Capítulo Quinze: O Soberano das Terras do Sul
O Marquês de Guangnan, por fim, optou por abandonar a luta e uniu-se ao exército de Su Zhe.
Diante da pressão da filha e do sentimento de culpa para com Su Zhe, ele já não tinha mais vontade de combater, além de saber que não era páreo para o adversário. Além disso, ao longo dos anos, acumulou certo descontentamento em relação ao Rei da Ascensão, e naquele momento, tais sentimentos finalmente vieram à tona.
No instante em que largou suas armas, os soldados sob seu comando também cessaram o combate. Quanto ao Exército Subjugador de Demônios, após a derrota de Zhang Yu, limitaram-se a ficar de lado.
Diante da multidão de soldados rendidos, Su Zhe manteve o semblante sereno. Aproximou-se de Nangong Mingyue, retirou delicadamente a longa espada de suas mãos e, olhando para a jovem mulher à sua frente, disse:
— Não nos vemos há alguns anos e você já cresceu!
Ao proferir tais palavras, um leve sorriso surgiu em seus lábios. Admirava profundamente aquela moça de sentimentos tão claros e definidos. Se não fosse por Nangong Mingyue, a batalha sangrenta daquele dia não teria terminado tão rapidamente. Mesmo que conseguisse conquistar a cidade de Guangnan, não poderia evitar algum custo elevado.
Ao ouvir suas palavras, Nangong Mingyue sorriu abertamente.
— Você é mais novo que eu, mas fala como um velho! Quem te ouve pensa que é muito mais experiente!
Diante da atitude dela, Su Zhe nada mais disse, apenas ordenou que trouxessem remédios espirituais para tratar seus ferimentos. Ao sentir o aroma peculiar da jovem, até mesmo Su Zhe, um veterano endurecido pelo campo de batalha, não pôde evitar certo constrangimento. Quanto a Nangong Mingyue, já não exibia a firmeza de instantes antes, e um rubor tomou conta de seu rosto.
Foi então que o Marquês de Guangnan, acompanhado de seus oficiais, ajoelhou-se solenemente ao chão e declarou com respeito:
— Saúdo meu senhor! Peço que perdoe meus pecados!
A partir daquele dia, o Marquês de Guangnan passaria a servir Su Zhe. Sobre as muralhas, uma multidão ajoelhava-se em respeito. Su Zhe olhou para eles, uma expressão complexa reluzindo em seus olhos. Agora, ele estava definitivamente em oposição ao Reino da Ascensão e, ao mesmo tempo, assumia a responsabilidade por todos aqueles sob seu comando.
Refletindo sobre isso, dirigiu-se aos soldados reunidos abaixo e disse em tom pausado:
— Podem se levantar.
O Marquês de Guangnan não hesitou e pôs-se de pé, encarando Su Zhe em silêncio. Não era homem de muitas palavras, e ainda há pouco estivera em luta de vida ou morte contra ele. Agora, sob comando alheio, sentia-se naturalmente desconfortável. Mas logo não houve tempo para maiores reflexões, pois Su Zhe ordenou que fosse feita a contagem dos sobreviventes.
Muitos haviam morrido na batalha, e ele precisava saber quantos restavam para poder reorganizar as tropas. Nenhum subordinado ousou descuidar-se da tarefa. Concluído o balanço, restavam oitenta mil soldados do antigo exército de Guangnan, que antes contava cem mil homens. Quanto ao Exército Subjugador de Demônios, apenas vinte mil sobreviventes permaneceram.
Su Zhe considerou o número satisfatório e logo fez os devidos ajustes: o Marquês de Guangnan continuaria liderando seus próprios homens para tomar as pequenas cidades do sul, visando controlar toda a região o mais rapidamente possível. Já o Exército Subjugador de Demônios foi incorporado ao Exército Shenwu, que, após reforços, voltou a contar com trinta mil soldados.
Após um dia atribulado, os ganhos foram imensos. À noite, Su Zhe ofereceu um banquete a todos os comandantes na residência do senhor da cidade. O Marquês de Guangnan ainda mostrava algum constrangimento, mas sua filha, Nangong Mingyue, estava particularmente animada, servindo vinho aos presentes e tornando o ambiente muito mais agradável. Até mesmo o marquês acabou por se sentir mais à vontade.
