Capítulo Trinta e Dois: Adentrando o Domínio dos Demônios
No dia seguinte, o exército já estava reunido. Su Zhe partiu diretamente em direção à terra fronteiriça. A segurança da Cidade Real ficou sob responsabilidade de Zhao Xing; contanto que ele atingisse o nível do Palácio Violeta, seria suficiente para manter a ordem de um reino. Su Zhe, por sua vez, liderou os soldados que havia convocado rumo ao domínio das criaturas, decidido a descobrir quem, entre os seres monstruosos, era o responsável pela morte de seus familiares.
O exército avançava lentamente. Desta vez, Su Zhe trouxe consigo suprimentos em abundância. Ele sabia bem que adentrar o território das criaturas era uma jornada quase sem retorno, uma aposta entre a vida e a morte. Qualquer descuido poderia significar o extermínio total. Mas ele não temia.
Após dias de marcha apressada, chegaram aos arredores do Portão do Trovão e do Vento. Su Zhe olhou para a floresta escura lá dentro, e em seus olhos brilhou um frio intenso. Todo o corpo emanava uma aura impressionante. Jamais imaginara que, no fim, teria de dar aquele passo.
Ao seu lado, Li Yi, trajando uma armadura pesada, expressou preocupação: “Majestade, neste domínio das criaturas, os poderosos são numerosos e perigosos. Entrar sem cautela pode ser arriscado!”
Li Yi era absolutamente leal a Su Zhe. Após ouvir suas palavras, Su Zhe respondeu calmamente: “Meus familiares foram mortos pelas criaturas. Se eu me contentar em ser um rei tranquilo, viverei eternamente atormentado pela culpa. Por isso, preciso desafiar os monstros, mesmo que morra em batalha; não haverá arrependimento. Se eu realmente cair, você e Zhao Xing terão de se esforçar ainda mais pelo reino.”
Sem hesitar, Su Zhe avançou para dentro da floresta. O exército seguia logo atrás, e, sob a luz do entardecer, a cena era de uma tristeza grandiosa. O domínio das criaturas era uma zona proibida para os humanos, mas Su Zhe entrou nela com firmeza. Tal coragem despertava admiração em Li Yi, que lamentava não poder acompanhar o líder lado a lado. Assim, ajoelhou-se ao chão:
“Majestade, juro guardar eternamente o Portão do Trovão e do Vento, esperando por seu retorno. Se demorar um ano, esperarei um ano; se cem, esperarei cem!”
Ao pronunciar essas palavras, sua cabeça tocou o solo. Su Zhe, por sua vez, apenas acenou, continuando a penetrar na floresta até que todo o exército desaparecesse entre as árvores, só então parando.
Ao entrar no domínio das criaturas, Su Zhe sentiu uma familiaridade estranha. Já estivera ali inúmeras vezes. A aura monstruosa se espalhava suavemente ao redor, e seus olhos reluziam com uma luz cortante. Apontou para um local e ordenou:
“Continuem avançando!”
Tantos soldados abrindo caminho pela floresta era uma tarefa difícil, mas ele não se apressava. Pretendia marchar diretamente até o Reino das Criaturas de Qingqiu, para interrogar os monstros.
Matariam seu pai — será que se arrependeriam? Não se podia negar: as criaturas daquele domínio eram numerosas e ferozes, ignorando completamente os humanos. Mesmo com Su Zhe liderando um grande exército, havia monstros que ousavam perturbar.
Depois de alguns quilômetros, ao passarem por uma colina, ouviram um rugido. Então, um enorme urso coberto de pelos roxos surgiu, medindo cinco metros de altura e com olhos cheios de sede de sangue. Era um grande monstro, já no nível do Palácio Violeta, e buscava invadir o exército em busca de alimento. Suas presas afiadas reluziam como punhais frios.
Mas antes que se aproximasse, Wu Song já tinha saltado à frente. Sua figura imponente, reluzindo com sua armadura metálica, brandiu a lâmina, que caiu sobre o urso. Aos olhos de todos, a lâmina cortou do pescoço até os pés, deixando uma linha de sangue. O monstro urrou, mas era inútil; tombou ao chão.
Nem mesmo um grande monstro do Palácio Violeta podia impedir o avanço do exército. Su Ze olhou friamente e prosseguiu. Por conta da necessidade de abrir caminho, o exército avançava devagar; após um dia, tinham percorrido apenas cem quilômetros. Ainda assim, Su Zhe não se desanimava. Acabavam de entrar no domínio das criaturas; era natural. Não sofrer baixas já era uma grande conquista.
Ele buscou um lugar adequado para acampar, escolhendo um espaço aberto próximo a um rio. Apesar da força dos soldados, descanso era necessário, ou estariam em perigo diante de inimigos. Aquele riacho cortava o terreno de leste a oeste, cercado por vegetação densa, mas baixa. Ao ver um local tão propício, Su Zhe ordenou sem hesitar:
“Montem o acampamento!”
Ao ouvir sua ordem, os soldados pararam, iniciando os preparativos. Todos estavam exaustos pela jornada e sorriam ao receber o comando.
Mas então, ouviu-se um movimento no ar. Su Zhe ergueu os olhos e viu várias figuras voando sobre suas cabeças, pisando em nuvens auspiciosas, com vestes esvoaçantes, elegantes. Havia homens e mulheres, todos com semblantes sérios. Quando estavam prestes a desaparecer no horizonte, uma das figuras voltou, olhando para o exército abaixo:
“Quem é o comandante de vocês?”
Era uma mulher, com um vestido branco que ondulava ao vento, realçando sua silhueta delicada. Seus cabelos longos caíam livremente sobre os ombros e seus olhos brilhavam intensamente. Sua beleza era de tirar o fôlego, deixando muitos estáticos. Atrás dela, uma luz auspiciosa reluzia. Flutuando no ar, parecia uma deusa exilada.
Su Zhe, sem hesitar, se apresentou calmamente:
“Há algo que deseja?”
Sua voz era profunda. Já ouvira falar que, por vezes, misteriosos poderosos caçadores entravam no domínio das criaturas para abater monstros ferozes e preparar medicinas raras. Aqueles visitantes provavelmente estavam ali para caçar. Diante de tal força, Su Zhe não podia deixar de ser cauteloso.
Antes que ele terminasse de falar, a mulher respondeu com voz fria:
“Uma grande batalha está prestes a acontecer aqui. Vocês, ao entrarem nessa floresta em tão grande número, estão buscando a morte. Voltem imediatamente, ou logo será tarde demais!”
“Obrigado pela preocupação, mas entrei neste domínio por um motivo importante, não posso partir!” — respondeu Su Zhe, firme.
A mulher quis dizer algo mais, mas nesse instante, um estrondo ecoou na direção para onde seus companheiros haviam ido, deixando-a apreensiva.
“Vão embora agora, ou será tarde demais!” — exclamou.
Vendo Su Zhe inabalável, ela pisou forte e voou rapidamente para longe, sacando uma espada reluzente de luz violeta. Era evidente que algo ocorrera com seus companheiros.