Capítulo Dois: O Rei da Humanidade
No entanto, tomado pela fúria, Su Zhe não respondeu. Em seu coração restava apenas um único propósito: eliminar todos à sua frente.
Ele rugiu, desferindo um potente soco em direção a Li Can, cujo semblante mudou drasticamente. O rosto de Li, sombrio ao extremo, quase escorria água, e ele murmurou em tom baixo:
— Su Zhe, atreva-se! Tens ideia das consequências de ergueres tua mão contra mim?
Sua voz soava aguda, como o sibilo de uma víbora, mas não demonstrava qualquer temor. Pelo contrário, uma aura sombria começou a envolvê-lo, oscilando e pulsando, terrível em sua intensidade. Vários guardas imperiais já se postavam à frente de Li Can, mas como poderiam resistir a um golpe enfurecido de Su Zhe?
Com um estrondo, os corpos dos guardas foram despedaçados num piscar de olhos, e uma névoa sangrenta espalhou-se pelo salão. Um dos eunucos, que conseguira escapar por pouco, voltou-se para os soldados próximos e ordenou:
— O Marquês Campeão rebelou-se! Prendam-no imediatamente!
Sua voz era calma, e ele permanecia imóvel, certo de que Su Zhe não teria forças para feri-lo. Para ele, bastava não se dignar a lutar.
Os olhos de Su Zhe ardiam em chamas. Com a mão direita, invocou uma lança de guerra negra surgida do vazio, varrendo o espaço à sua frente. Uma dúzia de guardas imperiais que tentavam cercá-lo foram destruídos de imediato, e Su Zhe avançou, abrindo caminho à força para fora do salão.
Diante da visão dos corredores repletos de soldados, Su Zhe esboçou um sorriso amargo no canto dos lábios.
— Minha família sempre foi leal à dinastia Yuhua. Meu avô ajudou o dragão a conquistar o trono, meu pai salvou o imperador em pessoa. É assim que retribuem à minha família? Se é assim, que importa se me revolto!
Ao final de suas palavras, um brilho elétrico reluziu em seus olhos enquanto ele avançava para a porta, fazendo com que os guardas recuassem um passo a cada vez. Afinal, tudo o que Su Zhe havia conquistado até ali devia-se exclusivamente aos próprios méritos militares, sem jamais depender do poderio de sua família.
Toda sua força fora forjada em batalhas incontáveis; como poderiam guardas palacianos, acostumados à comodidade do palácio, suportar tal poder? Ele avançava como um tigre, e a cada passo, a lança descia como uma lâmina celestial, semeando rios de sangue pelo palácio do governador. Seu cabelo negro tremulava, e sua armadura, já manchada de sangue, reluzia sob o massacre.
— Aos quinze anos, defendi as fronteiras em nome do reino Yuhua. Até hoje, já sofri cinquenta e duas feridas. É essa a recompensa que me oferecem?
Com um golpe lateral, Su Zhe esmagou o crânio de um capitão da guarda imperial.
— Nove vezes estive à beira da morte, quase derramei meu sangue na fronteira. O rei Yuhua cozinhou meu pai vivo e massacrou meu clã. Que monarca justo é esse?
Enquanto desferia outro golpe com a lança, sua mão esquerda, ágil como uma garra de tigre, agarrou um mestre da guarda que voava em sua direção, rasgou-lhe o abdômen e arrancou a espinha pela ferida sangrenta, matando-o instantaneamente.
Foi só então que os soldados imperiais perceberam o quão aterrador era o Marquês Campeão. Ele parecia um tigre feroz entre um bando de cordeiros; ninguém podia resistir mais de um golpe.
Nesse momento, passos ecoaram do lado de fora. Uma grande tropa cercava o palácio do governador. Diferente dos guardas imperiais, essa tropa exalava uma aura de aço e sangue. Suas armaduras, manchadas de sangue seco, revelavam tratar-se de guerreiros endurecidos pela guerra.
À frente do grupo estava um general de dois metros, trajando armadura prateada, cuja presença era imponente, rivalizando com a de Su Zhe. Assim que surgiu, Li Can fitou-o e disse:
— General Zhang, capture Su Zhe. A partir de hoje, será o comandante de Fenglei. Essa é a ordem de Sua Majestade!
Ao ouvir, o general assentiu friamente, olhando para Su Zhe com estranheza. Su Zhe o reconheceu: era o General Zhang Yu, o Subjugador de Demônios, seu próprio vice-comandante. Sob suas ordens estavam cinquenta mil soldados de elite, a famosa tropa subjugadora de demônios.
Jamais imaginara que Zhang Yu seria enviado para reprimi-lo.
