Capítulo Setenta e Oito: Vingança
— Às suas ordens!
O Senhor do Salão do Imperador Humano apressou-se a responder ao ouvir a voz. Seus olhos, então, revelaram uma profunda inquietação: aquele era o último ancestral sobrevivente da raça humana. Se até ele tombasse, dali em diante restaria apenas confiar em si mesmo. Além disso, estava escrito que, a partir daquele dia, a humanidade atravessaria um período de trevas. Contudo, naquele instante, o velho General Destruidor de Exércitos não se importava com o que se passava no íntimo do outro. Abriu a boca e ordenou diretamente:
— Preparem-se, venham comigo romper o cerco!
O Senhor do Salão do Imperador Humano, ao receber a ordem, não se permitiu hesitar e partiu imediatamente para organizar tudo. Su Zhe, naturalmente, foi colocado no centro da formação. Também ele sentia o peso opressor que pairava ao redor. Contudo, não usou de imediato o Cartão de Invocação Temporária, pois as figuras invocadas só poderiam permanecer por tempo limitado. Precisava aguardar o momento derradeiro para fazer uso do recurso, extraindo assim o máximo de sua utilidade. Caso contrário, se o tempo da carta chegasse ao fim diante de um perigo insuperável, seria o fim.
Naquele exato momento, do lado de fora, as diversas raças já erguiam suas armas, prontas para atacar novamente. Diante de tal cena, o Senhor do Salão do Imperador Humano segurou o braço de Su Zhe com força e disse:
— Fique perto de mim, não olhe para trás, apenas fuja!
Na voz dele, Su Zhe percebeu uma determinação desesperada. Estava claro que, naquele momento, o Senhor do Salão do Imperador Humano estava disposto a se sacrificar. Logo depois, o velho General Destruidor de Exércitos bradou:
— Todos, matem!
Ao som de sua voz, um frio mortal se espalhou pelo ar, e o exército lançou-se ao ataque. Na linha de frente, o General Destruidor de Exércitos avançava como uma lâmina afiada, decidido a romper todas as barreiras à sua frente. Os guerreiros das demais raças, ao vê-los avançar, não hesitaram. Gritaram furiosos:
— Parem-nos!
Um dos poderosos líderes tribais tomou a frente e conduziu seu povo ao ataque. Os confrontos entre as raças, movidos por interesses, sempre foram cruéis. Agora, a posição da raça humana era alta demais, e isso privaria as grandes tribos dos benefícios que julgavam merecer. Assim, era inevitável o confronto.
Por exemplo, o Povo das Sombras, outrora entre os três primeiros, viu seu líder ser expulso da arena após um confronto verbal com Su Zhe, nem sequer ficando entre os cinco melhores. Se não exterminassem os humanos, perderiam muitos recursos. Sem esses recursos, os Sombras poderiam ser gradualmente superados por outros. Isso era algo que jamais aceitariam. Portanto, estavam dispostos a lutar até o fim. Nada é mais importante do que o destino de seu próprio povo. Era uma batalha de vida ou morte.
O velho General Destruidor de Exércitos, empunhando sua lâmina de guerra, parecia um tigre furioso envolto em uma aura dourada intensa; todo seu ser se transformara em uma fera indomável. Apesar da idade, sua experiência só aumentava sua ferocidade. Ao matar, qualquer um que se aproximasse era abatido por um único golpe. O cheiro de sangue e morte tomava conta do campo, e o medo se espalhava entre os inimigos. De fato, aos poucos, ele abria um caminho de sangue.
Os membros das grandes tribos ao redor se aproximavam cada vez mais, mas não conseguiam conter o avanço do velho general. E foi então que, nas profundezas do continente, entre montanhas cobertas por nuvens douradas, pavilhões e torres surgiam e desapareciam na paisagem. Era o território do Povo Celestial.
Naquele momento, o chefe supremo dos Celestiais levantou-se de seu trono. Seus longos cabelos roxos dançavam desordenados ao vento, impulsionados por sua energia. Em seus olhos reluzia uma sede de sangue aterradora. Falou lentamente:
— O homem que matou meu filho apareceu!
Ao som de sua voz, todos os poderosos guerreiros celestiais presentes também se levantaram. No passado, o filho do chefe dos Celestiais, desocupado, costumava perambular pelo mundo e frequentemente arranjava encrenca, oprimindo povos mais fracos. Em certa ocasião, ao adentrar as terras humanas e causar desordem, cruzou acidentalmente o caminho do então maior guerreiro da humanidade, o General Destruidor de Exércitos. Bastaram poucas palavras para que os dois entrassem em combate. O filho dos Celestiais, comparado ao general humano, não passava de um novato; naturalmente, não foi páreo e acabou morto.
Ao saber do ocorrido, o Imperador Humano veio ao local, usou artes secretas para simular a morte do general e fez desaparecer o corpo do jovem celestial. Assim, ao vasculhar por sinais, os Celestiais concluíram que o assassino estava morto e o corpo de seu herdeiro havia sumido. O caso acabou sem solução.
Essa ferida permanecia aberta no coração do chefe celestial. Em seu nível de poder, gerar descendência era algo raríssimo. Ele tivera apenas dois filhos em toda a vida, e um deles fora assassinado; a vingança era inevitável. Agora, ao detectar o inimigo, compreendeu toda a verdade.
Alguns anciãos celestiais adiantaram-se e disseram:
— Mestre, permita-me ir e eliminar esse inimigo!
Falava um deus guerreiro de presença imponente, segurando um machado colossal, exalando um poder avassalador. Mas, antes que terminasse, o chefe celestial o interrompeu:
— Desta vez, irei pessoalmente!
No momento seguinte, saiu do salão, seguido pelos demais. Após sua partida, no campo de batalha, o velho General Destruidor de Exércitos estava banhado em sangue, mas um sorriso brotava em seu rosto. Ele estava prestes a romper o cerco; havia esperança para a humanidade.
Naquele instante, uma força descomunal emanou de seu corpo. Ele olhou para o Senhor do Salão do Imperador Humano e disse:
— Só posso levá-lo até aqui. O caminho à frente cabe a vocês!
Ao terminar, preparou-se para retornar ao cerco, disposto a deter os perseguidores das outras raças. Vendo isso, os olhos do Senhor do Salão do Imperador Humano se encheram de lágrimas, mas ele sabia que, naquele momento, o destino do povo era o mais importante. Precisavam escapar.
Porém, quando finalmente tomou sua decisão, prestes a partir, inúmeras figuras surgiram no céu. Era o chefe dos Celestiais, que fitou o velho General Destruidor de Exércitos e proclamou:
— Matou meu filho, então pagará com a vida do seu povo. Hoje, ninguém sairá daqui!
Sua voz ressoou como uma tempestade, espalhando opressão. Os guerreiros das demais raças recuaram de imediato, abrindo caminho para o chefe celestial. Sem hesitar, ele lançou uma poderosa palma em direção ao velho general. Naquele instante, todos os humanos presentes sentiram os olhos arderem de desespero.
E Su Zhe, enfim, falou:
— Sistema, usar Cartão de Invocação Temporária!