Capítulo Quarenta e Quatro: Rompendo Barreiras
A raça humana já não via, há muito tempo, alguém com tamanha audácia. Penetrar nas terras dos demônios e eliminar um rei demoníaco listado entre os Mil Demônios seria motivo de orgulho em qualquer lugar. Ainda mais quando se trata de eliminações sucessivas. Isso, sem dúvida, causaria alvoroço e, para o povo humano, é justamente de uma notícia assim que precisam. Durante todos esses anos, estivemos apenas na defensiva. Se continuarmos assim, sairemos em desvantagem. Além disso, isso afeta profundamente o moral da nossa gente. Agora, finalmente alguém realizou tal feito. É algo que merece ser amplamente divulgado.
Ao pensar nisso, o coração do ancião começou a se agitar. Quando entrou no grande salão, o soberano estava sentado no lugar mais alto, emanando uma aura poderosa, envolto por uma névoa dourada. Ao ver o ancião entrar, falou lentamente:
— Sétimo ancião, veio até aqui por algum motivo em especial?
Havia dúvida em sua voz, afinal, ele era famoso por sua preguiça e responsável apenas por vigiar a lista dos Mil Demônios. Raramente aparecia em público. Vir procurá-lo voluntariamente era algo inesperado.
Ao ouvir a voz do soberano, o sétimo ancião não ousou hesitar e apressou-se a dizer:
— Soberano, nestes últimos dias alguém está promovendo uma carnificina entre os demônios. Eliminou consecutivamente três seres da lista dos Mil Demônios!
— Oh!
O interesse do soberano foi despertado e ele tomou a lista em suas mãos.
Enquanto isso, Su Zhe nada sabia desses acontecimentos. Após eliminar o general do Reino de Qingqiu, ele já se encontrava diante da primeira fortaleza do Reino dos Demônios de Qingqiu. O local chamava-se Fortaleza da Raposa Branca, e dizia-se que quem a defendia era o General Raposa Branca, um adversário formidável, de força extraordinária, ocupando a posição 943 na lista dos Mil Demônios, com poderes quase divinos e notória astúcia.
Assim que Su Zhe chegou com seu exército, o General Raposa Branca já estava sobre os muros da cidade, os olhos brilhando de surpresa. Não imaginava que um humano ousasse atacá-lo. Afinal, a base de poder de um reino demoníaco não era algo que se pudesse imaginar facilmente. Nem mesmo a união de vários impérios seria capaz de chegar até ali. No entanto, os humanos estavam diante da Fortaleza da Raposa Branca, o que o deixava muito cauteloso.
Olhou para Su Zhe e disse:
— Quem é você? Sabe ao menos onde está pisando?
Sua voz trazia uma ameaça sutil, e até sua arma já estava erguida, pois o exército de Su Zhe era aterrorizante, e ele sentia-se apreensivo.
Mas, diante de suas palavras, Su Zhe apenas esboçou um sorriso de desdém e respondeu friamente:
— Vim aqui para aniquilar os seus!
Ao soar sua voz, uma aura mortal avassaladora se espalhou. Sem mais palavras, os besteiros atrás dele iniciaram o ataque imediatamente. Uma chuva interminável de flechas cruzou os céus. O General Raposa Branca brandiu sua longa espada para tentar desviar os projéteis, mas os soldados demoníacos ao seu redor não tiveram a mesma sorte. Não conseguiram resistir a tamanha ofensiva.
Ouviam-se os sons agudos das flechas penetrando carne. Muitos soldados demoníacos foram abatidos e mal conseguiam erguer a cabeça, seus olhos tomados pelo medo.
Aproveitando-se dessa situação, os guerreiros do Norte lançaram sua investida. Escudados e armados com lâminas de guerra, avançaram com velocidade impressionante. Ao alcançar a base da muralha, golpearam o chão com força e saltaram para o alto das muralhas, onde suas armas desciam impiedosamente. Os soldados de Qingqiu tentaram resistir, mas a diferença de poder era gritante.
Um deles, que avançou para o combate, foi imediatamente abatido. Com o avanço dos guerreiros do Norte, os soldados de elite também não hesitaram. Seus corpos irromperam em luzes intensas e, num salto, alcançaram o topo das muralhas. Suas lanças rasgavam o ar, derrubando um a um os inimigos.
Diante de tal cena, Su Zhe não perdeu tempo e bradou:
— Ataquem as muralhas!
Ao receber a ordem, a cavalaria logo investiu contra o portão. Assim que se aproximaram, Cheng Yaojin brandiu seu gigantesco machado e o desceu com força.
Um estrondo ecoou. A energia do machado reverberou, partindo o portão em pedaços. No momento em que adentraram a fortaleza, o machado varreu tudo ao redor, e todos os soldados demoníacos próximos arregalaram os olhos de terror. Não eram páreo para ele e seus corpos foram despedaçados instantaneamente.
Logo, a cavalaria de armadura negra avançou, esmagando tudo em seu caminho, sem encontrar resistência. O rosto do General Raposa Branca se contorceu de preocupação. Após lançar alguns soldados do Norte para longe com sua espada, ignorou o resto e avançou diretamente contra Su Zhe. Conhecia a tática: para derrotar o exército, é preciso capturar seu líder.
Ao avançar, Su Zhe fitou-o friamente, seus olhos brilhando intensamente. Sem esperar que seus homens interviessem, declarou:
— Deixe comigo!
O General já estava diante dele. Su Zhe, sem nenhuma hesitação, saltou de seu cavalo e brandiu sua alabarda, cuja lâmina irradiava um poder imenso.
Num só golpe, a lâmina cortou o ar com violência. Su Zhe, embora não fosse o mais poderoso em cultivo, era imbatível em combate. O General Raposa Branca acreditava que poderia vencê-lo com esse ataque, mas estava enganado: a força de Su Zhe era esmagadora. Em um instante, a lâmina de sua espada foi despedaçada, e a alabarda caiu sobre seu corpo.
Um jorro de sangue explodiu no ar. O corpo do General foi rasgado ao meio, e ele soltou um grito terrível. Contudo, Su Zhe não tinha piedade. Antes que o corpo caísse ao chão, ele o chutou violentamente.
Um estrondo ecoou, energia fluindo de suas botas como trovão e vento. O General Raposa Branca foi reduzido a uma nuvem de sangue, morrendo em pleno campo de batalha.
Tal cena deixaria qualquer um aterrorizado. No Salão do Imperador Humano, o soberano, que acabara de receber a lista dos Mil Demônios, percebeu surpreso que mais um nome havia sido riscado. A luz que brilhava em seu rosto oscilava entre claro e escuro.