Capítulo Quarenta e Oito — Sinais de Suspeita

Mantenha a calma, não se arrisque Dançar 3848 palavras 2026-01-30 14:14:42

Capítulo Quarenta e Oito – Comportamento Suspeito

Em meados de março, caiu uma chuva em Nanjing, marcando a chegada da primeira chuva da primavera de 2001. Nos dias seguintes, o tempo foi esquentando aos poucos.

Chen Nuo voltou a matar aulas. Aparecia na escola de vez em quando, dava uma volta, e sumia. Às vezes, nem dava as caras de manhã, só aparecia à tarde para marcar presença.

Por causa do velho Sun, a professora Wu, a orientadora da turma, sabia que Chen Nuo estava trabalhando, então era especialmente tolerante com ele. Claro, havia outro motivo: na prova do meio do semestre, Chen Nuo tirou novamente uma nota muito boa. Notas satisfatórias e uma situação familiar especial; esses dois fatores juntos eram suficientes para que a professora fechasse os olhos para as faltas de Chen Nuo.

Afinal, o Oitavo Colégio não era uma escola de destaque. Alunos como Chen Nuo, com uma vida difícil, que não se perdiam como outros delinquentes e ainda conseguiam boas notas, trabalhando... então que trabalhe. Se não conseguir passar para a universidade, pelo menos precisa de um caminho.

Mas, aos olhos de Sun Keke e Li Yingwan, o comportamento de Chen Nuo estava muito suspeito ultimamente. Durante as aulas, Sun Keke costumava observar Chen Nuo em segredo e via que ele estava sempre escrevendo e rabiscando em um caderno. Ela tentou se aproximar para espiar algumas vezes, mas ele sempre a impediu com muita cautela.

Sun Keke tinha a sensação de que aquele rapaz estava tramando algo em segredo, se preparando para alguma coisa. A própria “deusa da escola”, Sun, chegou a matar aula duas vezes para ir até a loja de motos do irmão Lei procurar por Chen Nuo. Nas duas vezes, voltou de mãos abanando.

Embora o irmão Lei fingisse, com uma atuação digna de Oscar, dizendo que tinha mandado Chen Nuo resolver uns assuntos, Sun Keke continuava desconfiada... Principalmente porque o careca Lei era educado demais com Chen Nuo, nada parecido com a típica relação entre patrão e empregado.

Mas Sun Keke não podia perguntar mais nada. O irmão Lei parecia muito ocupado. Sua loja tinha dobrado de tamanho, ele tinha alugado o ponto ao lado e uniu as duas lojas. Agora, havia muitas motos elétricas novas expostas. Nas duas vezes em que Sun Keke foi lá, estavam acontecendo promoções e o movimento era intenso.

Como era tímida, vendo o irmão Lei tão ocupado, não quis tomar mais o tempo dele e saiu decepcionada.

Os pensamentos de Sun Keke eram uma coisa. Já os de Li Yingwan, outra. A garota de pernas longas via o Chen Nuo como um super-herói oculto em meio à sociedade... E não era para menos; desde aquele episódio em que Chen Nuo apareceu como um anjo salvador, a cena ficou profundamente gravada em sua mente.

Para Li Yingwan, esse super-herói estava, provavelmente, planejando alguma missão secreta... talvez até para derrotar um grande vilão e salvar o mundo.

Bem, nessa idade, não é só os meninos que têm delírios de grandeza; às vezes, as meninas também.

·

Toc, toc, toc.

No momento, Sun Keke estava na sala, assistindo desenho animado com Chen Xiaoye, quando virou a cabeça na direção da porta.

Chen Nuo saiu da cozinha, com as mangas arregaçadas e as mãos ainda molhadas, indo abrir a porta.

Ao ver quem era, Sun Keke se surpreendeu. Através da fresta, dava para ver claramente uma cabeça reluzente.

A imagem do irmão Lei era realmente inconfundível.

— Por que veio tão tarde? — Chen Nuo sorriu.

Irmão Lei riu e tirou de dentro do casaco um envelope pardo, recheado, e entregou a Chen Nuo.

— Acabei de pegar isso à tarde. Achei que você estivesse com pressa, então trouxe logo.

Chen Nuo recebeu o envelope, não abriu, apenas assentiu.

— Obrigado pelo esforço.

— Que isso! Não foi nada! — Irmão Lei espiou discretamente para dentro do apartamento e viu Sun, a deusa da escola, sentada na sala. Imediatamente desistiu de entrar.

Veja só, o irmão Lei sabia das coisas.

Chen Nuo entendeu o olhar de riso no rosto de Lei, mas não explicou nada; ao contrário, saiu e fechou a porta atrás de si.

— Está tudo pronto. Encomendei profissionais para cuidar de tudo, conforme a sua lista. Hoje já foi enviado. Quando chegar, é só assinar e receber.

— Certo — Chen Nuo respondeu, depois olhou para Lei. — Algum problema na loja? E aquele Li Qingshan...?

— Não, aquele velho não deu sinal de vida... Ouvi dizer que, depois de cair na água, ficou doente e quase morreu de pneumonia. Hahaha! Bem feito para ele. Agora está quietinho.

Chen Nuo assentiu:

— Qualquer coisa, pode me ligar.

Irmão Lei riu, fez um comentário e foi embora.

Chen Nuo voltou para dentro e viu Sun, a deusa da escola, olhando para ele.

— Por que tenho a impressão de que está me escondendo alguma coisa?

Chen Nuo sorriu:

— Que isso, esconder o quê?

