Capítulo Sessenta e Seis: As Preocupações do Salão do Imperador Humano
Naquele momento, Su Zhe ouviu claramente os gritos de dor. Quando olhou na direção do som, deparou-se com a cena chocante de mais de uma centena de meninas sendo massacradas. Seus olhos brilharam de imediato com uma luz gélida. Em meio à multidão, avistou uma garota sendo chicoteada, com marcas de sangue no corpo. Sem hesitar, lançou-se para frente.
— Parem! — Sua voz ecoou, carregada de fúria e uma frieza mortal.
Assim que terminou de falar, entrou no pátio. Ao presenciar tal cena, tanto a imperatriz quanto a grande anciã não puderam deixar de se assustar, o rosto tomado pelo terror. Nunca imaginaram que Su Zhe chegaria tão rapidamente. Especialmente a imperatriz, que exibia uma expressão de total incredulidade. Aproximou-se apressada e falou com respeito:
— Vossa Majestade é o Rei Zhou, não é? Estas crianças são órfãs feridas pela guerra. Eu as reuni aqui justamente para tratar suas feridas!
Sua voz era suave, quase suplicante. Assim que terminou de falar, caminhou em direção a Su Zhe, parecendo extremamente desamparada.
Ao ouvir aquilo, Su Zhe franziu a testa. Naquele momento, não tinha ânimo para se importar com o destino dessas pessoas. O mais urgente era encontrar sua irmã. Seu olhar passou rapidamente pelos rostos das meninas. Justamente então, a que acabara de ser chicoteada ergueu a cabeça. Ao avistar Su Zhe, seus olhos brilharam com uma luz inédita e ela murmurou:
— Irmão!
A voz era fraca, mas o corpo de Su Zhe estremeceu involuntariamente. Saltou do cavalo imediatamente, limpou o sangue e a sujeira do rosto da menina e, ao confirmar que era realmente Su Mei, seus olhos quase transbordaram de raiva; uma aura assassina tomou conta de seu corpo num instante.
— Quem fez isso com você? O irmão vai vingar você! — declarou, pegando a irmã nos braços, com voz sombria.
Naquele momento, Su Mei lançou um olhar para a imperatriz e apontou para ela. Em seguida, uma onda de intenção assassina se espalhou, tão intensa que até as folhas das árvores pareceram secar. O rosto da imperatriz mudou completamente de cor; jamais imaginara que, entre as meninas capturadas, estivesse a irmã de Su Zhe. Em sua mente, xingava o conselheiro do império mil vezes. Ele havia garantido que só havia recolhido refugiadas, que não restaria nenhuma ameaça.
Agora, com a irmã de Su Zhe envolvida, o risco era imenso — maior do que qualquer outro. Ela até suspeitava que Su Zhe viera justamente por causa da irmã. Ao pensar nisso, quase desabou de medo.
Su Zhe, por sua vez, concentrava o olhar gelado na imperatriz. Em seguida, carregando a irmã, dirigiu-se para fora, e ordenou aos Dezoito Cavaleiros de Yan Yun que o acompanhavam:
— Levem todas as meninas daqui. Não deixem mais ninguém!
Sua voz era tão fria que parecia congelar o próprio mundo. Logo atrás, ecoaram gritos lancinantes. Ao deixar o palácio imperial, Su Zhe viu que os súditos do Império Cangwu estavam ou mortos ou haviam se rendido, permanecendo no local com extremo cuidado.
Diante de tal cena, Su Zhe esmagou o amuleto de jade, enviando um sinal para que o exército de Da Zhou, estacionado nas fronteiras, viesse imediatamente. Afinal, o Império Cangwu já fora conquistado, seria um desperdício simplesmente abandoná-lo. Portanto, era essencial enviar tropas para guarnecer a região. Além disso, a localização daquele lugar era muito melhor do que a de Da Zhou. Especialmente sob a cidade imperial, parecia haver uma veia espiritual, o que era extremamente benéfico para o cultivo. Por isso, decidiu estabelecer-se ali definitivamente.
Nesse momento, Su Hu chegou à frente com um grupo de soldados. Ao ver Su Mei nos braços de Su Zhe, a alegria em seu rosto era quase impossível de esconder. Exclamou, emocionado:
— Pequena Mei!
Porém, ao se aproximar e notar as feridas de Su Mei, uma aura assassina explodiu imediatamente de seu corpo. Ao ver aquela reação, Su Zhe disse calmamente:
— A vingança já foi feita. Os que feriram Mei já estão mortos. Prepare-se, pois pretendo estabelecer aqui a capital de Da Zhou, elevando-a definitivamente ao status de império!
Assim que terminou de falar, os olhos de Su Hu brilharam de surpresa, seguidos de uma onda de entusiasmo. Seu clã estava prestes a tornar-se família imperial — um feito glorioso e inimaginável. Ele se apressou em dizer:
— Vou imediatamente organizar o palácio imperial!
E saiu correndo. Para a família Su, aquilo era de extrema importância. Tornar-se império era algo que nunca ousaram sequer sonhar. Assim, Su Zhe havia solucionado todos os problemas.
Enquanto isso, no Salão do Imperador Humano, o soberano estava sentado no grande salão, a testa franzida, o rosto tomado pela resignação. Voltou-se para os anciãos sentados à frente e disse:
— No campo de batalha dos reis, dentro do espaço de provas, nossa raça humana já perdeu dezoito reis consecutivos nos últimos dias. Se continuarmos assim, não apenas ficaremos envergonhados, mas, se nossa classificação for inferior à da última vez, teremos de ceder ainda mais território. Já somos fracos; se perdermos mais terras, nosso espaço vital diminuirá ainda mais. Digam, há alguma solução?
Sua voz carregava uma profunda sensação de impotência. O espaço de provas era um campo de treinamento criado pelas raças do continente, onde, a cada século, todas as raças enviavam seus melhores guerreiros para batalhar e demonstrar força. Dividia-se em três níveis: campo dos reis, campo dos imperadores e campo dos grandes imperadores. Cada raça selecionava seus mais poderosos reis, imperadores e grandes imperadores, liderando exércitos para combaterem nesse espaço especial. Como apenas as consciências entravam, mesmo que morressem ali, não era uma morte real; a consciência retornava ao corpo, evitando guerras devastadoras e permitindo avaliar o poder de cada raça.
Normalmente, a raça humana oscilava em torno da nona milésima posição. Mas, dessa vez, já haviam perdido dezoito batalhões de reis consecutivamente. Se continuasse assim, mesmo que mantivessem o desempenho nos campos dos imperadores e dos grandes imperadores, a classificação cairia drasticamente, o que seria fatal.
Com o fim das palavras do soberano, instalou-se um silêncio absoluto no salão. Nenhum dos anciãos sabia o que dizer. Os reis enviados eram todos da elite dos impérios humanos, com tropas de absoluta excelência. Ninguém esperava tamanho fracasso, tampouco tinha solução.
Contudo, enquanto todos estavam aflitos, o sétimo ancião teve um lampejo e quebrou o silêncio:
— Senhor do salão, parece que nos esquecemos de um império poderoso!
— Quem? — perguntou o soberano, surpreso. O olhar dos outros anciãos se voltou para ele, intrigados.
O sétimo ancião então sorriu e disse:
— Aquele comandante que dominou o domínio demoníaco. Ele fundou recentemente um império chamado Da Zhou!