Capítulo noventa e dois: Deixe-me lhe contar com calma

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 4724 palavras 2026-04-01 16:29:01

A batida do coração de Chen Nuo parecia ecoar dentro dele.

O tique-taque do relógio de parede do quarto soava no silêncio.

Ambíguo?

Ambíguo coisa nenhuma!

Era susto.

A imagem de Lu Xixi naquela noite, arremessando o senhor Guo ao chão e surrando-o com um galho até transformá-lo num pião, ainda estava vívida diante dos olhos de Chen Nuo.

Ele piscou, aturdido.

— Não, espera. O que foi que você acabou de me chamar?

Lu Xixi piscou de volta, confusa.

— Hã? Eu chamei o quê?

Chen Nuo achou que a própria cabeça estava embaralhada — sem saber ele que, naquele instante, a cabeça de Lu Xixi estava ainda mais feita uma bagunça.

Aqueles olhos sedutores fitavam Chen Nuo, embora sem conseguir realmente focá-lo.

Havia neles um véu de perplexidade, de desorientação, de atordoamento.

Digamos assim: como alguém de tolerância mediana que vira duas garrafas de licor barato, passa meia hora digerindo aquilo e então sai para ser golpeado pelo vento.

Nos sonhos, ela ouvia sempre uma voz feminina, grave e rouca, chamando “marido”.

Lu Xixi despertara por obra do acaso, vira diante de si aquele homem mexendo no próprio traseiro e, quase por reflexo, soltou um “marido”.

Com ponto de interrogação.

Chen Nuo ficou tonto.

Marido?

Que marido?

De onde saiu esse marido?

Como assim, marido?

Pelo enredo habitual, quando a imperatriz acorda, não deveria primeiro perguntar “onde estou?” ou “quem é você?”?

Nesta vida, Chen Yama e a imperatriz ainda nem sequer haviam se encontrado.

Sabia que ela era louca, mas não imaginava que fosse ao ponto de, ao se verem pela primeira vez, já chamar “marido”.

Depois de alguns segundos, o olhar de Lu Xixi foi ganhando foco a partir da névoa.

— Que lugar é este?

Sim, essa fala estava certa.

Mas a frase seguinte...

— Quem sou eu?

Hã?

Não devia ser “quem é você”?

Chen Nuo ficou ainda mais estupefato.

Chen Yama olhava boquiaberto para a imperatriz do céu estrelado... com a mão ainda apoiada no traseiro alheio, sem se mover.

Esquecido.

Lu Xixi estava com a mente completamente em confusão; inúmeras perguntas saltavam em seu coração, sem que uma única resposta surgisse.

Como havia acordado deitada num quarto desconhecido?

Como havia um homem estranho ao seu lado, tocando-lhe o traseiro?

Como no sonho ouvira uma voz feminina chamando sem parar por marido — era ela mesma?

E então, por fim, a pergunta clássica da filosofia:

Quem sou eu? Onde estou? O que estou fazendo?

— Eu... eu não consigo lembrar de nada? — Lu Xixi olhou para Chen Nuo com um pânico indefeso, e seus olhos continuavam perigosamente sedutores.

Chen Nuo não respondeu; não sabia como reagir.

Lu Xixi ficou ainda mais aflita, agarrando os próprios cabelos com força.

— Eu... eu não consigo me lembrar... quem, afinal, sou eu? Eu...

Chen Nuo, sorrateiramente, tentou recolher a garra, mas, assim que moveu os dedos, Lu Xixi já havia agarrado seu pulso.

— Você... você sabe ou não? — a voz dela tremeu. — Você me conhece, sabe de mim, não sabe? O que é este lugar?

— Ah... você não se lembra de nada?

— Não! Primeiro me diga onde estou! — A Imperatriz Lu parecia prestes a enlouquecer; sua postura estava à beira do colapso.

Chen Nuo sentiu, então, a aura daquela mulher disparar de súbito.

A névoa em seus olhos começava a se transformar numa fúria crescente.

Intenção assassina!

Violência brutal!

Craque!

O espelho do armário de roupas no quarto se partiu de repente!

Sob o desequilíbrio mental, a força de Lu Xixi explodiu sem controle.

Nos olhos da mulher parecia formar-se uma tempestade.

Num estalo do pulso, Chen Yama foi arremessado da beira da cama e bateu contra a parede; quando tentou se debater, Lu Xixi já havia saltado da cama num impulso e, num passo, surgiu diante dele.

Aquelas mãos esguias agarraram-lhe o pescoço, e a voz da mulher, fria e furiosa, cortou o ar:

— Fala logo!! Quem sou eu!! Quem é você!! Que lugar é este!!!

Ela então completou, num acesso ainda mais violento:

— Por que você estava me tocando enquanto eu dormia?!?!

Os dedos se fecharam como garras. Chen Nuo sentiu a respiração apertar.

A força mental de Chen Yama começou, por instinto, a resistir. Sua mão se fechou no pulso de Lu Xixi, tentando arrancar-lhe o braço à força...

Sob a pressão da energia mental, a mão de Lu Xixi pareceu levar um choque e se desvencilhou.

