Capítulo 114: Discussão
Após a ordem do Senhor do Palácio Imperial, os guerreiros presentes no grande salão não hesitaram um instante sequer; com um movimento preciso, seus martelos dourados desceram, expulsando violentamente o emissário do Clã das Penas Aladas.
Ao cruzar os portões do Palácio Imperial, o emissário exibia um olhar repleto de ressentimento. Com um tom frio e cortante, murmurou para si mesmo:
— Raça humana, eu jamais os perdoarei!
Sua voz carregava uma intenção assassina profunda. Sem olhar para trás, ele partiu. O que ocorrera naquele dia era, para ele, uma humilhação insuportável.
Logo após sua partida, o Senhor do Palácio Imperial, sentado em seu trono, pronunciou com voz gélida:
— O Clã das Penas Aladas é de uma baixeza sem precedentes. Quando o Império Tongfeng invadiu nossas terras, agimos estritamente dentro das normas estabelecidas. Mas eles? Tiveram a audácia e a falta de vergonha de vir até nós exigir a entrega de um de nossos homens. Não respeitam regra alguma. Sendo assim, não há mais motivos para sermos corteses. Enviem a ordem a todos os Impérios Celestiais da humanidade: convoquem-nos ao Palácio Imperial para discutir as medidas contra o Clã das Penas Aladas!
Ao ouvir o comando, o Grande Ancião, que estava logo abaixo, retirou-se sem hesitar para transmitir a convocação.
No dia seguinte, representantes de diversos Impérios Celestiais convergiram para o Palácio Imperial. Todos emanavam auras poderosas; eram, em essência, Imperadores Celestiais. O salão, naquele dia, fervilhava. Ao entrarem, cada um se curvava com reverência diante do Senhor do Palácio Imperial:
— Saudações ao Senhor do Palácio!
A presença de mais de cem Imperadores Celestiais demonstrava que o Palácio Imperial estava verdadeiramente indignado. Observando-os, o Senhor do Palácio falou lentamente:
— Todos devem ter ouvido a notícia da invasão do Clã das Penas Aladas e do Império Tongfeng contra o nosso povo. Se não fosse pela resistência da Grande Dinastia Zhou, não sabemos quantos territórios teríamos perdido. Contudo, por causa da morte do Imperador Tongfeng, o Clã das Penas Aladas veio pedir satisfações, exigindo que entreguemos o governante da Grande Zhou, sob ameaça de guerra. Digam-me, como devemos lidar com isso?
Mal terminara de falar, o Imperador Celestial Qingmu, um dos mais respeitados entre todos, deu um passo à frente e declarou com firmeza:
— O Clã das Penas Aladas não respeita as normas. Guerras entre impérios devem ser resolvidas pelos envolvidos. Quando eles nos atacaram, ninguém interferiu. Agora que o Império Tongfeng foi derrotado, eles querem se voltar contra toda a humanidade. É uma desfaçatez absoluta. Minha opinião é que, se eles pretendem romper o acordo, devemos lutar. O Império Celestial Qingmu oferecerá cinco milhões de soldados!
Sua voz soou resoluta. O Senhor do Palácio Imperial assentiu, satisfeito. No entanto, nem todos compartilhavam desse sentimento. O Imperador Celestial Haori, apoiado pelo Palácio de Inspeção, interveio:
— Senhor, considero que entrar em guerra com o Clã das Penas Aladas por causa de um simples governante não vale o custo. Se eles querem um homem, basta entregá-lo. Isso pouparia a vida de incontáveis membros de nossa raça. É um negócio vantajoso!
Suas palavras encontraram eco em mais de vinte outros impérios, cujos líderes acenaram em concordância. Eram todos aliados do Palácio de Inspeção. O Senhor do Palácio Imperial franziu a testa e, após um momento, replicou:
— Não se trata de quem entregamos, mas da nossa dignidade. Se entregarmos Su Zhe hoje, e amanhã exigirem a sua entrega, Imperador Haori, a humanidade também deverá se curvar?
— O Senhor do Palácio brinca. Como um mero governante poderia ser comparado a mim? — retrucou Haori.
A raiva brilhou nos olhos do Senhor do Palácio, que então declarou calmamente:
— Muito bem. Já que o Imperador Haori não deseja enviar tropas, não o forçarei. Aqueles que desejam lutar pela humanidade contra o Clã das Penas Aladas, que permaneçam. Os que não desejam, podem retirar-se agora. Não forçarei ninguém!
Sem hesitar, o Imperador Haori sorriu e disse:
— Senhor do Palácio, não sacrificaremos nossos subordinados pelos atos de um único governante. O Império Celestial Haori não tem o hábito de pagar a conta alheia. Com licença!
Ele se curvou e retirou-se, seguido por outros impérios, totalizando trinta e dois Imperadores Celestiais que abandonaram o salão. O semblante do Senhor do Palácio tornou-se sombrio. Ele compreendeu que o Palácio de Inspeção estava por trás daquilo, mas não era o momento para acertos de contas. Ele se dirigiu aos que ficaram:
— Como vocês decidiram permanecer, retornem e reúnam suas tropas na fronteira. Estejam prontos para repelir qualquer ataque do Clã das Penas Aladas.
— Compreendido! — responderam os presentes, retirando-se em seguida.
Quando o salão esvaziou, o Senhor do Palácio suspirou:
— Pequenos atritos com o Palácio de Inspeção eram toleráveis, mas sabotar-nos neste momento é imperdoável. Será que eles desejam trair a humanidade?
O Grande Ancião, ao seu lado, tentou acalmá-lo:
— Não se preocupe, Senhor. O ancestral Pojun está do nosso lado. Eles não conseguirão causar grandes problemas.
Contudo, no instante seguinte, o semblante do ancião mudou drasticamente. Ao observar o Espelho da Luz Profunda, viu que Su Zhe havia ultrapassado as fronteiras do território humano e estava, na verdade, marchando diretamente para o interior do território do Clã das Penas Aladas. O choque foi imediato:
— Senhor, Su Zhe invadiu o território do Clã das Penas Aladas!
O Senhor do Palácio, ao ver a cena, rugiu:
— Avisem todos os impérios! Que se reúnam na fronteira imediatamente! Não tolerarei negligência!
Mesmo que não atacassem diretamente, precisavam intimidar o Clã das Penas Aladas; caso contrário, se o clã enviasse um exército inteiro, Su Zhe estaria perdido.
Enquanto isso, Su Zhe não se importava com as consequências. À frente de seu exército, ele encarava as imponentes muralhas das cidades inimigas. Seus olhos faiscavam com uma intenção assassina avassaladora. A vingança começava ali.