um bom tempo... E mesmo que ela domine esse trava-língua... ainda tem outros! O lama vindo do sul? Comer uvas sem cuspir a casca? O banco é largo, o banquinho é comprido?

E se nada disso bastar, ainda há o “carpa vermelha, carpa verde e o burro”! Quanto ao “fertilizante preto pode evaporar”, essa arma letal melhor deixar guardada — seria cruel demais para uma estrangeira. Isso seria pura maldade.

***

Jiang Yingzi massageava as têmporas, exausta. O motorista da empresa estacionou o carro, abriu a porta para ela e Jiang Yingzi desceu, fitando a própria casa. Naquele horário, seu filho ainda não deveria ter voltado. Quanto à filha...

Ao lembrar do olhar obstinado de Li Yingwan, Jiang Yingzi sorriu, resignada.

Não entendia bem por que a filha insistia em ir para aquela cidade na China, mas já começava a suspeitar do motivo. Quanto àquele jovem extraordinário, Jiang Yingzi também sentia uma certa curiosidade, porém... Se sua filha realmente conseguisse se aproximar dele, talvez não fosse algo ruim.

Entrou em casa, trocou os sapatos. No fim, foi ela quem teve de assumir a administração da empresa do marido. Jiang Yingzi andava muito cansada, mas ao menos a fase mais difícil já havia passado. Com o desaparecimento de He Zhengyu, ninguém na empresa conseguia se impor. Seu próprio cansaço vinha apenas do esforço de reorganizar tudo e recolocar os negócios nos trilhos. No início foi difícil, mas depois que ela tomou coragem e demitiu dois elementos resistentes, tudo deslanchou. Afinal, numa sociedade capitalista, sem o outro sócio, He Zhengyu, Jiang Yingzi era a única detentora do capital. Bastava deixar de lado a fraqueza e agir com determinação para se manter no comando.

Entrando em casa, foi primeiro à cozinha, serviu-se de um copo d’água, e ao voltar para a sala...

— Ah!

Um grito agudo e o copo caiu de sua mão.

No sofá da sala, estava sentado um homem. Um estrangeiro, de pele clara, casaco preto, aparência comum, mas com um sorriso arrogante.

Jiang Yingzi tinha certeza de que, antes de entrar na cozinha, não havia ninguém ali!

— Senhora Jiang — disse o homem calmamente —, sugiro que não tente gritar ou chamar a polícia. Minha vinda não é necessariamente com má intenção, mas se agir de modo precipitado, não posso garantir o que poderá acontecer.

Apontou para outro sofá:

— Por que não sentamos e conversamos?

Falava um coreano perfeito.

Jiang Yingzi hesitou. Depois de tudo pelo que passou — a tragédia daquela noite, a morte do marido, a reorganização da empresa —, já não era mais a mulher frágil de antes. Ainda com certo receio, sentou-se.

— Ótimo, gosto de lidar com pessoas sensatas.

O homem sorriu:

— Deixe-me apresentar: pode me chamar de Anderson. Meu objetivo hoje é simples... A empresa que está sob sua gestão, ou melhor, que herdou de seu falecido marido, na verdade... pertence a nós.

Anderson olhou para Jiang Yingzi, falando pausadamente:

— Seu marido, Li Donghe, era um dos nossos gerentes de operações. Recebeu, durante alguns anos, apoio financeiro e recursos de nossa empresa. Esses investimentos foram cruciais para o crescimento do negócio dele. Na prática, Li Donghe já tinha se tornado nosso parceiro há dois anos. Nós os chamamos de... Garimpeiros.

— Garim... Garimpeiros? — Jiang Yingzi, confusa, logo se irritou: — Que absurdo é esse?! Está dizendo que minha empresa pertence a vocês? Ridículo!

— Não, não — Anderson sorriu com polidez —, é um fato. Posso apresentar provas, mas não é o principal motivo da visita. Ficamos satisfeitos em ver que administra bem a empresa, e podemos inclusive continuar oferecendo apoio. Em outras palavras, você pode assumir o lugar do seu marido como nossa nova Garimpeira.

— No entanto...

— Hoje vim tratar de outro assunto. Tenho algumas perguntas que preciso que responda.

— Q-quais perguntas?

— De acordo com minhas investigações, o responsável pela morte do seu marido, Li Donghe, o Garimpeiro, foi He Zhengyu. É vergonhoso admitir que permitimos que um estranho prejudicasse um dos nossos. Pela regra, eu deveria investigar e vingar pessoalmente. Mas, infelizmente, descobri que He Zhengyu, o assassino do nosso Garimpeiro, já está morto. Sobre isso, tem algo a me contar?

— ...Não! Não entendo nada do que está dizendo! — Jiang Yingzi respondeu furiosa. — Não importa quem você seja, se não sair imediatamente da minha casa, chamarei a polícia!

Anderson suspirou:

— Vejo que não pretende colaborar.

De repente, sorriu:

— Mas há formas de conseguir as respostas que preciso. Peço desculpas, mas talvez o que virá a seguir seja um pouco invasivo.

O sorriso dele gelou o coração de Jiang Yingzi. Anderson tirou do bolso uma pequena caixa, dela retirando uma seringa com líquido azul-claro.

Jiang Yingzi levantou-se apressada, recuando, tentando gritar e procurando apressadamente o celular em sua bolsa. Mas, antes que conseguisse, uma mão tapou sua boca por trás.

Atrás dela, uma mulher trajando couro preto, com um sorriso cruel no rosto, sussurrou ao seu ouvido:

— Calma, seremos rápidas...

*

Toc, toc, toc.

*