Capítulo Oitenta e Seis – A Arma Divina Incomparável (Terceira Parte)
Lúcio Espada Leste bateu levemente o pé e ordenou: “Abra!” Uma fumaça negra se agitou ao redor de seu corpo, lançando-se em direção a um buraco sob a velha árvore de acácia. No ar, uma onda sutil e desconhecida ondulou. De repente, o buraco tornou-se escuro e profundo, parecendo levar a um lugar incerto.
Caio Longa Vida sorriu: “Olhe para aquele buraco escuro à frente, deve ser o covil do ladrão. Deixe-me ir até lá e matá-lo completamente!” Desde que entrou no caminho da cultivação, era a primeira vez que explorava a Cidade Sombria pessoalmente, sentindo-se realmente empolgado, quase como um ator tomado pela loucura.
João Forte torceu a boca, pensando consigo: “Que caminho pode ser esse, aberto por esse ‘fantasma próprio’? E ainda tem esse nome, Cidade Sombria... está cada vez mais perigoso.” De repente, lembrou-se da experiência de carregar o raio na Montanha Vermelha e, por reflexo, quis recuar.
Caio Longa Vida agarrou-o: “João, você não pode ir embora. Você representa o oficialismo, pode testemunhar para mim e para a jornalista Fabiana.” Na verdade, queria apenas arrastar João para o barco. Nessas coisas estranhas, ter um funcionário oficial envolvido era melhor do que deixar tudo nas mãos do ‘Mestre Caio’. Afinal, hoje em dia a busca pela verdade é implacável.
“Eu...”
João pensou: “Desde que te conheci, só caio em armadilhas por sua causa.” Estava prestes a recusar, quando ouviu Fabiana dizer ao lado: “Senhor Caio, eu vou!” Sem palavras, ela ergueu o pescoço e declarou: “Claro, sou policial. Como posso recuar nesse momento?”
“Então, vamos. Essa Cidade Sombria não é nada demais, é apenas um lugar onde almas aguardam pela reencarnação, não podem fazer mal. Encontrando alguém como João, com uma energia vital tão forte, eles até fogem. Portanto, fiquem tranquilos.”
Caio Longa Vida estendeu dois dedos e os passou sobre os olhos dos dois: “Abri temporariamente seus olhos espirituais. Podem ver os espectros da Cidade Sombria. Se encontrarem algum com forma sólida, apenas evitem de longe e não os provoquem. Vamos!”
Vendo que ambos assentiram, Caio Longa Vida segurou-os pelos braços e juntos saltaram pelo ar, seguindo o velho fantasma Lúcio Espada Leste, adentrando o buraco da árvore.
“Pum!”
“Ai, ai, que dor!”
“Caio, o que...”
Pensaram que iriam chegar a algum mundo pequeno, cercados por sombras de fantasmas, energia sombria ao longe, novos espectros conversando, velhos fantasmas patrulhando, o Mestre Caio dominando o lugar, atraindo olhares invejosos de João e Fabiana...
Mas ao atravessarem, os três colidiram fortemente com a árvore. Caio ficou tonto, João foi ainda pior, com um grande galo na cabeça, e Fabiana teve metade do rosto vermelho e inchado.
Olharam para Caio Longa Vida entre lágrimas e risos. Não era para entrar na Cidade Sombria e ver muitos espectros? Eles finalmente haviam decidido enfrentar a realidade, estavam prontos para tudo, mas acabaram batendo a cabeça na árvore?
“Caio, se não me engano, acabamos de bater na árvore, certo?” João perguntou seriamente.
“Com certeza, doeu muito...” Fabiana acariciou o rosto, olhando para Caio Longa Vida com olhos complexos. Esse ‘Mestre Caio’ era confiável ou não?
“Lúcio Espada Leste!”
Caio Longa Vida sentiu-se envergonhado e irritado. Que situação era essa? Grande Lúcio, que caminho é esse? O prestígio do Mestre Caio estava sendo arruinado.
“Ah, mestre, você é rápido mesmo. Por que me seguiu tão rápido...”
Uma fumaça negra saiu do buraco e se condensou em forma humana. Lúcio Espada Leste sorriu amargamente: “A Cidade Sombria não é um mundo separado, é apenas a velha acácia acumulando energia sombria, abrigando fantasmas. Com o tempo, tornou-se uma Cidade Sombria. Os espectros podem entrar e sair facilmente, mas vocês, com corpos físicos, não podem entrar.”
