Capítulo Oitenta e Nove: Crueldade

Imortal e Marcial: No Início, Assinei com o Exército da Armadura Negra Lin do Oriente 2820 palavras 2026-02-07 13:29:50

— Se eu derrotar o povo do Clã do Fogo, a Planície da Pedra Sangrenta será minha? — perguntou Su Zhe calmamente durante a marcha.

Ao ouvir sua voz, a Rainha do Gelo esboçou um leve sorriso, cobrindo a boca.

— Se realmente conseguir derrotar os membros do Clã do Fogo, sem deixar-lhes argumentos, naturalmente será sua. Na verdade, poderia até conquistar um império inteiro, se assim desejasse. No entanto, é algo extremamente difícil. Assim como nosso povo recebe reforços, caso invada o império do Clã do Fogo, eles também lançarão um ataque contra nós. Por isso, ao longo de todos esses anos, nosso povo raramente expandiu seus domínios. O mesmo ocorre com os demais povos; é quase impossível ocupar territórios alheios! Se conseguir realizar tal feito, será motivo de extremo orgulho para toda a nossa raça!

Em sua voz, havia um tom de brincadeira. Evidentemente, a Rainha do Gelo não acreditava ser possível. Era uma tarefa ainda mais árdua do que conquistar o primeiro lugar na arena de provações. Afinal, lá era apenas um ambiente virtual; morrer significava apenas retornar à consciência. Agora, porém, tratava-se de um campo de batalha real, onde a queda significava o fim definitivo.

Por isso, era quase uma missão impossível, e ninguém tinha coragem suficiente para tentar. Os gênios que ousaram um dia, jazem agora em terras estrangeiras, seus corpos jamais recuperados, ultrajados dia após dia pelos povos inimigos.

Ao pensar nisso, os olhos da Rainha do Gelo se encheram de lágrimas. Eram pioneiros da raça, caídos em sacrifício.

Su Zhe, ao ouvir isso, mergulhou em profundo silêncio.

Enquanto isso, no campo de batalha, o combate atingia seu auge. O exército humano começava a recuar em derrota. O cheiro de sangue pairava no ar. O poder dos guerreiros do Clã do Fogo era assombroso. Seus dons naturais faziam com que, desde o início, fossem superiores aos humanos.

O Imperador da Pedra Azul já havia sido subjugado. Seu corpo atravessado por uma lança de guerra, seus olhos, cheios de indignação, fecharam-se para sempre no campo de batalha. O exército que liderava tentou lutar até o fim em sua defesa, mas foi rapidamente consumido por labaredas sem fim, a violência do combate deixando todos atônitos.

O exército humano recuava cada vez mais.

Um grito cortou o ar, e o Imperador do Sol Menor foi atingido por uma espada. A lâmina carmesim queimou sua carne, exalando o cheiro de carne queimada, fazendo todos franzirem o cenho.

Logo em seguida, o Imperador do Fogo Celestial desferiu-lhe um chute, lançando-o ao chão, onde ele cuspiu sangue, totalmente derrotado. Viu, impotente, seu povo sendo dizimado, tragado pelas chamas.

Neste momento, restou-lhe apenas ordenar:

— Recuem! Subam a colina e aguardem reforços!

Dos centenas de milhares de soldados, apenas alguns poucos conseguiram escapar do massacre. Ao contabilizar os sobreviventes, o Imperador do Sol Menor estava à beira do colapso. Como explicaria isso ao retornar? Sobretudo, com a morte do Imperador da Pedra Azul, não sabia como se dirigir à família do falecido. Seu semblante era de total desespero.

Olhando para o sopé da colina, viu os guerreiros do Clã do Fogo cercando-os cada vez mais e não sabia o que fazer. Se continuasse assim, todos seriam mortos ali mesmo, e a Planície da Pedra Sangrenta estaria perdida para sempre.

Pensando nisso, apertou com força a espada em suas mãos.

— Não! Não permitirei que tomem a Planície da Pedra Sangrenta! Ou então, todo o sangue derramado pelos nossos ancestrais terá sido em vão! — disse com firmeza.

Os demais imperadores humanos, ao redor, exibiam expressões de absoluto desespero. Ninguém desejava que as coisas chegassem a esse ponto. Mas, mesmo lutando com todas as forças, era impossível igualar o poder do Clã do Fogo.

Diante disso, seus rostos estavam sombrios.

E, nesse momento, o Imperador do Fogo Celestial preparava-se para um novo ataque. Parado ao pé da colina, seus olhos brilhavam frios, e atrás dele um exército sem fim seguia à espera.

Então, sua voz ressoou:

— Todos, preparem-se para atacar!

Com sua ordem, o exército do Clã do Fogo ergueu as armas, pronto para a investida final. Bastava exterminar os humanos à frente e a Planície da Pedra Sangrenta seria deles. As riquezas minerais, as presas de caça, tudo seria do Clã do Fogo. A excitação era palpável entre eles.

— Matem!

Ao som de um brado furioso, lançaram-se colina acima. O ar se encheu de uma atmosfera assassina. Os guerreiros do Clã do Fogo, em suas armaduras escarlates, avançaram como um mar de chamas.

Diante daquela visão, o Imperador do Sol Menor não hesitou. Com frieza, ordenou:

— Detenham-nos!

Os melhores guerreiros humanos formaram a linha de frente, seguidos pelos soldados. Era essa a razão pela qual, diante do perigo, os humanos tantas vezes sobreviviam mesmo nas situações mais críticas.

As armas dançavam no ar; ainda que banhados em sangue, não se rendiam.

O Imperador do Sol Menor bradou com força:

— Irmãos humanos que estão atrás, fui eu quem trouxe vocês a este campo de batalha! Hoje, abrirei um caminho de sangue e os levarei de volta! Até onde conseguirmos chegar, dependerá do nosso destino!

Enquanto falava, seu manto real tremulava ao vento. Avançou, com a espada em punho, irradiando um brilho intenso, correndo em direção ao exército inimigo. Os demais imperadores o seguiram de perto, com o exército humano na retaguarda. Mas eram poucos, e sua força não se comparava à do inimigo. Quando penetraram no centro do exército adversário, sua marcha logo foi barrada.

Diante do Imperador do Sol Menor, surgiu um dos reis do Clã do Fogo: o Imperador da Chama Púrpura, envolto em chamas violetas, empunhando um imenso martelo. Atacou sem hesitar, a luz abrasadora piscando no ar. O Imperador do Sol Menor, já ferido e exausto após tão longa batalha, mal conseguiu erguer a espada para se defender.

Foi derrubado pelo martelo, cuspindo sangue, os olhos cheios de revolta. O Imperador da Chama Púrpura, porém, exibia um sorriso cruel.

— Ousou desafiar o Clã do Fogo? Seu destino é a morte! — vociferou, pronto para matá-lo.

O olhar do Imperador do Sol Menor era de pura indignação. Mas, naquele exato momento, ao longe, um novo exército irrompeu pelo cerco. Vendo a cena, um dos guerreiros apanhou uma lança de um inimigo e a lançou com precisão.

O som cortante atravessou o ar, e a lança cravou-se no peito do Imperador da Chama Púrpura, matando-o.

Surpreso, o Imperador do Sol Menor ergueu os olhos: reforços humanos haviam chegado. Contudo, logo franziu o cenho, pois eram poucos. Seu coração apertou, e ele quis avisá-los para recuar.