Capítulo Cinquenta e Três: O Príncipe Li em Pânico
Após o término da voz, o Sétimo Ancião avançou imediatamente rumo à frente. Sob seus pés, uma ponte de arco-íris cruzava o céu. Guerreiros de armadura dourada, empunhando martelos, abriam caminho. Durante o avanço, um estrondo grandioso ecoava, fazendo com que o Rei Li, no alto do palácio, não pudesse evitar franzir a testa. Quando se voltou, avistou ao longe um raio de luz colorida aproximando-se, fazendo com que sua pupila se contraísse. Era, sem dúvida, a carruagem do Templo do Imperador Humano.
As habilidades divinas sobre sua cabeça rapidamente se retraíram; embora o império fosse poderoso e, apesar de possuir habilidades extraordinárias, diante do Templo do Imperador Humano, não passava de uma sombra. Su Zhe também franziu o cenho nesse instante. Sabia que o Templo viria recompensá-lo, mas não imaginava tamanha pompa.
Shengxin, por sua vez, estava tomado de dúvida, sem entender o motivo da visita dos representantes do Templo. Nesse momento, o Sétimo Ancião já havia chegado. Sentado em uma carruagem de bronze, seus olhos brilhavam com intensidade magnífica. Gritou com voz furiosa:
— Quem ousa ser desrespeitoso com os heróis da humanidade!
Sua voz trazia consigo uma pressão infinita. Ao permanecer de pé, sua imponência se espalhou por todo o lugar, intimidando todos os presentes. Especialmente o Rei Li, que há pouco exibia arrogância, e agora caiu de joelhos ao chão, abrindo a boca com reverência:
— Saudações, Ancião da humanidade!
Embora não soubesse qual dos anciãos do Templo estava diante dele, compreendia em seu coração que não poderia ser outro. Só um ancião do Templo do Imperador Humano ostentaria tal majestade; os demais não chegariam a tanto.
Quando a voz do Rei Li se dissipou, o Sétimo Ancião sequer lhe lançou um olhar, fixando o olhar em Su Zhe. Desceu da carruagem e, encarando Su Zhe, falou:
— Você é o Rei Zhou, Su Zhe, correto?
Sua voz soou suavemente, com certa cordialidade, totalmente distinta da frieza que mostrara ao Rei Li. Após suas palavras, Shengxin não ousou hesitar, ajoelhando-se ao lado. Ninguém se atrevia a negligenciar um ancião da humanidade, pois quem alcançara tal posição, era sempre alguém de méritos grandiosos e poder incomparável, digno de respeito universal.
Ao ouvir sua voz, Su Zhe também não foi negligente; avançou um passo, curvando-se respeitosamente:
— Sou Su Zhe!
Quando terminou de falar, o sorriso do Sétimo Ancião tornou-se ainda mais radiante. Então, disse:
— Na Terra dos Demônios, você liderou tropas e abateu dezesseis grandes demônios do ranking dos mil, exterminando o Reino de Qingqiu. Trouxe estabilidade à fronteira da humanidade, prestando grande serviço.
— Por ordem do Mestre do Templo, concedo-lhe uma espada de mérito de prata!
Ao soar sua voz, uma espada resplandecente de prata surgiu em suas mãos. O punho era esculpido com dragões, e a luz da espada era tão intensa que todos presentes se sentiram cegados. Diante da cena, Su Zhe não pôde evitar o espanto, nunca imaginando receber recompensa tão grandiosa.
O Rei Li, por outro lado, ficou pálido como a terra. Jamais imaginou que o homem que seu irmão tanto procurava era justamente Su Zhe. Se soubesse antes, teria levado Shengxin diretamente até ele. Agora, diante de tudo, não sabia como agir.
Su Zhe, sem hesitar, avançou e recebeu a espada de mérito com as duas mãos. Pesada, era uma honra imensa. Então, falou:
— Obrigado, Sétimo Ancião!
