Capítulo Vinte e Seis: O Avatar do Mundo Mundano
— Registrar presença!
Assim que a voz cessou, Su Zhe falou sem hesitar.
— Ding, parabéns ao anfitrião por registrar-se com sucesso. Você obteve a Linhagem do Dragão-Elefante, que pode transformar seu corpo no de um Dragão-Elefante, tornando-o uma Antiga Divindade!
Ao ouvir isso, uma expressão de decepção surgiu no rosto de Su Zhe. A Linhagem do Dragão-Elefante era poderosa, mas, para ele, tinha pouca utilidade. No entanto, logo pensou em Zhao Xing, que se encaixava perfeitamente para receber tal transformação. Dar-lhe a constituição do Dragão-Elefante não seria uma má ideia. Assim, Su Zhe deixou de se preocupar com o assunto.
Seu olhar se dirigiu ao céu, fixando a rainha. A alabarda em sua mão cintilava de luz. À sua frente erguia-se uma raposa demoníaca de três caudas. Felizmente, era apenas de três caudas, pois, com maior poder, ele dificilmente conseguiria enfrentá-la em seu estado atual. Mesmo assim, a adversária já atingira o nono nível do Palácio Púrpura — um poder supremo em todo o reino. Sob a luz do luar, sua presença tornava-se ainda mais aterradora.
Su Zhe fitou-a e disse:
— Então é verdade, és mesmo a Rainha Demoníaca. Não é de admirar que o Rei da Ascensão tenha perdido o juízo. Meu verdadeiro inimigo és tu. O extermínio da minha família Su deve ter começado por tua causa!
A voz de Su Zhe transbordava uma intenção assassina avassaladora. A rainha, por sua vez, sorriu e respondeu:
— Digno do título de Marquês Campeão. Não só possui força extraordinária, mas também sabedoria ímpar. Tens razão. Mas tu também não ficaste sem perdas. Escondi-me entre os humanos por tantos anos e, por tua causa, fui revelada. Hoje, deves pagar o preço!
Sua voz era ao mesmo tempo sedutora e irônica. Assim que terminou de falar, três caudas peludas dispararam em direção a Su Zhe como se fossem serpentes gigantes.
Diante disso, Su Zhe não vacilou. Bateu com força o pé direito no chão.
— Bang!
No mesmo instante, o solo sob seus pés se rachou. Seu corpo lançou-se ao alto como um projétil, desviando das caudas da inimiga.
— Estrondo!
As três caudas atingiram o chão, produzindo um estrondo ensurdecedor. No local onde Su Zhe estivera, abriu-se uma enorme cratera, a terra voando em todas as direções, cenário de pura devastação.
— Ha ha!
O riso estranho da rainha ecoou pelo vazio. Seu corpo estava envolto por uma névoa demoníaca, tornando sua figura indistinta e impossível de encarar diretamente. Quando ria, ondas sonoras se espalhavam, influenciando todos ao redor.
Mas Su Zhe não se deixou afetar. Após esquivar-se das caudas, brandiu sua alabarda, pronto para cortar uma delas.
Quando a rainha percebeu que seu canto sedutor não surtira efeito, sua expressão mudou e tentou recolher as caudas. Mas Su Zhe não era um adversário fácil; embora seu cultivo fosse inferior ao da rainha, seu poder de combate era formidável. Ele era um Rei Humano Antigo, capaz de proteger povos e dizimar raças inteiras. Não se podia julgar apenas pelo seu nível de cultivo.
Com a alabarda cortando o ar, a cauda da rainha não pôde escapar a tempo.
— Ssch!
O sangue espirrou. Uma das caudas da rainha foi brutalmente decepada.
Su Zhe então declarou friamente:
— Instigaste o rei insensato, assassinaste meu pai. Hoje, morrerás!
Ao terminar, avançou e continuou a atacar com a alabarda.
A rainha, sentindo a dor da cauda decepada, soltou um urro raivoso. Olhava para Su Zhe com ódio incontrolável.
— Ah, eu vou te matar!
Lançou-se sobre ele, sua túnica real esvoaçando e delineando seu corpo de forma arrebatadora. Mas os olhos de Su Zhe só refletiam vingança.
