Capítulo Quarenta e Nove: O Velho Wang sob a Luz dos Relâmpagos

O verdadeiro medíocre Coração de Luz e Sombra 2482 palavras 2026-02-07 13:16:38

Wang Qiang estava deitado entre os arbustos, parecendo um coelho branco assustado, e ainda por cima um coelhinho de bexiga cheia. Chamar o principal detetive da divisão de polícia criminal de Chu de coelhinho branco parecia uma piada de proporções épicas, mas essa era a verdade do mundo.

Aos olhos das pessoas, há sempre aqueles que parecem invencíveis, mas a força dessas pessoas só existe nos domínios em que se sentem à vontade. O “Papai Ma” pode vender bilhões em um único evento de vendas, tão poderoso quanto um navio de guerra, mas diante de mestres trapaceiros, ele não passa de um coelhinho facilmente enganado.

Se jogarmos Einstein diante de Tyson, o gigante da ciência vira um homenzinho tremendo de medo.

Wang Qiang realmente não queria mais brincar disso. Se soubesse, teria ficado quietinho na viatura ouvindo as bravatas do velho He. Quem sabe, com sorte, encontraria alguma bela moça de biquíni, encharcada pela chuva, saindo do lago, e poderia mostrar o zelo de um policial do povo em exercício de seu dever. Mas não, por azar, acabou seguindo Xu Changsheng até esse morro afastado, onde nem cachorro aparece, para topar logo com um velho maluco procurando ser atingido por um raio...

Nuvens negras avançavam pesadas, quase roçando suas cabeças, trovões ribombavam e relâmpagos desciam como cachoeiras. Wang Qiang via, apavorado, cada raio despencando do céu e pulverizando pedras do tamanho de um bezerro. Não achava sua cabeça mais dura que pedra, nem acreditava ter a sorte ou habilidade do irmão Xu, capaz de ir e voltar entre tempestades de raios.

Pensou em sair correndo, mas lembrou das aulas de física: ele era maior que os dois malucos juntos. Se levantasse, viraria um para-raios ambulante com sobrenome Wang... O vizinho Wang é conhecido por segurar as pontas, mas esse Wang aqui não é tolo de segurar raio!

Nesse instante, Wang Qiang pensou em muita coisa: na namorada, doce como mel e ainda noiva; na mãe, que começava a mostrar cabelos brancos; e no futuro promissor que Xu Changsheng tanto lhe prometia. Decidiu continuar fingindo covardia, pois, afinal, saber recuar é sinal de sabedoria.

Mas ficar tanto tempo na mesma posição, deitado na relva, era desconfortável. Quando pensava em se mexer, ouviu uma voz familiar e suave chamá-lo:

— Irmão Wang, grande Wang...

Ao levantar a cabeça, deparou-se com uma cena insólita: Xu, ofegante, parado diante dele, carregando nos braços um velho nu. Sim, reconheceu, era o velho adotivo do homem mais rico de Chu. Atrás deles, as nuvens de tempestade avançavam, e parecia mesmo uma cena de divindades caçando demônios, sendo ele o demônio em questão...

Wang Qiang estremeceu, tomado por um pressentimento ruim. O olhar de Xu era estranho: ansioso, divertido, com um toque de malandragem fatal... Causava-lhe calafrios, como se fosse o lobo mau das fábulas, pronto para devorar o coelhinho no rio.

— Irmão... Xu, o que está fazendo?

Por mais que sentisse o perigo, era um bom policial, dedicado ao povo. Não podia deixar de responder.

— Estou fugindo! Irmão Wang, o que está fazendo aí deitado? Levanta, vem comigo!

Ao acenar, Xu fez Wang Qiang levantar sem nem perceber, ainda recordando de relance que o velho abrira um olho e o olhara.

Assim que se ergueu, Ge Wu You esticou o braço e se jogou no seu peito com agilidade surpreendente, tão rápido quanto um macaco saltando montanhas. Wang Qiang ficou paralisado, sem acreditar que o velho pudesse se atirar em seus braços. Instintivamente, apertou-o, mas o cheiro de suor quase o fez desmaiar.

— Segure firme, rapaz. Não me deixe cair, um dia ainda ganhará com isso.

O velho, semicerrando os olhos, encolheu braços e pernas até virar uma bola de carne com a cabeça branca aparecendo, rolou e se enfiou dentro do uniforme de Wang Qiang, que ficou ali parado, parecendo uma mulher grávida.

Xu olhou para o céu:

— Irmão Wang, se continuar parado, vai acabar atingido pelo raio. Anda logo!

E saiu correndo.

Só um tolo ficaria parado.

O tal “grande teste” do Taoísmo não era obra dos deuses, mas, ao carregar o velho, Xu misturou sua energia com a dele, atraindo o raio. Agora, com Wang no lugar dele, era hora de fugir.

Wang Qiang ficou olhando, abobalhado, a silhueta de Xu se afastando, só reagindo após cinco ou seis segundos, gritando:

— Xu Changsheng, você... você...!

Zás! Um raio caiu com força sobre seu ombro. Wang fechou os olhos, certo de que encontraria Marx no além — e que morte seria, atingido por um raio! Mas, sentindo o corpo arder em dor e um cheiro de carne assada, percebeu que ainda estava vivo.

Não havia morrido? E sentia dor? Entre o alívio e a dúvida, ouviu o velho, fraco, murmurar:

— Se não correr logo, nem que tenha a sorte dos pastores das estepes, eu não aguento. Vamos virar churrasco...

Foi aí que Wang Qiang entendeu, soltando um urro e disparando numa corrida desenfreada, quase igualando Bolt na velocidade.

Nem sabia como conseguiu descer correndo, com nuvens negras e relâmpagos rugindo sobre a cabeça, carregando a bola de carne que o velho se tornara. Tropeçando, rolando, chegou à estrada, onde viu Xu sentado ao volante da viatura, que abriu a porta do passageiro e disse:

— Sobe logo!

Wang Qiang saltou para dentro com um pulo, e Xu acelerou ao máximo, arrancando em direção ao Monte Yunlong.

— O que... o que vocês estão fazendo? — perguntou Wang Qiang, ainda apavorado, sentindo dores lancinantes em todo o corpo. Lembrando-se do sofrimento inexplicável, sentiu uma tristeza imensa. Um velho policial, quase às lágrimas.

Claro, boa parte da raiva era culpa de Xu e do velho louco.

Era demais...

— Desculpe, irmão Wang, mas naquela noite no templo você viu com seus próprios olhos: há coisas no mundo que a ciência não explica... — Xu dizia, acelerando — Por exemplo, como posso dirigir tão rápido sem nunca ter aprendido? É incrível.

— Você... — Wang Qiang estava sem palavras, agarrado ao apoio do carro.

— O velho Ge, como eu, não é normal. Por isso atraímos o tal trovão lendário. Sem conseguir atravessar o teste, só nos restou pedir que alguém de sorte como você aguentasse uns raios. Fica tranquilo, não mata ninguém. Tem até uma história dessas: um estudante salvou uma raposa dos raios...

Wang Qiang assentiu, depois balançou a cabeça, pensando: naquela história, era uma bela raposa; aqui, salvei um velho maluco...

— O que aconteceu hoje, considere como uma dívida minha com você. Se algum dia tiver problemas, pode me procurar, vou ajudar no que puder.

— Sério? — Os olhos de Wang Qiang brilharam; com essa promessa, até aguentaria mais uns raios!