Chen Nuo aproveitou o momento para torcer o corpo e escapar, mas Lu Xixi reagiu rápido demais; agarrou-lhe a roupa e, com um rasgo seco, arrancou-lhe a camiseta inteira.

Chen Nuo esbofeteou a mão dela para longe e, com a outra, tentou pegar-lhe o pulso, mas Lu Xixi se lançou com a cabeça contra o peito dele, prensando-o outra vez contra a parede. Então Chen Nuo sentiu as duas mãos dela agarrando seus ombros, e, de súbito, o mundo girou.

— Ei?!

Um arremesso por cima do ombro!

Chen Nuo foi lançado diretamente sobre a cama; o colchão espesso se desfez em pedaços sob o impacto, e até as molas saltaram para fora.

A armação da cama se partiu com um estalo e despencou no chão.

Lu Xixi já havia se virado e montado sobre ele.

Nos olhos de Chen Nuo brilhou uma centelha sombria; ele ergueu a mão e desferiu um golpe, mas Lu Xixi nem sequer desviou, deixando a palma acertar-lhe o ombro.

Ela cambaleou, mas enlaçou-lhe a cintura com as pernas. Os dois rolaram sobre o colchão já reduzido a nada, e Chen Nuo não conseguiu se livrar, permanecendo sob ela.

Lu Xixi segurou a mão de Chen Nuo e a prensou com força contra o colchão, enquanto a outra voltou a apertar-lhe o pescoço.

— Fala! Quem diabos é você!!! Quem diabos sou eu!! Você é um homem mau! Estava mesmo tentando me fazer mal enquanto eu dormia?!

A força de Chen Nuo já havia explodido por completo, mas, por diferença de nível, ele era totalmente suprimido por Lu Xixi.

Os cantos dos olhos dela se contorciam sem parar; claramente, todo o seu corpo estava fora de controle.

O aperto no pescoço deixava a respiração de Chen Nuo cada vez mais difícil.

Merda, essa velha realmente era forte! Agora ele não conseguiria vencer...

Droga, ela quer mesmo matar alguém!

— Eu... — Chen Nuo exalava em sufoco, quase pondo a língua para fora.

Não consigo falar porra nenhuma!!!

— Você é mau! Você com certeza é mau!! — Os dedos de Lu Xixi apertaram ainda mais.

Nos olhos de Chen Nuo brilhou uma lâmina de frieza. De súbito, uma onda de força irrompeu por todo o seu corpo e, então, Lu Xixi, que estava sobre ele, foi abruptamente repelida!

Ela voou até o teto, quebrando o lustre em estilhaços.

Dois mestres de alto nível explodiram, ao mesmo tempo, com sua verdadeira força.

Bang bang bang bang...

O grande espelho do armário não suportou primeiro e se estilhaçou em explosão.

Quando Lu Xixi caiu no chão, apoiou-se com as mãos e, sem esperar sequer firmar o corpo, fez um movimento no ar: um novo fragmento de espelho já veio parar em sua mão, e ela o lançou de volta contra Chen Nuo!

Chen Nuo praguejou por dentro, enrolando o lençol da cama; sob a força mental, o tecido se condensou em uma espécie de bastão...

Rasga!

O fragmento afiado de espelho, impulsionado pela força da Imperatriz Lu, cortou fora um pedaço do bastão de pano.

Rasga rasga rasga rasga rasga...

No quarto estreito, os dois trocaram golpes sete ou oito vezes em um instante. Quando Chen Nuo olhou de novo para o bastão de pano que segurava, restava apenas um trapo.

Droga, não dá para vencer!

Por fim, Chen Nuo foi novamente agarrado por Lu Xixi e prensado contra a parede; a lasca de vidro do espelho, afiada, encostou em sua garganta.

— Morra, seu canalha!!

Ei! Vamos falar com lógica! Um minuto atrás você ainda me chamava de marido!

— Espera!! — Chen Nuo se rendeu sem hesitar. — Eu não sou mau!!

A lâmina de vidro recuou um centímetro.

— Então fala!! Quem sou eu?!

— Você se chama Lu! O “lu” de cervo!! Nasceu em 7 de setembro! Gosta de sopa picante com batata e de iogurte gelado! Odeia coentro!

A pressão dos dedos afrouxou mais um pouco.

Lu Xixi fitou Chen Nuo.

— Eu... me chamo Lu... hum, parece que é isso mesmo... Então quem é você? E, aliás, por que você estava me tocando agora há pouco?!

Ao pensar nisso, o caco de vidro recuado voltou a se aproximar.

— Eu... — Chen Nuo revirou os olhos e deixou transparecer uma ternura sinceríssima, absolutamente desarmante.

— Eu sou seu marido.

— ...ah... — Lu Xixi soltou uma exclamação baixa, afrouxando a mão. — Então, então que lugar é este?

— Aqui é minha casa... não, quer dizer, é a nossa casa.

Plim!

O caco de vidro caiu ao chão e se despedaçou.

Parecia que a força inteira de Lu Xixi havia sido sugada para fora; ela caiu de joelhos no chão.