Em determinado momento, fitando Su Zhe, o Marquês de Guangnan perguntou em tom grave:
— Gostaria de saber quais são os planos do senhor daqui em diante.
Su Zhe praticamente dominava toda a região sul, comandando dezenas de milhares de soldados, ocupando um terço do território do Reino da Ascensão. Era, sem dúvida, uma figura de destaque.
Ao ouvir a pergunta, um brilho intenso cruzou o olhar de Su Zhe, que respondeu friamente:
— Amanhã partiremos para um ataque surpresa ao Passo de Pedra Azul!
O Marquês de Guangnan prendeu a respiração. O Passo de Pedra Azul era um reduto estratégico entre a cidade real e o sul. Se o caminho fosse aberto, o acesso à capital estaria livre. Porém, o comandante do passo não era um homem comum, mas sim o Marquês Leão Azul, considerado o segundo maior guerreiro do reino, famoso por sua lâmina ancestral de costas douradas e força sobre-humana. Seu exército, o Exército da Lâmina Azul, jamais conheceu derrota — entre os nobres, era uma das figuras mais temidas.
Preocupado, o Marquês de Guangnan sugeriu:
— Senhor, o Marquês Leão Azul é poderoso. Não seria melhor esperar um pouco antes de atacar?
Sua voz continha uma nota de cautela, mas Su Zhe replicou:
— Meu desejo é destruir o Rei da Ascensão o quanto antes. Não posso esperar nem um instante a mais!
Assim que terminou de falar, uma aura de assassinato tomou conta do salão, tornando o ambiente sufocante. O Marquês de Guangnan, sem mais argumentos, declarou:
— Irei com o senhor, custe o que custar!
Havia seriedade em sua voz. Preocupava-se com Su Zhe, pois o adversário era imprevisível. No entanto, Su Zhe apenas sorriu:
— Fique tranquilo. Marquês Leão Azul não é obstáculo para mim. Sua missão mais importante agora é conquistar as pequenas cidades do sul, trazendo-as de vez para o nosso lado. Caso contrário, temo que causem problemas em momentos críticos.
— Como desejar! — respondeu prontamente o Marquês de Guangnan.
O restante da noite foi dedicado à discussão dos detalhes da próxima batalha. Somente de madrugada o banquete se encerrou.
No dia seguinte, ao amanhecer, Su Zhe partiu à frente do Exército de Armadura Negra e do Exército Shenwu, marchando em direção ao Passo de Pedra Azul.
Enquanto isso, na sala do trono do Palácio Real da Ascensão, o rei estava sentado no trono dourado, com o rosto sombrio. O segundo príncipe havia sido gravemente ferido, e dois marquês — o Marquês da Ruína e o Marquês Ceifador — tinham sido mortos. Su Zhe avançava sobre Guangnan, e nada se sabia sobre a situação.
Os ministros, sem solução, mantinham a cabeça baixa, o que só aumentava a ira do rei. Num tom gelado, ele bradou:
— Quem dentre vocês é capaz de trazer-me a cabeça do traidor Su Zhe?
Sua voz estava carregada de intenção assassina, tornando o ambiente ainda mais gélido. Então, o grande sacerdote adiantou-se e disse:
— Majestade, o sul é vasto, e o poder do Marquês de Guangnan é insondável. Sua técnica de manipulação do fogo é suficiente para subjugar qualquer inimigo, sem mencionar o poderio de Zhang Yu. Creio que não terão qualquer dificuldade em deter um rebelde.
Sua autoconfiança era evidente, já que, em sua opinião, Su Zhe dificilmente conseguiria virar o jogo. No entanto, naquele exato momento, um mensageiro entrou apressado no salão, ajoelhou-se e clamou em desespero:
— Majestade, terríveis notícias! Na batalha por Guangnan, Zhang Yu foi gravemente ferido e fugiu. O Marquês de Guangnan foi derrotado e rendeu-se ao traidor Su. Agora, todo o sul ostenta as bandeiras do rebelde. Segundo os últimos relatos, ele está reunindo um grande exército e marchando rumo ao Passo de Pedra Azul!
Ao ouvir a notícia, o grande sacerdote ficou boquiaberto, incapaz de crer que Su Zhe tivesse alcançado tal poder.