Sentou-se no sofá, pegou Chen Xiaoye, pôs a menina no colo e cutucou seu narizinho.

Chen Xiaoye riu, sentindo cócegas.

Chen Nuo a soltou, bagunçou seus cabelos e disse:

— Vai lavar as mãos para jantar.

Vendo a menina sair pulando, Chen Nuo olhou para Sun:

— Na verdade, preciso te contar uma coisa.

— O quê? — Sun se surpreendeu.

— Em breve, vou precisar viajar para outra cidade, ficar uns três ou quatro dias fora.

— Hã? — Sun ficou atônita, depois se recuperou. — Vai fazer o quê? Para onde? Vai matar aula de novo?

— Trabalho.

Chen Nuo mentiu sem piscar:

— O irmão Lei vai receber uma remessa de motos, e eu vou com ele negociar com o fabricante. É uma oportunidade de aprender o processo e como fazer negócios no futuro.

Sun hesitou. Sentia que algo estava fora do lugar, mas não sabia exatamente o quê. Chen Nuo vivia trabalhando e matando aula, parecia já ter desistido da universidade. Além disso, agora ainda precisava sustentar a irmãzinha. Pensando bem, focar no trabalho fazia sentido.

Mas... ainda assim, sentia que havia algo estranho.

Chen Nuo disse devagar:

— Coincidentemente, nos dias em que eu estiver fora, vai cair num fim de semana, e a Xiaoye não tem aula na creche. Você pode cuidar dela por dois dias para mim?

— Quando você vai?

— Sexta-feira da semana que vem.

— Hã? — A garota calculou, hesitou: — E quando volta?

— Uns três, quatro dias. Vou na sexta, passo o fim de semana e volto lá pela terça-feira.

Sun Keke ficou aliviada, corou:

— Tá bom, vou avisar meu pai. Não deve ter problema. Na sexta vou buscar a Xiaoye.

Na verdade, Sun Keke guardou uma coisa para si. Voltando na terça dava tempo... porque na quarta, dia 25 de março, era seu aniversário.

Sim, pelo costume local, ao fazer esse aniversário, Sun completaria dezoito anos.

Pensando nisso, a garota corou ainda mais, mas logo viu o envelope pardo na mesa:

— O que é isso?

— Documentos do fabricante — disse Chen Nuo, pegando o envelope e indo para o quarto. Logo voltou e chamou Sun:

— Vamos, jantar. Depois te levo para casa.

·

20 de março de 2001.

Por volta das quatro da tarde.

Capital do Nepal, Catmandu.

Catmandu, em 2001, tinha um aspecto decadente, sujo e caótico. Ruas estreitas, construções baixas... Naquele tempo, fora os templos das áreas turísticas, a cidade parecia um imenso bairro de favelas.

Vinte anos depois, ficou um pouco melhor, mas não muito.

As ruas apertadas eram cheias de gente, quase todos vestindo roupas marrons e cinzas. Carros e motos velhos e barulhentos serpenteavam nas vias, buzinando sem parar. O ar estava saturado de fumaça e poeira.

Muito moradores cobriam o rosto e a boca com lenços. Crianças sujas corriam e brincavam descalças.

E pensar que, vinte anos depois, alguns “intelectuais” na internet declarariam esse lugar como a cidade com maior índice de felicidade do mundo...

Ruas e becos lotados de lixo jogado ao acaso, casas caindo aos pedaços, cabos elétricos emaranhados em postes como colmeias.

Os moradores usavam roupas gastas. Qualquer cidadezinha chinesa dos anos 80 era muito melhor.

Nos becos, havia figuras suspeitas tentando te vender certa folha...

E chamam isso de um dos lugares mais felizes do mundo?

Tudo propaganda de blogueiros de turismo, enganando jovens deslumbrados a fazer mochilão e “peregrinações”.

·

Na porta de uma hospedaria chamada “Casa Mandap”.

O prédio de tijolos marrons e vermelhos era típico da era colonial britânica, já bem desgastado. O tapete artesanal da entrada estava tão sujo que não se distinguia mais sua cor original.

O saguão, estreito, tinha um balcão de madeira com detalhes em bronze. O recepcionista, com um uniforme evidentemente desajustado, estava largado, sonolento.

Tlin-tlin. A porta se abriu.

Uma figura entrou cambaleando até o balcão.

— Quero um quarto, fiz reserva.

O inglês era impecável.

O recepcionista levantou a cabeça, olhando preguiçosamente para o hóspede. Estatura mediana, cabelo curto, jaqueta preta, o rosto coberto por um lenço.

O cliente tirou devagar o lenço do rosto, revelando a metade inferior, coberta de poeira do caminho; a pele abaixo dos olhos tinha um tom diferente da parte superior.

Chen Nuo sorriu levemente, exibindo dentes brancos, tirou o passaporte e uma pilha de dólares do bolso e pôs no balcão.

— Quero um quarto com água quente 24 horas. E, por favor, traga o jantar no quarto, mas nada de comida local. Só pão, estilo ocidental.

Em 2001, Catmandu podia ser comparada à Índia: sujeira e caos no mesmo nível. O mesmo valia para a comida. Se você ousasse comer a comida local, podia se preparar para uma bela diarreia.

O recepcionista, com má vontade, fez o check-in e jogou uma chave sobre o balcão.

Chen Nuo pensou um instante, pôs dez dólares sobre o balcão:

— Tenho uma encomenda chegando aqui para mim. Você pode verificar? Se chegar, por favor, entregue no meu quarto.

O verde dos dólares animou imediatamente o funcionário.

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