— Zhang Yu, cogitei a traição de muitos, mas nunca a tua. Três anos atrás, quando foste cercado pelo clã dos Lobos Azuis, arrisquei minha vida para te salvar. Dois anos atrás, ao matares um poderoso inimigo do reino demoníaco de Qingqiu, o reino Yuhua quis te entregar ao inimigo para evitar a guerra. Fui eu que lutei por ti, enfrentei o exército demoníaco em desvantagem numérica e te salvei — quase morri naquela ocasião. É assim que me retribuis hoje?
Su Zhe era como um tigre enfurecido, pronto para despedaçar tudo. Zhang Yu permaneceu calado por um instante, o brilho dos olhos vacilando, até que disse serenamente:
— A ordem do rei é inescapável. Custou-me caro chegar até aqui, peço que compreendas. Já ouviste dizer: "Quando o rei ordena a morte do vassalo, ao vassalo só resta morrer." O velho marquês já se foi. Por que não preservas o nome de lealdade e retidão dele?
As palavras de Zhang Yu eram de uma frieza cortante. A fúria de Su Zhe explodiu.
— Que canalha desalmado! Se eu matasse tua mãe, será que ainda dirias tais palavras?
Sem hesitar, avançou, seus passos firmes e a lança varrendo tudo à frente, mergulhando de novo no campo de batalha, espalhando sangue e carne por todos os lados.
Zhang Yu, ao observar aquela cena, falou novamente:
— General, tua tropa divina já foi enviada por mim para fora da fronteira e agora deve estar cercada pelos demônios de Qingqiu. Estarão todos aniquilados hoje. Sem teu exército, mesmo que consigas sair do palácio do governador, jamais escaparás dos oitocentos li de Fenglei. Não insistas em lutar em vão!
Su Zhe sentiu o coração arder em cólera. Confiara demais nesse vice-comandante, e agora era traído.
Rugindo de fúria, saltou alto, brandindo a lança contra Zhang Yu. Ainda que morresse, mataria aquele ingrato.
Porém, ao vê-lo avançar, Zhang Yu esboçou um sorriso. Mestres da tropa subjugadora de demônios avançaram, todos no auge do cultivo, portando uma rede luminosa que se lançou sobre Su Zhe.
— A Rede Subjugadora de Demônios!
Su Zhe rugiu — aquela era uma arma mágica que ele próprio criara para subjugar demônios de alto nível, tornando impossível sua fuga. Nunca imaginara que um dia seria usada contra ele.
Mas Su Zhe não era homem de se submeter. Lutara por cinco anos, o maior talento do reino Yuhua, jamais se renderia.
Com um puxão, rasgou a rede em um estrondo, e saltou sobre o exército, mirando apenas Zhang Yu. No entanto, uma súbita fraqueza o dominou.
Zhang Yu sorriu novamente:
— Diante do Tigre Furioso da Fronteira, eu não ousaria ser descuidado. No banquete que te ofereci hoje, adicionei à bebida um remédio para suprimir teu poder. Está fazendo efeito agora!
Assim que terminou, Zhang Yu lançou-se ao ataque, sua espada brilhando ao descer sobre Su Zhe, os olhos ardendo de desejo. Bastava matar Su Zhe para se tornar o senhor de Fenglei, e para isso faria qualquer coisa.
A alabarda nas mãos de Zhang Yu reluziu com energia descomunal. Ele parecia um deus da guerra, colidindo com a lança de Su Zhe.
O clangor do metal ecoou.
A lança de Su Zhe voou de suas mãos, e ele foi atirado ao chão. Zhang Yu, envolto em luz prateada, pairava no ar, olhando de cima e dizendo:
— A partir de hoje, serei o maior guerreiro de Fenglei. Tu já és passado!
Por trás de suas palavras, uma excitação mal disfarçada vibrava. Embora fosse o vice-comandante de Su Zhe, jamais se sentira inferior em talento ou habilidade, apenas lamentava não ter o mesmo poder familiar. Agora, tudo estava igualado.
Preparava-se para atacar novamente quando, de repente, uma voz retumbou na mente de Su Zhe:
"Sistema detecta exaustão extrema do hospedeiro. Deseja ativar o pacote de recompensas do Sistema Supremo de Recompensas?"
— Ativar! — respondeu Su Zhe sem hesitar.
"Parabéns ao hospedeiro. Recebeste o Corpo do Rei dos Homens; próxima evolução, Corpo do Rei dos Homens Antigo. Favor aceitar!"
Ao ouvir a resposta do sistema, Su Zhe sentiu uma onda de poder infinito expandir-se em seu corpo. A energia em seus meridianos borbulhava como um rio caudaloso. Faíscas lançavam-se de seus cabelos, e a armadura sobre seu torso explodiu instantaneamente, reduzindo-se a fragmentos de metal.