Caio Longa Vida, frustrado, perguntou: “Mas eu vi claramente o buraco se transformar, ficando escuro e profundo. Por que não era uma passagem?”
“Ilusão, só pode ser ilusão! Você deve ter usado seus sentidos espirituais ou algum método especial para ver a energia sombria, mas isso não é um caminho. Se você fosse um espírito sombrio, poderia entrar junto comigo. Com corpo físico, é impossível.”
Caio Longa Vida ficou sem palavras. Realmente, sua jornada havia sido fácil demais: abriu os sentidos espirituais, ativou os meridianos, domou fantasmas com risos. Seu ego cresceu. Cidade Sombria é apenas um local de concentração de almas, não um mundo separado. Fantasmas entram e saem como fumaça, mas corpos físicos não. Desde que adquiriu poderes, começou a se considerar um imortal, tornando-se arrogante e esquecendo princípios fundamentais.
Cultivar é também cultivar o coração. Caio Longa Vida advertiu-se silenciosamente: nunca mais ser cegamente confiante ou arrogante.
“Mestre, não se preocupe. Humanos não podem entrar na Cidade Sombria, mas os espectros podem vir ao mundo dos vivos. Vou causar uma confusão lá dentro, não temo que o verdadeiro dono apareça. Se ele aparecer, eu o trarei até você.”
Lúcio Espada Leste riu e virou-se, prestes a entrar novamente no buraco.
“Espere!” Caio Longa Vida retirou um papel de talismã amarelo e desenhou um símbolo ali mesmo: “Este é o ‘Talismã de Aviso Sombrio’, permite comunicação com espectros. Leve-o. Se o verdadeiro dono estiver na Cidade Sombria, ao ver este talismã, virá até mim sem resistência, poupando-lhe o trabalho de lutar.” Ele balançou o talismã, que queimou espontaneamente. Lúcio Espada Leste ficou com um talismã idêntico ao que acabara de ser queimado.
Consumindo-se, transforma-se no mundo sombrio, significando ‘extinção do sol, nascimento do escuro, fim do escuro, formação do sol’, um dos princípios do mundo, não criado por grandes poderes.
“Mestre, aguarde um momento.” Lúcio Espada Leste assentiu ligeiramente e se transformou em fumaça negra, sumindo no buraco.
João Forte ficou impressionado: “Esse velho fantasma é sensato, não nos leva a bater na árvore.”
Fabiana concordou: “Bater na árvore dói demais.”
Caio Longa Vida lançou-lhes um olhar, mas decidiu firmemente: os espíritos de luz e de sombra precisam ser refinados logo. O espírito de luz é coisa de imortal, muito distante. Se ele tivesse cultivado o espírito sombrio, não teria passado vergonha hoje. Para honrar o título de ‘Pequeno Mestre’, Caio precisa se esforçar ainda mais.
Logo após Lúcio Espada Leste entrar na Cidade Sombria, a velha acácia começou a tremer. Uma fumaça negra surgiu, era Lúcio Espada Leste com o rosto um tanto aflito, seguido por uma luz vermelha como um arco-íris, que rapidamente o alcançou.
“Cuidado!”
Caio Longa Vida viu a luz vermelha e sua expressão mudou. Rapidamente agarrou Fabiana e João, levando-os a dezenas de metros de distância, escondendo-os atrás de uma pedra, e sussurrou a João: “Você pode selar temporariamente esta Montanha Vermelha?”
“Fique tranquilo, já está selada. Se o diretor me repreender, eu aceito!”
“Ótimo trabalho!”
Caio Longa Vida elogiou, saltando de volta. Pisou firme, com relâmpagos ao redor, apontou para a luz vermelha que perseguia Lúcio Espada Leste e invocou: “Relâmpago, venha!”
“Mestre, não! Isso é uma alma de espada. Não é tão difícil de controlar quanto o espírito de uma espada celestial. É o espírito formado pela fúria de uma espada famosa quebrada. Se capturada, será uma arma lendária! Destruí-la seria um desperdício!”
“Alma de espada?”
Caio Longa Vida ficou surpreso e, em seguida, exultante.