— Hmph!
Ele resmungou friamente, enfrentando a rainha em combate cerrado. Sua alabarda desenhava arcos poderosos, cada golpe ressoando como trovão, como se um deus da guerra estivesse diante dela. Ventos dourados uivavam, obrigando a rainha a recuar repetidamente, espantada.
— Como podes ter tal força?
Ela questionou, incrédula com o poder de Su Zhe. Mas ele manteve-se em silêncio.
— Roooaar!
Su Zhe executou a Garra do Dragão Verdadeiro. Acima dele, nuvens negras se formaram, e um rugido dracônico ecoou. Uma garra poderosa de dragão desceu dos céus, suas escamas reluzentes.
A rainha arregalou os olhos em choque e rugiu:
— Reverência à Lua, Reino de Qingqiu!
Uma gigantesca raposa branca espectral surgiu atrás dela. Outrora dócil, agora exibia uma expressão feroz, olhos brilhando com luz sinistra. A rainha saltou para enfrentar a garra do dragão, e a raposa espectral imitou seus movimentos, lançando sua garra ao mesmo tempo.
— Estrondo!
No instante seguinte, os poderes colidiram. Uma onda de energia visível a olho nu espalhou-se em ondulações ao redor.
Su Zhe permaneceu impassível, inabalável. Mas a imagem da raposa atrás da rainha se desfez no mesmo instante.
— Ssch!
Ela cuspiu sangue e caiu ao solo, perdendo toda a ferocidade de antes. Olhou para Su Zhe com charme irresistível.
— Poupa-me, farei o que quiseres!
O ambiente, antes de pura hostilidade, agora era tomado por uma beleza triste. Não se podia negar: o poder de sedução da rainha era de fato aterrador. Mas Su Zhe tinha um coração de ferro, completamente imune. Observou a bela figura à sua frente, que ainda irradiava um brilho sobrenatural, e bradou:
— Pai, teu filho vingou-te, assim como ao nosso clã!
Ao clamar isso, atrás dele um dragão maligno ergueu-se aos céus entre ventos furiosos. Su Zhe desceu com um soco devastador.
— Estrondo!
O poder de seu punho fez o mundo tremer. Uma luz dourada atingiu em cheio a cabeça da rainha.
— Bang!
O corpo dela se desfez em uma nuvem de sangue, tingindo Su Zhe de vermelho. Porém, ele imediatamente franziu o cenho, sentindo que algo estava errado. A alma da raposa demoníaca estava incompleta, como se fosse apenas um avatar arrancado de uma entidade muito mais poderosa.
Ao mesmo tempo, no distante Reino Demoníaco de Qingqiu, uma figura deslumbrante se levantou no salão real, irradiando um poder avassalador diante do qual incontáveis demônios se curvaram.
— Quem ousa destruir meu avatar do mundo mortal? Busca a própria morte!
Ao soar sua voz, nuvens demoníacas densas cobriram a lua no alto do céu.
Enquanto isso, Su Zhe ainda tentava compreender o ocorrido. Recordou-se então do talismã de jade deixado por Zhang Yu. Determinado a esclarecer o ódio que pairava sobre seu pai e seu clã, pois somente assim teria paz de espírito, avançou resoluto.
Foi nesse momento que Wu Song entrou no palácio. Olhou para Su Zhe e disse:
— General, descobrimos um mago demoníaco na mansão do conselheiro real. Já está cercado pelos soldados!
Ao ouvir isso, Su Zhe imediatamente franziu a testa, seus olhos brilhando com frieza. O conselheiro real e Zhang Yunlan... Ele queria saber se ambos se arrependiam das ações do passado. Su Zhe não os culpava pelo rompimento do noivado, pois não havia grande afeto entre ele e Zhang Yunlan. Mas o que não podia perdoar foi o fato de, na arena, quando seu pai foi morto, eles terem se aproveitado da situação para pisoteá-lo.
Assim, recolhendo o talismã de jade, declarou friamente:
— Vamos à mansão do conselheiro real!
E, sem mais delongas, montou em seu cavalo e partiu, seguido de perto pelo exército.