— Não precisa me agradecer; tudo isso é merecido. Se for agradecer, agradeça a si mesmo. Você conquistou com a própria vida!
Ao dizer isso, o Ancião voltou o olhar ao Rei Li, falando friamente:
— Você é realmente ousado, atacando um herói da humanidade. Diga quem é você!
O rosto do Rei Li ficou ainda mais pálido. Cerrou os dentes e respondeu:
— Ancião, sou o Rei Li do Império Muyun. Vim aqui hoje por decisão própria, sem relação alguma com o império!
Preparava-se para arcar com toda a culpa, pois diante de alguém como o Sétimo Ancião, uma palavra poderia condenar todo o império à destruição. Nesse momento, Shengxin não pôde conter-se. Embora seu tio fosse cruel, era ainda seu parente, e não suportaria vê-lo morrer ali. Suplicou apressadamente:
— Ancião, peço que poupe a vida de meu tio!
Ao terminar, o olhar do Sétimo Ancião tornou-se intrigado; primeiro olhou para Su Zhe, depois para Shengxin. Compreendeu tudo em um instante, mas também interpretou erroneamente a relação entre Su Zhe e Shengxin, pensando que de fato havia algo entre eles. Por isso, não poderia punir o Rei Li de modo tão severo. Ainda assim, atacar um herói da humanidade requer punição.
Pensando nisso, encarou o Rei Li:
— Em consideração à sua sobrinha, escapará da morte, mas não da punição!
Ao terminar, tocou o Rei Li com um dedo.
Num instante, ele sentiu todo seu poder ser selado.
— Passe cem anos como um homem comum, aprenda a cultivar o espírito!
A voz do Ancião era fria. O Rei Li não ousou protestar; ajoelhou-se rapidamente:
— Obrigado por poupar minha vida, Ancião!
Sua voz transparecia gratidão infinita. Aprendeu, enfim, o valor de ter aliados influentes. Pelo que fez, merecia a morte, mas por causa de Shengxin junto a Su Zhe, uma palavra bastou para que recebesse apenas cem anos de selamento, o que era já grande clemência.
O Sétimo Ancião, alheio aos pensamentos confusos do Rei Li, voltou o olhar para Su Zhe e falou suavemente:
— Atualmente, nossa humanidade é fraca, sobrevivendo com muita dificuldade neste continente. Por isso, cada um de nós deve se esforçar, para que nos tornemos fortes. Especialmente vocês, jovens. Trabalhe duro. O Mestre do Templo confia muito em você; se precisar de algo, pode me procurar diretamente no Templo do Imperador Humano!
Enquanto falava, entregou-lhe um amuleto de jade, brilhando intensamente. Ao colocar nas mãos de Su Zhe, sorriu:
— Este é meu amuleto de comunicação, pode me contactar diretamente!
Su Zhe não hesitou, recebendo o amuleto com respeito:
— Obrigado, Ancião, pela confiança!
Sua voz carregava gratidão. O gesto do Sétimo Ancião abriria muitos caminhos para Su Zhe no futuro, e ele era profundamente agradecido.
Após sua fala, o Ancião acenou:
— Não há de quê. Cada geração passou por isso; espero que, quando crescer, ajude também um jovem, e ficarei feliz. A linhagem da humanidade não pode ser interrompida. Não é só por você, é por mim também!
Dizendo isso, subiu na carruagem e partiu.
O Rei Li, nesse momento, olhava para Su Zhe com entusiasmo quase incontrolável. Ter um ancião do Templo como protetor, era como ver diante de si o caminho dourado da glória.
Entretanto, Su Zhe mostrava agora um semblante frio. Fitou o Rei Li:
— A batalha de há pouco, ainda quer continuar? Já que teve sua força selada, não tirarei vantagem. Pode retornar e reunir o exército do Império Muyun; eu esperarei aqui!
Ao soar sua voz, a temperatura ao redor caiu drasticamente.