Cobriu o rosto com as mãos.

— Eu... eu não me lembro de nada... não me lembro de nada...

Chen Nuo ficou em silêncio por alguns segundos. Seus olhos mudaram várias vezes, até finalmente assumirem o rosto de um jovem sincero e inofensivo, com um olhar de pureza quase absurda.

Chen Yama se agachou diante da Imperatriz do céu estrelado.

— Não se apresse. Escute eu te explicar devagar... quer dizer, escute eu te contar devagar, tá?

Não admitir que era o marido?

Se tivesse hesitado um segundo a mais, provavelmente teria o pescoço atravessado.

— Estamos casados há mais de um ano. No começo estava tudo bem, mas depois sua cabeça começou a ter uns problemas e você passou a enlouquecer de vez em quando. Às vezes era um surto a cada dois ou três dias, às vezes um surto por dia... Sempre que você tinha essas crises, perdia a memória, não lembrava de nada, me tratava como um estranho. E depois quebrava tudo em casa, deixando tudo uma bagunça.

— Ah... eu, eu sou assim...? — Lu Xixi ergueu as mãos para o próprio rosto, olhando para Chen Nuo com inocência.

— Sim! Claro que é!

Naquele momento, os dois estavam sentados na sala, e Chen Nuo apontou para a televisão e para o ar-condicionado.

— Olha só, esses aparelhos são novos, certo?

Mas repara como nossa casa é velha! Numa casa tão velha assim, de onde teriam saído tantos eletrodomésticos novos?
Porque os antigos foram quebrados por você quando surtava.

— U... — Lu Xixi pareceu tomada por um leve pavor. — Eu... eu sou tão exagerada assim?

— Ah, também não dá para culpar você. — Chen Nuo falou com suavidade. — É doença, não é culpa sua. Só é uma pena que nossa família já não tenha dinheiro... e o nosso pai também está doente.

— Se não acredita, vai ver: o nosso pai está deitado no quarto ao lado!

— Ah!

Lu Xixi se levantou de repente e correu para o outro cômodo. Abriu a porta e espiou.

Na penumbra, viu de fato um velho de meia-idade estirado na cama.

Atrás dela, a voz desse marido desconhecido soava preocupada.

— O nosso pai teve um derrame cerebral... Já estamos financeiramente apertados por causa do tratamento dele...

— E você ainda vive quebrando as coisas...

— Isso só faz a família que já não é rica sofrer ainda mais.

De fato, havia um cheiro de remédio no quarto.

No coração, ela acreditou em três partes.

Esse homem... realmente não é um homem mau?

Pensando bem... que vilão levaria uma garota para a própria casa depois de fazer algo ruim, quando ainda há um doente na família? Isso não faz sentido.

— Ma... mas eu sou mesmo sua esposa? Você é mesmo meu marido? Você... tem alguma prova?

— Fotos?

— Ah, isso! Temos fotos de casamento e documentos, não temos?

Chen Nuo mostrou um ar gasto e cansado; tirou um maço de cigarros e acendeu um.

Depois de dar uma tragada, falou com uma calma quase indiferente:

— Ah... não temos mais. Já era. Alguns meses atrás, quando você teve um surto, queimou tudo num incêndio.

Lu Xixi ficou desconfiada.

— Então... como é que você prova que é meu marido?

Chen Nuo pensou por um instante, aproximou-se dela e sussurrou em seu ouvido:

— No seu corpo... bem, naquele lugar... tem uma pinta vermelha do tamanho de um grão de arroz.

Ao ouvir isso, Lu Xixi corou e correu para o banheiro.

Passado um momento, a mulher saiu como quem perdeu a alma, com as pernas um pouco bambas.

— Eu... eu sou mesmo sua esposa... você é mesmo meu marido?

— E não é?

A Imperatriz Lu se sentou, esforçando-se para digerir o turbilhão em seu coração...

— Então, como é mesmo meu nome?

— Você se chama Lu Yi... — Chen Nuo pensou nisso e, de repente, recordou-se de quando trocara suas roupas naquela noite... e corrigiu de imediato:

— Você se chama Lu Yiyi.

Sim, o “C” não merece você; o “E” é o certo.

Ao ouvir isso, os olhos de Lu Xixi se tornaram ligeiramente enevoados.

Lu Yiyi?

Parece familiar...

Sim, vagamente ela sentia que seu sobrenome devia ser Lu.

E que os dois caracteres seguintes deviam ser repetidos.

Silêncio por muito tempo...

Um minuto, cinco minutos, dez minutos...

As lágrimas começaram a cair, gota a gota, de seus olhos.

No peito, havia mágoa, medo e também uma culpa profunda.

Por fim, Lu Yiyi ergueu a cabeça.

— Aquele... você...

— O quê?

— Ma... marido... — a palavra saiu meio torta, e o rosto dela também se tingiu de vermelho. Em voz baixa, disse:

— Marido... me desculpa.

— Hum, tudo bem. Da próxima vez não faça assim.

À noite ainda haverá mais um capítulo.

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