Capítulo Cinquenta e Oito: A Queda da Cidade

Imortal e Marcial: No Início, Assinei com o Exército da Armadura Negra Lin do Oriente 2875 palavras 2026-02-07 13:27:49

Com a chegada de Su Zhe, o senhor da cidade, postado sobre os muros de Fengli, consumia-se de ansiedade. Seu rosto estava pálido, tomado por uma expressão sombria. Recebera a notícia de que Su Zhe, poucas horas antes, acabara de conquistar outra fortaleza. Imaginara que o adversário, ao menos, descansaria uma noite antes de atacar, mas jamais esperara que, sob o véu da noite, avançasse até os portões de Fengli.

“Não me recordo de ter qualquer inimizade profunda com eles”, pensou, inquieto, dirigindo-se ao oficial ao seu lado:

“Onde está o general Li das tropas da guarda? Em momento tão crítico, não está em seu posto, mas vagueia por aí, isso é inadmissível!”

Sua voz ecoou carregada de fúria. Em tempos comuns, poderia tolerar tal conduta, mas agora, a ausência do general era imperdoável, um flagrante descaso pelo dever. Não fosse por sua obediência habitual, o senhor da cidade já teria ordenado sua execução. Ao sentir a ameaça assassina que vinha de fora dos muros, sua ansiedade só crescia.

O oficial, temendo a ira do senhor, respondeu apressado:

“Senhor, o general Li foi levado pelo jovem senhor da cidade. Disseram que iriam lidar com alguns refugiados vindos do império, mas prometeram voltar logo!”

A resposta fez o rosto do senhor da cidade ficar ainda mais sombrio. Ele ordenou com severidade:

“Mande o general Li retornar imediatamente para defender a cidade! Diga que estamos sob ataque!”

Tendo dito isso, calou-se, lançando um olhar frio às tropas do Grande Zhou acampadas abaixo, ponderando desesperadamente o que fazer. Contudo, Su Zhe não lhe concedeu tempo para tais reflexões. Impaciente por reencontrar sua família, não pretendia se alongar em conversas.

Sua voz soou cortante:

“Senhor de Fengli, abra os portões agora e pouparei sua vida. Caso contrário, se ao tomar esta cidade algo me desagradar, massacrarei todos os seus habitantes!”

Sua armadura brilhava sob a luz da lua, e a alabarda em suas mãos reluzia ameaçadora. Naquele momento, Su Zhe assemelhava-se a um tigre furioso, pronto para devorar tudo. Os soldados atrás dele mantinham um silêncio sepulcral, intimidados.

O senhor de Fengli respondeu, hesitante:

“Rei de Zhou, se tiver outras exigências, posso atendê-las, mas abrir os portões é impossível. Isso seria traição! Um comandante do Império Cangwu que se rende ao inimigo incorre em pena de morte!”

Enquanto falava, gotas de suor deslizavam por sua testa. Embora estivesse no alto, sentia o peso da opressão de Su Zhe, cuja presença era avassaladora e aterradora.

A expressão de Su Zhe tornou-se impaciente:

“Já que não deseja render-se, escolha morrer!”

Mal terminou de falar, acenou para que suas tropas iniciassem o ataque. De imediato, o exército de elite avançou em formação, escudos erguidos em uma mão, lanças prontas na outra, irradiando uma aura poderosa.

Flechas partiram da muralha, os arqueiros de Fengli tentando repelir o assalto. Mas as setas não passavam dos escudos, produzindo apenas o som metálico e algumas faíscas.

Quando se aproximaram dos muros, o estrondo das botas no solo ressoou como projéteis lançadas. Os escudos bloquearam as lâminas dos guardas, e as lanças avançaram de imediato, ceifando vidas. Nem mesmo os soldados mais treinados de Fengli eram páreo para a elite do Grande Zhou, quanto mais a guarda comum.

O senhor da cidade percebeu que não podia mais se omitir. Vestido com seu uniforme negro, desembainhou uma espada reluzente, e, cerrando os dentes, lançou-se contra o exército invasor. Mas, naquele instante, uma figura desceu dos céus: trajava armadura de bronze, empunhava uma cimitarra e carregava um arco nas costas; era de compleição robusta e rosto feroz—ninguém menos que Zhebie.

Zhebie viera sob ordens de capturar o senhor da cidade vivo, pois Su Zhe precisava dele para encontrar sua família. Ao alcançar o topo dos muros, desferiu um golpe direto com a cimitarra. O senhor da cidade, surpreso, tentou aparar com sua espada, mas não tinha forças para enfrentar Zhebie.

No choque das lâminas, sua espada foi despedaçada e, num piscar de olhos, a cimitarra pousou em seu pescoço. Sentindo sua vida por um fio, o senhor de Fengli já não ousava resistir. Olhando para Zhebie, suplicou:

“General, qualquer exigência que tenha, eu atenderei! Poupe minha vida!”

Acostumado aos prazeres e ao poder, o senhor de Fengli jamais desejou morrer. Embora não fosse dos mais fortes, sua posição lhe dava domínio sobre a vida e a morte de toda a cidade, desfrutando de riqueza e longevidade. Ao sentir a aura violenta de Zhebie, ficou lívido de terror.

Zhebie apenas o fitou friamente e ordenou:

“Venha comigo ver Sua Majestade!”

Sem dar margem a réplicas, conduziu o senhor da cidade na direção do exército que se apoderava dos portões, enquanto a luta continuava sobre os muros. Su Zhe não demonstrou clemência para com o restante da guarda; já que o combate começara, todos eram inimigos do Grande Zhou.

Para o senhor de Fengli, cada grito de dor soava como um tormento, dilacerando seu ânimo. Quando Su Zhe entrou lentamente pela porta da cidade, o senhor de Fengli ajoelhou-se de imediato, suplicando:

“Rei de Zhou, tenha piedade! Tudo foi culpa minha!”

Mas Su Zhe, sem disposição para ouvir confissões, indagou friamente:

“Nos últimos tempos, chegaram à cidade pessoas de outros reinos, vindas de longe?”

A pergunta surpreendeu o senhor da cidade. Com o grande fluxo diário de pessoas, jamais se dera ao trabalho de observar tais detalhes. Preparava-se para negar, quando recordou o que o oficial dissera: seu filho e o general Li haviam ido atrás de refugiados do império. À época, não dera importância, nem sequer soubera de qual reino vinham. Agora, porém, aquela informação era seu último recurso, e pouco lhe importava o que seu filho pretendia.

Respondeu, apressado e temeroso:

“Sim, chegaram alguns. Eu mesmo o levarei até eles!”

Percebendo sua ansiedade, Su Zhe ordenou sem mais delongas:

“Vamos!”

E já se preparava para partir. Nesse mesmo instante, o general Li vinha em direção aos portões, trazendo consigo membros da família Su e pessoas do Clã do Vento Divino, todos em estado deplorável. Haviam ouvido sobre o ataque e vieram em socorro da cidade.

Entre eles, o mestre do Clã do Vento Divino, já ferido, agora tinha o osso do ombro perfurado e sangrava profusamente, sendo praticamente arrastado, deixando um rastro de sangue pelo chão. Se não fosse por sua grande vitalidade, já teria sucumbido há tempos.

Su Hu, por sua vez, praguejava entre gemidos. Mas cada palavra parecia abrir ainda mais seus ferimentos. Em pouco tempo, a perda de sangue já lhe deixara o rosto completamente pálido.