Capítulo Quatorze: Toda a Região Sul

Imortal e Marcial: No Início, Assinei com o Exército da Armadura Negra Lin do Oriente 2871 palavras 2026-02-07 13:25:45

Neste momento, Su Zhe, ao ver Zhang Yu avançando em sua direção, deixou transparecer um brilho gelado em seus olhos. Sem qualquer hesitação, a lança de batalha em sua mão foi lançada ao mesmo tempo.

Um estalo cortou o ar, como se um trovão tivesse rompido os céus, traçando um rastro de luz resplandecente que colidiu diretamente com a alabarda Fangtian. O impacto foi estrondoso; a reluzente alabarda prateada partiu-se ao meio diante dos olhos atônitos de Zhang Yu.

— Como isso é possível! — exclamou ele, pálido como a morte.

A aura que emanava de Su Zhe era infinitamente mais poderosa do que antes. Porém, ele não se deu ao luxo de palavras. Assim que a voz de Zhang Yu se dissipou, Su Zhe continuou seu ataque. Ergueu a perna direita e desferiu um chute devastador em direção à cabeça do adversário.

O ar estalou com o movimento, a bota de batalha desenhando um arco luminoso no espaço, como se um machado colossal descesse sobre Zhang Yu. Este, veterano endurecido pelos campos de batalha, não hesitou: ergueu os braços na tentativa de bloquear o golpe. Mas a diferença de poder entre os dois era agora insuperável; com sua atual força, Zhang Yu não podia resistir ao ataque de Su Zhe.

Com um estrondo, as armaduras nos braços de Zhang Yu explodiram em fragmentos, ferindo-lhe o rosto. Uma trilha de sangue cortou sua face outrora formosa, enquanto os braços se dobravam em ângulos antinaturais, claramente fraturados.

Su Zhe declarou friamente:

— Este chute é pelos vinte mil irmãos do Exército Divino que tombaram em combate!

Ao ouvir isso, Zhang Yu rugiu de fúria, a inconformidade estampada no rosto. Num último gesto desesperado, tentou revidar com uma investida de perna contra Su Zhe. Mas este, já prevenido, respondeu com desprezo e atacou de novo, o golpe tão potente quanto um projétil, rasgando o ar com um uivo.

O chute atingiu em cheio o abdômen de Zhang Yu. Sangue jorrou de sua boca como uma fonte, e seus olhos perderam o brilho, mergulhando numa escuridão crescente, como se estivesse afundando em águas profundas. Zhang Yu, na verdade, já estava preparado para morrer. Traíra seus companheiros, levando o Exército Divino à emboscada. Repetia para si que era o destino deles, mas não conseguia calar a própria consciência.

Porém, quando julgou que a morte era certa, a imagem de sua mãe surgiu diante de seus olhos: cabelos prateados, o rosto enrugado marcado pelo tempo. Recordou-se da infância, quando ela o alimentava, disputando migalhas com cães vadios e sofrendo humilhações. De repente, uma força desconhecida lhe tomou. Ele não podia morrer. Se morresse, o que seria de sua mãe?

No ar, enquanto caía, Zhang Yu estancou o corpo com esforço. Os olhos, embora turvos, reacenderam um lampejo de lucidez — mas o corpo, gravemente ferido, mal lhe obedecia. Sem saber ao certo como, uma peça de jade apareceu em sua mão. Sem hesitar, ele a esmagou, e seu corpo desapareceu dali.

Esse era o talismã de salvação que Li Can lhe entregara ao trair Su Zhe. Agora, cumpria seu propósito. Su Zhe, ao ver Zhang Yu desaparecer, quis persegui-lo, mas já era tarde. Um traço de frustração brilhou em seus olhos enquanto ele se voltava para o Marquês de Guangnan.

O adversário pairava no ar, as mãos desenhando selos mágicos incessantes, como uma divindade entre chamas. Colunas de fogo erguiam-se ao seu redor, ameaçando tomar a forma de serpentes flamejantes, forçando Wu Song a não se aproximar. Não se podia negar: o Marquês de Guangnan tinha, de fato, poder para defender o sul do império.

Su Zhe não hesitou. Com Zhang Yu foragido, restava-lhe enfrentar o Marquês. Embora houvesse certa amizade entre eles, a vingança era prioridade.

— Matem! — bradou Su Zhe.

Saltou como um tigre enfurecido, brandindo a lança que, sob sua força descomunal, chegou a entortar. O Marquês, ao ver tal cena, arregalou os olhos e bradou:

— Arte Suprema do Fogo Celestial, manifeste-se!

Uma nuvem de fogo carmesim ergueu-se sobre sua cabeça, e uma serpente flamejante disparou ao encontro da lança de Su Zhe.

O choque foi titânico; a serpente foi despedaçada, mas Su Zhe também recuou. O Marquês de Guangnan olhou para ele e disse:

— Sempre soube que o Marquês Campeão era de força singular, mas não imaginei que, em tão pouco tempo, atingisse tal patamar. É digno de admiração. No entanto, passar por mim e tomar a Cidade de Guangnan é impossível!

Ao terminar de falar, sangue escorreu-lhe pelo nariz e boca. Usara uma técnica proibida acima de suas capacidades. Os olhos de Su Zhe ficaram ainda mais gélidos. Preparou-se para atacar outra vez, sua energia aguerrida faiscando, fazendo as armaduras dos que estavam perto tilintarem de medo.

Nesse momento, do alto das muralhas, surgiu uma mulher. Vestia um elegante vestido vermelho, que realçava sua figura altiva, os longos cabelos caindo sobre os ombros. A pele translúcida brilhava à luz do sol, e o rosto, de uma beleza incomparável, exalava ao mesmo tempo uma dignidade heroica. Empunhava uma espada, mas não entrou na batalha; limitou-se a encarar o Marquês de Guangnan e disse:

— Pai, não enfrente mais o irmão Su Zhe. Se você tentar detê-lo, eu darei fim à minha vida aqui mesmo!

Enquanto falava, encostou a lâmina no pescoço. Um fio de sangue brotou na pele alva, fazendo o Marquês empalidecer.

— Mingyue, largue a arma! Não faça tolices aqui! — ordenou ele.

— Não estou brincando. Quando estive à beira da morte, o Rei Yuhua foi implacável e não lhe permitiu sair do sul para buscar medicina para mim. Todos os nobres do império temeram ajudar. Só o irmão Su Zhe arriscou tudo e invadiu o território dos demônios para trazer o remédio que me salvou. Se não fosse por ele, eu já estaria morta. Hoje, se você for inimigo dele, eu morro aqui e devolvo a vida que recebi. Você mesmo disse que nenhum membro da família Nangong deve dever nada a ninguém!

Suas palavras ressoaram com firmeza, a voz rouca de tanto gritar. Su Zhe franziu o cenho.

— Mingyue, este não é lugar para você. Não preciso que me devolva nada — disse ele.

Jamais imaginara que as coisas chegariam a tal ponto. Mas Nangong Mingyue sacudiu a cabeça teimosamente, apertando ainda mais a espada contra a pele. O Marquês de Guangnan, incapaz de resistir ao apelo da filha, finalmente cedeu.

Com um estrondo, sua arma caiu ao chão; ele próprio desceu das muralhas e declarou a Su Zhe:

— De hoje em diante, o sul do império é seu.

Havia em sua voz um misto de resignação e alívio.