Capítulo Doze: Terror
Quando os guerreiros ao redor viram aquele que jazia no fundo da cratera, mesmo com a armadura em frangalhos, ainda ostentando fios dourados e pérolas cintilantes, não puderam deixar de empalidecer. Aquela era uma armadura exclusiva da família real do Reino da Ascensão.
Sem hesitar, viraram o corpo do homem. Ao reconhecerem-lhe o rosto, o pavor tomou conta de todos.
“É... é o segundo príncipe!”
A voz, ao ser proferida, tremia de incredulidade. O segundo príncipe era considerado o ícone da juventude no Reino da Ascensão, alguém cujo brilho jamais passava despercebido. Era tido como o supressor de toda uma geração.
Ainda se recordavam de quando ele partiu para a guerra, erguendo-se altivo numa carruagem dourada e reluzente, vestindo sua armadura dourada, provocando suspiros e gritos de admiração das jovens da cidade. Mas agora, jazendo ali, estava desfigurado, com a armadura despedaçada, um buraco sangrento no ombro e o rosto lívido. Se seu peito não subisse e descesse levemente, todos pensariam que já havia caído em batalha.
O guerreiro, tomado de pânico, correu de volta para informar o comandante defensor da cidade. Aquela noite, a capital do Reino da Ascensão estava destinada a ser abalada.
Pouco depois, um séquito do palácio chegou, acompanhado por uma vasta tropa da guarda real, que transportou o segundo príncipe com extremo cuidado para dentro dos portões do palácio. No entanto, a notícia da derrota logo se espalhou como fogo.
Ao saberem do ocorrido, alguns sentiram uma satisfação sombria, enquanto outros ficaram estupefatos.
Na residência do Grande Mestre, o Patriarca de Zhenyang exibia um semblante sombrio. O poder de Su Zhe superava todas as suas expectativas, deixando-o inquieto. Já Zhang Yunlan, embora de expressão fria, tinha nos olhos um brilho complexo, impossível de decifrar.
Su Zhe, alheio a tudo isso, tampouco se importaria caso soubesse. Ele só pensava em vingança.
Com a retirada do exército do segundo príncipe, Su Zhe preparava-se para marchar do sul ao norte, decidido a abalar os alicerces do Reino da Ascensão. À sombra da noite, deu suas ordens:
“Li Yi, lidera o Exército Chengfeng e defenda o Passo do Trovão e do Vento! Wu Song, reúne os demais e venham comigo!”
Ao receber a ordem, Li Yi abriu a boca, querendo dizer algo, mas preferiu o silêncio. Queria seguir Su Zhe para a batalha, mas sabia que o Passo do Trovão e do Vento precisava ser protegido, resistindo ao avanço dos demônios.
Ao perceber a expressão de Li Yi, Su Zhe sorriu, satisfeito, e lhe bateu no ombro:
“Proteja nossa casa!”
Após essas palavras, desceu imediatamente das muralhas e saltou sobre seu cavalo de guerra.
O Exército Shenwu, o Exército da Armadura Negra e os Guerreiros Wei seguiram-no até os portões da cidade. Na véspera, os batedores já haviam informado:
Zhang Yu recuara até a Cidade de Guangnan, a maior fortaleza da fronteira sul, ponto estratégico para todo o sul e passagem inevitável para Su Zhe rumo à capital. Era a oportunidade perfeita para buscar vingança.
No instante em que saía da cidade, Su Zhe foi surpreendido por uma imponente figura que se postou à frente de seu exército. Era Zhao Xing, em sua armadura negra, corpo maciço como uma montanha e a cabeça coberta de cicatrizes. Apesar da aparência feroz, ao ver Su Zhe, seu semblante mostrava um traço de mágoa. Então, declarou:
“Vou contigo!”
A hesitação tomou Su Zhe por um momento. Embora tivesse dado a Zhao Xing o melhor dos elixires, suas feridas ainda não estavam curadas. Seguir para a batalha seria perigoso.
Mas, antes que pudesse responder, Zhao Xing insistiu, sua voz agora mais firme:
“Eu preciso ir!”
Diante de tanta determinação, Su Zhe não pôde senão sorrir, rendido.
“Muito bem, vamos juntos!”
“Ótimo!”
Sem hesitar, Zhao Xing montou em seu cavalo e seguiu Su Zhe, enquanto o exército partia em marcha acelerada. O Passo do Trovão e do Vento distava mais de mil léguas de Guangnan, mas, em três dias, Su Zhe já estava diante dos muros da cidade.
Tinham apenas algumas dezenas de milhares de soldados, ao passo que a guarnição de Guangnan contava com duzentos mil homens. Com o Marquês de Guangnan e Zhang Yu à frente, todos sabiam que uma batalha sangrenta era inevitável. Normalmente, para conquistar uma cidade assim, seria necessário um exército várias vezes maior que o defensor. Agora, enfrentavam defensores em número muito superior ao seu. A dificuldade era colossal.
Quando Su Zhe chegou aos portões, Guangnan já estava em alerta. O Marquês de Guangnan, com sua armadura escarlate, erguia-se nas muralhas. Seu porte era imponente, empunhando uma lâmina de Fogo Ardente que parecia envolver-se em chamas.
Fitou Su Zhe e falou:
“Marquês Campeão, por que chegar a este ponto?”
Sua voz soava resignada. Ele governava Guangnan, Su Zhe defendia o Passo do Trovão e do Vento; dois marqueses, um dentro, outro fora, juntos protegiam toda a fronteira sul. Eram conhecidos, e até amigos. Quando a filha do marquês adoecera gravemente, ele próprio fora ao Passo do Trovão e do Vento pedir uma erva rara da Terra dos Demônios. Su Zhe buscou-a pessoalmente, enfrentando batalhas sangrentas por três dias, retornando coberto de cicatrizes e com três feridas graves.
Essa dívida jamais fora esquecida pelo Marquês de Guangnan. Por isso, quando o segundo príncipe chegou ao sul, ele recusou-se a ajudar.
Mas ao ouvir o chamado, a voz de Su Zhe soou gélida:
“Só quero justiça para a família Su. Quero saber daquele imperador insensato: minha família serviu fielmente ao Reino da Ascensão por gerações, conquistando terras em seu nome. O que fizemos de errado?”
Seu tom era frio como a morte, carregado de intenção assassina. Seus olhos recaíram sobre Zhang Yu, e ele acrescentou:
“E aproveitarei para extirpar alguns traidores.”
Zhang Yu sentiu-se tomado pelo pavor. Diante de Su Zhe, ele parecia ainda mais aterrador, como se fosse uma fera pronta a despedaçá-lo a qualquer instante.
O Marquês de Guangnan soltou um suspiro:
“Marquês Campeão, se é assim, não tenho alternativa!”
Ao terminar, ergueu a lâmina de Fogo Ardente, longa e envolta em chamas, seu brilho vermelho resplandecendo com a primeira luz da aurora, reluzindo sobre as muralhas.
Diante desse cenário, Su Zhe não hesitou mais. Ordenou às suas tropas:
“Tomem a cidade!”
Ao sinal, os guerreiros avançaram. Escudos erguidos, lanças à frente, marcharam em perfeita formação.
Cada passo fazia a terra tremer, transmitindo uma sensação de força inabalável.
Diante da cena, Zhang Yu ordenou imediatamente:
“Arqueiros, atirem!”
Setas aos milhares voaram em arco cerrado.
Ao mesmo tempo, uma voz soou na mente de Su Zhe:
“Ding! Deseja o anfitrião registrar presença no campo de batalha de nível aterrador?”